Steve Clarke: classificação à segunda fase seria inédita para a Escócia. Foto: Chandan Khanna/AFP
Quando a Escócia entrar em campo contra o Brasil, às 19h, no Hard Rock Stadium, pela última rodada do Grupo C, o técnico Steve Clarke carregará uma conexão pouco conhecida com o futebol brasileiro. Antes de transformar a seleção escocesa em presença constante em grandes torneios, ele trabalhou ao lado de Luiz Felipe Scolari no período em que o brasileiro treinou o Chelsea, clube no qual o escocês atuou como auxiliar permanente por quase duas décadas. Clarke ajudou na adaptação de Felipão ao futebol inglês.
A convivência durou apenas sete meses. O Chelsea iniciou bem a temporada, mas perdeu rendimento e Scolari foi demitido, em fevereiro de 2009. Mesmo assim, Clarke sempre tratou aquele período como uma experiência enriquecedora. O escocês teve contato direto com um treinador conhecido pela capacidade de liderança, pela gestão de grupo e pela criação de ambientes de confiança entre os jogadores.
“Ele foi meu braço direito como auxiliar da casa. Depois quatro ou cinco meses, recebeu uma proposta de um grande time inglês para ser técnico e ele solicitou que lhe desse essa oportunidade. Assim o fiz. Ele é uma pessoa maravilhosa, tinha pleno conhecimento de todos os times que enfrentávamos. Conhece profundamente métodos de treinamento, e sempre torcemos muito para ele ser o que é hoje, um técnico de seleção”, disse Scolari ao Correio.
A trajetória de Steve Clarke é singular. Ele construiu a carreira observando alguns dos maiores técnicos da era moderna. Como jogador, foi comandado por Alex Ferguson no Aberdeen, onde conquistou títulos nacionais antes de se transferir para o Chelsea. Com os Blues, conviveu com nomes como José Mourinho, Guus Hiddink, além de Scolari. Poucos técnicos da Copa de 2026 tiveram acesso tão próximo a escolas tão distintas de futebol. Após a saída de Felipão, Clarke permaneceu no Chelsea sob o comando de Ancelotti, de 2009 a 2011, na conquista da Premier League e da Copa da Inglaterra.
Aos 62 anos, Steve Clarke está longe do estereótipo do treinador midiático. Discreto, pragmático e avesso aos holofotes, construiu a reputação de estrategista meticuloso. A marca registrada é a organização defensiva. A Escócia costuma atuar com linhas compactas, intensidade sem a bola e transições rápidas. Não por acaso, Clarke é, frequentemente, descrito na imprensa britânica como um técnico capaz de potencializar elencos sem estrelas globais.
Foi ele quem encerrou um jejum de quase duas décadas da Escócia, classificando o país para a Eurocopa de 2020, primeira participação em um grande torneio desde a Copa do Mundo de 1998. Depois, conduziu a equipe à Euro 2024 e à Copa de 2026. Em sua nona participação em uma Copa do Mundo, a Escócia nunca passou da fase de grupos. Classificar o time para um mata-mata histórico é a missão de Clarke nesta noite.
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