Maria Paula de Castro Chaves Pinheiro, neta do Israel Pinheiro e colaboradora no Espaço Israel Pinheiro

O legado do engenheiro da capital

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Escondido entre as árvores do Bosque dos Constituintes, a poucos passos da Praça dos Três Poderes, um espaço guarda a memória do homem que transformou em canteiro de obras o sonho de uma capital no Planalto Central. O Espaço Israel Pinheiro (EIP) homenageia o engenheiro mineiro que presidiu a Novacap e comandou, entre 1956 e 1960, a construção da nova capital, junto com Juscelino Kubitschek, Lucio Costa e Oscar Niemeyer.

Quem mantém viva essa história é Maria Paula de Castro Chaves Pinheiro, neta de Israel Pinheiro e atual colaboradora à frente do EIP. “A família Pinheiro, desde o século XIX, sob a liderança de João Pinheiro, teve uma presença política importante na história moderna de Minas Gerais. Já no século XX, Israel Pinheiro, cumprindo de certo modo a trajetória do pai, foi deputado federal e governador do Estado. Entre um momento e outro, ele dirigiu a construção de Brasília, que não era apenas a nova sede da administração da República”, informa. 

Para Maria Paula, a criação de Brasília nasceu como projeto de uma nova civilização brasileira. É nessa perspectiva que o espaço foi concebido, como um lugar de preservação e de releitura constante daquele período da história do país. Segundo ela, o avô conduziu a obra com determinação e soube liderar a mobilização dos candangos, trabalhadores que vieram de todas as regiões para erguer a capital e fazia questão de que a contribuição não fosse esquecida.

O Espaço Israel Pinheiro (EIP) é mantido pela Fundação Israel Pinheiro (FIP), entidade sem fins lucrativos criada pela família em 1994, com sede em Belo Horizonte. O objetivo inicial era preservar o Museu Casa João Pinheiro e Israel Pinheiro, em Caeté (MG), cidade natal do ex-governador. “Na ocasião, o meu pai, Israel Pinheiro Filho, à época deputado federal, liderou esse processo em Minas Gerais”, recorda Maria Paula.

A ideia de levar a fundação a Brasília surgiu no início dos anos 2000, a pedido de Dona Coracy Uchoa Pinheiro, viúva de Israel Pinheiro. A articulação ficou a cargo da diplomata Maria Helena Pinheiro Penna, neta mais velha do engenheiro, em parceria com Israel Pinheiro Filho. O espaço foi inaugurado oficialmente em 20 de outubro de 2009 e, no ano seguinte, durante as comemorações dos 50 anos de Brasília, começou a funcionar como o primeiro museu interativo da capital. Hoje, a FIP mantém três unidades: a sede em Belo Horizonte, o museu em Caeté e o EIP.

Maria Paula ressalta que atuar no EIP é uma alegria e uma honra. Junto a ela, sua prima Maria Helena Pinheiro Penna realiza a curadoria do local. “Atualmente ela se encontra em missão diplomática no exterior, mas, mesmo distante, se faz presente na gestão do EIP. Sem seu empenho e dedicação a nossa instituição, certamente, não teria o êxito já anunciado”, reforça. Entretanto, ela não nega: há muitos obstáculos para serem ultrapassados. “Enfrentamos, lamentavelmente, aquilo que ainda é próprio do Brasil: a cultura e a memória negligenciadas. Nos compensa e nos estimula, entretanto, a receptividade da cidade, dos brasileiros e estrangeiros que nos visitam com crescente regularidade”, complementa.  

Agenda movimentada e de portas abertas

Além da visitação espontânea, o Espaço Israel Pinheiro recebe cerca de 150 crianças por mês, entre estudantes da rede pública do DF e grupos levados pela ONG Descobrindo Brasília e suas Regiões, parceria que também atende pessoas com mais de 60 anos. A meta, segundo Maria Paula, é ampliar essa rede de visitas educativas por meio de termos de cooperação técnica.

Um desses acordos, com a Universidade de Brasília (UnB), deu origem ao projeto Saber Brasília: cinco palestras anuais com professores doutores sobre meio ambiente, cultura, arte e história, muitas vezes acompanhadas de lançamentos de livros. O espaço também mantém convênios com o Senac-DF e o Arquivo Público do DF. Para 2027, a agenda ainda está sendo fechada e deve ser anunciada após o balanço anual, no fim deste ano. “Maria Helena Pinheiro Penna tem grandes ideias para cá e estamos empenhadas em concretizá-las, é o que posso adiantar”, diz Maria Paula.

Três perguntas para Maria Paula de Castro Chaves Pinheiro, neta do Israel Pinheiro e colaboradora no Espaço Israel Pinheiro:

Atualmente, qual é a principal missão do Espaço?

Nosso maior desafio agora é nos organizarmos para fazer cumprir, de forma adequada, honrando os nossos inspiradores e a nossa cidade, as atribuições que nos foram dadas. E, mais do que isso, estabelecermos o diálogo e as parcerias necessárias com a cultura, a arte e a inteligência de Brasília. O EIP é, sobretudo, um espaço e um equipamento cultural da cidade, voltado principalmente para a educação, com o olhar especial para os alunos das escolas públicas.

O Espaço recebe muitos estudantes da rede pública. Qual a importância desse projeto?

Os candangos, os brasilienses e todos os moradores das nossas regiões administrativas – antigamente chamada de cidades-satélites, uma denominação que nos parecia mais afetiva e integradora –, como Taguatinga, Ceilândia, Guará, Sobradinho, fazem parte das preocupações e das atribuições do EIP. Mas as crianças e os adolescentes, nos sensibilizam de forma particular. Como costumamos dizer no Brasil, eles são o futuro, eles são o amanhã, a cidade é e será deles. Portanto, é importante e imprescindível que eles conheçam, aprendam, dialoguem com o lugar onde nasceram, vivem, se educam e se preparam para a vida. Não amamos aquilo que não conhecemos. Não cuidamos daquilo que não sabemos o porquê. A memória é, também, civilizatória. 

Como o ambiente foi adaptado para garantir acessibilidade e uma circulação fluida entre as áreas expositivas e o auditório?

Sim, o Oscar Niemeyer teve esse cuidado. O EIP não é exatamente grande. É singelo e acolhedor. Mas a integração entre os espaços é confortável, acolhe bem as pessoas com alguma limitação, inclusive no auditório. Temos rampas e um elevador. No ano passado, fizemos uma rampa na calçada para acesso de veículos ao prédio justamente com intuito de atender esta demanda tão importante.

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