Da final inglesa da Champions League à brasileira da Libertadores: a prova de que o calendário atrapalha

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As despedidas de Palmeiras e Flamengo do país a caminho da decisão da Libertadores, em Montevidéu, no Uruguai, é uma aula de como Brasil e América do Sul tratam mal o calendário de suas competições. Basta um recordo do que fizeram Manchester City e Chelsea uma semana antes da final em jogo único da Champions League para constatar.

Palmeiras e Flamengo jogaram nesta terça contra Atlético-MG e Grêmio, respectivamente. Ambos empataram por 2 x 2. Os times alviverde e rubro-negro terão três dias de treino (72 horas) e/ou descanso até a partida de sábado, às 17h, no Estádio Centenário. Menos do que Manchester City e Chelsea desfrutaram antes do confronto no Porto, em Portugal.

Aqui está a diferença na organização. O último compromisso de Manchester City e Chelsea antes da decisão da Champions League foi pela 38ª rodada — a última — da Premier League, o Campeonato Inglês. Era 23 de maio. Sete dias antes da decisão no Estádio do Dragão. Entre os jogos e a final, os comandados do espanhol Pep Guardiola e o alemão Thomas Tuchel tiveram cinco dias de treino e/ou repouso. Parece que não, mas a diferença de 48 horas faz muita diferença nos preparativos de atletas de altíssimo rendimento.

A última partida do Manchester City antes da final da Champions League foi uma goleada por 5 x 0 contra o Everton. Dos 11 jogadores escalados por Guardiola naquela partida, nove começaram o confronto com o Chelsea em Portugal: Ederson, Walker, Stones, Rúben Dias, Zinchenko, De Bruyne, Phil Foden, Mahrez e Sterling. Os brasileiros Fernandinho e Gabriel Jesus deram lugar a Gundogan e Bernardo Silva, respectivamente.

O Chelsea se despediu da Inglaterra antes da decisão da Champions League com derrota por 2 x 1  para o Aston Villa. A distância entre a saideira na Premier League e a decisão da Champions League permitiu ao técnico Thomas Tuchel escalar praticamente força máxima na partida em Villa Park. Assim como o Manchester Ctiy, o Chelsea mandou a campo nove jogadores que iniciaram a final da Liga dos Campeões.

Thomas Tuchel mandou a campo Mendy; Reece James, Thiago Silva, Rudiger, Azpilicueta, Jorginho, Mount Chilwell e Werner. Apenas Kanté e Havertz descansaram e entraram nos lugares de Pulisic e Kovacic na decisão contra o Manchester City.

Flamengo e Grêmio não tiveram a oportunidade de Manchester City e Chelsea. A CBF programou jogos do Campeonato Brasileiro quatro dias antes da final da Libertadores. Ao contrário da Premier League, os duelos não foram pela última rodada da Série A. Um atualizava a segunda rodada! E o outro dava sequência à 35ª. Uma confusão enorme.

Logo, seria praticamente impossível os dois times escalarem força total na última partida antes do embarque para Montevidéu. Abel Ferreira e Renato Gaúcho agiram como Guardiola e Tuchel. Usaram os titulares no sábado, ou seja, uma semana antes da final da Libertadores, contra Fortaleza e Internacional, respectivamente.

É difícil explicar o peso do cansaço do calendário ao torcedor, principalmente aos que tratam jogadores como robôs, mas 48 horas a mais de tempo para Manchester City e Chelsea antes da final da Champions League faz muita diferença na comparação com os dramas de Flamengo e Palmeiras em mais uma temporada atribulada.

Para se ter uma ideia, a final da Champions League foi o 61º e último jogo do Manchester City na temporada 2020/2021. Para o Chelsea, o 59º jogo. Agora, vamos ao mundo real. O Flamengo disputará, no sábado, a 71ª partida na temporada 2021 do futebol brasileiro. Depois disso, terá mais cinco jogos pelo Brasileirão. O Palmeiras completará 69 partidas. Pior para a CBF. A entidade máxima do futebol brasileiro conseguiu desvalorizar dois clássicos nacionais. O Flamengo seria mais forte contra o Grêmio. O Palmeiras, também, diante do Atlético-MG. Mas vai explicar isso a um cartola.

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Marcos Paulo Lima

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