Vini Jr dita ritmo na Copa e cria dilema sobre Neymar na Seleção

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Filadélfia — Vinicius Junior teria confidenciado a Luiz Felipe Scolari em um encontro na Granja Comary a meta de seis gols na Copa do Mundo. Tem dois. Um em cada jogo. Balançou a rede contra Marrocos e deixou o dele e repetiu a dose na vitória desta sexta-feira por 3 x 0 contra o Haiti no Lincoln Financial Field.

O camisa 7 assume cada vez mais o protagonismo de outros donos do algarismo em campanhas do título. Mané Garrincha resolveu no bi em 1962. Jairzinho desequilibrou no tri em 1970. Bebeto foi o coadjuvante perfeito do camisa 11 Romário no tetra em 1994.

Vinicius Júnior tem números espantosos na Seleção. O Brasil fez nove gols somando as campanhas de 2022 e de 2026. O jogador eleito Fifa The Best em 2024 não teve participação em gol em apenas um, aquele do Neymar contra a Croácia nas quartas de final. Ele havia sido substituído. Não estava em campo na trama decisiva da prorrogação.

Xodó de Carlo Ancelotti, Vinicius Junior é o dono da Seleção. Joga para si e para o time. O primeiro gol de Matheus Cunha é rebote de um chute dele. A questão, a partir de agora, é outra: como será a Copa do Vini quando os destinos dele e do Neymar se cruzarem?

Se estiver a fim de jogar para o time — e menos para si — Neymar é candidato a reserva de Vinicius Junior. Pode entrar quando o camisa 7 tiver entregado a última gota de suor dentro das quatro linhas. O cara tem um gol por jogo. Está fazendo a Copa da vida dele depois de ser substituído por Tite contra a Croácia justamente porque Neymar era o dono do pedaço.

Se Neymar pensar em si depois do esforço para curar a lesão de grau dois na panturrilha direita e Carlo Ancelotti inseri-lo no time titular, o italiano e o Brasil terão problemas no restante da Copa. Vinicius Junior tem liberdade. Isso fica claríssimo vendo o jogo no estádio. O time inteiro recompõe enquanto o atacante do Real Madrid descansa à espera da bola.

Não será assim com Neymar. Não era em 2022 com Tite. Alguém terá de correr pelo camisa 10 na marcação. Hoje, Matheus Cunha faz isso de coração aberto e foi merecidamente premiado com dois gols no primeiro tempo contra o Haiti. Vini não sabe — nem pode — jogar assim. O momento dele. Carlo Ancelotti construiu o time para ele.

O craque estipulou a meta de seis gols na Copa e cumpriu um terço. Poderia ter feito mais dois se não fosse marrento e tivesse a objetividade de caras como Lionel Messi e Cristiano Ronaldo. O time procura Vini. Continuará buscando quando Neymar estiver liberado? A máxima de Isaac Newton se aplica ao Brasil na Copa em condições normais de temperatura e pressão: “Dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço”.

Os dois juntos? Só no abafa, na hora do rush, do desespero! Estou curioso para saber como Carlo Ancelotti vai lidar com isso. Que Neymar entenda o momento dele e respeite o de Vini.

Marcos Paulo Lima

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Marcos Paulo Lima
Tags: Carlo Ancelotti Copa do Mundo 2026 Correio Braziliense Drible de Corpo Lincoln Financial Field matheus cunha Neymar Seleção Brasileira Tática Seleção Brasileira Vinícius Júnior

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