A vida pela frente é uma viagem nostálgica à adolescência

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Série que estreia nesta quarta (21/6), no Globoplay, acompanha a trajetória de seis estudantes de um colégio da zona sul carioca

Por Patrick Selvatti

A nostalgia é um grande trunfo para o storytelling. Na hora de contar uma história, despertar o sentimento de saudosismo é uma aposta infalível e essa, sem dúvida alguma, é a principal arma utilizada pelos produtores de A vida pela frente, série que estreia nesta quarta-feira (21/6) no Globoplay. Tendo o Rio de Janeiro como cenário e a virada do milênio, entre 1999 e 2000, como pano de fundo, a obra de 10 episódios atravessa o antes e depois de uma reviravolta marcante na vida de seis adolescentes, navegando por temas como saúde mental, responsabilidade afetiva e luto. A narrativa acompanha a trajetória de amigos de personalidades distintas: Beta (Flora Camolese), Cadé (Jaffar Bambirra), Marina (Muse Maya), Vicente (Henrique Barreira), JP (Lourenço Dantas) e Liz (Nina Tomsic),que encaram durante o último ano do segundo grau na fictícia Jardim do Futuro, escola da zona sul carioca.

A série original é inspirada na adolescência das criadoras, Leandra Leal, Rita Toledo e Carol Benjamin. “Coisas que aconteceram com a gente, outras que ouvimos falar. Ela aborda essa fase que é muito potente, essa fase de descobertas. Eu me identifico muito com a adolescente que fui e ainda sinto que tenho esse olhar de descobertas”, disse Leandra, que atua na série e divide a direção com Bruno Safadi. “A gente queria falar sobre o lado das festas, das descobertas, mas também falar das dores, das questões”, expôs Rita. “A gente trouxe para a série muitos acontecimentos que nos atravessaram”, acrescentou Carol.

As três criadoras se conhecem desde a adolescência — época que, segundo elas, forma a identidade — e são apaixonadas pelo tema. Juntas, elas decidiram, em 2013, tratar de assuntos difíceis de posicionamento no mundo, de reconhecimento de si próprio e inspiração, a partir da morte de uma garota que integra o grupo. “Queríamos mergulhar na intensidade e potência dessa fase da adolescência. A série fala de uma fase muito especial através da perda, de como vão lidar dali em diante”, descreve Leandra, que interpreta Tereza, a mãe de uma das protagonistas.

Luto

De acordo com as criadoras, A vida pela frente faz uma metáfora com a morte. “Além da experiência de perder alguém importante, a adolescência também é uma fase de luto daquilo que passou e mudou muito rapidamente. A morte não passa pela cabeça de um adolescente, que naturalmente testa os limites, acredita que será eterno. E eu perdi o pai nessa idade, sei bem como é esse sentimento. Não é espelho, mas tem inspiração”, revela a atriz, autora e diretora. “Tem sensibilidade e crueza e não é só para adolescentes, mas também quem viveu aquela época”, conclui.

O elenco reúne, ainda, Angela Leal, Estrela Straus, Rodrigo Pandolfo, Ângelo Antônio, Stella Rabello, Claudio Mendes, Letrux, Helena Bonjour, Luiz Henrique Nogueira, Gustavo Vaz, Yara Charry, Josie Antello, Raquel Paixão e Rafael Saraiva.

A produção tem supervisão de roteiro de Lucas Paraizo — responsável pelos sucessos Sob pressão e Os outros — e será apresentada em duas partes. A segunda estreia em 6 de julho.

Patrick Selvatti

Sabe noveleiro de carteirinha? A paixão começou ainda na infância, quando chorou na morte de Tancredo Neves porque a cobertura comeu um capítulo de A gata comeu. Fã de Gilberto Braga, ama Quatro por quatro e assiste até as que não gosta, só para comentar.

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