Carlo Ancelotti está numa encruzilhada tática na semana da estreia. Mauro Pimentel/AFP
New Jersey — A entrevista de Bruno Guimarães nesta segunda-feira na concentração em Basking Ridge expôs um dilema no vestiário da Seleção: iniciar a Copa do Mundo com dois ou três homens no meio de campo? Esse possivelmente é o debate entre as principais lideranças do elenco entre um charuto e outro tragado pelo técnico Carlo Ancelotti.
Autor de dois gols sob o comando do italiano, Bruno Guimarães manifestou a preferência por um setor de criação mais preenchido e usou pelo menos dois argumentos definitivos para o plano de jogo na estreia contra Marrocos neste sábado, às 19h, no MetLife Stadium.
Primeiro, Bruno Guimarães falou sobre os benefícios de ter iniciado a vitória por 2 x 1 contra o Egito, em Cleveland, jogando ao lado de Casemiro e de Lucas Paquetá. À frente deles jogaram Raphinha pela direita, Vinicius Junior na esquerda e Igor Thiago como centroavante.
“A nossa dinâmica, ter um jogador a mais no meio, principalmente nesse último jogo, foi muito interessante para as dinâmicas de 1-2, tabela, e tivemos muitas chances de marcar. Pecamos nas finalizações. Tenho entrosamento com o Lucas Paquetá desde o Lyon e ficou mais fácil para jogar. Mas isso cabe ao mister se será o (sistema) 4-4-2 ou o 4-3-3.
No 4-4-2, o Brasil iniciaria a Copa do Mundo assim: Alisson; Danilo, Marquinhos, Gabriel Magalhães e Alex Sandro; Luiz Henrique, Casemiro, Bruno Guimarães e Raphinha; Matheus Cunha e Vinicius Junior. Se o italiano optar pelo 4-3-3, o modelo passa a ter Lucas Paquetá no meio de campo com Casemiro e Bruno Guimarães. Raphinha, Matheus Cunha e Vinicius Junior formando o trio de ataque contra a seleção africana.
O repertório de Carlo Ancelotti tem dado um nó tático até na mente dos liderados. “Para atacar, o 4-2-4 te dá mais opções, mas ao mesmo tempo você fica com um time mais direto, sem um meia, depende muito das características”, comparou.
“Nesse jogo, comparando ao contra o Panamá, a gente defendeu melhor também. Acho que o gol foi uma infelicidade nossa. Eles não criaram para fazer gol na gente. Vai depender de como o Mister (Carlo Ancelotti) vai entender o jogo. Ficamos na expectativa, mas ele colocará os melhores que tem na cabeça dele para jogar no sábado”, projeta.
Bruno Guimarães deu outras pistas importantes sobre o sistema tático do Brasil. Ancelotti não terá vergonha de entregar a bola ao adversário em uma armadilha para contra-ataques em alta velocidade. O posicionamento em linha baixa sempre foi um trunfo do italiano.
“Acho que aquela Champions League, principalmente a segunda, que ganhou com o Real Madrid, eles jogaram com linha baixa muitas vezes. Temos jogadores muito rápidos. Fica a questão de o mister (Ancelotti) decidir como a gente vai jogar” comentou.
A variação do Brasil nas diferentes fases da partida é outra entrelinha relevante na análise tática de Bruno Guimarães. O mesmo Brasil programado para formar linha baixa deixará os adversários em dificuldade ao sufocá-los em algumas tentativas de blitz em frente à área.
“Acho que uma das principais coisas que ele pede para nós é a marcação alta. Acho que meu gol é o retrato disso. O jogador pensou que estava sozinho, já tinha alguém no cangote dele. Roubei a bola e fui feliz de fazer o gol. Temos que defender melhor no um-dois. Acreditar que seu rival pode ser perigoso. Temos uma semana para acertar isso. Nas bolas que não recuperamos levamos contra-ataques”, ponderou Bruno Guimarães.
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