Do comício em Brasília à Libertadores: como o presidente do Flu se inspira no Fla para ser campeão

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O retorno do Fluminense à Libertadores nesta quinta-feira, às 19h, contra o River Plate, não é obra do acaso. Foi pensada. Um dos temas do “comício” do presidente Mário Bittencourt para uma centena de tricolores do Distrito Federal, em 30 de maio de 2019, numa galeria do Lago Sul, bairro nobre de Brasília. Ele e Celso Barros apresentaram o projeto de campanha antes das eleições. Triunfaram nas urnas e devolveram o tricolor, vice-campeão em 2008, ao principal torneio de clubes do continente. O time carioca não participava desde 2013.

Mário Bittencourt deu entrevista ao blog depois daquele evento em Brasília. Durante a apresentação aos sócios com direito a voto, o então candidato citou mais de uma vez o case de sucesso do Flamengo. Àquela altura, a equipe rubro-negra passava por uma crise. Abel Braga pedira demissão e o a diretoria flertava com o português Jorge Jesus — protagonista dos títulos do Brasileirão e Libertadores em 2019; e da Supercopa do Brasil, Recopa Sul-Americana, Taça Guanabara e Carioca, em 2020.

Durante o bate-papo, perguntei a Mário Bittencourt se o sucesso do Flamengo servia como inspiração para que o Fluminense retomasse o papel de protagonista no futebol carioca. Na era Unimed, o clube conquistou o Brasileirão em 2010 e em 2012 e esteve bem próximo de mudar de patamar nos vice-campeonatos da Libertadores e da Copa Sul-Americana. Dos 12 gigantes do país, apenas Fluminense e Botafogo ainda não têm a Libertadores no currículo.

Ele não deixou pergunta sem resposta. Elogiou o Flamengo com sinceridade, posicionou o Fluminense no futebol carioca com coerência, mas mandou recado para a Gávea e o Ninho do Urubu. “O potencial de crescimento do Fluminense está parelho com Botafogo e Vasco, mas, dos três, é o que mais tem condição de sobressair e encostar no Flamengo”, analisou.

Realista, Mário Bittencourt admitiu: “Em termos financeiros, não dá para comparar, hoje, com o Flamengo. O Fluminense tem uma história recente importante de títulos, vitórias. Temos potencial para assumir essa liderança”, projetou. Perguntei, ainda, qual era a lição daquele Flamengo da administração Eduardo Bandeira de Mello e início do mandato de Roldolfo Landim.  Bittencourt avançou um pouco mais na resposta:

“Não podemos comparar receitas. A deles é muito maior. Isso faz com que eles tenham uma facilidade maior de colocar a casa em ordem. O que podemos pegar do Flamengo é a organização da parte administrativa e financeira. Eles fizeram um bom trabalho nisso e a gente precisa fazer também”.

Não há dúvida. Em campo e fora dele, o Fluminense é o clube carioca que mais se aproxima do roteiro colocado em prática pelo Flamengo, em 2013. Nas quatro linhas, derrubou o adversário na decisão da Taça Rio no ano passado. Fez dois jogos duríssimos na final do Estadual, quando o Flamengo ainda era comandado por Jorge Jesus. Virou o clássico válido pelo segundo turno do Brasileirão passado e deixou o adversário sob pressão na briga pelo título.

Nada melhor do que uma vitória sobre o River Plate, derrotado justamente pelo Flamengo na decisão da Libertadores de 2019, para massagear o ego da torcida tricolor e evocar aquele mantra do ex-presidente dos Estados Unidos, Barack Obama: “Yes, we can”. O elenco não tem o nível técnico do Flamengo, claro. Mas a mistura de meninos de Xerém bons de bola com jogadores experientes, casos de Fred, Nenê, Ganso, David Braz, Samuel Xavier, Hudson, Cazares e Bobadilla pode, sim, impedir o tri carioca do Flamengo. Quem sabe, até, ir longe na Libertadores. Poucos acreditavam quando o Flu eliminou o Boca Juniors na semifinal de 2008. Um triunfo sobre o não menos gigante River Plate pode reacender a chama do título inédito.

O Fluminense é um time em formação. Impossível apontá-lo como um dos favoritos neste momento. Porém, ao contrário da prima rica Champions League, a Libertadores volta e meia é uma caixinha de surpresas e apresenta campeões inesperados como Once Caldas (2004), a LDU (2008), o San Lorenzo (2014) ou Atlético Nacional (2016). Em 2014, por exemplo, a semifinal reuniu Nacional (Paraguai), Defensor (Uruguai), San Lorenzo (Argentina) e Bolívar (Bolívia). Fluminense é zebra? Hoje, sim.

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Marcos Paulo Lima

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