Crédito: Reprodução/Max
Desde o começo da derradeira temporada de Euphoria, o público parecia ter batido o martelo: “não será um final bom”. Quem é fã de séries, contudo, sabe que o impacto de uma obra pode ser completamente transformado por um excelente desfecho. Logo, seria mais prudente aguardar os últimos oito episódios do terceiro ano da produção da Max para decidir se a jornada valeu a pena. Quase uma semana após a conclusão da série protagonizada por Zendaya, o veredito ficou claro: Euphoria realmente declinou em qualidade em sua despedida.
Cuidado, spoilers à frente!
Curiosamente, três eixos se destacaram na terceira temporada de Euphoria: o vício como tema central, a morte de Nate (Jacob Elordi) e o trágico fim de Rue (Zendaya).
O primeiro aspecto foi dissecado ao extremo: desde o vício em fama de Cassie (Sydney Sweeney), passando pela obsessão por dinheiro de Alamo (Adewale Akinnuoye-Agbaje), até a dependência química de Rue — que, curiosamente, parecia curada — e até mesmo o vício em sexo de Sam Levinson (criador e showrunner da série). A obsessão foi retratada de forma voraz, flertando constantemente com a violência.
Um detalhe que a maioria dos espectadores de Euphoria talvez não note — e realmente não precisa notar — é que a produção funciona como mais um tijolo na construção do gênero teen ao longo dos anos. É fácil perceber as referências a outras produções inesquecíveis dentro do universo californiano pintado por Levinson: o humor ácido de The Inbetweeners, a crueza de Skins e o realismo social de Skam.
Quando uma produção voltada ao público jovem chega ao fim, cabe a reflexão: o quanto essas horas de tela ajudaram a edificar o gênero? A verdade é que Euphoria não foi muito longe.
Voltando aos pontos altos da temporada, a morte de Nate foi um expurgo de violência que beirou o desnecessário. O acontecimento contrastou fortemente com a morte de Rue: leve, quase sublime, envolta no sonho de alguém que, na vida real, sucumbiu a uma overdose de fentanil.
Após os oito episódios deste terceiro ano, os personagens coadjuvantes encolheram. Maddy (Alexa Demie), Jules (Hunter Schafer) e Faye (Chloe Cherry) tornaram-se apenas memórias — nem sempre ruins, mas distantes.
Em síntese, o fim de Euphoria parece ter ficado marcado muito mais pela excelência técnica do que por qualquer traço de personalidade, criatividade ou emoção.
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