24h de dinizismo mostram por que dá certo no Flu e errado na Seleção

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A vitória do Fluminense por 1 x 0 contra o São Paulo, no Maracanã, 24 horas depois da derrota do Brasil para a Argentina pelo mesmo placar, no mesmo estádio, no clássico das Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2026, foi um tira-teima da palavra-chave que diferencia o sucesso do técnico Fernando Diniz no time carioca e a dificuldade para instalar o chip do dinizismo na Seleção Brasileira.

O Fluminense atingiu nessa quarta-feira a marca de 109 jogos sob o comando de Fernando Diniz somente na segunda passagem do técnico pelo clube. Em contrapartida, o treinador acumula apenas seis partidas na Seleção Brasileira. Portanto, é desumano cobrar padrão de excelência em tão pouco tempo. O início de fato seria cambaleante.

Fernando Diniz reestreia no Fluminense em 5 de maio de 2022. Venceu quatro jogos e empatou dois em um recorte de seis jogos para emparelhar com o início na Seleção. A diferença, mais uma vez, é o tempo de trabalho, a continuidade. Diniz estava todos os dias com o elenco. A serviço da CBF, encontrou os convocados uma vez por mês nas datas Fifa de setembro, outubro e novembro para enfrentar Bolívia, Peru, Venezuela, Uruguai, Colômbia e Argentina.

Isso escancara o equívoco da CBF. Fernando Diniz merecia assumir a Seleção? Sim, desde que fosse o responsável pelo projeto até a Copa de 2026 no Canadá, Estados Unidos e no México. Só que não. O contrato tem prazo de validade, provavelmente até o os amistosos de março contra a Espanha e a Inglaterra. O italiano Carlo Ancelotti é aguardado depois disso.

O paralelo entre os dois trabalhos de Fernando Diniz é óbvio. De um lado, um Fluminense adaptado aos métodos de trabalho e aos conceitos do treinador. A materialização disso são os títulos do Campeonato Carioca e da Libertadores. Todos no elenco operário conhecem a função em campo. Sabem exatamente o que fazer quando são acionados. Muitas vezes em mais de uma posição. André, por exemplo, sabe se comportar como volante, meia e zagueiro.

Na contramão, vemos uma Seleção cheia de astros fazendo um esforço tremendo para colocar em prática, como cantaria Caetano Veloso, o avesso do avesso do avesso do avesso do que praticam na Europa. Quem contratou Diniz considera fácil virar a chave ou simplesmente trocar o chip de uma maneira de jogar por outra. Não é. Jogadores como Emerson Royal deixaram isso claro depois da derrota para a Argentina. A insistência de Diniz na convicção deixa jogadores badalados incomodados, expostos. Simplesmente tudo o que eles detestam.

Assim caminha o Fluminense de vento em popa rumo ao Mundial de Clubes da Fifa, na Arábia Saudita, e a Seleção Brasileira à deriva em um mar bravio nas Eliminatórias para a Copa de 2026. O sexto lugar na classificação indica proximidade do naufrágio. É a última posição com acesso direto. O sétimo colocado se apega ao bote salva vidas da repescagem.

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Marcos Paulo Lima

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