Em terra de cego, quem tem um bom meia é rei. Nicolò Barella faz diferença na Internazionale e na seleção da Itália. Havia desequilibrado ao lado de Jorginho e de Verratti no papel de coadjuvante na conquista da Euro-2020, disputada em 2021 devido à pandemia. Tem tudo para assumir o protagonismo na campanha pelo tricampeonato continental em 2024.
Barella é o responsável pelo autocontrole da Itália na estreia contra a Albânia. A seleção do técnico brasileiro Sylvinho fez o gol mais rápido na história da Euro com Bajrami, aos 23 segundos. Coube a Barella colocar a bola no chão e comandar a reação ao lado de Frattesi e de Jorginho. A Itália se impõe no meio de campo e encurrala a Albânia no campo de defesa com Barella fazendo a bola rolar de um lado a outro.
O gol de empate sai de uma jogada cobrança de curta ensaiada por Dimarco e Pellegrini. A bola chega sob medida na cabeça de Bastoni. Barella decreta a virada com um chute de perna direita, de fora da área, com a habilidade de quem tem muita intimidade com a bola. Um golaço.
Responsável pela virada, Barella superou o astro Francisco Totti em número de gols marcados com a camisa da Itália. São 10 gols em 54 exibições na Squadra Azzurra. O campeão mundial em 2006 na campanha do tetra na Alemanha balançou a rede nove vezes em 58 apresentações até a aposentadoria.
Barella acertou 97% dos passes contra Albânia. Espantoso. Arriscou seis bolas longas e acertou todas. Impecável. A Euro começa com grandes exibições de meias. Toni Kroos, Pedri, Barella. Ótima notícia não somente para a competição, mas para o futebol. Os maestros sobrevivem.
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