Parte do relatório da CPI está praticamente pronta

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Senadores do grupo do G7 consideram que a linha dorsal do relatório de Renan Calheiros sobre as responsabilidades pela situação da pandemia no Brasil já está dada: o governo federal poderia ter 64 milhões de doses de vacinas a mais, já no final de 2020 ou em janeiro deste ano, mas optou por não comprá-las, perdendo seu lugar na fila para obtenção de imunizantes. Em segundo lugar, montou um gabinete para assessorar o presidente Jair Bolsonaro em relação a medicamentos que poderiam curar aqueles que, diante da opção pela imunização de rebanho, viessem a contrair a doença. O saldo de tudo isso é um total de mais de 450 mil mortes registradas até agora.

A fase dois começa no fim de junho, com a apuração do que foi feito com os recursos enviados a estados e municípios. Aí, o Planalto tentará montar o seu relatório paralelo, tirando o peso da mão de Renan Calheiros sobre o Planalto, e Bolsonaro e colocando nos governadores. O difícil será o governo conseguir fechar esse roteiro dentro dos 90 dias, uma vez que essa parte sequer começou a ser investigada a fundo. E o governo terá outro problema: embora Bolsonaro não queira, os governistas precisarão de mais prazo para concluir essa investigação. A confusão, que já é grande, promete ficar maior.

O vírus da desconfiança

Até para convocar o publicitário Marquinhos Show, o G7 discutiu nos bastidores se seria necessário e se tinha maioria. O mesmo não ocorreu com o pedido de convocação do presidente Jair Bolsonaro, feito pelo senador Randolfe Rodrigues. A equipe já não está tão homogênea quanto há um mês.

O jogo dos erros das vacinas I
Numa live promovida pela Fundação Astrojildo Pereira, o ex-ministro da Saúde José Gomes Temporão elencou os quatro erros do governo federal em relação às vacinas. O pecado original foi o Programa Nacional de Imunização (PNI) não ter chamado o Instituto Bio Manguinhos e o Butantan para montagem de uma estratégia comum voltada à obtenção das vacinas. “Pouco mais de 10% da população com duas doses, pouco mais de 22 milhões de pessoas em cinco meses. Isso é pífio e patético. Bolsonaro atirou no Butantan o ano inteiro, até dezembro.”

O jogo dos erros das vacinas II
Além desse erro político, houve a permissão para que as multinacionais fizessem estudos de fase 3 no Brasil sem exigência de prioridade na aquisição das vacinas, de volume e de preço. De quebra, houve, ainda, o atraso no ingresso no Consórcio Covax Facility. Por último, a recusa de ofertas de vacinas. “Passamos a achar normal morrerem duas mil pessoas por dia. É inacreditável”, diz ele.

A nova grande discussão da Saúde
Paralelamente à guerra contra o vírus e à resistência do governo federal em seguir as recomendações de distanciamento social quando for necessário, os sanitaristas estão às voltas com os projetos sobre a ampliação da participação da iniciativa privada no SUS e com as escolas de medicina, que, segundo o epidemiologista Gonçalo Vecina, estão proliferando sem qualidade: “Caminhamos para um desastre”, atesta.

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Exército na lida/ Os militares estão há uma semana com o “problema” general Eduardo Pazuello à porta, sem definição clara. Há quem diga que, quanto mais demorar para resolver, mais desgaste para a Força. Especialmente porque o general se recusa a seguir para a reserva, tirando os militares da foto da CPI.

PSDB organiza a prévia/ A comissão tucana encarregada de definir as prévias tem encontro marcado, amanhã (31/5), para bater o martelo sobre a proposta a ser encaminhada para a Executiva Nacional do partido. A data mais provável é 21 de novembro.

O centro da política é hoje terra de Murici…/ … Cada um por si. A ideia do PSDB é dar visibilidade ao partido no final do ano, quando as legendas, de uma maneira geral, vão acelerar a arrumação do tabuleiro para a eleição presidencial do ano que vem. Até aqui, cada sigla aposta no próprio território para, mais à frente, ver o que é possível fazer em termos de alianças.

Se quiser sair…/ … que saia. O DEM vai continuar apostando no ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, sem dar muitas asas a um projeto com o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, que tem mais quatro anos de mandato na Casa e, portanto, com uma janela sem riscos para apostar numa candidatura presidencial. É por isso que o PSD joga para atraí-lo.

E as manifestações, hein?/ As manifestações desse sábado trouxeram muito mais gente de máscara do que nos atos bolsonaristas. Porém não deixa de ser aglomeração em meio à pandemia, sem que a população esteja num nível de vacinação considerado seguro. Aliás, só quando houver um percentual seguro de pessoas vacinadas é que se terá ideia da capacidade de aglutinação de um e de outro grupo. Nenhum movimento deve ser desprezado.

Depoimento de Dimas terá função de desmentir Pazuello e aglutinar o G-7

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Depois da divisão do G-7 da CPI da Covid, por causa da convocação dos governadores, o depoimento do diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, chega com duas funções: a primeira é ajudar o grupo majoritário da comissão de inquérito a obter provas de que o governo negligenciou a compra de vacinas no ano passado; a segunda é ajudar a recompor a unidade e a parceria entre seus integrantes.

Covas vem preparado para dizer que o governo federal poderia ter ajudado o Butantan a comprar mais vacinas para o Brasil, em meados do ano passado, mas não quis. Assim, praticamente encerra o capítulo das vacinas, embora ainda tenha audiências previstas com representantes da Janssen e da Sputnik V.

Não vou, talkey?
O pedido de convocação de Jair Bolsonaro à CPI da Covid é mais uma jogada política, que não irá para frente no colegiado. Não será aprovado. Ainda que fosse, o presidente avisou que, se for convocado, não comparecerá. Afinal, tem a prerrogativa de responder por escrito.

Patriotas continua com a força

Junto ao núcleo mais próximo de Bolsonaro, continuam altas as apostas de que ele e o filho, o senador Flávio Bolsonaro (RJ), irão para o Patriotas. O presidente só mudará esse rumo se perceber que precisa estar filiado a um partido grande. Neste caso, a escolha será pelo Progressistas do senador Ciro Nogueira (PI). A volta ao PSL está descartada.

Trampolim, não!
O PSL saiu da lista de prioridades porque o presidente não quer servir de combustível para auxiliar a reeleição da deputada Joice Hasselmann (SP) e outros ex-aliados. Aliás, 2022 desponta como uma eleição que testará o bolsonarismo.

Aliança carioca
A presença do presidente na filiação do governador do Rio de Janeiro, Claudio Castro, ao PL, foi um sinal de que os dois estarão juntos em 2022. O PL e o Progressistas, ambos “centrão-raiz”, são hoje os maiores lastros de Bolsonaro.

Feliz feito um vacinado/ A ala governista nunca foi tão feliz na CPI da Covid. Com a convocação dos governadores, eles consideram que está instalado o vírus da discórdia entre os integrantes do colegiado.

Dito e feito/ Os governistas têm razão de estar contentes. Em conversas reservadas, os integrantes do G-7 já dizem com todas as letras que o presidente Omar Aziz (PSD-AM, só faz o que quer. Ontem, por exemplo, aprovou apenas uma parte do que estava combinado.

Reação à venda da Eletrobras/ Mais de 20 mil pessoas se manifestaram contra a privatização da Eletrobras no e-Cidadania, no site do Senado. Elas votaram na ideia legislativa “Proibir a Privatização da Eletrobras”, uma iniciativa dos empregados da estatal, em contraponto à medida provisória que abre caminho à venda da empresa. Com a adesão, a proposta foi convertida na Sugestão Legislativa 13/2021, que passou à fase de consulta pública, tramitando na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado.

Enquanto isso, no Banco do Brasil… / Depois da saída de José Maurício da Previ, o fundo de pensão da instituição, a Associação Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil está de olho na troca de comando do fundo de pensão. “O Banco tem o direito de trocar, ninguém questiona isso, mas é preciso que seja por um funcionário de carreira. Sabemos que um funcionário de carreira é comprometido com o patrimônio que a Previ representa, não representará um partido político”, diz o presidente da Anabb, Augusto Carvalho.

Reformas dependem de Bolsonaro

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Os líderes partidários já fizeram chegar ao Palácio do Planalto que, se o presidente Jair Bolsonaro quiser a aprovação da reforma administrativa que passou na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, é bom começar a defendê-la em seus palanques pelo país. Não foram poucas as oportunidades em que o governo reivindicava um texto e, pressionado por seus apoiadores, terminava dizendo que “era coisa do Congresso”. Se isso se repetir nas reformas, os textos vão morrer na largada.

Além de não se opor aos textos, o governo precisa acelerar a liberação das emendas. Espera-se que seja destravada em breve, com a portaria assinada pela ministra Flávia Arruda, que ajudará a destravar R$ 9 bilhões do orçamento. É a forma de compensar o desgaste pela aprovação de temas antipáticos ao governo. Sem atendimento à base aliada, nem a tributária fatiada sairá do papel.

Sem meio-termo

Bolsonaro pode espernear à vontade, mas a participação do general Eduardo Pazuello na manifestação política do último domingo (23/5), no Rio de Janeiro, será, sim, objeto de alguma punição. Entre generais, há quem diga que ou é isso, ou é preciso mudar o Estatuto Militar, que o presidente, como capitão reformado do Exército, deveria conhecer.

Por falar em Pazuello…
A reconvocação do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, e do ex-ministro e general será a forma de esticar a discussão do descaso da gestão Bolsonaro no início da pandemia.

Próximos passos
Com a convocação de governadores, a cúpula da CPI da Covid deseja enfraquecer os argumentos do governo de que não está olhando os recursos federais que terminaram desviados, conforme apuração da Polícia Federal, do Tribunal de Contas da União e da Controladoria Geral da União.

É uma maratona
Quando destampar a panela dos estados, será um desfile de governadores. E mesmo que eles tenham cuidado de afastar envolvidos em malfeitos em seus respectivos quadrados, o desgaste de depor numa CPI sempre existe. E às vésperas de ano eleitoral, fatalmente será explorado lá na frente.

Faça o que eu digo…/ O governo começou a espalhar banners na Esplanada dos Ministérios com uma família Zé Gotinha de máscara e a mensagem: “O cuidado é de cada um. O benefício é de todos”.

Enquanto isso, na Bahia…/ O ex-prefeito de Salvador, ACM Neto, trabalha desde já para que a campanha ao governo estadual seja desnacionalizada. A ideia é tentar ali uma carreira solo, com temas locais, descolada da eleição presidencial.

Milho, a primeira vítima/ A seca já provoca uma baixa na safra de milho. O governo corre, agora, para tentar proteger os produtores e, se for o caso, importar para evitar desabastecimento.

Tema da hora/ O Foro Inteligência tem debate marcado, hoje (26/5), às 19h, com o tema “Politização de Supremas Cortes”. O convidado é o advogado e mestre em direito pela Universidade de Harvard Conrado Hübner Mendes. Ele defende que se busque disciplinar o poder individual de obstrução de cada ministro. “Que um pedido de vista ou uma liminar monocrática possam demorar anos para voltar a Plenário, que ministros não se sintam constrangidos a prestar contas a ninguém sobre a demora, que ninguém saiba se um caso será decidido em um mês ou em 15 anos, faz apenas reduzir a isenção e a imparcialidade que um tribunal precisa ter”, afirma Hübner.

Bolsonaro pode ter que pagar por segurança em ato de domingo

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Não é só o general Eduardo Pazuello que terá dor de cabeça por causa do ato de domingo, no Rio de Janeiro. Ainda sem partido, Jair Bolsonaro corre o risco de ter que arcar com as despesas de sua segurança na aglomeração do final de semana. Afinal, o país ainda não está em temporada eleitoral e a manifestação não faz parte da agenda oficial. Como ele ainda está sem partido, advogados de algumas legendas quebram a cabeça para ver como deve ser cobrada a diária dos seguranças que o acompanham, nos quais há, inclusive, o uso de helicóptero oficial.

Os atos políticos de presidentes anteriores eram custeados por seus respectivos partidos, que, ao longo das campanhas, ressarciam o poder público pelos gastos. Agora, de concreto, há um anúncio do líder do PT, Elvino Bohn Gass (RS), junto ao Tribunal de Contas da União (TCU), para verificar se o presidente deve mesmo ressarcir os cofres públicos. Há outros advogados estudando ações junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pela campanha fora de época.

Filhos fiéis escudeiros

Por onde Bolsonaro viaja, sempre um de seus filhos o acompanha, com ares de segurança. Às vezes, dormem, inclusive, no mesmo quarto do pai. A família tem medo de que algo ocorra ao presidente. E, quanto mais perto de 2022, maior será esse cuidado.

Bolsonaro tem a força

A polêmica sobre Pazuello deixou em segundo plano o tamanho do ato de apoio a Bolsonaro, no Rio de Janeiro. Muitos políticos aliados e oposicionistas ficaram com a certeza de que, ao contrário do que muitos dizem por aí, o presidente tem força e apoio para 2022. A guerra eleitoral está apenas começando.

12 x 4

Por enquanto é esse o placar dentro do Alto Comando do Exército sobre a participação de Pazuello no ato em favor de Bolsonaro, no final de semana. Dos 16 generais de quatro estrelas, quatro querem que o ex-ministro da Saúde seja preso.

Múltipla escolha

A participação de Pazuello fere várias normas do Estatuto Militar, que, no artigo 45, diz: “São proibidas quaisquer manifestações coletivas, tanto sobre atos de superiores quanto as de caráter reivindicatório ou político”. No artigo 28, inciso IV, está escrito: “Cumprir e fazer cumprir as leis, os regulamentos, as instruções e as ordens das autoridades competentes” — o que, na visão de muitos, inclui o respeito às regras sanitárias.

Um mês de CPI

Até aqui, as principais apostas da CPI da Covid são as de que Bolsonaro e seu grupo mais próximo seguiram a seguinte receita: buscar a imunização de rebanho e um medicamento, no caso a cloroquina, que curasse aqueles que apresentassem sintomas.

Erro de cálculo

A morte de aproximadamente 450 mil brasileiros, muitos por falta de atendimento médico e insumos básicos, como oxigênio, não estava no script. Tanto é que o governo sempre deu maior visibilidade ao número de recuperados pela covid-19, hoje na casa de 14,4 milhões dos 16 milhões de casos registrados.

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Dimas x Pazuello/ A CPI espera concluir o capítulo vacinas nesta quinta-feira, com o depoimento do diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas. A expectativa é a de que ele detalhe a negociação e o recuo do governo federal em relação aos 46 milhões de doses da CoronaVac, cujo acordo Pazuello fecharia, no ano passado, e Bolsonaro ordenou que não se comprasse.

DNA para localizar/ O Ministério da Justiça e Segurança Pública lança, hoje (25/5), a primeira campanha nacional para estimular parentes de pessoas desaparecidas a doarem DNA para compor o Banco Nacional de Perfis Genéticos. Assim, quando alguém for encontrado, esse cruzamento de dados poderá agilizar a identificação.

Cláudio Castro monta o time/ O governador do Rio de Janeiro desembarca em Brasília, amanhã (26/5), para se filiar ao PL de Valdemar Costa Neto. E esta semana anuncia, ainda, a mudança no secretariado, onde o partido terá assento. O ex-deputado Alexandre Valle, por exemplo, assumirá a Secretaria de Educação.

Vale ler e guardar/ Do Estatuto Militar: “Amar a verdade e a responsabilidade como fundamento de dignidade pessoal” — é o inciso I, do artigo 28, que trata da ética militar. Simples assim.

Aprovação da MP da Eletrobras mostra força de Arthur Lira

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A aprovação da Medida Provisória da Eletrobras deixou duas constatações aos políticos e ao governo. A primeira e mais visível: a agenda do ministro da Economia, Paulo Guedes, não está morta. A segunda: o poder político do presidente da Casa, Arthur Lira, é maior do que se podia esperar. Num dado momento das negociações, parte da oposição buscou o governo para tentar votar o texto original apresentado pelo Planalto. O governo preferiu o texto do relator, Elmar Nascimento, recheado de “jabutis”. Rejeitar o projeto de Elmar seria brigar com Arthur Lira e o Centrão. Para muitos, está líquido e certo que, para manter Arthur Lira como grande aliado, o governo dispensa até os próprios projetos.

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Na MP, a proposta do relator, deputado Elmar Nascimento, era atribuir à Codevasf a gestão dos recursos de revitalização das bacias do Rio São Francisco e do Rio Parnaíba, onde estão seus apadrinhados — assunto que o leitor da coluna viu em primeira mão aqui. O texto final terminou modificado nesta parte relativa à Codevasf. A gestão dos recursos ficará a cargo de um comitê a ser presidido por representante definido pelo Ministério do Desenvolvimento Regional, ao qual a Codevasf está vinculada, e instituído por regulamento do Poder Executivo. Para muitos deputados, isso significa que saiu da empresa, mas, nem tanto. Alguns congressistas até pensaram em retomar o comitê gestor independente, proposto inicialmente pelo governo, por causa das denúncias relativas à distribuição de tratores com suspeita de superfaturamento. Depois que o assunto saiu dos holofotes, afastando o risco de uma CPI, a mudança terminou levando o tema ao Ministério, onde nada impede que esse comitê seja constituído pela diretoria da empresa, toda indicada politicamente.
(Atualizada em relação ao impresso no que tange à gestão dos recursos da revitalização do São Francisco)

Vai que é tua, Eletrobras

Os governos dos estados de Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará andavam às voltas com a conta de energia decorrente da transposição do São Francisco. O problema agora está quase resolvido. O deputado Danilo Forte (PSDB-CE) conseguiu emplacar uma emenda na MP que cria as bases para privatização da Eletrobras, para que a empresa assuma essa conta. Agora, falta a aprovação do Senado e a sanção do presidente Bolsonaro.

Prepare-se, lá vem sucata

A mesma MP permitiu, ainda, o financiamento de termelétricas, o que deixará o país de portas abertas para receber equipamentos obsoletos da Europa e da Ásia. O Brasil, com tanto potencial para energia limpa, não precisa desses trambolhos do século passado.

Campanha em construção

As falas do senador Marcos Rogério na CPI da Pandemia representam a linha dorsal do futuro relatório paralelo que os governistas vão defender na Comissão, quando chegar o momento de concluir a CPI. E será ainda a largada para o discurso que o presidente Jair Bolsonaro fará quando estiver em campanha pela reeleição.

A reunião que faltava

A participação do presidente Jair Bolsonaro na reunião que rejeitou uma intervenção no Amazonas foi considerada a única grande novidade que o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello apresentou à CPI. Era o único tema polêmico no qual a oposição não tinha elementos para tentar incluir o presidente na roda.

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Pegou jeito I/ Para quem diz não ter pretensões políticas, o ministro de Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, está cada vez mais à vontade nos palanques. Pelo menos essa é a observação daqueles que acompanham as viagens presidenciais. Ontem (20/5), ao inaugurar uma ponte entre Piauí e Maranhão ao lado do presidente Jair Bolsonaro, o ministro chegou a dizer, “dá vontade de fazer igual ao Silvio Santos, alô, caravana de Teresina!”

Pegou jeito II/ Tarcísio chamou funcionários das empresas ao palco, agradeceu-lhes pelo trabalho, às bancadas de deputados federais dos dois estados, à população que teve paciência para o período de obras. Não deixou nada a desejar.

Ensaio geral/ Essas viagens têm contado com discursos do ministro das Comunicações, Fábio Faria, que preparam o que virá pela campanha de 2022. “Essa CPI reclama, porque queria que Bolsonaro trouxesse 70 milhões de vacinas da Pfizer. Ele trouxe 200 milhões de doses e a população será vacinada”, disse Faria.

Por falar em Fábio Faria…/ Bolsonaro e o PP terão que resolver um problema mais à frente: Tanto Fábio Faria quanto o ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, planejam ingressar no PP para disputar a vaga ao Senado do Rio Grande do Norte em 2022. Se Fábio não for chamado para ser o candidato a vice, haverá disputa entre os dois.

Aliados de Bolsonaro querem que CPI da Covid ouça governadores

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Terminada esta semana de depoimentos da CPI da Covid, os aliados do presidente Jair Bolsonaro virão com força total para tirar o governo federal da sala e colocar os estaduais. A ideia é começar pelo governador Wilson Lima, do Amazonas, mas, na roda, os governistas querem colocar ainda o do Pará, Hélder Barbalho, alvo de operação da Polícia Federal por causa da compra de respiradores. Convocar Hélder será como um “teste” para a imparcialidade do relator, Renan Calheiros (MDB-AL).

Se der tempo, essa briga pela convocação do governador amazonense começa hoje, no embalo do depoimento de Eduardo Pazuello sobre a crise de oxigênio no estado. Alguns governistas dizem que é a oportunidade ideal para abrir logo essa porteira.

País quer vacina contra fake news

Pesquisa do DataSenado para a CPI da Covid aproveitou para captar o sentimento dos brasileiros sobre as notícias falsas divulgadas na internet. O levantamento mostrou que 92% dos brasileiros querem punição para aqueles que praticam fake news e, pelo menos, 58% já receberam em suas redes sociais alguma mentira relacionada à vacina contra a covid-19.

E a favor da vacinação
Apenas 12% dos entrevistados disseram que não vão se vacinar contra a covid-19. Desse grupo, 78% disseram não confiar nos imunizantes.

Ricardo Salles balança…
… Mas não cai. Diante da operação da Polícia Federal que investiga exportação ilegal de madeira, com direito a busca e apreensão envolvendo os endereços do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, o presidente Jair Bolsonaro avisou que não vai demiti-lo por isso, e ainda pediu a parlamentares que deem uma ajuda ao ministro no campo político dentro do Congresso. Tudo o que o governo não quer é mais uma CPI na praça.

Por falar em CPI…
Os parlamentares consideram que passou a pressão por uma nova CPI do Orçamento. E o governo jura que Eduardo Pazuello foi muito bem na primeira parte de seu depoimento, porque preservou o presidente. E deu discurso para a guerra de narrativas sobre vacinas e cloroquina. O problema é que, hoje, tem mais um capítulo.

Tereza para o Senado/ Se não for candidata a vice-presidente, numa chapa pela reeleição de Bolsonaro, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, será a aposta do DEM para uma vaga ao Senado, no ano que vem. Ela praticamente desistiu de concorrer ao governo do estado.

Recordar é viver/ Em 26 de fevereiro, esta coluna publicou a seguinte nota: “Vai sobrar, mas… O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, é quem, na avaliação de aliados do presidente, terá de responder pela falta de vacinas, diante da situação que o país atravessa. Eles se esquecem de que, lá atrás, quando Pazuello quis comprar imunizantes do Butantan, Bolsonaro o desautorizou. Aos poucos, o presidente mudou o discurso, mas já era tarde para conseguir vacinas no curto prazo”.

O “pit bull da CPI”/ É assim que muitos senadores têm se referido ao senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), por causa da forma como ele tem reagido na CPI. Falta um triz para que a oposição coloque na roda a história do pagamento da casa de R$ 6 milhões, que até hoje não foi totalmente esclarecido.

Enquanto isso, na Paraíba…/ O líder do governo na Câmara Municipal de Campina Grande, Alexandre Pereira (PSD), fez o seguinte discurso dia desses: “Estão aqui fazendo uma testagem de todos os funcionários e eu que sou negativista (queria dizer negacionista), não vou fazer. Sou muito mais da ivermectina, azitromicina, chá de hortelã e limão galego. Quem quiser fazer testagem, pode fazer. Quem quiser tomar vacina na minha vez, pode tomar, e ocupar minha vaga aí na questão da testagem”.

Grupo de Omar Aziz e Renan Calheiros está recomposto na CPI da Covid

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A defesa que o presidente da CPI da Covid, Omar Aziz (PSD-AM), fez do senador Renan Calheiros (MDB-AL) como relator deixou os governistas com a certeza de que o grupo se recompôs. O senador alagoano, por sua vez, foi muito mais cordato em suas colocações, o que indicou para os apoiadores do presidente Jair Bolsonaro um acerto para manter o grupo unido. Assim, resta aos governistas preparar um relatório alternativo e, de quebra, lutar ao final desta semana para mudar o rumo da comissão.

Flávia, a equilibrista

A ministra da Secretaria de Governo, Flávia Arruda, tem se equilibrado entre as disputas internas do Progressistas de Arthur Lira (AL) e do líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PR). Depois das especulações de que seria afastada do cargo, Bolsonaro determinou a todos que se entendessem. Barros, inclusive, fez uma longa reunião com a ministra para tratar da votação da MP da Eletrobras.

Ele quer paz

Muitos podem não acreditar, mas o sonho do presidente é uma base tranquila para poder centrar o foco em organizar o seu jogo para 2022. Ele não quer saber de confusão do PL com o Progressistas e nem dentro do próprio Progressistas. Nesse caso, basta Barros e Lira acertarem os ponteiros. Com o PL, reza o ditado popular, “são outros 500”.

Valdemar também

Para resolver o PL, falta o Planalto, leia-se a Casa Civil, de Luiz Eduardo Ramos, promover as nomeações pretendidas por Valdemar Costa Neto. Até aqui, a maioria dos cargos não saiu do papel. E sabe como é: quanto mais perto do ano eleitoral, mais pressão virá.

Mandetta, o carioca

Com a saída de Rodrigo Maia e Eduardo Paes do DEM, os estrategistas de ACM Neto planejam uma vingança: mudar o título eleitoral do ex-ministro Luiz Henrique Mandetta para o Rio de Janeiro, de forma que ele saia candidato a governador.

Falta Bruno Covas no cenário tucano

Aliados do governador de São Paulo, João Doria, consideram que a morte de Bruno Covas fez romper a ponte entre o grupo do governador e aqueles que desejam apoiar Geraldo Alckmin ao governo, seja no PSD ou DEM. Alckmin está entre um e outro.

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Vai encarar?/ O senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), que já foi aconselhado a ficar longe da CPI, fez questão de se sentar na primeira fila, de frente para o relator da comissão, Renan Calheiros. A escolha do local é de caso pensado. Tudo o que os bolsonaristas querem agora é tirar Renan do sério, para reforçar apoios futuros a um relatório a ser produzido pelos aliados do Planalto, a fim de confrontar o do alagoano.

#fiqueemcasa/ O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva convocou os expoentes do PT do Ceará, inclusive o governador Camilo Santana, para uma reunião a fim de deixar claro que são petistas e devem defender o partido, e não o PDT. A ideia é fechar desde já o grupo para não dar espaço a Ciro Gomes, de quem Camilo é aliado.

Ciumeira na economia/ O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, surge lá fora como um oásis de defesa da economia sustentável e verde no Brasil. Ganhou o prêmio de “banqueiro central 2020” pela revista britânica The Banker e, agora, acaba de sair muito bem no Financial Times. Tem gente com ciúmes do presidente do BC, inclusive Paulo Guedes.

Por falar em Guedes…/ No grupo de WhatsApp, Guedes se comparou a lorde Horatio Nelson, o almirante inglês que se preparava para a batalha contra Napoleão. A história ficou famosa, porque Nelson pediu uma túnica vermelha para que, quando fosse atingido, ninguém percebesse. Porém, quando soube do número de navios, ordenou: “então, me tragam a calça marrom”. Para alguns ministros, o colega passou recibo.

Senado vai discutir fim das emendas de relator e instalação da nova Comissão Mista de Orçamento

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A cúpula do Senado tem reunião marcada para esta semana com dois pontos: a instalação da Comissão Mista de Orçamento, que será presidida pela senadora Rose de Freitas (MDB-ES), e o fim das emendas de relator, as chamadas RP9, que desaguaram nas reportagens de O Estado de S.Paulo batizadas de “orçamento secreto” e deram origem ao “tratoraço”. O governo apoiará. Afinal, os ministros perderam o poder de organizar seu orçamento de acordo com as prioridades do projeto de governo e alguns, por causa do orçamento apertado, só têm espaço para cumprir o que vem da Câmara e do Senado, cuja liberação é obrigatória.

Na Fundação Nacional de Saúde, por exemplo, são R$ 188 milhões incluídos com o título RP9 para saneamento rural, nos dois últimos anos, cujo critério de liberação é feito pelos políticos, e não pela necessidade mais urgente de cada localidade. A maior parte está a cargo do ex-relator, Domingos Neto (PSD-CE).

Excesso registrado

O ministro da Defesa, Braga Netto, discursando em palanque na manifestação em favor do presidente Jair Bolsonaro, foi visto como um tom acima por uma parcela das Forças Armadas. No passado, o ministro Fernando Azevedo participou apenas de sobrevoos em manifestações ao lado de Bolsonaro, mas manteve um certo resguardo. O atual não teve essa preocupação.

Ele não foi

O comandante do Exército, general Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, se manteve distante do movimento no final de semana, embora tenha havido contatos para que ele apoiasse o evento. O Planalto também registrou o fato de, em conversas reservadas, o general ter dito aos governistas que está de acordo com a Constituição, ou seja, militar da ativa deve ficar longe dos atos políticos.

Vão vencê-lo pelo cansaço

Apesar do treinamento intensivo dos últimos dias, o governo não está nada seguro com o depoimento do ex-ministro Eduardo Pazuello à CPI da Covid. É que o general detesta ser contrariado e não está acostumado a ouvir provocações calado.

Esse resistirá

Já em relação ao ex-ministro de Relações Exteriores Ernesto Araújo, a avaliação é de que ele aguenta o tranco. É visto como alguém mais paciente do que Pazuello — e mais preparado.

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Ciúmes de político…/ Reza a lenda que é pior do que ciúmes de mulher. E, no Planalto, todos começam a olhar com ares de desdém para o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga. Nos últimos dias, ele apareceu “bem na foto” nas redes sociais. Vacinou atletas, defendeu uso de máscara, guardou distanciamento social. Está melhor do que quem carregou o piano do governo até aqui.

Divide aí, poxa!/ Tem muito político ligado ao governo interessadíssimo em sair nessas fotos das vacinas. Queiroga, porém, faz sua agenda sem avisar ao Planalto.

Não confie/ Bolsonaro está sendo aconselhado a voltar ao Progressistas, partido que dispensou sua candidatura presidencial em 2018, deixando-o livre para escolher outro caminho e que, agora, o apoia. A filiação seria a garantia de que a legenda seguirá no projeto de reeleição, evitando traições mais à frente, caso o presidente enfrente problemas.

Por falar em Bolsonaro…/ Chegou aos ouvidos de bolsonaristas que o presidente da República bateu continência por duas vezes ao visitar o ex-presidente José Sarney na chegada e na saída. Uns não gostaram, outros entenderam e apoiaram. Afinal, o ex-presidente, que viveu por dentro a história do Brasil, antes, durante e depois do regime militar, virou o oráculo da política nacional.

Governo faz de tudo para evitar Pazuello na CPI

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Com o pedido de habeas corpus ao Supremo Tribunal Federal, o governo pretende subsidiar o time na CPI da Pandemia com argumentos para evitar que o ex-ministro da Saúde preste depoimento na próxima semana. De quebra, a expectativa do Planalto é alegar que o governo só recorreu ao HC porque o senador Renan Calheiros quer emparedar o presidente Bolsonaro, e não apurar os fatores que levaram o país a chegar a 430 mil mortos por covid. O script está pronto, e a ideia é ver se será possível afastar Renan Calheiros da relatoria da comissão. Resta saber se será seguido.

Em conversas reservadas, vários senadores do G-7 têm dito que Renan Calheiros terá de manter a fleuma, para não dar discurso aos adversários. Nos últimos dias, avaliam alguns, com a viagem de Jair Bolsonaro a Alagoas, Renan mordeu a isca. Exagerou ao pedir a prisão de Fabio Wajngarten e ainda pode perder o depoimento de Pazuello.

Bolsonaro quer repetir Lula

Assim como o então presidente Lula agiu nas eleições de 2010 para derrotar Tasso Jereissati (CE), Arthur Virgílio (AM) e Heráclito Fortes (PI), o presidente Jair Bolsonaro vai jogar na próxima temporada para tentar extirpar os Calheiros (Renan pai e filho) e outros adversários na CPI. Só tem um probleminha: Renan tem mais quatro anos de mandato no Senado.

Questão de honra

O governador Renan Filho não descarta, inclusive, permanecer no cargo até o final do mandato a fim de trabalhar para eleger um sucessor e evitar que Arthur Lira eleja um aliado. Com Bolsonaro apostando as fichas no grupo do presidente da Câmara, a eleição ali em 2022 terá ares de guerra de titãs.

Um vídeo para o exército de Bolsonaro

O governo prepara um pequeno vídeo para explicar, passo a passo, a negociação com a Pfizer e rebater a narrativa de que desprezou intencionalmente a vacina da farmacêutica no ano passado. A peça vai explicar que o registro só foi pedido em novembro e as questões jurídicas pendentes solucionadas apenas em fevereiro deste ano, por legislação aprovada no Congresso. O que importa, na visão do governo, é que agora há 100 milhões de doses dessa vacina já contratadas e outros 100 milhões a caminho.

Nem vem

A CPI, por sua vez, considera que a narrativa não cola, porque a vacina de Oxford/AstraZeneca teve o acordo de compra de produto fechado antes da aprovação do imunizante pela Anvisa.

Curtidas

Bahia, a outra fronteira/ Jair Bolsonaro vai jogar tudo o que puder para comprometer os planos do presidente do DEM, ACM Neto, de concorrer ao governo do estado. O presidente da República só se refere ao ministro da Cidadania, João Roma, como a mais nova liderança política do estado.

Jogo calculado/ A intenção do presidente, ao ascender o ministro João Roma neste momento, é tentar atrair ACM Neto para a sua base. Até aqui, o Democratas, institucionalmente, tem estimulado o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta a se apresentar como uma opção para o futuro.

Há vagas/ Após o anúncio da saída de Eduardo Paes do Democratas, o partido abriu as conversas com o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, além, como já foi dito, de Geraldo Alckmin, em São Paulo.

Pinato fez escola/ Depois de o deputado Fausto Pinato (PP-SP) dizer que era preciso verificar se o presidente Jair Bolsonaro sofre de “grave doença mental”, o PDT e, agora, um grupo de juristas encabeçado pelo presidente da Academia Paulista de Direito, Alfredo Attié Júnior, foram ao Supremo Tribunal Federal pedir a interdição de Bolsonaro por “incapacidade”. Mais um abacaxi para o Supremo descascar.

Prisão vai ser no voto. Pior para Pazuello

Publicado em coluna Brasília-DF

Depois de negar o pedido de prisão feito pelo relator da CPI da Covid, Renan Calheiros, contra o ex-secretário Fabio Wajngarten, o presidente do colegiado, Omar Aziz (PSD-AM), decidiu que não vai atuar na defesa, jogando esses casos para escanteio. A partir de hoje (13/5), situações desse tipo irão a votos. Logo, é bom o governo se preparar, porque o G-7 tem maioria. Se continuarem jogando juntos, será pior para aliados do governo. Nesse sentido, quem terá a perder é o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello, que já adiou a presença na CPI e agora prestará depoimento ciente de que a CPI tentará emparedá-lo no caso da oferta de vacinas feita, por carta, pela Pfizer.

Flávio morde a isca
A ida do senador Flávio Bolsonaro à CPI da Covid, partindo para cima de Renan Calheiros com palavrões, já era esperada. E o script foi seguido: todas as vezes em que Flávio chegar lá xingando qualquer senador, a história das “rachadinhas” virá à tona.

Estamos todos bem
O pedido de prisão de Fabio Wajngarten criou um mal-estar entre Omar Aziz e Renan Calheiros. Politicamente, a avaliação geral é a de que Renan expôs o presidente da comissão. Afinal, outros que prestaram depoimento também foram acusados de mentir, mas não passaram nada semelhante às pressões sobre o ex-secretário Wajngarten. Ao final dos trabalhos de ontem, porém, Omar e Renan conversaram para reparar os abalos.

“Prevaricação” no horizonte
A CPI ainda tem muito chão pela frente, mas muitos senadores enxergam que o episódio da carta da Pfizer será uma brecha para tentar acusar todos os destinatários do documento de prevaricação, crime previsto no artigo 319 do Código Penal: “Retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício, ou praticá-lo contra disposição expressa de lei, para satisfazer interesse ou sentimento pessoal. Pena: detenção, de três meses a um ano, e multa”.

Não dava para comprar
Da mesma forma que os senadores preparam a acusação, o governo trabalha a defesa. Vai alegar a dificuldade de comprar vacinas nas circunstâncias oferecidas pela Pfizer, ainda que aceitas em outros países.

Enquanto isso, na Câmara…

A ideia é votar ainda hoje a admissibilidade da reforma administrativa na Comissão de Constituição e Justiça, sob o comando da deputada Bia Kicis (PSL-DF). A oposição vai tentar segurar, com receio de que o presidente da Casa, Arthur Lira (Progressistas-AL), termine forçando a mão para levar o texto direto ao plenário, dispensando a etapa da comissão especial.

… a confusão vai ser grande
Em meio às denúncias sobre orçamento paralelo para atender apenas os aliados do Planalto, há receio de que o governo segure as liberações prometidas para a base, o que pode comprometer os votos pró-reforma no plenário. Além disso, questões eleitorais despontam no horizonte, atrapalhando esse tema, ainda que não afete os atuais servidores.

Sai das atas do Senado, mas…/ As ofensas proferidas por Flávio Bolsonaro a Renan Calheiros vão sair da ata da sessão que ouviu o ex-secretário Fabio Wajngarten. Mas não das redes sociais, onde serão usadas pelos bolsonaristas no futuro.

… está tudo registrado/ A fala de Omar Aziz a Fabio Wajngarten a respeito do depoimento à CPI, “Não pense que você se saiu bem. Você não ficou bem com ninguém, e nos deu um importante documento. Ser preso hoje não é o pior que lhe poderia acontecer. O pior é o legado que você construiu com muito trabalho e perdeu”.

Qualidade em pauta/ Advogado, especialista em direito público e privado, Renato Godoy de Oliveira assume esta semana a presidência da Associação Brasileira de Importadores e Distribuidores de Alimentos (AbraFood). A associação agrega importadores e distribuidores de diversos tipos de alimentos e irá priorizar a proteção da qualidade dos produtos, a segurança nutricional e, sobretudo, a defesa do consumidor.

Depois, não reclamem/ As filas dos elevadores da Câmara dos Deputados na quarta-feira só perderam para as das vacinas contra covid-19. E, às vezes, por insistência dos próprios deputados, sobem mais de dez pessoas aglomeradas.