Expectativa de Dorival x realidade de Danilo: a bipolaridade da Seleção

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O Brasil entrará em campo nesta terça-feira contra o Paraguai no Defensores del Chaco, em Assunção, pela oitava rodada das Eliminatórias para a Copa de 2026, dividida entre o mundo da expectativa de Dorival Júnior e o da realidade do capitão Danilo. Na entrevista coletiva da noite de segunda-feira, o lateral colocou o dedo na ferida ao chamar a atenção para a realidade da Seleção. Em contrapartida, o técnico botou para fora em frente às câmeras um Dorival de fé que somente jogadores conhecem na intimidade do vestiário.

Danilo acertou ao dizer o óbvio ululante sobre o tratamento irresponsável dado pela CBF ao ciclo do Brasil desde a eliminação contra a Croácia na Copa de 2022. À espera de Carlo Ancelotti, o Brasil foi comandado interinamente por Ramon Menezes e Fernando Diniz. Quando o italiano renovou com o clube espanhol no intervalo entre o afastamento de Ednaldo Rodrigues da CBF e o retorno do presidente ao cargo amparado por liminar, o cartola decidiu romper com Diniz e fechar com Dorival Júnior. Treze meses desperdiçados.

“Estamos um passo atrás. Tivemos muita instabilidade, nomes, treinadores, estratégia, planos, jogadores, pensou um caminho de renovação ou não. Perdeu-se tempo em relação a isso e faz com que estejamos certamente um passo atrás das principais potências. Tudo isso porque o nosso conjunto não está bem-feito. Digo matéria prima, organização e planejamento. Agora, sim, com o Dorival desde março, as coisas entraram por um caminho. Está claro que depois da Copa perdemos tempo”, desabafou no estilo sincerão.

Segundo Danilo, a crítica compartilhada na entrevista coletiva em Assunção foi feita pelo capitão a Ednaldo Rodrigues internamente. “Eu tenho uma posição bem clara em relação a isso. Separo por duas colunas: a primeira a da qualidade de jogadores, material humano e continuamos sendo os melhores do mundo. Estou há 12 temporadas no futebol europeu e tenho certeza do que estou falando. A matéria prima é das melhores do mundo. Mas tem uma coisa que evoluiu muito no mundo inteiro, que é organização, planejamento, observar o que vem pela frente, e nisso deixamos a desejar por algum tempo. Nos outros dois ciclos, mesmo tendo isso muito bem-feito, não vencemos. Então, você pensa… Se fazendo isso tudo muito bem pensado, não conseguimos vencer”, diz.

Danilo também chamou a atenção para o que temos: “A base é essa. Temos que entender a responsabilidade que é nossa neste momento. Se o resultado for positivo, vamos ser aplaudidos e ter apoio. Se não for, será o contrário e é assim o futebol. Não temos que dar muita volta e é assim que funciona”, reforçou o lateral direito do Brasil.

Enquanto Danilo chamava a atenção para a realidade, o técnico Dorival Júnior ressaltava a expectativa para a Copa de 2026. Nos últimos dois trabalhos anteriores, o treinador assumiu os vestiários do Flamengo e depois do São Paulo em tom profético, estabelecendo metas e praticamente firmando pactos por títulos com os respectivos elencos.  Os jogadores falaram abertamente sobre isso depois da materialização das conquistas.

Dorival Júnior surpreendeu na coletiva desta segunda-feira ao se comportar em público como o homem de fé de dentro do vestiário. “Podem esperar que estaremos na decisão da Copa do Mundo. Podem me cobrar”, disparou para o mundo inteiro ouvir. Dorival disse aos jogadores do Flamengo que eles seriam campeões quando substituiu Paulo Sousa em 2022. Ganhou a Copa do Brasil e a Libertadores no time rubro-negro. Repetiu o discurso ao assumir um São Paulo em crise e levou o clube ao título inédito da Copa do Brasil.

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Marcos Paulo Lima

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