Em um cenário em que profissionais de saúde estão cada vez mais expostos a riscos jurídicos e desafios de imagem, a Blindamed aposta em uma proposta de proteção contínua para quem atua na área. A marca, que ampliou a sua atuação para todo o país, reúne em uma única solução assessoria jurídica, seguro de responsabilidade profissional individual e gestão estratégica de reputação, atendendo médicos, odontólogos, enfermeiros e outros profissionais sujeitos a riscos legais e de imagem ao longo da carreira.
A demanda por mecanismos de proteção jurídica e patrimonial para profissionais de alta responsabilidade tem ganhado espaço no Brasil. De acordo com o Conselho Federal de Medicina (CFM), o Brasil contabilizou 38 mil boletins de ocorrência envolvendo médicos vítimas de crimes em ambientes de trabalho entre 2013 e 2024. Nesse contexto, a Blindamed surgiu em 2022, em Brasília, a partir da experiência de profissionais que atuavam com advocacia de alta complexidade e direito médico.
“Percebemos que o seguro de responsabilidade civil era fundamental, mas entrava em cena principalmente quando o problema já estava instalado. Criamos, então, um modelo que reúne prevenção jurídica, proteção securitária e gestão de crises e reputação. A ideia é acompanhar o profissional antes, durante e depois de uma situação de risco”, informa Marco Leal Vieira, CEO da Blindamed.
De acordo com o empresário, a principal diferença entre a Blindamed e uma corretora de seguros ou um escritório de advocacia tradicional está na integração e, principalmente, na prevenção. Segundo Marco, uma corretora tem como atividade central a solução securitária. Um escritório atua na dimensão jurídica. Já a Blindamed procura conectar essas diferentes necessidades dentro de uma estratégia de proteção da carreira. “Quando surge um sinal de conflito, a ideia é agir antes que ele necessariamente se transforme em processo ou crise reputacional. Se houver judicialização, o profissional conta também com defesa especializada em direito médico”, ressalta.
Apesar de atenderem profissionais de diferentes áreas da saúde, os médicos ainda representam a maior procura, especialmente aqueles mais expostos a procedimentos de maior complexidade, cirurgias e medicina estética. Segundo o empreendedor, também foi notada uma preocupação crescente entre profissionais que têm grande exposição nas redes sociais. “Hoje, uma crise profissional pode começar tanto em uma relação médico-paciente quanto em uma postagem ou comentário que ganha repercussão”, constata.
O especialista explica que, na maioria dos casos, o maior risco não está no procedimento em si, mas no que deixou de ser explicado ou registrado. Um dos pontos mais delicados é a falta de informação clara ao paciente sobre as técnicas usadas, as etapas do procedimento e os resultados que podem ser esperados. Outro ponto crítico é a ausência de documentação: prontuário completo e sempre atualizado, contrato definindo os honorários, termo de consentimento – documento em que o paciente declara ter entendido os riscos e concordado com o procedimento – devidamente explicado e assinado, além de regras claras para o tratamento de dados sensíveis dos pacientes.
Quando uma reclamação ou acusação surge, essas falhas de informação e documentação podem se tornar ainda mais relevantes, inclusive na forma como o profissional deve conduzir sua resposta. Nesse momento, segundo Marco, um dos erros mais comuns é reagir por impulso. “O profissional recebe uma reclamação, uma mensagem de jornalista ou uma postagem nas redes sociais e sente necessidade de responder imediatamente. Uma resposta mal formulada pode transformar um problema administrável em uma crise jurídica e reputacional. O primeiro passo deve ser reunir informações, preservar documentos e buscar orientação especializada antes de se manifestar”, orienta.
Pela experiência do CEO, há dois tipos de perfis de profissionais que buscam o serviço oferecido pela marca. Os profissionais com maior exposição, seja pela atuação em centros cirúrgicos, pelo volume de atendimentos ou pela presença nas redes sociais, tendem a buscar proteção preventivamente. Outros só percebem a necessidade quando são surpreendidos por uma ação judicial ou por uma exposição pública. “Ainda recebemos profissionais depois que o problema aconteceu, mas nosso objetivo é inverter essa lógica. Proteção de carreira funciona melhor quando começa antes da crise”, informa.
Três perguntas para Marco Leal Vieira, CEO da Blindamed:
O que significa, na prática, falar em “proteção integral da carreira”?
Significa olhar para a carreira como um patrimônio construído ao longo de décadas. Um profissional pode ter patrimônio protegido e seguro contratado, mas sofrer um dano reputacional que comprometa anos de trabalho. Proteção integral significa atuar em três dimensões: prevenção e defesa jurídica, proteção financeira por meio do seguro e gestão adequada de eventuais crises de imagem. São riscos diferentes, mas que muitas vezes aparecem juntos.
Quais são hoje os maiores desafios para escalar esse modelo pelo Brasil?
O principal desafio é cultural. Muitos profissionais ainda associam proteção profissional à existência de um erro. Mas uma reclamação, uma exposição pública ou mesmo uma ação judicial podem surgir sem que tenha ocorrido falha médica. Pode haver frustração de expectativa, ruído de comunicação ou divergência sobre o resultado de um procedimento. Por isso, prevenção, documentação e comunicação adequada são tão importantes.
Como vocês dimensionam o potencial desse mercado nos próximos anos?
O potencial é muito grande porque o Brasil combina uma população médica em expansão, aumento da oferta de cursos de medicina e uma sociedade cada vez mais consciente de seus direitos e mais conectada. Isso amplia também a exposição jurídica e reputacional dos profissionais. A tendência é que a proteção de carreira deixe de ser percebida apenas como uma resposta a um processo e passe a fazer parte do planejamento profissional, assim como ocorre com outras formas de proteção patrimonial e empresarial.

