Crédito: Divulgação/Globoplay
Texto por Letícia Passos — Se fosse necessário resumir Jogada de risco em poucas palavras, o diagnóstico seria curioso. Não, o roteiro está longe de ser brilhante. Não, a direção não reinventa a televisão brasileira. E, sim, algumas atuações flertam com o exagero e o tom novelesco. Mas ainda resiste um adjetivo que define a nova aposta da Globoplay melhor do que qualquer outro e, provavelmente, é o que mais interessa tanto à plataforma quanto ao público: Jogada de risco é divertida.
A série acompanha Maurício (Cauã Reymond), um ex-jogador de futebol que tenta reconstruir a própria vida depois de ver a carreira desmoronar em meio a escândalos. Enquanto busca uma segunda chance, ele acaba envolvido em um universo de apostas esportivas, manipulação de resultados, corrupção e disputas de poder que colocam em risco o futuro de todos ao redor. Com oito episódios, a produção estreou na última quinta-feira (24/7) e terá novos capítulos disponibilizados semanalmente.
Criador da série, Cauã Reymond convence como um atleta decadente tentando recuperar o prestígio perdido. O problema é que a atuação transmite uma inevitável sensação de canastrice e é difícil escapar da impressão de que o ator interpreta variações do mesmo personagem há anos. O carisma continua funcionando, mas falta frescor.
Letícia Colin vive Rita, uma personagem ambiciosa e disposta a tudo para alcançar o que deseja. Embora a atriz costume elevar qualquer produção da qual participe, aqui ela parece presa a uma figura excessivamente caricata. Mesmo quando o roteiro explica as motivações, a personagem raramente ganha a complexidade necessária para soar verdadeiramente humana.
Quem rouba a cena é Mariana Sena. A atriz entrega uma Cris extremamente carismática e espontânea, tornando fácil compreender por que ela rapidamente conquistou o público. Ainda que Maurício não seja exatamente um protagonista fácil de admirar, é praticamente impossível não torcer por Cris, mesmo quando ela insiste em embarcar nas decisões desastrosas do galã.
Outro destaque positivo é Breno Ferreira. Depois da interpretação engessada em Beleza fatal, da HBO Max, o ator demonstra evolução ao viver Geraldo, um jogador promissor que esconde um segredo capaz de destruir a carreira antes mesmo de ela atingir o auge.
Um dos aspectos mais comentados da série, porém, são as inúmeras cenas de sexo e nudez. Cauã Reymond, Breno Ferreira, Juan Paiva, Bruna Griphao, Letícia Colin e até Marcelo Adnet aparecem em momentos de intimidade que rapidamente se tornaram assunto nas redes sociais.
O problema é que a quantidade parece importar mais do que a função dramática. Em vez de acrescentarem tensão ou desenvolverem os relacionamentos, muitas dessas sequências acabam soando gratuitas. Depois de algum tempo, o espectador deixa de enxergá-las como um recurso narrativo e passa apenas a esperar qual será a próxima cena de pegação.
No terceiro episódio, Cauã Reymond também assume a direção. O resultado está longe de ser memorável, mas revela um diretor competente, seguro e bastante promissor para uma estreia atrás das câmeras.
No fim das contas, Jogada de risco é uma série espalhafatosa, exagerada e consciente dos próprios excessos. É evidente a tentativa de beber da fonte de produções como Donos do jogo, da Netflix, e de outros dramas criminais esportivos que conquistaram espaço no streaming ao apostar em sexo, violência e reviravoltas constantes.
Quase nada ali é particularmente original, mas também é difícil negar o principal mérito: ela sabe entreter. Quando os créditos do episódio aparecem, a vontade de assistir ao próximo costuma falar mais alto do que qualquer problema do roteiro. E, no fim das contas, talvez esse seja justamente o jogo que a série queria vencer.
Texto por Letícia Passos — Com a morte de Benedito Ruy Barbosa, aos 95 anos,…
É claro que o sucesso de uma série traz pontos positivos. Os fãs de televisão,…
Desde o começo da derradeira temporada de Euphoria, o público parecia ter batido o martelo:…
Retomada da parceria entre Walcyr Carrasco e Claudia Souto explode logo no primeiro capítulo com…
Em tempos em que muitas produções tentam dialogar com tendências digitais ou com fórmulas externas…
Aclamada produção médica faz o dever de casa e ainda tem tempo de encontrar uma…