Com clubes e seleção apequenados, Uruguai não pode se conformar em virar casa de festas

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O Uruguai é o anfitrião das finais dos principais torneios de clubes da Conmebol neste ano, mas não pode se conformar em virar casa de festas. O país é uma potência no futebol. Pertence ao seleto G-8 das seleções campeãs da Copa do Mundo. É bicampeão. Ostenta duas medalhas de ouro nos Jogos Olímpicos.  Tem um Mundialito. É recordista de títulos da Copa América ao lado da Argentina. Graças ao Nacional e ao Peñarol, coleciona oito conquistas na Libertadores e seis títulos na Copa Intercontinental/Copa Toyota, como o Mundial de Clubes era chamado. Lamentavelmente, essa belíssima história tem sido desrespeitada nos últimos tempos.

Anfitrião das decisões da Sul-Americana e das versões masculina e feminina da Libertadores, o Uruguai não vê um time erguer a Libertadores desde 1988. Lá se vão 33 anos desde que o Nacional superou o Newell’s Old Boys e brindou o país com a última conquista. O Peñarol  esteve na decisão continental de 2011 contra o Santos, mas perdeu a final para o time liderado por Neymar em campo e Muricy Ramalho fora das quatro linhas.

A contar dos títulos do Nacional na Libertadores e no Mundial de Clubes em 1988, o Uruguai só teve bons resultados com a seleção. A Celeste ganhou a Copa América três vezes: a primeira em 1995 contra o Brasil, em casa; e a segunda na edição disputada na Argentina em 2011. Em 2010, alcançou as semifinais na Copa do Mundo da África do Sul.

Enquanto isso, os times do país deixaram de ser competitivos nos principais torneios de clubes do continente. Contraditoriamente, não formam bons times, mas exportam talentos para os vizinhos. Carlos Sánchez foi eleito Rei da América em 2015 pelo papel de maestro do River Plate na conquista da Libertadores. De Arrascaeta foi um dos caras do Flamengo na conquista de 2019. Matías Viña, imprescindível na lateral esquerda do Palmeiras em 2020.

O Uruguai será novamente representado na decisão deste sábado entre Palmeiras e Flamengo no Estádio Centenário, em Montevidéu, mas não como desejava. Não há clubes do país na decisão. De Arrascaeta é novamente o cara do time rubro-negro na caça ao tri. Uma das armas da trupe alviverde à caça do terceiro título é o jovem Joaquín Piquerez de 23 anos.

O drama uruguaio é tamanho que o país arrisca ficar fora da Copa do Catar. Iniciará as últimas quatro rodadas das Eliminatórias na sétima posição entre 10 seleções. Para variar, pode necessitar da repescagem, como em 2006 e 2010. O técnico Óscar Washington Tabárez perdeu o emprego depois de 16 anos de serviços prestados à Celeste. Não há substituto. A crise está instalada nos clubes e na seleção. Enquanto o Uruguai faz festa na sala para visitantes brasileiros, os quartos e outros compartimentos inacessíveis da casa estão uma bagunça.

A seleção e os clubes do Uruguai precisam despertar urgentemente.

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Marcos Paulo Lima

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