João Santana e Dilma

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A semana começa com a Lava Jato dando as cartas. E João Santana vai aproveitar essas horas na República Dominicana para tentar arrumar uma justificativa para tanto dinheiro recebido lá fora. A força-tarefa da Lava Jato, entretanto, anunciou hoje cedo que nunca teve tantos documentos sobre uma operação. Sinal de que, desta vez, o mago João dificilmente terá condições de reverter a situação. Para o governo, não podia ter notícia pior. A vitória da semana passada para o cargo de líder do PMDB, algo que o governo comemorou como um bom presságio para este ano, parece apagada menos de uma semana depois. O receio é que se encontre algo nesse bolo de Santana que remeta à campanha de 2014, reforçando as ações que tramitam no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para cassação do mandato de Dilma. Quanto ao impeachment no Congresso, o governo acreditava ter pulado essa fogueira. Agora, entretanto, o vulcão adormecido do processo pode voltar à atividade chamuscando a base parlamentar.
Da parte do PT, a ordem é deixar claro que Santana fez outras campanhas, muitas fora do país. Portanto, esses pagamentos lá fora não teriam relação com o partido de Lula e Dilma. A força-tarefa da Lava Jato não pensa assim. Se pensasse não teria colocado o marqueteiro no rol dos lavadores de dinheiro.

E Delcídio, hein?
O senador não decidiu quando voltará à cena. Sabe que não terá sossego e será perseguido por aquelas multidões de jornalistas e curiosos. Pior isso, quer primeiro conversar com advogados.

Esses são os dois novos ingredientes de 2016 que vão se somar ao caso Eduardo Cunha, às denúncias envolvendo Lula e quem mais chegar.

Lava-Jato, a dona do recesso

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Nove em cada 10 políticos atentos ao cenário de janeiro consideram que a Operação deu e dará o tom da largada da política em 2016. Nem a entrevista da presidente Dilma Rousseff a um grupo de jornalistas num café da manhã, com a premissa de lutar com “unhas e dentes” pela retomada do crescimento, elencado as prioridades do governo para 2016 tiraram o protagonismo da investigação. Prevaleceu o trabalho de apurar e tentar fechar os ralos do dinheiro público e das empresas de economia mista, como a Petrobras.
Logo na primeira semana, os ministros da Casa Civil, Jaques Wagner, o da Secretaria de Imprensa da Presidência da República, Edinho Silva, o do Turismo, Henrique Eduardo Alves, e até o vice-presidente da República, Michel Temer, tiveram que dar explicações a respeito de citações envolvendo seus nomes. Isso sem contar o a cada dia mais enroscado presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). “A Lava-Jato vai mandar e desmandar por esses dias. Depois, quando o Congresso voltar, após a data sugestiva chamada quarta-feira de cinzas, veremos quem sobrou”, comenta um integrante do PMDB que prefere ficar no anonimato.
Essas labaredas da Lava Jato prometem chamuscar mais, servindo de pano de fundo para todas as ações políticas em curso. A primeira delas será a escolha do futuro líder da bancada na Câmara. Amanhã, o atual líder Leonardo Picciani chega a Brasília para traçar a sua estratégia de campanha à reeleição.

PMDB, o fiel da balança

Dilma se convenceu que não pode prescindir do PMDB assim como o vice-presidente Michel Temer percebeu que seu grupo dentro do partido hoje não tem o protagonismo necessário para empreender o impeachment. Além disso, precisa de apoio para presidir o PMDB. Dentro dessa perspeciva, deflagrou o movimento de reaproximação com o governo da presidente Dilma.
Enquanto isso, o Planalto ao mesmo tempo em que se reaproxima do vice, age para reforçar o estofo da ala governista do PMDB. A vaga aberta por Eliseu Padilha na Aviação Civil foi oferecida ao PMDB de Minas. O cotado agora, uma vez que Leonardo Quintão recusou o cargo, é o deputado Mauro Lopes, de forma a enfraquecer o jogo de Quintão na briga pela liderança do partido e fortalecer Picciani, hoje amais aliado de Dilma e do presidente do Senado, Renan Calheiros, ao ponto de verbalizar uma preferência pelo presidente do Senado se houver disputa para presidente do PMDB.
Picciani, numa conversa com o Correio, disse que estaria disposto a apoiar Temer e que trabalhar´pela unidade do partido, porém… . “Vou trabalhar pela união, mas se houver disputa e Renan Calheiros tiver um candidato, fico com Renan”, disse Picciani, deixando claro a preferência pelo grupo dos senadores comandado por Renan e pelo líder do partido naquela Casa, Eunício Oliveira, e ainda o ex-presidente José Sarney, todos contrários ao impeachment e favoráveis à manutenção do acordo com o governo.

Oposição, não!
Enquanto Picciani trabalha o lado governista do partido, Leonardo Quintão, seu adversário, volta hoje do Sul da Bahia para retomar a campanha. Quintão começou a perder terreno, porque é visto hoje como um candidato do presidente da Casa, Eduardo Cunha, colocado ali justamente porque Picciani se afastou de Cunha e se aproximou de Dilma. Embora Eduardo Cunha ainda tenha muito poder de fogo dentro da Câmara e, em especial, dentro do PMDB, começa a causar um certo desconforto aos seus pares. Com a Lava Jato dando as cartas no recesso e Cunha a cada dia mais enrolado,quem quer eleger Quintão acha mais fácil atingir o objetivo de se conseguir mantê-lo a uma certa distância de Eduardo Cunha. É a operação de Sérgio Moro entrando até mesmo nas discussões de poder dos partidos.

No mais, sanções, manifestações e Lava Jato
Tem essa semana a sanção do projeto de repatriação e a perspectiva de acareação entre o lobista Fernando Baiano e o empresário José Carlos Bumlai. Prosseguem os protestos contra o aumento de passagens de ônibus.. Amanhã, tem um programado para a Avenida Paulista, em São Paulo. É o segundo este ano. O da última sexta-feira terminou com várias pessoas presas e quebra-quebra no centro da capital paulista.

Todos no labirint

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A contar o que revela a pesquisa Datafolha divulgada nesse domingo, a população começa a deixar de lado a campanha pró-impeachment. Uma das razões, reveladas na próxima pesquisa, é que 58% dos brasileiros consideram que um governo Michel Temer seria igual ou pior ao que aí está. A olhar pelo cenário atual e a disposição dos atores, o mundo da política só volta a girar com força depois do carnaval. Sendo assim, a presidente Dilma tem aí na prática dois meses para tentar colocar a economia num patamar que traga mais confiança a todos. Se conseguir, talvez transforme os 65% que hoje consideram seu governo ruim ou péssimo em algo que dê mais segurança contra o impeachment.

A presidente, entretanto, não ficou tão insatisfeita com os 65%. É que, há quatro meses, esse percentual era 71%. Há quem diga que esse arrefecimento se deve à percepção de que os atores da política estão, em sua maioria, presos no labirinto. Lá estão o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, o do Senado, Renan Calheiros, alguns ministros e uma série de aliados do governo. OU seja, ainda não dá para dizer com segurança, mas há quem esteja convicto de que o país está chegando ao ponto de ruim com ela, pior sem ela. Ou seja, o impeachment pode terminar por colocar no Poder outros enroscados no esquema da Lava Jato, tocada por uma força-tarefa que faz uma breve pausa para Natal e Ano Novo e volta à ativa no início de janeiro.

Enquanto a Lava Jato fará o seu trabalho, Dilma poderá aproveitar essa parada congressual pra ampliar as chances de sobrevivência, ainda que não tenha maioria na Câmara. Aliás, nunca é demais lembrar, as disputas internas do PMDB, liderança, presidência da Casa e convenção vão tomar o primeiro trimestre, paralelamente à tramitação do impeachment. Na corda bamba, Eduardo Cunha, que, em fevereiro, corre o risco de ser afastado do cargo por decisão do Supremo Tribunal Federal.

Daqui a pouco, tem a posse do novo ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, que passou o fim de semana trabalhando. Barbosa não vai tirar férias. Sabe que seu tempo é curto. Janeiro será dedicado à economia, enquanto, na política, o jogo, conforme já dito aqui, será travado no subsolo, com cada um tratando de montar o seu time para as batalhas que estão por vir, em especial, no PMDB.

Veremos o que dirá Barbosa em seu discurso hoje. Aos investidores estrangeiros, logo cedo, ele afirmou que a política do ajuste continua e que sua prioridade é reduzir a inflação.

Certeza mesmo, nesse fim de ano, é que as crises voltam em 2016.

Dilma faz aniversário hoje, mas o inferno astral não termina…

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A presidente comemora o aniversário de 68 anos a pedido dos amigos, naquela velha história “para não passar em branco”. Ela sabe que seus problemas estão longe de terminar. Esta semana a bola da política está nos pés do Supremo Tribunal Federal (STF). Espera-se que ainda hoje o ministro Luiz Edson Fachin apresente o rito de impeachment para conhecimento dos demais ministros, a fim de facilitar a apreciação na quarta-feira. Entretanto, ainda não dá para descartar um pedido de vistas.

Enquanto isso, no Congresso, as atenções se voltam mais um vez ao Conselho de Ética e a oitava tentativa de votar um parecer do caso Eduardo Cunha e as contas na Suíça. O novo relator, Marcos Rogério, foi escolhido na semana passada e apresentará seu voto amanhã, quando deve haver um novo pedido de vistas por parte da tropa de choque de Cunha no Conselho, um grupo que conseguiu adiar a votação por sete vezes, culminando com o ofício para substituição do relator Fausto Pinato, assinado por outro aliado de Cunha, o vice-presidente da Câmara, Waldir Maranhão.

Renan Calheiros versus Eduardo Cunha

Paralelamente a esses dois cenários __ STF e Conselho de Ética __ teremos ainda a decisão dos presidentes do Senado, Renan Calheiros, e do próprio Cunha sobre o recesso. Eduardo Cunha avisou a Renan que não há hipótese de ele assinar uma convocação extraordinária. Ou seja, vem aí mais uma queda de braço entre ele e Renan.

Mais uma, porque, na semana passada, Renan fez chegar ao STF um parecer do Senado, com a interpretação de que o presidente do Senado pode, numa canetada,decidir se acolha ou enterra o processo de impeachment. Foi a polêmica da sexta-feira.

O embate dos Leonardos

No PMDB, o ex-líder Leonardo Picciani, do Rio de Janeiro, tentará retomar o cargo das mãos do mineiro Leonardo Quintão. O movimento do grupo do Rio irritou o vice-presidente Michel Temer, por causa das declarações de Picciani a respeito da carta que o vice enviou à presidente Dilma na semana passada. SE Picciani insistir em tetar retomar o comando da bancada, corre o risco de expulsão da legenda.

A pauta de votações
No Senado, a tentativa é votar o projeto da repatriação, aprovado mês passado na Câmara. Fora isso, estão em pauta no Congresso a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e o Orçamento de 2016.

A guerra dos manifestantes
O público no domingo foi menor e vem diminuindo desde março. Ok, para um mês de confraternizações, preparativos natalinos e cansaço generalizado diante de um pesado como 2015, não poderia se esperar muito mesmo. Tanto é que o governo não comemorou efusivamente o tamanho das manifestações, mas acredita que ainda é possível barrar o processo.

O receio do governo é o início do ano, quando chegam as contas, a hora de comprar material escolar, uniformes e o dinheiro fica ainda mais curto para a maioria dos brasileiros. É aí que , dizem alguns, o governo saberá o tamanho do problema.

E a caixa de surpresas continua…
A boataria em Brasília no fim de semana mencionava novas prisões da Lava Jato, uma caixa de surpresas que todos os meses traz alguma novidade. E, ao que tudo indica, 2016 não será diferente.

O jogo da decisão: Dilma ou Michel Temer?

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Os times do impeachment, o futuro de Eduardo Cunha e os movimentos do PMDB

A política continuará fervendo a partir desta segunda-feira, quando serão escolhidos os integrantes da comissão especial que analisará o pedido de abertura processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff. No dia seguinte, o Conselho de Ética da Câmara deve finalmente votar o parecer do deputado Fausto Pinato (PRB-SP) que determina a continuidade do processo por quebra de decoro contra o presidente da Casa, Eduardo Cunha.

Cunha na berlinda, dividindo o palco do desgaste com Dilma

A tendência é o Conselho de Ética aprovar o parecer de Pinato contra o presidente da Casa, Eduardo Cunha e deflagrar a investigação. Paralelamente, seguirá a batalha na comissão especial do impeachment, onde haverá uma guerra para escolha do presidente e do relator da comissão formada por 65 deputados. Tanto o presidente quanto o relator da comissão do impeachment devem ser escolhidos ainda esta semana.

E o PMDB tem a força…

A contar pela posição tomada pelos partidos, Dilma estará nas mãos do PMDB. O partido do vice-presidente da Republica já deflagrou a operação de desembarque do governo, com a saída do ministro da Aviação Civil, Eliseu Padilha, do PMDB do Rio Grande do Sul, ligado ao vice-presidente Michel Temer _ não foi à toa que Dilma passou os últimos dias cobrando juras de fidelidade de seu companheiro de chapa. Ela sabe o que representa a saída do ex-deputado gaúcho do governo.

Padilha tem um livro onde ao longo de vários meses anotou o comportamento de cada deputado e mapeou os cargos e benesses que cada um já recebeu do governo. Agora, esse conhecimento estará a serviço do impeachment, que já tem o apoio formal do PPS, PSDB, DEM e SDD. (leia mais sobre PMDB abaixo)

… E o apoio do PSDB
A entrevista de José Serra hoje na Folha de S. Paulo é um claro sinal de que ele está com os dois pés no projeto para colocar Michel Temer. E para Serra ter colocado seu chapéu ali, significa que já existe um acordo de que o peemedebista não concorrerá à reeleição. Há menos de um mês, Serra recusava todos os pedidos de entrevista alegando que não era hora de se pronunciar. Agora, para bons entendedores, ele saiu da toca.

A rede da Legalidade

Para se contrapor a essa onda da oposição, os partidos aliados com um viés de esquerda lançaram no fim de semana a Rede da Legalidade, numa alusão ao grupo que, em 1961, se mobilizou pela posse do presidente João Goulart. Ontem, no Maranhão, o governsdor Flávio Dino (PCdoB), reuniu-se com integrantes do PDT para selar o apoio à presidente Dilma. O ex-ministro Ciro Gomes atacou diretamente o vice Michel Temer, chamando-o de “capitão do golpe”.

O governo sabe que se esses partidos de centro (PP-PTB-PR e uma parcela do PMDB) estiver junto com a oposição em favor do impeachment, as chances de vitória da presidente Dilma Rousseff serão praticamente nulas. Daí, o fato de a presidente tentar manter o embate com o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, que, de acordo com a pesquisa Datafolha, está hoje em pir situação do que a presidente, uma vez que 81% querem sua saída da presidência da Casa.
Lula, os governadores e os movimentos sociais
O ex-presidente tentará ajudar a pupila colocando os movimentos sociais em manifestações em prol do mandato da presidente Dilma. Na mesma direção, atuará o governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, do PMDB, tentando segurar seus correligionários ao lado da presidente da República. O pano de fundo dessa disputa é o controle do PMDB, hoje com os vários grupos em guerra, tentando arregimentar apoios para a convenção do partido no ano que vem. Os favoráveis ao impeachment, liderados pela Bahia. Os governistas, pelo Rio de Janeiro. Não por acaso a presidente já ofereeceu a Secretaria de Aviação Civil à bancada na Câmara comandada do Leonardo Picciani, abandonando assim a ideia de extinguir pastas que predominava em julho. Você deve se recordar, leitor, que essa pasta de Eliseu Padilha chegou a entrar na lista de cargos fadados à extinção e, depois, o governo voltou atrás.

STF e as tentativas de barrar o processo
Paralelamente, seguem as ações para tentar barrar o processo de impeachment. Até aqui, duas tentativas fracassaram. Outras virão.

Economia e recesso
Com o impeachment e o processo envolvendo Eduardo Cunha em pauta, fica cada vez mais difícil o governo conseguir colocar em votação as medidas pendentes. E pior: Se o Congresso for mesmo convocado para trabalhar no recesso, a ideia do grupo aliado ao presidente da Câmara é que ele coloque o impeachment como tema único para janeiro, deixando todo o resto no congelador até depois do carnaval. Os partidos, entretanto, vão defender que o processo contra Eduardo Cunha seja incluído, bem como as medidas do ajuste fiscal. Afinal, com tantos problemas e a crise a cada dia mais aguda não dá para a classe política simplesmente sair de férias. Aliás, como cantava Milton Nascimento, ficar de frente para o mar e de costas para o Brasil não vai fazer desse lugar um bom país.

A dieta detox da corrupção

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ANÁLISE DA SEMANA

Dilma na Cop 21 e o Brasil na sua dieta “detox”

O Brasil está como aquele cidadão que comeu de tudo e bebeu todas por muitos anos. Agora, vem a fase “detox”. Estamos no detox da corrução há mais de um ano e tudo indica que ficaremos assim por um bom tempo, com os enroscados na Lava Jato tentanto burlar a dieta, ou seja, as investigações e a s punições. Essa semana, tem conselho de Ética da Câmara, dedicado ao caso Eduardo Cunha. No Conselho de Ética do Senado, representação contra Delcídio do Amaral. Teremos ainda desdobramentos da delação premiada de Nestor Cerveró e de Otávio Azevedo, da Andrade Gutierrez, essa, aliás, está tirando o sono de muitos politicos em Brasília. Em meio a tudo isso, governo tentará votar a reduçãod a meta fiscal, o PLN 05, para tentar aliviar um pouco a vida de Dilma Rousseff, até aqui “calada, caladinha”, sobre a prisão de Delcídio. Diante disso, ela só terá um alívio se Eduardo Cunha não colocar o pedido de impeachmet em tramitação esta semana. E, pelo que tem informado a seus aliados, ele vai colocar, ainda que esteja sob o foco do desgaste e das denúncias e cada vez mais enroscado.

Cunha, o foco desse início de semana
O país amanheceu nesta segunda-feira sob o impacto do papel encontrado na casa do assessor de Delcídio, onde está dito que Eduardo Cunha recebera R$ 45 mihões por ajudar o BTG Pactual numa Medida Provisória. Cunha considerou isso “um absurdo”. No twitter disse parecer “armação”, mas enquanto as investigações prosseguem, ele se afunda mais um pouco, uma vez que o conjunto da obra pode impedir que as manobras em curso pelos aliados dele tenham sucesso no Conselho de Ética.

Para completar, ainda teve a pesquisa Datafolha que mediu o humor do brasileiro. A pesquisa mostra que oito em cada dez eleitores querem a cassação do mandato do presidente da Câmara por quebra de decoro. Quem decide, entretanto, são as nobres excelências que, ontem tentavam buscar uma saída alternativa à cassação, como, por exemplo, a suspensão do mandato.
Cunha, por sua vez, tem forçado seus aliados a derrotar o processo no nascedouro, ou seja, não permitam a aprovação do parecer de Fausto Pinato que se ateve apenas aos indícios de quebra de decoro. Ou seja, se aprovado esse parecer, a investigação começa. Eduardo, entretanto, prefere que a investigacão termine aí. Até os aliados consideram difícil não prosseguir com as investigações. Portanto, a tendência é o Conselho apreciar o mérito da denúncia e não matar o caso na admissibilidade, como deseja Eduardo Cunha.

Acuado, o presidente da Câmara ameaça colocar a prsidente Dilma na berlinda, fazendo tramitar o processo de impeachment. Esse tema vai e vem, de acordo com o balançar do bote de Cunha, mas agora, que o mar agitou de vez com a prisão de Delcidio do Amaral, o impeachment voltou à pauta. E desta vez com um alento para o governo: a OAB considerou que as pedaladas de 2014 não são motivo para tirar o mandato de Dilma. Restam as de 2015,que o governo tenta contornar revendo metas e ajeitando as contas.

Enquanto isso, no Senado…
Amanhã, a Rede entra com uma representação contra Delcídio do Amaral. Diante da gravidade do caso, os senadores não têm como segurar o processo. Delcídio, abandonado, deve entregar os demais.

…e no Congresso, de maneira geral

É tanta tensão com os desdobramentos da Lava Jato chegando aos parlamentares, que eles dificilmente terão clima para votar os projetos que o governo precisa, especialmente, o PLN 05, com a revisão da meta fiscal. Hoje vence o prazo para editar o decreto de programação financeira de 2015 e, sem a revisão da meta, restam os cortes, já anunciados na sexta-feira, da ordem de R$ 10 bilhões.

E na vida do cidadão comum…
… Prosseguem as agonias. No rastro do rompimento das barragens da mineradora Samarco vêm toda uma falta de planejamento e prevenção. Vamos ver a agilidade da empresa agora em esvaziar o reservatório da barragem que apresenta risco de vazamento.

Enquanto Minas e o Espírito Santo tentam limpar a lama, as autoridades sanitárias montam uma caçada aos mosquitos, apresentados como os vetores da onda de microcefalia que ameaça o futuro de milhares de crianças. A proliferação dos insetos e das doenças, aliás, é mais um reflexo da falta de ações públicas e recursos para atendimento à população.

Dilma em Paris
A presidente permanece em Paris, onde chegou no último sábado, pra a conferência de cúpula do clima, a COP 21. Só deve retornar ao Planalto na quarta-feira. Por aqui, os líderes do governo que restam tentam colocar em pauta a mudança da meta fiscal, já mencionada acima, e a Lei de Diretrizes Orçamentárias. A oposição tenta evitar o recesso, mas o governo o deseja, assim como todos os políticos enroscado na Lava Jato. Veremos quem vai ganhar essa queda de braço.

Governo convalesce, Cunha enfraquece

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Governo convalesce, Cunha enfraquece

O governo da presidente Dilma Rousseff obteve vitórias importantes na semana passada com a manutenção dos vetos ao Orçamento. Conseguiu evitar aumento de despesas da ordem de R$ 60 bilhões e ainda. com muito esforço, aprovou a redução da meta fiscal na Comissão Mista de Orçamento. Enquanto isso, quem se enfraqueceu __ mais por causa dos movimentos errados que fez do que propriamente por uma ação da oposição ou do governo __ foi o presidente da Câmara, Eduardo Cunha. Essa semana, ele continuará sob fogo cruzado.

Cunha, o dilema
O presidente da Câmara cometeu seu maior erro na semana passada, ao deixar correr a manobra no Conselho de Ética e no plenário da Câmara, quando permitiu que o deputado Felipe Bournier assumisse a presidência da sessão de quinta-feira e mandasse suspender a reunião do Conselho de Ética. Cunha conseguiu o que queria: evitar a votação do parecer de Fausto Pinato no Conselho. Mas pagou um preço que, se brincar, talvez lhe custe o cargo. A oposição deixou o plenário em protesto. A suave deputada Mara Gabrilli quase o leva Cunha a nocaute naquela sessão ao dizer que ele se levantasse da cadeira, porque não tem mais condições de presidir a Casa. Até os aliados do presidente da Câmara não escondiam o desconforto, se perguntando quem tinha sido o gênio atrás da ideia de suspender a sessão do conselho com uma canetada proveniente da Mesa Diretora da Câmara, onde todos sabem que Cunha manda.
A reação do PSDB, do PSol, do PPS, do DEM indica que, se Cunha espera contar com ajuda para escapar da cassação ou protelar o processo, terá que recorrer aos aliados do governo. E se ele tirar o impeachment de Dilma da gaveta, perde esses governistas no mesmo dia. Fiicaria sem governo e sem oposição. Portanto, a tendência é mesmo jogar tudo para 2016 e ver o que ele consegue segurar em termos de votos.
Há quem diga que ele ainda balança entre esse cenário e a apresentação do pedido de impeachment na segunda semana de dezembro. Assim, deixaria esse tema dominando o noticiário político durante o recesso parlamentar, enquanto tentaria se recompor com a oposição a fim de buscar uma conta de chegada para preservar o mandato. Ocorre que a oposição não está mais tão interessada assim em acordo com Cunha e nem no impeachment. Não quer ver Lula solto no papel de oposicionista, com Dilma a tiracolo posando de vítima. Há quem prefira que eles fiquem no governo, “tentando organizar a bagunça que fizeram na economia”.

Economia, o motor das votações
A situação econômica não tem dado trégua ao governo. Queda no emprego, inflação de dois dígitos e um Natal magro são as perspectivas. Nesse quadro, as vitórias em relação aos vetos não podem ser atribuídas ao “charme político” da presidente Dilma ou tampouco a seus ministros. A oposição é que não quis dar ao governo o discurso de que joga no quanto pior melhor. Afinal, quem já foi governo e deseja retomar o poder não pretende agravar ainda mais o caixa governamental com aumento de despesas obrigatórias.
Dada a quantidade de votos que faltaram para derrubada do veto ao reajuste do Judiciário, por exemplo, o governo precisa ter cuidado. O recado do plenário está claro: O governo ainda não tem quorum para votar a CPMF, algo que a presidente Dilma pretende insistir no ano que vem. A base carece de cuidados.
O veto derrubado, o do voto impresso, sairá caro. A Justiça Eleitoral calcula mais de R$ 1 bilhão, dinheiro que não está disponível.

E mais votações pela frente
“Interessados em concluir logo as votações e partir para o recesso, os líderes do governo fixaram três projetos prioritários na agenda dessas próximas quatro semanas de funcionamento do Congresso, colocando na geladeira qualquer movimento que possa deixar o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, sob uma tensão ainda maior. “Conselho de Ética não é tema de governo. A minha missão é garantir a agenda econômica e isso nós estamos fazendo”, diz o líder da presidente Dilma Rousseff na Câmara, José Guimarães (PT-CE).
Os três projetos pinçados na extensa pauta de votações da Casa são a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), o PLN 05, que altera a meta fiscal, e a Desvinculação de Receitas da União (DRU). A LDO é fundamental inclusive para ajudar o presidente da Câmara a ganhar tempo para votação do processo contra ele no Conselho de Ética. Isso porque a LDO é a única lei que, se não for aprovada, prorroga automaticamente os trabalhos do Poder Legislativo e, assim, não há suspensão dos prazos”.(reportagem desta segunda-feira, no Correio Braziliense)

A lama se espalha assim como a microcefalia
Paralelamente as mazelas da economia, o governo vive nesse final de ano dois problemas gravíssimos: o desastre ambiental decorrente do rompimento das barragens da Samarco, em Minas Gerais, e os casos de Microcefalia no Nordeste indicam falta de planejamento e descaso com ações de prevenção. O Brasil terá uma legião de bebês vítimas de microcefalia no futuro próximo porque não combateu o mosquito da dengue. Ficou com um rio Doce amargo, estragado, porque a mineradora não cuidou da segurança das barragens e ninguém cobrou.

E o mundo continua com medo
Por todas as principais cidades do mundo cresce o receio de ataques terroristas, aviões desviados de suas rotas, todos os continentes em alerta.

E na Argentina…
Lá se vão 12 anos de kirchnerismo com a vitória de Maurício Macri. Trabalho não falta. O novo presidente encontrará uma situação de recessão, aumento da pobreza e desemprego. Qualquer semelhança com um dos vizinhos é mera coincidência.

Semana de testes num mundo em guerra

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Vetos, reunião do PMDB, Eduardo Cunha ensaiando sua defesa meio que em guerra contra o Conselho de Ética. Tudo isso sob o forte impacto dos ataques a Paris, que transformam as picuinhas dos partidos na disputa pelo poder em algo minúsculo.
Para o governo, o que mais importa é manter os vetos nesta terça-feira. E isso precisa ser votado por várias razões. A primeira é a sinalização aos agentes econômicos, ou seja, mostrar que ainda é possível segurar os gastos e os aumentos de salário. Outro motivo é liberar a sessão do Congresso para votar a Lei de Diretrizes Orçamentárias e, com ela, garantir o recesso de 23 de dezembro a 02 de fevereiro, na prática, 16/02, a terça-feira pós-carnaval.

Cunha, a defesa e o ataque
A semana começa com o relator do caso Cunha, deputado Fausto Pinato, apresentando seu parecer preliminar. Ele tratou apenas da parte formal, em que considerou ver indícios para a abertura de processo contra Eduardo Cunha. Cunha não gostou. E apresenta amanhã sua defesa prévia ao Conselho de Ética da Câmara. Ele adota esse gesto num momento em que os partidos começam a abandoná-lo. O maior baque foi o desembarque do PSDB. Os tucanos, embalados pelas pesquisas de opinião, decidiram não só abandonar Cunha, como pressionar para que ele saia da Presidência da Casa, algo que Eduardo Cunha tem garantido que não fará.

Cunha passou a semana tentando amenizar a saída do PSDB da sua “base” e, ao mesmo tempo, segurar a irritação. Cobrou (e obteve) uma nota de apoio assinada por líderes e/ou vice lideres de 12 partidos, que representam algo em torno de 230 deputados. O problema é que Cunha não tem todos os integrantes desses partidos ao seu lado. Ali, na hora do “vamos ver”, um número expressivo votará contra Cunha. E esses, somados aos dos partidos que não assinaram o apoio, são suficientes para a cassação.

PMDB e PSDB, a luta pelo protagonismo econômico

Os dois partidos aproveitam a semana para colocar em foco propostas que acreditam podem tirar o país da crise econômica. O PMDB faz sua reunião amanhã. A do PSDB está prevista para quinta-feira. O recado está claro: ambos entram na briga pela sucessão de Dilma. Cada um no seu quadrado.

Dilma e Lula
Enquanto o PMDB se insinua como possível sucessor de Dilma, a presidente, na Turquia, diz que não precisa concordar com Lula em tudo e procura fortalecer a posição do ministro da Fazenda, Joaquim Levy. Ou seja, embora enfraquecido, o ministro continua e, a conta-gotas, o governo vai caminhando com as propostas. Aprovou na DRU na CCJ, a LDO na Comissão Mista de Orçamento e agora espera manter os vetos.
O ex-presidente, por sua vez, está cada vez mais falante. Deu entrevistas, fez dezenas de discursos. É a forma de tentar responder às denúncias que pesam contra seus filhos.

E o mundo em choque
Tudo o que se passa no Brasil, entretanto, parece pequeno diante da sexta feira 13, em Paris. O mundo está em guerra. O Brasil em recessão. Que Deus nos proteja.