Gabriel Magalhães e Vini: a combinação entre transpiração e inspiração. Foto: Patricia de Melo Moreira/AFP
A melhor notícia da vitória do Brasil por 3 x 0 contra a Escócia e a classificação em primeiro lugar para a fase de 16 avos é o protagonismo de Vini Jr., claro, mas chamo a atenção para o sistema defensivo. O time de Carlo Ancelotti não sofreu gol pelo segundo jogo consecutivo depois de amargar uma sequência de seis partidas consecutivas levando.
Para mim, a segurança defensiva contra o Haiti e a Escócia, sim, dois adversários frágeis ofensivamente, tem a ver com uma mudança sutil do italiano no posicionamento. A olhos nus, no estádio, é possível notar o passinho atrás do volante Casemiro para se posicionar entre os zagueiros Marquinhos e Gabriel Magalhães. Lembram do Edmílson entre Lúcio e Roque Júnior na conquista do penta em 2002? Era híbrido: volante e beque como Felipão. A formação praticamente de uma linha de cinco sem a bola permite explorar o que Vini oferece de melhor: o contra-ataque.
Há uma sincronia cada vez mais afinada entre Casemiro, Marquinhos e Gabriel Magalhães desde a vitória da sexta-feira passada. Danilo fecha do outro lado e aumenta a resistência enquanto Douglas Santos ganha a liberdade que Wesley tinha na outra banda.
Quando assumiu a Seleção, há pouco mais de um ano, Carlo Ancelotti disse que “defesas ganham campeonatos”. Respondeu ao Correio depois de classificar o Brasil para a Copa contra o Paraguai, na Neo Química Arena, “eu sou italiano”, ao celebrar o fato de não ter sofrido gol na primeira e na segunda partida como técnico canarinho.
A defesa dele conta justamente com uma supremacia de jogadores com passagem pela Itália ou em atividade no Calcio. Embora esteja fora da Copa pela terceira edição consecutiva, a escola tetracampeã do mundo merece respeito quando o assunto é a arte de saber defender. Dizer que Ancelotti não é bobo é chover no molhado, mas observem.
Alisson, o melhor jogador da defesa com pelo menos quatro intervenções importantes em cochilos dos companheiros, entrou na Europa pelas portas da Roma, assim como o capitão Marquinhos. Danilo ficou versátil na Juventus. Douglas Santos aprendeu um pouquinho na rápida passagem pela Udinese. No meio de campo, Lucas Paquetá tem história no Milan. A exceção entre os defensores é Gabriel Magalhães. O beque foi formado no Avaí e evoluiu nas passagens pela França e a Croácia antes do sucesso pelo Arsenal na Inglaterra.
Ancelotti sabe quem entende a língua dele.
O idioma do ferrolho lá atrás em benefício do protagonista Vini. Quando a seleção desembarcou em Nova Jersey, perguntei ao Carletto se a defesa era o melhor ataque ou o ataque a melhor defesa na caça ao hexa.
Ancelotti respondeu assim ao Correio Braziliense: “Ser brasileiro é genética, ser italiano é trabalho. Tem que combinar as duas coisas. Um ítalo-brasileiro pode ganhar a Copa do Mundo, só italiano não, só brasileiro também não. Tem que combinar as duas coisas.”
Vini é a genética do futebol brasileiro. Uma defesa italiana bem montada é resultado suor do trabalho de Carletto.
“O maior teste da evolução defensiva será às 12h em Houston, 14h em Brasília. Japão e Holanda, os adversários mais prováveis, jogam em outra rotação. Vão exigir muito mais do Brasil e testar novamente Alisson. Por sinal, foi a melhor atuação dele em três Copas. A defesa evolui, mas o anjo da guarda continua indispensável.”
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