O jogo da última semana

Publicado em Política

*Coluna Brasília-DF publicada neste sábado (17/10) por Denise Rothenburg

Enquanto Flávio Bolsonaro tenta guiar o debate do segundo turno para as questões relacionadas à segurança pública, o presidente-candidato Luiz Inácio Lula da Silva basta dar a guinada para outros temas tão importantes quanto: direitos trabalhistas, como o fim da escala 6 x 1, e exploração das riquezas do Brasil por brasileiros. Lula jogará num pouso suave para o corte nos gastos públicos. Flávio, num corte abrupto de R$ 250 bilhões. São posições que irão nortear os debates desses dias, acoplados à mobilização — um “blend” que definirá o governo do país por quatro anos.

Até aqui…/ Lula conseguiu sair na frente nesse jogo de propostas, uma vez que o Senado aprovou a redução da escala 6 x 1, transformando o tema no assunto mais comentado nas redes este ano. E jogou o debate da redução da maioridade penal para fora do campo, prometendo retomar mais à frente. Ao que se sabe, porém, o alcance disso no voto do eleitor é limitado para alterar o rumo da eleição mais polarizada da história. O que todos os analistas convergem é que a prévia de hoje não tem favorito absoluto.

O “favorito vulnerável” de 2026

Depois de sair das urnas como “favorito absoluto”, o candidato do PL, Flávio Bolsonaro, chega à marca de nove dias para a eleição definido como “favorito vulnerável”. É como avalia o cientista político Antônio Lavareda, um dos mais tarimbados analistas de pesquisa do país. Lavareda lembra que, em 2006, Geraldo Alckmin obteve menos votos no segundo turno do que no primeiro.

Todos estão com medo

Com a eleição para lá de polarizada, cresce entre aqueles que já administraram grandes cidades o receio de brigas entre adversários neste fim de semana, o último da campanha eleitoral. A ordem é aumentar o policiamento nas ruas a fim de evitar conflitos.

A que ponto chegamos

No Amazonas, o deputado federal eleito Sargento Salazar, do PL, e Kidson Maia, derrotado para deputado estadual, estão proibidos de se aproximar da candidata a vice-governadora Alessandra Campelo, da chapa de Omar Aziz, ambos do PSD. Durante debate eleitoral no estado, Kidson foi flagrado fazendo um gesto de degola para ela.

A que ponto chegamos II

A candidata relatou à polícia gestos de ambos, simulando cortes de pescoço. Ela pediu e a Justiça concedeu suspensão do porte de armas de ambos.

A volta de Santos Cruz/ Ex-ministro da secretaria de Governo de Jair Bolsonaro, o general Santos Cruz (foto) aparece em entrevista a um canal no YouTube, com a seguinte frase: “Eu me considero de direita. Isso aí que a gente vê, esse extremismo, isso aí não é direita. Isso se chama vigarice”.

A força dela/ A senadora eleita Michelle Bolsonaro (PL-DF) é considerada uma das poucas que pode ajudar Flávio a tentar conquistar os votos dos indecisos. A avaliação é de que se ela puder se dedicar de corpo e alma esta semana, ajudará muito.

E a campanha sumiu…/ Ninguém tem visto material de campanha de Flávio nas cidades nordestinas. Com o fim da eleição na maioria dos estados e os candidatos das proporcionais resolvidos, a turma não está mais gastando com material de propaganda.

… e mudou/ Aliás, seja no Nordeste, seja no Centro-Sul do país, os parlamentares perceberam uma grande diferença nesta eleição. Este ano, valeu muito mais a campanha de impulsionamento na internet do que a campanha olho-no-olho de porta em porta.