Bruno Lage não pode brincar com o sentimento do torcedor do Botafogo

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Bruno Lage está “brincando” com o sentimento do torcedor do Botafogo. São 28 anos na fila. O fim do jejum nunca esteve tão perto, porém o técnico alvinegro se esforça para deixá-lo distante. O time de Luis Castro, aquele da arrancada no primeiro turno, virou imenso prazer. Resgatou um dos trechos do hino: “não podes perder, perder pra ninguém”. O time cruzou o turno invicto no estádio Nilton Santos até a derrota para o Flamengo.

O empate por 1 x 1 com o Goiás mostra que a confiança do Botafogo baixou justamente onde não deveria: em casa. O time tinha 100% de aproveitamento. Dos últimos seis pontos disputados no Engenhão, conquistou apenas um, o desta segunda-feira contra o Goiás.

O português tem direito de escolher o centroavante, óbvio. Deixar Tiquinho no banco de reservas só não será considerado erro se o artilheiro isolado do Brasileirão estiver inseguro clinicamente ou fisicamente. Do contrário, cometeu equívoco, sim. Diego Costa é um senhor atacante, porém Lage não pode abrir mão facilmente de 14 gols no campeonato. O golaço de empate marcado por ele é uma obra-prima. Diminuiu a raiva do torcedor alvinegro até mesmo de ver o meia Tchê Tchê na função de lateral-direito. Ele até acertou o travessão.

Aborrecimento com a campanha preocupante no segundo turno. O Botafogo tem a quinta pior campanha na classificação da segunda metade do campeonato. Levando em conta apenas a campanha nesta etapa, o desempenho só é melhor do que Inter, Goiás, Cuiabá e Coritiba. Desconfiado, pessimista por natureza, o alvinegro está com um pé e meio atrás.

O próximo jogo será um balizador importante: clássico contra o Fluminense, no Maracanã. A questão é qual será o estado de ânimo do tricolor. O adversário estará de ressaca pela classificação para a final da Libertadores ou derrubado emocionalmente pela eliminação. O desfecho da semifinal nesta quarta-feira, no Beira-Rio, interessa muito ao Botafogo. A sequência não é tão fácil: América-MG e Fortaleza fora, Athletico-PR e Cuiabá em casa.

Contei aqui recentemente que os sete pontos de vantagem alimentam um trauma na mente do técnico Bruno Lage. O Benfica tinha essa vantagem na temporada de 2020/2021 do Campeonato Português. A folga começou a desmanchar justamente em um clássico contra o arquirrival Porto. O resultado abalou os encarnados. O Porto cresceu e conquistou a taça. A desidratação do Botafogo é preocupante e precisa de uma resposta no Clássico Vovô.

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Marcos Paulo Lima

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