Tite durante a derrota de virada do Cruzeiro para o Coritiba no Mineirão. Foto: Gustavo Aleixo/Cruzeiro
Adenor Leonardo Bachi vive um momento estranho na carreira depois dos seis anos e meio na Seleção. Tite perdeu seis dos últimos 10 jogos no Campeonato Brasileiro comandando dois dos três clubes mais ricos do país: Flamengo e Cruzeiro.
A virada do Coritiba por 2 x 1 no Mineirão nessa quinta-feira pela segunda rodada da Série A teve duas demonstrações do descontentamento da torcida com o início do trabalho. O time celeste levou 15.270 torcedores ao Gigante da Pampulha e a plateia protestou contra Tite.
O time-base do Cruzeiro lembra o de Leonardo Jardim na temporada passada. O estilo de jogo, não. A exibição celeste contra o Coritiba lembrou o Flamengo do fim da era Tite, especificamente o último jogo dele no cargo na vitória por 1 x 0 contra o Athletico-PR. Coincidentemente, com revolta da plateia na arquibancada contra Tite.
Tite acumula seis derrotas, dois empates e duas vitórias em jogos do Brasileirão: oito pelo Flamengo e dois no Cruzeiro. Os times dele marcaram 10 gols e sofreram 19. Este último número é preocupante. As equipes do Tite foram vazadas muitas vezes — e isso não é Tite.
Os conceitos do Tite são diferentes de Leonardo Jardim. A equipe do técnico português retomava a bola e agredia o adversário rapidamente. O brasileiro prefere a organização, a paciência, a posse, o toque de bola e torna-se lento na construção dos ataques. Isso é ruim para o centroavante Kaio Jorge. O artilheiro do último Brasileirão não consegue ser letal.
Matheus Pereira fez a parte dele. Desequilibrou com um golaço no primeiro tempo após receber a bola de Lucas Rometo, mas o Coritiba reagiu. Fernando Seabra explorou as dificuldades do Cruzeiro. Uma delas, a má apresentação de Gerson no papel de segundo volante formando par com Lucas Romero. À frente dos volantes, Arroyo, Matheus Pereira e Christian se aproximavam do centroavante Kaio Jorge.
Bruno Melo iniciou a virada do Coritiba com o cruzamento perfeito para o gol de Lavega no começo do segundo tempo. Na etapa final, o goleiro Pedro Morisco inicia uma trama com Lucas Ronier e o meia deixa Breno Lopes na cara do gol para driblar Cássio e virar a partida.
Mais grave do que a virada foi a desorganização do Cruzeiro na tentativa de empatar o jogo. Nada funcionou. Faltavam pernas, tática e futebol. A torcida crucificou o lateral-direito William e Tite. Vaiou o time no apito final e deixou o técnico ainda mais incomodado: são cinco derrotas e três vitórias em oito jogos. O recorte é pequeno, mas preocupante.
» Os últimos 10 jogos de Tite no Brasileirão
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