*Coluna Brasília-DF publicada nesta sexta-feira (16/10) por Denise Rothenburg

Enquanto os finalistas na disputa ao Palácio do Planalto traçam estratégias nesta última semana de campanha, o jogo para a Presidência da Câmara cresce a olhos vistos. Ainda que o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), tenha a perspectiva de somar, logo na largada, 252 votos para ficar no cargo por mais dois anos, a ideia do PL é lançar candidatura própria. Especialmente, se Flávio Bolsonaro sair vencedor em 25 de outubro. Caso o filho 01 seja eleito, o PL tentará quebrar o bloco que fechou o apoio a Motta esta semana. E a força do novo governo, conforme avaliam integrantes do partido, terá todas as condições de angariar apoios. Vale lembrar que a essa altura da última disputa para a Presidência da Câmara, o nome do Republicanos era Marcos Pereira (SP). Portanto, nada está garantido. Dentro do PL, os nomes mais cotados vêm do Rio de Janeiro — Sóstenes Cavalcante e Altineu Cortes, o atual vice-presidente da Casa.
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O cenário do PT/ Os partidos aliados à reeleição do presidente Lula tendem a fechar com Motta, seja ele derrotado, seja ele o vencedor. A avaliação interna é de que o presidente da Câmara se mostrou um cumpridor de acordos e foi além ao apoiar
a reeleição do petista para a Presidência da República. Diante desses fatores, não é possível abandonar Motta à própria sorte.
A visão deles
Entre os mais atentos observadores dos luxuosos escritórios da avenida Faria Lima, há o receio de que, independentemente do resultado do dia 25, venha um cenário de “volta da Avenida Paulista” a posições importantes do tabuleiro de poder. Nos anos 1980-1990, era a Paulista o território dos grandes bancos e da Fiesp. E foi na Faria Lima que Daniel Vorcaro cresceu e apareceu. Esses fatos voltarão à baila tão logo seja conhecido o futuro presidente da República.
O clima na Casa
A semana de movimento na Câmara e no Senado deixou os deputados do centro certos de que a turma de Flávio Bolsonaro está tão confiante na vitória que as conversas nos jantares giraram em torno de quem vai para qual ministério.
Os principais nomes
As citações incluem o senador eleito no Mato Grosso Mauro Mendes (União Brasil), o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD), os deputados Mendonça Filho (PL-PE) e Pedro Lupion (Republicanos-PR), presidente da Frente Parlamentar do Agro. Quando aos cargos, a cada hora especula-se um posto. Porém, o único que muita gente dá como certo é Mendonça Filho na Educação.
Maioridade penal, a vingança
O PL traçou, ainda na noite de terça-feira, a ideia de incluir a redução da maioridade penal na Proposta de Emenda Constitucional (PEC) da Segurança Pública. A ideia era usar essa emenda, apoiada por grande parte da população, para colocar o PT contra a parede, da mesma forma que o partido de Flávio ficou exposto com a votação do fim da escala 6 x 1. Ao tirar essa proposta de pauta, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), ajudou os petistas a saírem dessa sinuca.
Por falar em 6 x 1…
Estudo do Instituto Democracia em Xeque aponta que a aprovação do fim da escala 6 x 1 como o tema que gerou maior mobilização digital entre os assuntos pesquisados como “maiores eventos políticos nas redes” desde agosto de 2025, quando começaram as análises pela instituição. A questão provocou mais mobilização do que o fim das bets. Foram 1.905.639 menções sobre a PEC da escala 6 x 1 em 24 horas, enquanto as bets tiveram, em 25 de setembro — quando foram proibidas —, 1.332.600 interações no mesmo intervalo de tempo.
Toma que o Canella é teu/ Aliados de Lula passaram o dia postando fotos de Flávio Bolsonaro ao lado de Márcio Canella, preso em nova fase da Operação Unha e Carne, que investiga o crime organizado no Rio de Janeiro. Canella seria candidato ao Senado, mas, por causa da primeira prisão, terminou candidato a deputado estadual e se tornou o segundo mais votado. A campanha de Flávio considera que não dá para vincular o candidato a presidente aos malfeitos de um deputado estadual eleito ou derrotado.
Vá onde der/ A estratégia de campanha dos partidos tem sido atuar onde há mais chances de ampliar a votação. O PT, por exemplo, não pretende investir pesado no interior de São Paulo, onde Flávio tem uma grande vantagem sobre Lula (foto).
É por ai/ Independentemente de quem vencer a eleição, não será possível tampar o caso Master com a peneira. E nem os ministros envolvidos em escândalos.

