Clima de Copa ainda não aterrissou nos aeroportos dos EUA

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Os aeroportos do país sede de uma Copa costumam estender o tapete vermelho e colocar o torcedor-turista no clima do principal evento da Fifa dentro da aeronave, no finger do desembarque e até mesmo na área de imigração com filas específicas para o acesso formal ao país. Não testemunhei isso em Miami e muito menos em New Jersey, destino da final em 19 de julho. As duas cidades abrigarão jogos do Brasil na primeira fase. Ao contrário das recepções calorosas na África do Sul (2010), Brasil (2014), Rússia (2018) e Catar (2022), os Estados Unidos ainda tratam o torneio com a indiferença de quem está mais interessado no início das finais da NBA, a liga profissional de basquete, entre New York Knicks e San Antonio Spurs. Os terminais de embarque e desembarque praticamente não têm referências sobre o torneio. A sensação é de que o clima da Copa não fez check-in. Será que fará até o dia 11?

Cheguei nesta terça (2/6). Não há imagens dos figurões da Copa. Lionel Messi, Cristiano Ronaldo, Mbappé, Neymar e companhia não dão boas-vindas em cartazes e muito menos propagandas. Maple (alce), Zayu (onça-pintada) e Clutch (águia americana), as mascotes representantes do Canadá, do México e dos Estados Unidos, não aparecem para mimar os passageiros e muito menos estão disponíveis para consumo nas prateleiras das inúmeras lojas nos corredores.

O desembarque nos aeroportos das últimas Copas praticamente criava um clima de arquibancada e tornavam a experiência dos turistas um esquenta para a Copa do Mundo, inclusive com a distribuição de brindes. No Catar, torcedores com ingresso na mão e profissionais credenciados para trabalhar na Copa recebiam até chip gratuito para o celular.

Falta customização. Mais do que isso: algo minimamente atrativo para chamar a atenção no vaivém insano de passageiros e malinhas de roda. Para não dizer que dei um freio na minha correria, fui sensibilizado apenas por uma exposição de desenhos de crianças em um mural do terminal de Miami na conexão para New Jersey. Foi só.

Os traços expostos no “The Childre’s Gallery” é uma iniciativa dos estudantes do Miami-Dade Country Public School. Há referências à taça da Copa do Mundo, a caricaturas de astros como Messe e Cristiano Ronaldo e a outros personagens do torneio. No aeroporto de Newark, o mais próximo do MetLife Stadium, palco da estreia da Seleção contra Marrocos e da final da Copa do Mundo, em 19 de julho, nem parece o destino final da competição.

O caminho até o MetLife Stadium só tem ares de Copa do Mundo na aproximação da arena. É preciso foco para enxergar de longe — ou até mesmo de perto — a tradicional envelopagem da arena. África do Sul, Brasil, Rússia e Catar tornavam o caminho até os estádios e fan fests uma agradável surpresa a quem investiu o rico dinheirinho no sonho.

O cenário era esse a nove dias da abertura da Copa do Mundo. Tudo pode mudar até o dia 11, claro, mas a impressão é de quem nem a passagem do Rei Pelé e de lendas como Franz Beckenbauer pelo Cosmos de Nova York nem a presença de Lionel Messi na Major League Soccer foram capazes de quebrar o gelo do país do basquete, baseball, futebol americano e hóquei sobre o gelo com o nosso soccer. Até agora, o clima é de climão nos Estados Unidos, parceiro do México e do Canadá na organização da primeira Copa em três países.

No pragmatismo comercial americano, o “interruptor” do evento costuma ser ligado exatamente na semana da estreia. A ativação de marcas costuma acontecer de forma cirúrgica e muito rápida na contagem regressiva final. Tomara que sim. Por enquanto, o sentimento é de que o clima de Copa será restrito aos estádios dos jogos — e olha lá.

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Marcos Paulo Lima

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