‘Euphoria’ não está tão ruim quanto dizem

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Terceira e última temporada da produção na Max apresenta quase uma nova série para a protagonista — o que não é necessariamente ruim. Os coadjuvantes, contudo, amargam fracasso ou apatia

Após 4 anos, 1 mês e 16 dias, a terceira e última temporada de Euphoria retornou ao streaming da Max neste domingo (12/4). A antecipada produção — que reúne a nata de Hollywood no elenco — entregou um episódio de estreia com tropeços e falhas evidentes. Contudo, o resultado não é tão desastroso quanto sugerem as críticas agridoces das redes sociais.

O grande choque neste retorno reside mais no foco narrativo do que em uma queda súbita de qualidade. É inegável: a produção sob o comando de Sam Levinson não trata mais sobre os limites — ou a falta deles — de um grupo de adolescentes, tampouco sobre as consequências de seus atos.

O início desta temporada deixou claro que a série se tornou, essencialmente, a jornada de Rue (Zendaya) enfrentando os altos e baixos do tráfico. Ela começa como uma simples “mula” e promete conquistar espaço no crime. A mudança brusca justifica a surpresa do público, mas não significa um fracasso total — exceto quando olhamos para os coadjuvantes.

O declínio dos coadjuvantes

Se a nova direção de Rue surpreende, a dinâmica do elenco de apoio choca negativamente. Aqui, a mudança foi amarga, especialmente no arco de Cassie (Sydney Sweeney). O problema não é o fato de a personagem tentar o sucesso nas redes sociais vestida de cachorra, mas a construção das cenas. O uso excessivo de closes em partes do corpo da atriz confere um tom apelativo e vulgar à produção. Em vez de discutir a misoginia da nova carreira de Cassie — o que renderia um bom enredo —, a direção opta por cenas gratuitas. Uma escolha desastrosa.

Quanto aos demais, Maddy (Alexa Demie) e Nate (Jacob Elordi) surgem apáticos. Entram e saem de cena sem despertar reações, ao contrário do magnetismo que exibiam nas temporadas anteriores, quando tinham ações com ramificações cruciais na história de Rue. Já Lexi (Maude Apatow) está um degrau acima da apatia dos colegas, mas ainda parece indiferente ao impacto da narrativa. Ela possui uma trama, mas resta a sensação de que o roteiro não a levará a lugar algum.

A temporada final de Euphoria propõe uma nova série para a protagonista. Isso não a torna, por si só, ruim, mas exige do telespectador uma dose de resignação que nem sempre o público está disposto a entregar.

Ronayre Nunes

Jornalista formado pela Universidade de Brasília (UnB). No Correio Braziliense desde 2016. Entusiasta de entretenimento e ciências.

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