Semifinais da Copa ajudam a explicar por que o Brasil caiu nas oitavas

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O Brasil estava sempre começando contra as grandes potências. Foto: Odd Andersen/AFP

Dallas — As semifinais da Copa do Mundo ajudam a explicar por que o Brasil caiu nas oitavas de final. A Seleção enfrentou os quatro classificados durante o ciclo para 2026. Venceu apenas a Inglaterra, empatou com a Espanha e perdeu para França e Argentina — duas vezes. Uma delas de forma humilhante.

Sob o comando de Fernando Diniz, o Brasil perdeu pela primeira vez um jogo de Eliminatórias dentro de casa. Um gol do zagueiro Otamendi silenciou o Maracanã em 21 de novembro de 2023 e encaminhou a demissão do treinador. Diniz havia herdado a prancheta do interino Ramon Menezes. O comandante da Seleção Sub-20 havia perdido para Marrocos e Senegal e derrotado Guiné Equatorial no projeto sem pé nem cabeça rumo à Copa de 2026.

Escolhido para suceder a Diniz, o técnico Dorival Júnior estreou contra dois adversários duríssimos. Em uma raridade nos ciclos recentes, o Brasil foi até a Europa enfrentar duas potências em sequência. Na primeira perna da turnê, sofreu horrores em Wembley, mas superou a Inglaterra por 1 x 0. O jovem Endrick decidiu o amistoso em Londres.

O Brasil seguiu de lá para Madri. A agenda previa medir forças com a Espanha em um dos últimos ensaios das duas seleções para a Copa América e a Eurocopa, respectivamente. Mais na base da empolgação do que na tática no segundo jogo de Dorival Júnior no cargo, o Brasil sempre ficou atrás no placar, mas arrancou empate por 3 x 3 com um jogador a menos dentro do Santiago Bernabéu. Assustado com a intensidade do adversário, o Brasil resistiu.

O início animador de Dorival Júnior contrastou com a pior derrota da Seleção no ciclo. O Brasil viajou em crise para enfrentar a Argentina no Monumental de Núñez, em Buenos Aires, e não viu a cor da bola. Ensaiou resiliência ao sofrer o primeiro gol e empatar a partida, mas depois sofreu o segundo, o terceiro, o quarto e ouviu o som da humilhação: gritos de Olé.

Em março deste ano, a trajetória errática conduzida por quatro técnicos diferentes se deparou com o sarrafo mais alto do ciclo: a França. Dorival Júnior havia sido demitido e o então presidente Ednaldo Rodrigues realizou o sonho de consumo. No último ato antes de deixar o cargo, contratou Carlo Ancelotti. Um dos desafios dele foi medir forças com o timaço de Didier Deschamps em Boston. Perdeu por 2 x 1 no Foxborough Stadium.

Uma das dificuldades da Seleção no ciclo de 2019 a 2022 foi justamente encontrar espaço nas agendas das principais seleções europeias para amistosos. Desta vez, o Brasil teve essa oportunidade. Enfrentou Inglaterra, Espanha e França, além da Argentina nas Eliminatórias. O problema é que os testes aconteceram quando o projeto ainda engatinhava.

Entre Ramon Menezes, Fernando Diniz, Dorival Júnior e Carlo Ancelotti, a Seleção nunca teve continuidade suficiente para transformar esses confrontos em um verdadeiro laboratório. A conta chegou na Copa do Mundo. Enquanto Inglaterra, Espanha, França e Argentina disputam um lugar na decisão, o Brasil assiste às semifinais de longe, eliminado ainda nas oitavas de final pela Noruega.

TEMPO DE SERVIÇO

Didier Deschamps: 14 anos e 6 dias na França

Lionel Scaloni: 7 anos, 11 meses e 12 dias na Argentina

Luis de la Fuente: 3 anos, 6 meses e 12 dias na Espanha

Thomas Tuchel: 1 anos, 6 meses e 12 dias na Inglaterra

Carlo Ancelotti: 1 anos, 1 mês e 18 dias

X: @marcospaulolima

Instagram: @marcospaulolima.jor

Marcos Paulo Lima

Publicado por
Marcos Paulo Lima
Tags: Argentina Brasil Copa Copa 2026 espanha França Inglaterra

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