Se indicar Eduardo à embaixada, Bolsonaro arrisca colocar o prestígio pessoal em jogo no Senado

Eduardo Bolsonaro e Jair Bolsonaro
Publicado em coluna Brasília-DF
Coluna Brasília-DF

Ao não descartar o nome do deputado Eduardo Bolsonaro para embaixador do Brasil em Washington, o presidente Jair Bolsonaro arrisca colocar o prestígio pessoal em jogo no Senado. É que, nunca antes na história do país, um presidente indicou o próprio filho para um cargo tão importante. Ainda que 03 seja inteligente, fale inglês e tenha boas relações com a família do presidente Donald Trump, não é da tradição da diplomacia brasileira.

Risco

Se decidir mesmo indicar o filho, o presidente assume a responsabilidade de não poder perder essa votação no Senado, onde a base é incerta e o voto para escolha de autoridades é secreto. Alguns senadores não engolem a frase de 03, ainda na campanha, sobre bastar um carro-tanque e um soldado para fechar o Supremo Tribunal Federal. E, nos Estados Unidos, não se brinca com a máxima democracia acima de tudo.

Exceção

O último embaixador fora da carreira diplomática nos Estados Unidos foi Juracy Magalhães, em 1964, no governo do marechal Castelo Branco. Ele sucedeu Roberto Campos, diplomata e economista, que havia sido nomeado por João Goulart.

Guedes: ideia é se aproximar dos EUA sem abandonar a China

paulo guedes
Publicado em Governo Bolsonaro

Washington — O ministro da Economia, Paulo Guedes, pretende sair dos Estados Unidos, amanhã, com a certeza de que plantou a semente do “ganha-ganha”, ou seja, não é excluir a China em favor dos Estados Unidos, mas dar ao país Ocidental o espaço que, no passado recente, não foi tão valorizado na relação comercial. “Houve uma atitude de desinteresse com um parceiro extraordinário, que está aqui do lado. E isso se agudizou no período do governo do PT. Vários países fizeram acordo com os americanos e nós não. Vamos mudar isso e não é para se contrapor a ninguém”, disse o ministro, numa rápida entrevista no hotel onde está hospedado.

Essa visão não significa abandonar a China, principal parceiro comercial do Brasil hoje, e sim ampliar a relação com os Estados Unidos. Tecnicamente, avisam alguns integrantes da comitiva, é deixar bem claro aos Estados Unidos que há o interesse chinês em financiar infraestrutura no Brasil e que cabe aos ocidentais decidir se vão deixar o país comercialmente mais atrelado à China ou trabalhar de forma conjunta para favorecer essa reaproximação. Da parte do Brasil, a ordem é manter as negociações abertas com todos.

O tema foi tratado no jantar da noite de domingo, quando o ministro conversou com formadores de opinião norte-americanos e fez um discurso sobre as relações comerciais do Brasil acoplado a uma análise geopolítica, sobre o fato de a economia de mercado produzir democracias. E que o mundo, a China inclusive, opta pela economia de mercado para tirar sua população da pobreza. Guedes foi ainda claro ao dizer, no jantar, que “o Brasil, geopoliticamente, sabe o que é: Ocidental e uma democracia”. O ministro foi ainda incisivo ao dizer que “só quer saber do que pode dar certo”. Ele, porém, mantém reservas para dizer como e sobre quais produtos as conversas podem evoluir ainda nesta viagem aos Estados Unidos. Ele saiu do hotel direto para uma conversa como secretário de Comércio dos Estados, Wilbur Ross.