PT e Lula usam Renan para torpedear a candidatura de Simone Tebet

Publicado em coluna Brasília-DF

PT e Lula estão dedicados a evitar a profusão de candidaturas de centro e, assim, ampliar as chances de vitória no primeiro turno. O alvo da vez é Simone Tebet (MDB). É nesse sentido que o senador Renan Calheiros (MDB-AL) ajudou a promover a ação judicial contra a convenção que escolherá a senadora candidata, amanhã (27/7), embora não assine o pedido. A ação de Renan, porém, carece de apoios dentro do diretório nacional, que tirou o pé do acelerador no esforço pró-Lula depois das críticas diretas de Dilma Rousseff a Michel Temer. A tendência, se a Justiça não interceder, é a candidatura de Tebet ser homologada esta semana e se tornar mais uma pedra contra a decisão da eleição no primeiro turno.

Embora se preparem para dois turnos, PT e Lula agem desde o início do ano para tentar fechar a eleição no turno inicial. Primeiro, Lula atraiu os partidos de esquerda, PSol, Rede, PV, PCdoB. Restou o PDT, que manteve a candidatura de Ciro Gomes e, inclusive, já realizou a sua convenção. O segundo movimento foi em direção ao centro: atraiu Geraldo Alckmin para vice na chapa e evitou a busca de uma candidatura do PSB ao Planalto. Agora, restam o MDB e o PSD de Gilberto Kassab, que se manterá neutro no primeiro turno da sucessão presidencial. Embora muitos políticos acreditem que Lula pode vencer a eleição, a aposta geral é de que todos os fatores ainda não estão colocados e, diante dessa constatação, a eleição está em aberto.

Onde mora o perigo

Os petistas acompanham com lupa as pesquisas desta semana. Eles avaliam que, na amostra do Ipespe, Bolsonaro apresentou poder de fôlego. E, nesse sentido, se o Auxílio Brasil obtiver efeito sobre o eleitorado, vai dar ao presidente-candidato uma vantagem justamente entre os mais pobres, segmento em que Lula lidera com folga.

Até aqui, eleitor “descasou” eleição
Ao que tudo indica, o eleitor não está vinculando a eleição presidencial à estadual. Até aqui, na Bahia, Lula lidera, mas seu candidato a governador, Jerônimo Rodrigues, não. A mesma situação se repete em Minas Gerais, em Pernambuco e no Rio de Janeiro.

O fator Michelle
O ingresso da primeira-dama Michelle Bolsonaro na campanha presidencial foi visto como “uma bênção” pelos coordenadores políticos de Bolsonaro. Uma parte estava preocupada, porque ela, embora participe de alguns atos, ia falar de improviso. A aposta é que, se Michelle conseguir atrair uma parte do eleitorado feminino, Lula perderá a vantagem que tem hoje.

Ajudinha
Ao não dar prosseguimento a denúncias contra o presidente Jair Bolsonaro, a Procuradoria-Geral da República dá ao candidato à reeleição o discurso de que os pedidos não passaram de “perseguição”, tanto é que foram arquivados. É por aí que o PL tratará desse tema.

Veio a calhar…/ A reunião da 15ª Conferência de ministros da Defesa das Américas, esta semana em Brasília, reforçará o compromisso com a democracia, na Carta de Brasília a ser divulgada quinta-feira.

… e amarrar/ O documento, segundo generais mais progressistas, tem tudo para ser lido como uma resposta das Forças Armadas a qualquer tentativa de desrespeito ao resultado das urnas em outubro.

Conta outra/ Em 2020, vários partidos fizeram convenções virtuais sem problemas. Por isso, o MDB acredita que está tudo certo para a manutenção da convenção que homologará Simone Tebet, amanhã.

A volta de Adélio/ A possibilidade de soltura de Adélio Bispo às vésperas de o atentado contra Jair Bolsonaro completar quatro anos é considerada pelos aliados do candidato do PL ao Planalto como uma provocação. Se Adélio for solto, será mais um ato que dará discurso para dizer que a vítima de violência nas eleições é o presidente.

Lula vai conversar com Kassab por apoio no primeiro turno; SP é o entrave

Publicado em coluna Brasília-DF, ELEIÇÕES 2022, Lula

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende ter uma nova conversa com Gilberto Kassab, nos próximos dias, para ver se consegue acertar os ponteiros para que Kassab anuncie apoio a ele no primeiro turno. Só tem um probleminha: em São Paulo, onde Kassab faz política, o PT nunca estendeu o tapete para o ex-prefeito.

Amarra lá

Em caso de segundo turno em São Paulo, entre Fernando Haddad (PT) e Tarcísio de Freitas (Republicanos), e entre Lula e Bolsonaro na disputa pelo Planalto, Kassab manterá a neutralidade do PSD na eleição presidencial. Mas as apostas de muitos no PT são de que quem estará contra Haddad será o governador Rodrigo Garcia.

Quem me chamou

Não por acaso, em São Paulo, o PSD optou pelo bolsonarismo, ao lado do ex-ministro Tarcísio de Freitas. Aliás, na convenção do PSD, Kassab fez questão de posar para fotos e entrevistas ao lado do ex-ministro da Infraestrutura.

Por Denise Rothenburg, notas publicadas na coluna Brasília/DF de 24 de julho de 2022.

Para caciques do PL, Bolsonaro não irá para a ruptura institucional

Publicado em coluna Brasília-DF

Os presidentes do PL, Valdemar da Costa Neto, e do PP, Ciro Nogueira, já sabiam que o presidente Jair Bolsonaro criticaria as urnas eletrônicas em encontro com embaixadores. Agora, vão se preparar para as representações judiciais que a oposição levará ao Tribunal Superior Eleitoral e ao Supremo Tribunal Federal. E é por aí que vão agir. Até aqui, ambos têm dito, em conversas reservadas, que a missão deles está relacionada a questões partidárias. Aliados de Ciro vão além: dizem que ele já cumpriu o seu papel ao aprovar a emenda constitucional que ampliou o Auxílio Brasil e criou o Auxílio Caminhoneiro.

Isso não significa que irão apoiar qualquer medida que tente comprometer o processo eleitoral. Porém, inicialmente, acreditam que Bolsonaro não irá para a ruptura institucional. Se a aposta deles está correta, o tempo dirá.

Corrida pelo primeiro turno

A reunião de Lula com representantes de diretórios do MDB em 11 estados a poucos dias da temporada de convenções faz parte do jogo do PT para ver se consegue ampliar a distância para Jair Bolsonaro e, assim, tentar vencer no primeiro turno. O PT considera que uma vitória na primeira rodada daria mais estofo para lidar com o presidente Bolsonaro e as ameaças sobre as urnas eletrônicas.

Ela vai assim mesmo
Simone Tebet não vai desistir. Ela continuará viajando pelo país e será candidata, mesmo sem o lastro de todos os diretórios regionais. Alguns desses dirigentes regionais já admitem votar na candidatura dela, embora estejam inclinados a apoiar Lula.

Dois imbróglios
Só Rio de Janeiro e o Distrito Federal são considerados problemas hoje dentro da Federação do PSDB com o Cidadania, a ponto de serem tratados na reunião desta semana. No DF, como já se sabe, é a queda de braço entre a deputada Paula Belmonte e o senador Izalci Lucas, que têm projetos diferentes.

O que vem por aí
A unidade do União Brasil em torno de Reguffe deu uma balançada. No partido, há quem esteja pregando que ele só tenha recursos financeiros para a campanha se concorrer à reeleição para o Senado.

CURTIDAS

Leite leva MDB/ A maioria dos prefeitos do MDB gaúcho selou o apoio à candidatura de Eduardo Leite para o governo do Rio Grande do Sul. Foram 52 votos a dez.

A paróquia é o que interessa/ Enquanto Rodrigo Pacheco falava em suas redes sociais sobre o discurso de Bolsonaro aos embaixadores, o presidente da Câmara, Arthur Lira, postava que o prefeito de Arapiraca (AL) irá apoiar o Rodrigo Cunha (PSDB) e Davi Davino Filho (PP) ao governo estadual.

Um google resolveria/ O power point que o presidente Jair Bolsonaro apresentou em seu discurso contra as urnas eletrônicas trouxe a inscrição “brienfing”, quando a palavra correta é briefing. A contar pelos parcos aplausos, a fala presidencial também não agradou.

Temer cortejado/ O ex-presidente Lula não desistiu de ter um diálogo com o ex-presidente Michel Temer. Hoje tem mais uma tentativa do PT de se aproximar dele.

PT corteja Aguinaldo Ribeiro para a vaga de Lira

Publicado em coluna Brasília-DF

As atitudes do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), para garantir a votação e a aprovação da emenda constitucional que amplia o Auxílio Brasil e cria um voucher para caminhoneiros levaram oposicionistas a Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), ministro das Cidades do governo Dilma Rousseff. Em tom de desabafo, reclamavam dos atropelos regimentais para aprovar a proposta. No ano passado, Lira foi escolhido candidato do PP ao comando da Casa, deixando Aguinaldo sem lastro para a disputa. Por esses dias de correria para aprovação da PEC, os petistas lhe rendiam homenagens nos bastidores.

Se Aguinaldo se reeleger deputado federal e Lula for eleito para um terceiro mandato de presidente da República, está aí o nome dentro do próprio PP para concorrer contra Lira. Por enquanto, Aguinaldo joga parado.

Vem confusão aí
Na madrugada de ontem, em conversa com alguns deputados, o presidente da Câmara, Arthur Lira, xingava os representantes da Lumen, a operadora que presta serviços de internet à Casa. E a todos os parlamentares avisava: “Isso não vai ficar assim”.

Segure as pontas

Na conversa que manteve com o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, o ex-presidente Lula tratou de pedir que estejam todos preparados para garantir a posse de quem vencer a eleição presidencial deste ano. Líder nas pesquisas, o petista teme que, se as urnas confirmarem as pesquisas, Bolsonaro tente dar um golpe.

Agora, vai ter de comparecer
Com o apoio do PSB de São Paulo a Fernando Haddad, os socialistas vão cobrar uma presença mais forte de Lula em Pernambuco em apoio a Danilo Cabral, pré-candidato ao governo. Se fizer corpo mole, vai ficar difícil.

Por falar em PSB…
O deputado Alessandro Molon (PSB-RJ) vai insistir na candidatura ao Senado e possui lastro para isso. O presidente do partido, Carlos Siqueira, tem deixado o parlamentar bastante à vontade para seguir com a sua pré-campanha por lá.

Cenários/ Em conversa no cafezinho da Câmara, as deputadas Bia Kicis e Flávia Arruda, ambas do PL do Distrito Federal, comentavam o xadrez político local. Até aqui, Flávia continua como pré-candidata ao Senado, e José Roberto Arruda, marido dela, pré-candidato a deputado federal, para puxar votos e bancada do PL, em parceria com Kicis.

Assim fica difícil/ O formato virtual para a convenção que escolherá Simone Tebet candidata a presidente da República contrasta com os grandes atos marcados para o lançamento de Jair Bolsonaro, no Rio de Janeiro; Lula, em São Paulo; e Ciro Gomes, em Brasília. Quem quer ser conhecido tem de mostrar movimento.

Atenção, me recebam/ Presente ao tradicional almoço da bancada do União Brasil das quartas-feiras, o pré-candidato do partido ao Planalto, Luciano Bivar, aproveitou para convocar todos à convenção que fará dele candidato a presidente da República, marcada para 5 de agosto, em São Paulo. “Estou percorrendo o Brasil”, disse, já comunicando aos deputados a sua agenda.

Jogo triplo/ O apoio do PSD do Rio de Janeiro à candidatura de Rodrigo Neves (PDT) ao governo do estado põe o PSD carioca no colo de Ciro Gomes. O partido apoia Tarcísio de Freitas em São Paulo, e, em Minas Gerais, tem parceria com o PT. Seja quem for o presidente da República, o PSD terá uma ponte para o governo federal.

Em Brasília, Lula corre atrás do voto útil

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Em conversas com emedebistas e empresários durante a passagem por Brasília, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deixou claro que, ao longo do período de campanha oficial, correrá atrás daqueles que resistem à polarização e querem dar chances a outros nomes. O alvo principal é o MDB, de Simone Tebet, e o PSD, que ficará neutro na eleição presidencial — e em São Paulo, maior colégio eleitoral do país, selou parceria com o ex-ministro de Infraestrutura Tarcísio de Freitas, do Republicanos, o candidato do presidente Jair Bolsonaro (PL).

A investida do PT vem calcada em três palavras: “credibilidade”, porque Lula já foi presidente; “estabilidade”, porque ele se mostra disposto ao diálogo com todas as forças políticas; e “previsibilidade”, pois não pretende flertar com tentativas de golpe.

Só tem um probleminha: os empresários que conversaram de forma mais alentada com Lula não receberam do ex-presidente qualquer vislumbre de projeto econômico. E enquanto o petista não apresentar um projeto que garanta menos intervencionismo do Estado na economia, não fecharão com o PT.

O recado da PEC

O placar do primeiro turno da PEC 15, que aumenta o valor do Auxílio Brasil e cria o voucher caminhoneiro, deixou claro que o PP de Arthur Lira (AL) e o próprio Bolsonaro, aos poucos, aprenderam a jogar num campo no qual, até aqui, o PT reinava sozinho: o dos benefícios sociais.

Vai tudo para…
Ao longo do dia, no Plenário, vários discursos contrários. Mas, no painel, 393 votos a favor da concessão dos auxílios foi um sinal de que o governo deixou o PT em xeque no campo onde o partido de Lula sempre reinou praticamente sozinho.

… o horário eleitoral
Os bolsonaristas registraram vários discursos para pinçar as partes em que criticavam a concessão dos benefícios em ano eleitoral.

Com 5G e acontece isso?!
O sistema de votação ficar fora do ar justamente na hora da análise da PEC das Bondades, ou Kamikaze, foi considerado estranho pelos líderes aliados ao governo. Especialmente porque, em Brasília, o 5G já está funcionando. A informação era de que, pelo menos, 60 deputados não conseguiram votar pelo aplicativo. Esta quarta-feira será de pura confusão.

Moraes para contê-los/ Ao manter em aberto o inquérito das milícias digitais por mais 90 dias, a ideia do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), é evitar que essa turma ultrapasse os limites no período eleitoral.

Sai daí rapidinho/ Ao fazer chamada de vídeo para parentes de Marcelo Arruda, o petista assassinado no dia do aniversário de 50 anos, em Foz do Iguaçu, Bolsonaro cumpre conselhos daqueles que torcem para vê-lo mais calmo e evitando radicalizações na campanha. Afinal, se quiser vencer em outubro, terá que conquistar votos ao centro.

Tá vendo aí/ Na abertura do Fórum do Leite, uma voz rouca tentou ecoar um “Bolsonaro 2022”. Ouviu poucas palmas no auditório lotado do Sebrae, em Brasília. A surpresa, porém veio no segundo painel, quando o mestre de cerimônia chamou o presidente do Banco do Brasil, Fausto de Andrade Ribeiro, de “presidente do Brasil”. Foram tantos aplausos e assobios, que Ribeiro não descartou “um dia”, quem sabe, concorrer ao Planalto.

Assim não dá/ A deputada Celina Leão (PP-DF) ficou tão estarrecida que colocou em suas redes sociais o aumento do número de seguidores do “tarado da sala cirúrgica”, o médico Giovanni Quintella Bezerra, preso depois de ser flagrado estuprando uma mulher durante o parto. “Depois do ocorrido, o anestesista ganhou mais de 10 mil seguidores. São essas pessoas que queremos seguir como exemplo?”, pergunta Celina.

Gilberto Amaral/ Um ícone da cidade se foi, ontem. Ficam aqui nossas condolências à mulher, Mara, e aos filhos, Rodrigo, Bernadete e Marcelo.

Colaborou Rosana Hessel

Congresso já avalia frear as emendas de relator

Publicado em coluna Brasília-DF

A retirada do dispositivo que pretendia tornar obrigatória a liberação das emendas de relator do Orçamento foi vista nos bastidores do Congresso como a tábua à qual o senador Marcos do Val (Podemos-ES) se agarrou para tentar atenuar as denúncias de ter sido favorecido nessas propostas. Do Val atende a oposição e faz valer o discurso de que essas emendas jamais foram questão prioritária para ele.

Os parlamentares, de um modo geral, também consideram que é preciso dar uma freada de arrumação nessas emendas. Afinal, há uma coleção de denúncias sobre o orçamento secreto. E, agora, com essa retirada, a avaliação de alguns é de que, se houver problema, o Executivo terá sua parcela de culpa, porque liberou recursos sem prestar atenção naquilo em que aplicava os recursos da União.

O fim do diálogo

O Instituto Locomotiva quis saber como está a capacidade de diálogo do brasileiro quando o tema é política. Descobriu que o país desaprendeu a conviver com as diferenças de pensamento. Sete em cada 10 pessoas com opiniões diferentes em geral não dialogam bem no país.

Medo de conversar
Apenas 27% costumam dialogar bem e ter uma conversa construtiva. 73%, não. Quando a pergunta é sobre expor a opinião, 38% nunca expõem o que pensam, enquanto 36% apresentam suas posições políticas e defendem com força seus pontos de vista.

Nem tudo está perdido
O Locomotiva descobriu que 41% dos brasileiros têm alta tolerância política. Mas é preciso ficar atento, porque a elevada intolerância é uma doença que atinge 25% dos cidadãos.

Veja bem
Nos extremos, estão os mais intolerantes. 32% dos esquerdistas se dizem intolerantes, assim como 32% dos direitistas. E é aí que mora o perigo de assassinatos, como o que ocorreu em Foz do Iguaçu. Em tempos de eleição, é preciso estar atento.

Jogo casado/ Ao pedir o adiamento da votação a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), o líder do Novo, Marcel Van Hatten (RS), não só segurou a obrigatoriedade das emendas de relator, como ajudou a adiar a análise da PEC das Bondades. A aposta geral é de que a sessão de hoje, marcada para votar a proposta de emenda constitucional, corre riscos, uma vez que com tantos projetos orçamentários e vetos para deliberar, além da própria LDO, torna a sessão desta manhã muito apertada para ajustar tudo.

Chamariz/ O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), porém, deixou para amanhã uma sessão de análise dos projetos dos parlamentares. É um dos estímulos para que a turma não vá embora e permaneça por Brasília até quinta-feira, para a sanção da PEC das Bondades. A avaliação é de que a PEC tem votos favoráveis de sobra. Falta organizar a hora de votar, para garantir que os deputados não estejam em trânsito.

Lula sai da toca/ Até o mês passado, o ex-presidente estava praticamente restrito a eventos fechados de seus apoiadores. Agora, circula entre públicos não tão favoráveis e, inclusive, com eventos de rua. Hoje, na Confederação Nacional do Comércio (CNC), os diretores torcem para que ele e Geraldo Alckmin finalmente exponham pontos do projeto econômico.

Para o bem ou para o mal, Arthur Lira é o grande líder do governo

Publicado em coluna Brasília-DF

Nos tempos dos governos de Fernando Henrique Cardoso e de Lula, seria normal os líderes do governo emprestarem seus gabinetes para que os ministros políticos recebessem os deputados e cabalassem votos em favor das propostas governamentais. Essas situações hoje são raras. Por esses dias, ao longo das negociações da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que amplia o Auxílio Brasil e cria o auxílio-caminhoneiro, quem fez esse papel foi o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL). Ao contrário de outros governos, ninguém precisou pedir a ele que adiasse a votação da PEC. Para o bem ou para o mal, ele é o grande líder do governo.

E, embora alguns integrantes do PP fiquem constrangidos, Lira não largará essa função e trabalhará, ao longo do fim de semana, para garantir os votos em favor da PEC. Afinal, independentemente de Bolsonaro, o parlamentar quer o discurso de que aprovou e concedeu um alento maior àqueles que mais necessitam.

São dois turnos, e ponto

O ex-presidente Lula, bastante pragmático, já avisou ao seu pessoal que pare de falar em primeiro turno. O partido sempre venceu em dois turnos e tem de se preparar para esse cenário.

Aí, não/ O presidente nacional do PSDB, Bruno Araújo, não acreditou no que estava ouvindo quando a deputada Paula Belmonte disse que apoiaria o senador Izalci Lucas ao GDF, caso o líder tucano no Senado renunciasse ao mandato para que o primeiro suplente, Luiz Felipe Belmonte, marido dela, ocupasse a vaga. Foi ali que ela perdeu qualquer chance de fazer valer a sua vontade de levar a federação a apoiar Reguffe. Os tucanos contam que Bruno não entendeu como uma deputada de 46 mil votos fazia uma proposta dessas a um senador que obteve 406 mil e é o líder do partido.

Abriu e voou/ Na sessão mais rápida da história do Parlamento, aquela que durou um minuto, na manhã de ontem, o vice-presidente Lincoln Portela cumpriu o roteiro combinado com Arthur Lira e saiu da Câmara direto para o aeroporto, rumo a Montes Claros (MG). Estão todos focados na pré-campanha.

Aliás…/ No início da noite, quando Lira encerrou a sessão, inúmeros deputados estavam em voos pelo Brasil afora ou em compromissos de pré-campanha. Agora, o presidente da Câmara exigirá a presença em Brasília na terça-feira.

Zerar tributos de combustíveis é o “Plano Real” de Bolsonaro

Publicado em coluna Brasília-DF

Num jantar com a bancada mais afeita ao seu setor, o ministro de Minas e Energia, Adolfo Sachsida, disse em alto e bom som ao deputado Danilo Forte (União Brasil-CE): “Você salvou o governo. Muito obrigado”. Danilo Forte é autor do PLP 18/22, que limita a cobrança de ICMS dos combustíveis e energia, e serviu de pontapé para as negociações em torno de projetos para reduzir o preço do diesel e da gasolina. Se der certo, trará benefícios eleitorais ao presidente Jair Bolsonaro (PL). “Não interessa a cor do gato, o importante é que pegue o rato”, diz Forte, que acredita piamente na redução do preço do combustível na bomba, ou na amenização dos efeitos de reajustes.

O ex-presidente Lula já se posicionou contra o texto. Líder das pesquisas de intenção de voto, disse que Bolsonaro deveria ter coragem de pedir à Petrobras que parasse com os reajustes vinculados ao mercado internacional. Bolsonaro já tentou, mas ainda não conseguiu. A aposta na redução dos impostos é o que o governo considera viável no curto prazo. Se der certo, Lula ouvirá dos bolsonaristas o mesmo que ouviu, quando o Plano Real deu resultado, em 1994. O PT foi contra e o posicionamento lhe custou a eleição daquele ano, em que o petista também liderava as pesquisas. Alguns integrantes do PT têm o mesmo receio agora. Afinal, a história, muitas vezes, se repete.

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E por falar em Lula, o mapa da fome que apontou 33 milhões de brasileiros em situação de insegurança alimentar — uma alta de 14 milhões em relação ao último levantamento —, é visto no PT como a linha mestra do programa de governo. A aposta é de que a população tem a memória de criação do Bolsa Família e que, por aí, será possível assegurar a volta de Lula ao Planalto.

Muita calma nessa hora

O projeto que o PT encaminhou aos partidos com diretrizes para um plano de governo, com fim do teto de gastos e da reforma trabalhista, foi tão criticado por aliados que os próprios petistas estão pedindo calma a todos. Afinal, o texto não passa de uma carta a ser discutida e reformulada ao longo dos debates.

Curtidas

Conversa paulista/ O ex-governador de São Paulo João Doria retoma suas atividades empresariais e políticas com um forte zunzum de que poderá ser candidato a deputado federal para puxar bancada.

Diferenças/ No Planalto, diz-se que Bolsonaro não pedirá para que Damares Alves desista de concorrer ao Senado. Isso porque a avaliação é de que a ex-ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos é Bolsonaro raiz, enquanto Flávia Arruda (PL-DF), também pré-candidata ao Senado, está Bolsonaro por conveniência política.

Consulta/ No intervalo do CB.Poder de ontem, com Damares, ela vira para assessoria e pergunta: “Estou muito brava?”

Inversão dos fatores/ Uma parte do PSDB acredita que, embora o MDB resista a ceder a cabeça de chapa no Rio Grande do Sul, será possível insistir nisso quando os tucanos apoiarem Simone.

Frase de Lula implode negociações com tucanos

Publicado em coluna Brasília-DF

O conselho político da pré-campanha de Luiz Inácio Lula da Silva já foi avisado de que a declaração do ex-presidente — “O PSDB acabou” — fez refluir o discurso ensaiado por setores do partido em defesa de uma frente ampla anti-Bolsonaro. Apesar das desculpas de Lula, os tucanos não vão entrar mais nesse barco, até porque o partido está dividido.

Com esse recuo do PSDB, Lula foi aconselhado, mais uma vez, a moderar as palavras. Afinal, para vencer a eleição — e governar depois —, precisará justamente dos partidos que os petistas desprezam, como PSDB e MDB — e aqueles do Centrão.

A avaliação interna é de que as legendas que hoje sustentam o governo do presidente Jair Bolsonaro (PL) têm tudo para chegarem fortes ao Congresso no ano que vem, uma vez que juntaram uma gama de prefeitos em apoio aos seus parlamentares. Portanto, não é hora de cutucar quem pode ser aliado amanhã.

Sachsida no sal

O novo ministro de Minas e Energia, Adolfo Sachsida, mal chegou e já está deixando parlamentares e o setor elétrico irritados. Havia uma expectativa de que ele apresentaria aos congressistas um plano que ajudasse a aliviar a situação de preços no setor de energia (combustíveis e luz elétrica). Até aqui, esse programa não apareceu. Quem apresentou foi a Câmara, ao votar o projeto de limitação do ICMS nesses setores.

 

PT considera que o Sul é crucial para vitória no primeiro turno

Publicado em coluna Brasília-DF

A região em que o presidente Jair Bolsonaro (PL) lidera as pesquisas é vista pelo PT como prioritária para tentar consolidar os votos que faltam para garantir uma vitória de Luiz Inácio Lula da Silva no primeiro turno, conforme avaliam seus aliados. Os lulistas acreditam que se o ex-presidente melhorar a performance na região, a conta de chegada fecha e o partido pode conquistar a marca inédita em sua história. O trabalho, agora, será conquistar tudo o que for possível em termos de apoios e reforçar, no Sul, o discurso de ameaça à democracia. Lula irá ao Rio Grande do Sul com Geraldo Alckmin e, além desse tema, tentará organizar o palanque estadual e evitar que o PSB siga para Ciro Gomes (PDT).

Vale lembrar que, além do PT, quem vê o Sul com esperança de crescimento nas pesquisas é Simone Tebet, do MDB. Ela trabalha para levar o diretório gaúcho a apoiar a candidatura de Eduardo Leite a governador. Leite ainda não anunciou oficialmente que será candidato a mais quatro anos no Piratini. Simone aguarda apenas esse anúncio para tentar garantir a união de tucanos e emedebistas no estado.

Vai com calma

A pressa de alguns aliados de Lula em busca de declarações de apoio ao ex-presidente ainda no primeiro turno, por parte de adversários nos estados, é vista como um movimento que pode terminar prejudicando o próprio PT. Em São Paulo, por exemplo, os petistas não querem saber de conversa com o governador Rodrigo Garcia (PSDB), pré-candidato à reeleição. Apoio não se nega, mas os mais afoitos têm que entender que o lugar de Lula é ao lado de Fernando Haddad, avisam alguns.

Qualidade do gasto
Com dois presidentes na disputa ao Palácio do Planalto, a forma como os governos gastam o suado dinheiro dos impostos vai entrar na campanha deste ano. Os bolsonaristas vão lembrar dos financiamentos milionários ao porto de Mariel, em Cuba, e obras na África, além de aportes em projetos que não deram certo. Os petistas vão citar os gastos com as emendas de relator, que beneficiam os aliados do Planalto.

Memória
Os bolsonaristas, aliás, estão coletando todos os investimentos feitos nos governos petistas que terminaram dando em nada. Neste fim de semana, por exemplo, ao ler a entrevista do economista Marcos Mendes à Folha de S.Paulo, aliados do presidente já pediram a técnicos os gastos com estaleiros e sondas, inclusive caso da Sete Brasil, empresa criada para construir sondas para exploração do pré-sal, que terminou servindo ao propinoduto desvendado pela Lava-Jato.

Água fria
A fala do secretário de Fazenda de São Paulo, Felipe Salto, contra o projeto que limita a cobrança de ICMS sobre energia e combustíveis, terá reflexo no voto dos senadores. Salto dirigiu o Instituto Fiscal Independente (IFI) do Senado, e é respeitado por todos os partidos na Casa.

Mudança de hábito/ Bolsonaro fez a motociata em Goiás de capacete. A atitude veio depois que Genivaldo Santos foi parado pela Polícia Rodoviária Federal por estar sem o equipamento de segurança obrigatório e terminou morrendo depois de ser colocado dentro de uma viatura transformada em câmara de gás.

Neto na área/ Depois de saber que os adversários colocaram olheiros para acompanhar as andanças pela Bahia, o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto, decidiu fazer pirraça. Pede a todos os presentes que levantem as mãos e faz uma selfie num ambiente lotado. A presença dos olheiros, porém, é para tentar caracterizar as imagens como pedido de voto para ingressarem com ações na Justiça Eleitoral por campanha antecipada.

Sabatina do Correio/ O Correio Braziliense tem encontro marcado com os pré-candidatos à Presidência da República na terça-feira. Vamos ouvir as propostas que a maioria deles defenderá na campanha.

Últimas semanas/ Com as festas juninas logo ali Nordeste afora, e a campanha eleitoral aquecida, essas duas semanas antes do dia de Santo Antonio, em 13 de junho, são consideradas cruciais para debate presencial de temas importantes no Parlamento.