Os gambás virtuais

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Quem toca um instrumento logo conhece alguém que também toca, que conhece outro e normalmente isso acaba numa roda musical. A cada encontro, uma descoberta, uma alegria que contagia também quem gosta de música mesmo sem tocar nada; alguns até decidem aprender. Não há nada de anormal nisso. O que é fora de série é um pessoal assim estar junto […]

Entre leões e urubus

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As esparsas chuvas recentes lavaram o céu de Brasília. A névoa seca formada por poeira, material orgânico flutuante e sabe-se lá mais o quê deu lugar a um azul anil vivíssimo que tem tornado a secura dos últimos dias suportável; no mínimo, mais colorida. Como está difícil ficar em casa, muita gente se arrisca pelos lugares públicos da cidade, desafiando […]

Canjebrina, a assassina

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O rapaz tem pinta de ser um brasileiro que sua para viver. O frio da noite nesta temporada de seca pedia casaco e até um pouco mais, mas ele ainda estava em mangas de camisa quando entrou no bar e, sem economizar na altura da voz – um amigo meu, preconceituoso, diz que pobre só fala gritando – pediu: – […]

Os bichos soltos

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Não demora muito e Brasília vai passar a ser conhecida como a capital das capivaras. E pelo menos desta vez não tem nada a ver com os antecedentes criminais de burocratas e políticos que eleitores de todo o País mandam para cá – capivara, no mundo jurídico, é sinônimo de folha corrida; quanto mais cabeluda, mais capivarento é o sujeito. […]

Boteco à distância

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A noite ainda começava a cair quando nosso amigo entrou no bar reclamando que nasceu na época errada. Antes de prosseguir com o lamento, é necessário dizer que no boteco não é de bom tom – sim, há uma etiqueta – ficar inquirindo os parceiros, até porque quase sempre a amizade se limita àquele determinado local; fora dali, pessoas que […]

De volta ao bar

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Os amigos estão reaparecendo em pleno inverno. Parece que a autorização oficial para a reabertura dos botecos foi a senha da retomada das atividades sociais, embora muita gente ainda esteja cabreira e sem coragem de enfrentar o tal vírus de peito aberto. Esses preferem a segurança do telefone. Logo na primeira hora o Faixa ligou. “Vai hoje?”, perguntou antes de […]

O mistério musical   

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Desde início do século passado sabe-se que “samba é como passarinho que voa: é de quem pegar primeiro”. Pelo menos foi o que disse Sinhô, um dos sambistas pioneiros, ao ser acusado de roubar Gosto Que Me Enrosco, de Heitor dos Prazeres. Sinhô mandou imprimir abaixo do nome, no cartão de visitas, o epônimo “rei do samba”, mas era mesmo […]

Cidadãos exemplares

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Meu amigo já tem mais de 70 anos. Bem mais. Duplamente aposentado, tem boa renda, paga seus impostos e, mesmo sem precisar, vota em toda eleição e ainda briga pelo candidato escolhido. Até no clube. Participa do grupo da paróquia ao lado da esposa, é bem informado, inteligente e gosta de ler. É o tal cidadão exemplar. Mas já faz […]

O velho boteco no novo normal

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Faz mais ou menos 12 mil anos que os homens decidiram parar de zanzar de um lado para outro e começaram a se juntar em vilas. Nesta época algumas pessoas começaram a exercer ofícios: uns começaram a produzir roupas, outros faziam armas e ferramentas, alguns cultivaram alimentos e domesticaram animais – nascia o comércio. Nenhum paleontólogo confirma, mas é quase […]

Letras garrafais

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O mundo perdeu muito de sua humanidade quando aposentou as letras garrafais. A luz do planeta se acendeu no fim da Idade Média, quando Guttemberg inventou os tipos móveis, pelos idos de 1450, o que deu na imprensa e, por consequência, na irremediável enxaqueca dos poderosos. Os tipos viraram tipões, mas a indignação que eles representavam vem sumindo. De uns […]