‘The pitt’ 2ª temporada: uma nova voz

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Aclamada produção médica faz o dever de casa e ainda tem tempo de encontrar uma nova voz: a dos próprios doutores

Todo fã de séries sabe que o real desafio de uma produção não é o piloto, mas sim a segunda temporada. O tempo para desenvolver um novo ano é escasso e o roteiro deixa de ser apenas criatividade para se tornar resiliência sob a pressão do público. É o momento em que tropeçar se torna mais fácil. No entanto, essa prova de fogo foi “fichinha” para The Pitt, que encerrou o segundo ciclo na TV na última semana.

A série da Max fez o dever de casa. A narrativa seguiu linear, com histórias visivelmente planejadas — e não improvisadas. As atuações avançaram com vigor criativo e houve fôlego para introduzir uma nova perspectiva. A mudança foi sutil, mas talvez foi o ponto mais instigante dos 15 episódios que retratam o cotidiano do Pittsburgh Trauma Medical Center.

A voz dos médicos grita

Diferente da temporada de estreia, em que os dramas pendiam para o ponto de vista dos pacientes, o segundo ano priorizou os dilemas dos profissionais de saúde. Isso não significa que os pacientes foram esquecidos; pelo contrário. O caso de Orlando Diaz (William Guirola), o homem que decide abandonar o hospital por falta de recursos para pagar o tratamento, protagonizou um dos momentos mais tocantes da jornada.

Contudo, o que marca esta temporada são os “fantasmas” dos médicos. Grande parte desse peso vem da depressão enfrentada pelo Dr. Robby (Noah Wyle). A pressão sobre o chefe da emergência beira o insuportável, alimentando uma expectativa constante de que ele abandone o cargo — ou algo pior.

Enquanto o futuro de Robby fica para a terceira temporada, outra voz médica ganha força: a de Mel (Taylor Dearden). A personagem, já relevante por retratar o espectro autista na área da saúde, agora expande seu discurso para além de si mesma.

Curiosamente, diante dessas novas camadas apresentadas por The Pitt, uma personagem poderia ter sido melhor explorada psicologicamente: Dana (Katherine LaNasa). Embora a enfermeira-chefe tenha tido participação fundamental em diversos arcos, fica a sensação de que o roteiro poderia ter mergulhado mais fundo em suas motivações, em quem ela é além do hospital.

Em síntese, o segundo ano de The Pitt prova que a produção não se sustenta em aventuras casuais. Tudo é calculado e deliberado. Existe uma razão para cada evento — exatamente o que um fã espera de uma série que respeita o público.

Ronayre Nunes

Jornalista formado pela Universidade de Brasília (UnB). No Correio Braziliense desde 2016. Entusiasta de entretenimento e ciências.

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