Resenha do Marcos Paulo Lima: 10 pitacos sobre a #rodada 14 do Campeonato Brasileiro

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Os tempos são outros

A última vez que o Campeonato Brasileiro viu Botafogo e Flamengo em primeiro e segundo lugar, respectivamente, foi em 1992. Eram tempos de mata-mata. O time rubro-negro conquistou o título com menos pontos do que o vice alvinegro: 32 x 34. Para quem critica a era dos pontos corridos e defende veementemente a volta da fórmula híbrida, com fase classificatória e uma etapa final eliminatória, este é um dos exemplos clássicos de “injustiça” na história da competição. Injustiça entre aspas porque o regulamento da época previa dois quadrangulares semifinais. O Flamengo foi competente e levou a taça de maneira inquestionável com vitória por 3 x 0 na primeira partida e empate por 2 x 2 na segunda, ambas no Maracanã.

O tamanho da vantagem

Vice-líder do Campeonato Brasileiro, o Flamengo sabe muito bem o que é ter 10 pontos de vantagem na liderança da Série A. Em 2019, o time comandado por Jorge Jesus ostentou essa diferença em relação ao Palmeiras e terminou campeão com 16 à frente do Santos. Em 2017, o Corinthians de Fábio Carille chegou a ter 10 pontos de vantagem também em relação ao Santos e cruzou a linha de chegada com 72 pontos contra 63 do Palmeiras. Isso dá a dimensão da gordura acumulada pelo Botafogo na luta para quebrar o jejum. O último título é aquele de 1995 sob o comando de Paulo Autuori e com Túlio e Donizete arrebentando.

Assim, sim

Renato Gaúcho e o Grêmio estão de parabéns por disputar paralelamente os títulos do Campeonato Brasileiro e da Copa do Brasil, sem aquela velha conversa do técnico de priorizar Copas e passear na Série A. O comandante tricolor tem potencial para mais. Levou o time ao vice em 2013. A questão para encerrar a abstinência de título intacta desde 1996 é: o Grêmio precisa vencer a turma de cima da classificação. Perdeu para o Botafogo por 2 x 0, foi superado pelo Flamengo por 3 x 0 e foi goleado pelo Palmeiras por 4 x 1 na visita ao Allianz Parque.

O respeito voltou

A histórica frase de Eurico Miranda vale demais para os protagonistas do melhor jogo da 14ª rodada do Campeonato Brasileiro. Grêmio e Botafogo estavam até pouco tempo na Série B, a segunda divisão nacional. O Glorioso subiu em 2021 e lidera a elite com autoridade. O tricolor gaúcho retornou em campo no ano passado e ocupa a terceira posição. Bahia e Vasco também saltaram da B para A e passam um perrengue danado no retorno à primeira divisão. O time cruzmaltino, então, nem se fala. Diferentes gestões entregam resultados diferentes.

Melhor que o “profexô”

A primeira partida de Vanderlei Luxemburgo como técnico do Corinthians e da Seleção Brasileira, ou seja, como dono dos dois cargos, aconteceu em 12 de agosto de 1998. A imprensa noticiava à época: “Luxemburgo sobrecarregado estreia hoje”. Patrocinador do Timão à época, o Banco Excel não estava nada feliz e ficou ainda mais irritado depois do empate por 0 x 0 com o Coritiba. Fernando Diniz fez diferente. Venceu o Internacional por 2 x 0, no Maracanã, no primeiro teste como técnico compartilhado. Ele comandará o Fluminense e a Seleção por até 12 meses.

Desrespeito ao regulamento

A maior briga entre a Libra e a LFF diz respeito à divisão das cotas dos direitos de transmissão. Pois bem. Como será o relacionamento quando a liga, seja lá com que nome for, estiver comercializada? Clubes como o Palmeiras vão respeitar o parceiro da competição e darão entrevistas? O comportamento do time paulista e agora, também, do Goiás, é um desrespeito ao produto Campeonato Brasileiro. O artigo 119 do Regulamento Geral das Competições da CBF determina: “a coletiva de imprensa após o fim da partida é obrigatória”. Proprietária dos direitos de transmissão, a tevê Globo deveria no mínimo exigir isso do amordaçado Palmeiras. Até os badalados Jurgen Klopp e Pep Guardiola dão entrevista sempre em respeito à Premier League.

De Pato a Ganso

Lembro de uma capa da revista Placar, em 2010, apontando Paulo Henrique Ganso e Alexandre Pato como garotos do futuro da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo. Ambos jamais disputaram o torneio. Culpa deles, não do produto editoria, que estava correto na análise. O tempo passou. Treze anos depois, Ganso é figura importante para Fernando Diniz no Fluminense. Foi reciclado pelo treinador. Alexandre Pato reestreou com a camisa do São Paulo no empate por 0 x 0 com o Red Bull Bragantino. Dorival Júnior conseguirá se inspirar em Diniz e fazer o mesmo?

Oito ou oitenta

Nada como um dia após o outro, ou melhor, uma rodada após a outra. Yago Pikachu perdeu pênalti na derrota do Fortaleza para o Flamengo por 2 x 0, no Maracanã, pela 13ª rodada. Ele poderia ter escrito outra história naquela partida. Pois o mesmo Pikachu começou a partida contra o Athletico-PR no banco de reservas e levantou-se de lá para decretar o triunfo por 1 x 0, na Arena Castelão. Atribulado em um jogo, iluminado no outro o herói do Tricolor do Pici.

Vara de marmelo

Vanderlei Luxemburgo costuma se definir como vara de marmelo: “Enverga, mas não quebra”. Soltou essa, entre outras ocasiões, ao receber alta depois de ficar internado em dezembro de 2020 por cauda da covid-19. Depois de rumores sobre uma possível demissão em caso de derrota para o Atlético, no Mineirão, o recordista de títulos brasileiros viu uma assistência de Yuri Alberto terminar em gol de Róger Guedes. Partida segura do Timão, em Belo Horizonte. Só falta combinar com os jogadores uma exibição semelhante nas quartas da Copa do Brasil.

Por que não o Abel?

O Vasco está sem técnico há 16 dias. Inadmissível. A pergunta é: por que o diretor técnico Abel Braga não assumiu o time interinamente até a contratação do sucessor de Mauricio Barbieri? Sim, ele se aposentou da função, mas o clube carioca passa por um momento de emergência. Antes ele, um profissional casca grossa campeão do Brasileirão, da Libertadores e do Mundial como interino do que o jovem promissor William Batista, de 30 anos. Estão queimando o rapaz. Abel disse ao assumir o cargo: “O torcedor do Vasco não vai sofrer mais. Acabou. O sofrimento foi até o jogo do Ituano”. Abel deveria colocar a mão na massa pelo bem dele e do clube.

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Marcos Paulo Lima

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