Autor: Denise Rothenburg
MDB do Maranhão quer lançar Roseana Sarney ao Senado, em aliança com o PDT de Ciro
O MDB do Maranhão vai oferecer apoio à candidatura do senador Weverton Rocha (PDT) ao governo do estado e, em troca, apresentará o nome de Roseana Sarney para compor a chapa como candidata ao Senado e concorrer contra o atual governador, Flávio Dino, hoje no PSB. Dino já anunciou sua disposição de disputar a vaga ao Senado. Seu candidato ao governo é hoje o vice-governador, Carlos Brandão, que preside o PSDB estadual.
Além do governador Ibaneis Rocha, do DF, Roseana e o pai, o ex-presidente José Sarney, foram outras ausências importantes no jantar que Eunício Oliveira ofereceu nessa quarta-feira ao ex-presidente Lula. A aproximação entre o grupo do MDB do Maranhão e o senador do PDT, partido de Ciro Gomes, é inclusive citada nos bastidores como a razão principal para evitar o encontro Lula em Brasília essa semana. Oficialmente, porém, o estado de saúde de D. Marli Sarney impediu a viagem dos dois a Brasília. Em conversas reservadas, alguns emedebistas lembram que Lula é aliado de Flávio Dino e, há alguns meses, os socialistas cogitavam inclusive apresentar o nome do governador para vice na chapa de Lula.
Os Sarney, adversários de Flávio Dino, buscam agora outra composição e vão conversar com Weverton. Ao apresentar a ex-governadora, ex-senadora e ex-deputada Roseana para compor com Weverton, os emedebistas fortalecem não só a chapa do senador pedetista como também se aproximam indiretamente de Ciro Gomes, com quem Lula não vê chances de acordo eleitoral com vistas a 2022.
A composição política em gestação pelo MDB do Maranhão não representa, entretanto, um rompimento dos Sarney com Lula. A amizade, construída lá atrás, ainda no governo do petista, continua inabalável. Vale lembrar que Sarney fez questão de acompanhar Lula até São Paulo em janeiro de 2011, quando o petista entregou a faixa presidencial a Dilma Rousseff. Porém, quando a eleição está em jogo, vale a máxima, amigos, amigos, política à parte. A dinâmica da eleição estadual, lá na frente, é que ditará a posição do MDB maranhense na disputa presidencial, da qual planejam manter um certo distanciamento no primeiro turno. No momento, os adversários de Flávio Dino buscam é a própria sobrevivência.
A convocação do ministro da Economia, Paulo Guedes, para explicar a offshore com quase R$ 51 milhões nas Ilhas Virgens Britânicas, foi aprovada de lavada depois que o futuro partido de Bolsonaro, o PP, liderado pelo deputado Cacá Leão (BA), encaminhou favoravelmente. Entre os congressistas, está certo que Bolsonaro se filiará ao Progressistas do ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira. Foram, inclusive, informados que o presidente já bateu o martelo. E se nem o futuro partido do presidente segurou essa convocação, os outros é que não iriam se expor ao desgaste.
O PP se animou com a filiação de Bolsonaro porque acredita que pode ser uma forma de a legenda entrar pela porta da frente, em São Paulo, onde os deputados Eduardo Bolsonaro e Carla Zambelli (ambos do PSL-SP) podem ajudar a puxar votos. No estado governado por João Doria, o PP tem, hoje, apenas quatro federais. Acha que pode, no mínimo, dobrar esse número.
Se vira, ministro
Paulo Guedes será bem tratado pelos integrantes do Progressistas, mas que não conte com vida fácil. O partido não vê a hora de Bolsonaro colocar ali um ministro capaz de levar boas notícias ao eleitorado no ano que vem.
A aposta do DEM
Ao selar a fusão para a formação do União Brasil, o DEM calculou que o PSL se reduzirá praticamente à metade, com a saída de muitos bolsonaristas. E a maioria dos oriundos dos Democratas, um partido mais orgânico, permanecerá. Logo, haverá mais dinheiro para a campanha e menos deputados para dividir o bolo.
A disputa que vem
O União Brasil chega com tamanho para não deixar Gilberto Kassab, do PSD, sozinho na busca de um nome novo, capaz de tirar votos de Jair Bolsonaro e de chegar ao segundo turno. O leitor da coluna, aliás, já sabe que ACM Neto planejava havia tempo se sentar à mesa com tamanho para discutir o nome da terceira via, tal e qual o antigo PFL fez em 1993 quando apostou em Fernando Henrique Cardoso.
Limonada
Ao informar ao Supremo Tribunal Federal (STF) que pode depor presencialmente sobre o caso de interferência na Polícia Federal, o presidente Jair Bolsonaro segue na linha que vem adotando, de reforçar a calmaria.
Leite em Sampa/ Quando voltar da Europa, onde faz uma rodada com diversos investidores para levar recursos ao Rio Grande do Sul, o governador Eduardo Leite dedicará alguns dias para angariar votos e apoios na terra do seu principal adversário interno, João Doria. Leite tem jantar marcado com empresários, no próximo dia 18.
Santo de casa/ O ministro da Cidadania, João Roma, tem sido chamado pelos bolsonaristas de “João Solução Roma”. Só tem um problema que está longe de ser resolvido: o financiamento do Auxílio Brasil.
Desafio I/ O financiamento do programa Auxílio Brasil, o novo Bolsa Família, é o maior nó para o governo neste momento em que o presidente perde o apoio da parcela mais pobre da população. Daí o interesse do Poder Executivo em apressar a votação da PEC que permitirá um certo alívio no pagamento dos precatórios.
Desafio II/ E lá se vai um mês do 7 de Setembro, 30 dias sem muitos solavancos e um presidente bastante comedido nas declarações, longe do discurso radical. O país agradece.
Sem Ibaneis, Lula janta com a parcela do MDB que já estava ao seu lado
A ausência do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, no jantar que acabou há pouco deixou aos petistas a certeza de que, no MDB, uma candidatura de Lula dificilmente agregará além do que já estava previsto, ou seja, o MDB do Norte e do Nordeste. Ou seja, mais do mesmo. Ibaneis não foi porque sabe que dificilmente o PT o apoiará à reeleição. Aliás, os petistas dizem que a chance é zero. Para completar, as especulações de que Ibaneis seria candidato a vice também são vistas no PT como praticamente descartadas, porque o DF é um colégio eleitoral pequeno e o perfil que está sendo trabalhado para a vice do PT é do setor empresarial.
O PT tem sérias resistências ao MDB e deixou inclusive isso claro na pequena manifestação em frente à casa de Eunício, em que militantes lembraram que o MDB foi o partido que promoveu o impeachment de Dilma. O grupo que jantou com Lula, porém, foi exatamente aquele que advertiu, sem sucesso, a ala favorável ao impeachment sobre o erro estratégico que seria tirar a presidente Dilma em 2016.
O MDB hoje está para lá de dividido. Os sulistas apoiam o presidente Jair Bolsonaro, caso do ex-ministro Osmar Terra. Nesse rol anti-PT, que pode adiar o presidente à reeleição estão ainda o ex-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária Alceu Moreira, e Mauro Pereira, ambos do Rio Grande do Sul. Mauro Pereira já declarou ao blog por diversas vezes que “não vota em Lula de jeito nenhum”.
No Sudeste, as chances de Lula agregar o MDB são remotas e no Centro-Oeste, o partido tem inclusive a senadora Simone Tebet como pré-candidata a presidente da República. Nesse cenário, resta a Lula comer um carneiro com seus ex-ministros, discutir as composições com o partido no Nordeste e, de quebra, lembrar os velhos tempos. Pelo menos, no quadro atual, é o que tem para hoje.
Embora o PT tenha convocado o ato em prol do impeachment do presidente da República, Lula tem dito em suas conversas mais reservadas com petistas que não quer saber da saída antecipada do presidente. Aliás, essa foi a leitura feita por nove em cada 10 políticos, depois que Lula não compareceu ao ato do último sábado. Aliás, amigos do presidente repetem diariamente que não é porque um presidente vai mal, que ele deve sofrer impeachment. Essa seara cabe ao eleitor decidir nas urnas.
O discurso de Bolsonaro para 2022
Ainda que não consiga levar adiante a retomada da economia, o presidente Jair Bolsonaro tem pronto o roteiro que levará para a sua campanha reeleitoral, caso seja candidato. Como repete hoje, ele reforçará que a situação ficou ruim por causa do #fiqueemcasa promovido pelos governos estaduais e prefeituras. E só não ficou pior porque o governo deu o auxílio emergencial e o financiamento às empresas.
Página virada
Quanto à CPI e à gestão da pandemia, o presidente e seus aliados acreditam que, até a eleição, com toda a população vacinada, esse tema estará superado. Aliás, na avaliação dos políticos, a chave já virou: a economia está falando muito mais alto do que o medo do vírus.
Moro na pista…
O ex-ministro e ex-juiz Sérgio Moro ampliou as conversas sobre uma candidatura à Presidência da República. Assim que terminar a prévia do PSDB, em novembro, voltará a se sentar com os partidos. O leque inclui Podemos, Cidadania, DEM/PSL e até uma composição com o PSDB.
…e com discurso
A avaliação dos fiéis escudeiros de Moro é a de que a bandeira de combate à corrupção foi para o limbo depois das suspeitas sobre os filhos de Bolsonaro e a aliança do presidente com partidos enroscados em escândalos recentes, como o Petrolão.
A hora da caça
O adiamento da votação da Lei de Improbidade não significa que a Câmara dos Deputados tenha sérias dificuldades em aprovar o texto. Ao contrário: tese de que, se não houver a intenção de dolo, estará tudo bem, agrada e muito à maioria dos políticos.
Curtidas
Saldo/ Das conversas de Lula com o PSB e o PSD, saiu a certeza de que uma aliança com os socialistas dependerá dos acordos estaduais. Já com o partido de Gilberto Kassab, a investida deu água. Kassab está convencido de que o melhor caminho para a sobrevivência nesse cenário incerto é a candidatura própria.
Plano A e plano B/ Kassab dá como certo que o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, se filiará ao partido e será candidato. Se chegar ao segundo turno, ótimo. Se não chegar, o PSD estará inteiro. Afinal, se optar por qualquer um dos polos de hoje num primeiro turno, o partido racha ao meio e não chegará a lugar algum.
Questão de honra/ A cúpula do PSB coloca como prioridade, por exemplo, os candidatos aos governos de Pernambuco, do Espírito Santo e o do … Rio de Janeiro. No Rio, o PSB já apresentou nome de Marcelo Freixo, oriundo do Psol, e hoje filiado ao partido. E quer também a candidatura ao Senado para o líder da minoria, o deputado Alessandro Molon (PSB-RJ).
Se colar, colou/ O PSB quer mais à frente discutir a candidatura a vice na chapa de Lula. O petista, porém, prefere um nome do empresariado, tal qual o ex-senador José Alencar.
O presidente do PSD, Gilberto Kassab, acaba de sair do encontro com o ex-presidente Lula. A conversa de uma hora, da qual participaram ainda a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, e o ex-ministro Luiz Dulci, foi mais para manter o diálogo entre antigos aliados, com vistas a um apoio futuro. Lula já havia feito outras tentativas de atrair o PSD, porém, não conseguiu. “Ele sabe que teremos candidato”, diz Kassab ao blog. “Foi mais um café para manter o diálogo”. Kassab aposta na filiação do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, ao PSD até o final deste ano. Depois, é que começará a formatação da campanha presidencial do partido.
Quanto ao PSB, porém, Lula tem planos de conseguir formar uma aliança. Para isso, terá que convence o PT de Pernambuco e do Espírito Santo a apoiar o PSB aos governos estaduais, uma tarefa difícil, mas não impossível. Amanhã, Lula vai ao MDB, num encontro na casa do ex-senador e ex-ministro de Comunicações Eunício Oliveira, onde está prevista a presença dos ex-ministros de Minas e Energia Edson Lobão e Eduardo Braga, atual líder da bancada, e ainda os senadores, Jader Barbalho e Renan Calheiros. A dúvida é José Sarney, que tem se mantido mais reservado nesses tempos de pandemia. Lula está confiante de que estará no segundo turno. E quer atrair todos os aliados possíveis desde já.
A notícia de que o ministro da Economia, Paulo Guedes, deixa seu dinheiro lá fora, numa offshore ativa nas Ilhas Virgens Britânicas, caiu como uma dinamite nas negociações para aprovar a PEC da reforma do Imposto de Renda. Os senadores começam a pensar que não dá para o ministro proteger o próprio dinheiro num paraíso fiscal e taxar justamente os lucros e dividendos daqueles que mantêm seus recursos por aqui, tentando ajudar a recuperação da economia e a geração de empregos.
Conforme o leitor já sabe, Guedes vem sendo atacado pela seara política há tempos, porque os aliados do governo estão cada vez mais impacientes com as dificuldades na economia e a falta de perspectiva para um milagre econômico no período eleitoral. Agora, esses ataques vão aumentar e vai ter muita gente dizendo que o ministro perdeu o verniz para negociar as reformas.
O nó da questão
Os políticos estão quebrando a cabeça para tentar descobrir se houve operações de mercado com os recursos depositados nas offshores de banqueiros reveladas pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos. Sem esse detalhamento, fica difícil saber se há alguma irregularidade.
Lá atrás
Nos tempos da Operação Lava-Jato, Sergio Moro conseguiu informações sobre as offshores de alguns enroscados no caso porque se tratava de suspeita de corrupção. Até aqui, não há nada que caracterize esses recursos como tal. Até porque a maioria declarou ao fisco.
Resumo da ópera
A manifestação do último 2 de outubro selou o que já se sabia: não haverá unidade na esquerda e nem na centro-esquerda. Assim como em 2018, o PT apostará na polarização contra o presidente Jair Bolsonaro porque acredita que, desta vez, sairá vitorioso num segundo turno.
Prévia do DF
Aliados de Bolsonaro não se mostram dispostos a fechar logo com o apoio à reeleição do governador Ibaneis Rocha. Querem, primeiro, que ele explique os lockdowns no início da pandemia. Naquele período, sem vacina, a maioria dos governadores e prefeitos optou por fechar tudo.
Melhor ficar/ A menos de uma semana da fusão DEM-PSL, ainda há dúvidas sobre o real tamanho que o partido terá. As apostas são as de que se Bolsonaro for para o PP, muitos bolsonaristas não conseguirão acompanhá-lo. Se optar pelo PTB, idem. O PSL tem recursos para financiar campanhas. Coisa que outros partidos não terão meios de oferecer a quem está chegando. Se houver acordo para o financiamento, muitos ficarão.
A data de Rodrigo/ Secretário de Projetos Especiais de São Paulo, o deputado licenciado Rodrigo Maia só definirá seu destino depois da prévia do PSDB. Se João Doria perder, o caminho deverá ser o PSD de Gilberto Kassab.
Eles não perdoam/ Quem passou pela prisão em Curitiba e no Complexo de Pinhais reza dia e noite para que Moro não seja candidato a qualquer mandato eletivo. Muitos não esquecem da humilhação a que foram submetidos. Alguns se sentiam como animais em um zoológico, expostos à visitação de estudantes de Direito.
E as redes, hein?/ Sinceramente? WhatsApp, Facebook e Instagram não fizeram muita falta. Há muito mais vida — e notícias! — fora dessas redes sociais.
Novo surto de covid, deve adiar sessões presenciais na Câmara
Os eventos presenciais da Câmara dos Deputados levaram vários servidores ao Departamento Medico da Casa nos últimos dias, com suspeita de covid-19. Nesta sexta-feira, o Demed estava lotado. Nas salas das secretarias mais próximas ao plenário, uma pessoa foi diagnosticada e voltou o revezamento dos servidores. O mesmo ocorreu em algumas salas da Comissão de Constituição e Justiça. Se a situação não refluir na semana que vem, a tendência é o presidente da Casa, Arthur Lira, adiar o retorno das sessões presenciais, previsto para 18 de outubro.
Nos últimos dias, os protocolos em relação à covid estava mais frouxos e mais deputados e visitantes circularam pelo Congresso como um todo, em especial, na Câmara. Afinal, é neste período que se elabora o Orçamento para o ano que vem e, por isso, prefeitos, lobistas e representantes de governos estaduais costumam circular mais pelo Parlamento. A Casa não vai fechar, mas os médicos afirmam que vão cobrar mais cuidado e rigor no cumprimento aos protocolos sanitários.
Com o aumento dos preços de setembro, os políticos voltam a balançar Paulo Guedes para ver se ele despenca do Ministério da Economia. É nesse sentido, por exemplo, que surgiram parte das cobranças do Centrão e do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), reclamando do preço da gasolina e, especialmente, do gás de cozinha, que afeta toda a população mais pobre. Esta semana, até José Luiz Datena, que é citado como um potencial candidato ao Planalto, saiu-se com esta: “Por que Bolsonaro não tira esse Paulo Guedes? É só no nosso! Menos arroz e feijão no seu prato. Por que mantém esse cara com tudo aumentando? É uma calamidade”.
Enquanto os políticos não perceberem junto ao seu eleitorado que a economia está se recuperando, Guedes pode falar à vontade que tudo está melhorando, que há retomada do emprego e por aí vai. E com o ano eleitoral logo ali, o estresse da base tende a aumentar.
Interino forte
O diretor que assumiu interinamente a presidência do BNB, Anderson Possa, teve seu nome comemorado por deputados do PP. É que, segundo as excelências, Anderson é alinhado ao ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira.
E com pressa
Valdemar da Costa Neto tem pressa na nomeação do novo presidente do BNB. É que, nessa reta final de 2021, o banco elenca os projetos beneficiados com os recursos de fundos de desenvolvimento, que somam quase R$ 30 bilhões. Esse dinheiro, num ano eleitoral, é disputado nas bases dos deputados.
No pacote
A fim de acalmar o líder do PL, Wellington Roberto (PB), a indicação do novo presidente do BNB pelo presidente do PL, Valdemar Costa Neto, incluirá a manutenção de um assessor, Bruno Roberto, filho do líder. Bruno assessora Romildo Rolim.
Lula e o MDB
O jantar que Lula fará com senadores do MDB que apoiaram o governo foi visto com muita desconfiança pelos emedebistas do Sul, Centro-Oeste e Sudeste. Pelas contas da cúpula do partido, Lula tem a simpatia do Nordeste e de um pedaço do MDB do Norte.

Mesmo com um pedaço do PT totalmente avesso a qualquer relação com o MDB, o ex-presidente Lula não desistiu de refazer a aliança desfeita em 2016, quando os emedebistas trabalharam para tirar Dilma Rousseff da Presidência da República. E, para saber mais são as chances de reconstruir as pontes, Lula tem jantar marcado na quarta-feira, 6 de outubro, na casa do ex-senador Eunício Oliveira, para o qual já foram chamados o ex-presidente José Sarney, os senadores Renan Calheiros, Jader Barbalho, e o ex-senador Edson Lobão. Será o primeiro encontro de Lula como MDB depois do ato marcado para este Sábado, quando os partidos de esquerda chamaram uma manifestação pelo impeachment de Bolsonaro.
Os lulistas consideram que esse grupo de senadores e ex-senadores, que se opôs ao impeachment de Dilma Rousseff, é o que pode ajudar na reconstrução de uma aliança. Naquela época, Eunício Oliveira, por exemplo, chegou a alertar seu partido para os problemas que um impeachment poderiam gerar. Porém, não foi ouvido. Renan tem conversado com Lula, são amigos, ao ponto de um visitar o outro no hospital, como na foto acima, do ano passado.
A reaproximação com Lula agora não conta com o apoio do grupo dos emedebistas da Câmara, do qual faz parte o presidente do partido, Baleia Rossi, entusiasta de um projeto que possa quebrar a polarização entre Bolsonaro e o PT. Esse sentido, o partido lançou há alguns dias o documento todos por um só Brasil. Vale lembrar que Michel Temer continua desfilando como um possível candidato, embora diga que não irá concorrer.
Diante da divisão interna, o MDB caminha para retomar a velha forma: Um grupo puxando para o PT, e outro em sentido oposto. Por esse caminho, qualquer candidato próprio que aparecer tende a ser largado pelo caminho, como o MDB fez desde 1989, quando o então candidato Ulysses Guimarães terminou abandonado pela maioria dos emedebistas.
Para evitar esfacelamento do G-7, Aziz marca data para fim da CPI

A decisão do presidente da CPI da Pandemia, Omar Aziz, de votar o relatório em 19 de outubro, vem sob encomenda para evitar que os senadores integrantes do chamado G-7 terminem brigando. Há um mal-estar entre o relator, Renan Calheiros (MDB-AL), e o senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE), hoje bastante alinhado com Otto Alencar, que é médico. Alessandro Vieira, como o leitor do blog já sabe, apresentará um relatório paralelo ao de Renan, porque considera que o alagoano está mais político do que técnico, o que pode terminar por dar discurso aos opositores do CPI. Embora Vieira trate seu texto como um adendo, aliados de Renan viram nessa ideia uma crítica velada ao relator.
Experiente na elaboração de relatórios de investigações policiais, Alessandro quer um relatório mais sucinto e sem adjetivações. Daí, a ideia de entregar seu próprio texto, como “adendo”ao de Renan. Renan Calheiros, porém, político experiente, considera que o Senado, enquanto uma casa política, não pode prescindir de fazer um juízo de valor das ações do governo ao longo da pandemia. Diane dessas diferenças, Aziz considera melhor encerrar antes que as diferenças de pensamento vire uma crise e comprometa todo o trabalho feito até aqui.




