Marcela Castilho, fundadora da Booma | Crédito: Divulgação

Produtos naturais para o mercado de baby care

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Durante a primeira gestação, a nutricionista Marcela Castilho passou a buscar cosméticos e produtos mais seguros e naturais. Ao se deparar com a escassez de opções no mercado brasileiro, percebeu uma oportunidade: entrar no segmento de baby care para transformar essa realidade. A partir dessa inquietação pessoal, nasceu a Booma. Lançada oficialmente em 2022, a marca brasiliense deu os primeiros passos com duas pomadas, desenvolvidas após quase um ano de pesquisas e testes.

Marcela recorda que, naquela época, o Brasil já contava com algumas opções de produtos mais “clean”, mas ainda havia uma lacuna significativa. “Durante a gravidez, eu já estava muito preocupada com tudo o que usava e com tudo o que entrava em contato com o meu corpo, justamente por saber que qualquer escolha poderia ter impacto no desenvolvimento da minha filha. Quando comecei a pensar nos produtos que usaria nela depois que nascesse, passei a procurar opções mais naturais, saudáveis e seguras para os cuidados com o bebê”, indica.

Foi a partir dessa experiência que a empresária identificou uma necessidade que poderia ser compartilhada por outras famílias. A Booma nasceu com o propósito de desenvolver produtos que atendessem às necessidades e aos desejos que a própria Marcela gostaria de encontrar para a filha: itens saudáveis, naturais e seguros, pensados para respeitar a saúde e o desenvolvimento das crianças. “Por isso, a marca tem como pilares a eficácia, a segurança e a confiança em tudo o que produz, sempre com um olhar muito cuidadoso para a infância”, acrescenta.

Em três anos, o portfólio evoluiu de dois para 15 produtos, com formulações que apresentam mais de 95% de naturalidade, sem abrir mão da performance. “Começamos pelas pomadas, que foram os primeiros produtos da marca, incluindo a pomada Multifuncional e a pomada Antiassaduras. Ao longo do tempo, ampliamos o portfólio e hoje temos também shampoo cabeça e corpo, condicionador, leave-in, protetor solar, água perfumada e hidratante corporal, entre outros”, informa.

Com investimento inicial de R$ 900 mil em capital próprio, a empresa projeta alcançar R$ 50 milhões em faturamento em 2026 e mira R$ 200 milhões até 2028. Para sustentar esse crescimento, a Booma aposta na expansão para o varejo físico e na internacionalização. “Hoje, temos aproximadamente 60 lojas que revendem a Booma, muitas delas a partir de um movimento espontâneo de lojistas que nos procuram interessados em trabalhar com a marca”, contextualiza.

Naturalidade e performance

Para Marcela, desenvolver fórmulas com mais de 95% de naturalidade está entre os principais desafios da operação. Segundo a empresária, quanto maior o percentual de ingredientes de origem natural, mais complexa pode ser a formulação, já que determinados componentes são necessários para garantir estabilidade, segurança e performance aos produtos. Diante disso, a Booma buscou trabalhar com indústrias que já tivessem experiência e conhecimento no desenvolvimento de formulações naturais.

“Existe também um desafio relacionado ao custo, já que matérias-primas de origem natural podem tornar a formulação mais cara. Então, é um constante exercício de equilibrar naturalidade, segurança, eficácia e viabilidade para que o produto possa chegar ao consumidor. Para a Booma, esse é um critério muito importante e que procuramos preservar em todas as nossas formulações”, explica.

Além do desafio de desenvolver produtos com alto percentual de naturalidade, a empresária aponta outra barreira para o segmento: explicar ao consumidor o que, de fato, significam termos como “natural”, “limpo” e “seguro”. Segundo Marcela, ainda existe muita desinformação em torno desses conceitos, embora o tema tenha ganhado espaço nos últimos anos. “Hoje, temos um público cada vez mais consciente e informado, formado por pais que buscam entender melhor o que estão oferecendo aos filhos e também por profissionais de saúde mais atentos a essas questões”, avalia. 

Diante desse cenário, a Booma busca assumir também um papel educativo. “Não queremos apenas dizer que nossos produtos são diferentes, queremos explicar por que são diferentes, quais são as nossas escolhas de formulação e o que existe por trás de cada produto. A transparência faz parte da marca justamente por isso”, afirma.

Três perguntas para Marcela Castilho, fundadora da Booma:

 O que significa “Booma”?

O nome Booma nasceu da vontade de criar uma marca com um nome lúdico, fofo e carinhoso, mas sem ser infantilizado. Eu também queria que fosse um nome fácil de falar e que tivesse um caráter mais universal, já que gosto muito da língua inglesa. A inspiração veio da expressão em inglês “my boo”, usada de forma carinhosa para se referir a alguém querido, como “meu amorzinho” ou “meu queridinho”. A partir dessa expressão, fiz algumas adaptações e inverti a sonoridade até chegar a Booma. No fim, ficou um nome curto, sonoro e fácil de falar, mas que carrega esse significado afetivo de alguém muito querido. Eu costumo brincar que a Booma é como uma segunda filha, só que essa nasceu falando inglês.

Por que começar a internacionalização em 2027?

A gente acredita que a Booma tem muito fit com alguns mercados internacionais, especialmente o europeu e o norte-americano. São mercados em que o consumidor já está mais familiarizado com conceitos como clean beauty, naturalidade e escolhas mais conscientes na hora de comprar produtos de cuidados pessoais. Por isso, entendemos que 2027 é um momento estratégico para começar esse movimento. 

 Há alguma curiosidade que poucas pessoas conhecem?

Uma curiosidade é que muita gente acredita que a Booma é uma marca de São Paulo. Somos bastante conhecidos no mercado paulista e, hoje, cerca de 40% das nossas vendas de e-commerce estão concentradas no estado. Além disso, boa parte das pessoas e parceiros com quem trabalhamos está em São Paulo, e nós estamos na cidade praticamente todos os meses. Mas, na verdade, a Booma é uma empresa de Brasília. Eu e meu marido moramos aqui e toda a gestão da empresa é feita daqui. Inclusive, não temos planos de nos mudar para São Paulo.

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