‘Not suitable for work’ tenta ressuscitar ‘Friends’ (e fica presa no passado)

Compartilhe

É claro que o sucesso de uma série traz pontos positivos. Os fãs de televisão, contudo, sempre ficam com um pé atrás após um grande hit. O problema é clássico: depois de toda produção com grande repercussão, vêm as repetições. Basta prestar atenção em quantas produções tentaram seguir os passos do sucesso de E.R., 24 Horas, Lost e, é claro, Friends.

Not suitable for work, a nova aposta do Hulu que chegou ao Brasil pela Disney+, claramente segue os passos da sitcom dos anos 1990. Os amigos começando a vida adulta, Nova York em movimento, os relacionamentos entre eles: tudo tem o tom de Chandler, Monica e companhia.

A história criada e roteirizada por Mindy Kaling — de The Office e Eu Nunca… — começa quando AJ (Ella Hunt) se muda para o apartamento da melhor amiga, Abby (Avantika Vandanapu), que é vizinha de três amigos de infância: Davis (Will Angus), Kel (Nicholas Duvernay) e Josh (Jack Martin).

Cada um segue uma carreira distinta — com exceção de Davis e AJ, que trabalham juntos —, conseguindo montar um leque de personalidades variadas, algo fundamental para essa quantidade de protagonistas. As atuações são excelentes e dão o impulso de que a maioria dos episódios precisa.

O trabalho com o trabalho

A essência de Not suitable for work, e talvez a maior diferença em relação a Friends, é mostrar o quanto os cinco personagens têm dificuldades em diferentes aspectos dos respectivos trabalhos. Parte dessas barreiras atravessa o contexto geracional, retratando como esses jovens encaram o mundo corporativo. Diferente de Industry, contudo, o choque geracional corporativo em Not suitable for work soa pedante.

A impressão é que os cinco vivem na década de 1990. Perder a virgindade ainda é motivo de vergonha, seguir uma profissão que incomode os pais é pecado e parece não haver espaço para a pluralidade de pessoas LGBTQIA+.

No fim, Not suitable for work tenta surfar na onda da comédia-leve-fim de dia que consagrou Friends por 10 temporadas. A tentativa não é inválida, mas não funciona.

Ronayre Nunes

Jornalista formado pela Universidade de Brasília (UnB). No Correio Braziliense desde 2016. Entusiasta de entretenimento e ciências.

Posts recentes

Imperfeita, ‘Euphoria’ se despede como mais um tijolo no gênero teen

Desde o começo da derradeira temporada de Euphoria, o público parecia ter batido o martelo:…

1 mês atrás

Análise: “Quem ama cuida” estreia com forte e assertivo apelo emocional

Retomada da parceria entre Walcyr Carrasco e Claudia Souto explode logo no primeiro capítulo com…

2 meses atrás

Análise: ‘Três Graças’ é um manifesto em defesa da novela clássica

Em tempos em que muitas produções tentam dialogar com tendências digitais ou com fórmulas externas…

2 meses atrás

‘The pitt’ 2ª temporada: uma nova voz

Aclamada produção médica faz o dever de casa e ainda tem tempo de encontrar uma…

3 meses atrás

Análise: Dor e glória em uma edição de colecionador no BBB

A imagem de Ana Paula Renault com o troféu nas mãos, cercada por seus aliados…

3 meses atrás

‘Euphoria’ não está tão ruim quanto dizem

Terceira e última temporada da produção na Max apresenta quase uma nova série para a…

3 meses atrás