Diferença de 4 milhões de votos dificulta ações judiciais

Publicado em Política

Passada a votação de segundo turno e a divulgação do resultado, a primeira missão do presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva será isolar o bolsonarismo-raiz e tentar reduzir a reclamação dos adversários sobre urnas abertas após 17h, algo inédito na história da eleição desde a implantação do voto eletrônico. Nessa empreitada de deixar as reclamações de lado, Lula contará especialmente com a cúpula do Congresso Nacional, uma vez que os presidentes da Câmara, Hugo Motta, e do Senado, Davi Alcolumbre, já deram o recado de encerrado o pleito, parabenizando o vencedor e ressaltando a importância do adversário.

Questão de contas/ A avaliação inicial é a de que a quantidade de urnas que permaneceram abertas não seria suficiente para modificar o resultado de 4 milhões de votos de Lula sobre Flávio Bolsonaro. No DF, por exemplo, não houve reabertura das urnas. A tendência, avaliam alguns, é deixar qualquer reclamação dos bolsonaristas em uma gaveta no Tribunal Superior Eleitoral, tal e qual foi feito com a reclamação de Aécio Neves, em 2014, contra Dilma Rousseff. Ali, só foi a votos quando Dilma já havia sofrido um processo de impeachment. Por enquanto, os bolsonaristas vão reclamar do resultado nas instâncias competentes. Sobre outros processos, eles avisam que o futuro a Deus pertence.

Pra cima do STF

Os snipers de Jair Bolsonaro eleitos para o senado não vão deixar barato a história de manter urnas abertas após 17h e vão usar isso como mais um motivo para manter o tensionamento com os ministros da Suprema Corte. Só tem um probleminha: até aqui, eles ainda não consolidaram maioria capaz de levar esses processos adiante. Mas há maioria para fazer uma reforma do Judiciário.

Por falar em STF…

Se tudo correr como planejado, o ex-senador Rodrigo Pacheco não esquentará muito a cadeira de ministro do Tribunal de Contas da União (TCU). Lula deve indicá-lo para o cargo de Luís Roberto Barroso. É esse um dos acertos praticamente fechados com o grupo de Davi Alcolumbre.

Descarreguem em Lula

A ordem entre muitos partidos de centro que apoiaram Flávio Bolsonaro foi descarregar os votos em Lula, especialmente, em Minas Gerais. A maioria deles não queria saber de um integrante da família Bolsonaro mandando no país.

Tarcísio que se prepare

Ainda que Flávio Bolsonaro tenha tido uma votação para lá de expressiva no segundo turno, o que mais se ouvia, ontem, nas hostes bolsonaristas era, “se fosse Tarcísio o candidato teria vencido no primeiro turno”.