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Publicado em coluna Brasília-DF

O governo fala de previdência, de economia, de programas sociais, mas o que tira o sono mesmo por esses dias é a proximidade da votação do impeachment e os movimentos que possam surgir em favor da presidente Dilma Rousseff. A avaliação ontem era a de que, conforme adiantou alguns dias a coluna, os reajustes salariais concedidos aos servidores e ao Judiciário vão tirar da porta do Congresso boa parte dos manifestantes que faz coro contra o governo Dilma e faria contra qualquer outro que não lhe atendesse as reivindicações. Mas só isso não basta.
O presidente em exercício, Michel Temer, chegou ao ponto em que, além de votos para permanecer no Planalto, precisará mostrar ao mercado que tem maioria para aprovar qualquer coisa, inclusive emendas constitucionais. Neste sentido, a ideia é aproveitar o impeachment para demonstrar que ficará com respaldo para fazer valer o projeto em curso. Antes disso, nada acontece.

Quem não
deve, não teme

A postura do ministro da Educação, Mendonça Filho, que quando acabou citado, foi lá e se explicou, virou um mantra no governo em exercício. Agora, quem estiver que dar qualquer justificativa em relação a doações de campanha ou envolvimento na Lava-Jato, que o faça. Se não tiver como se explicar, que peça o boné. Simples assim.

Enquanto isso, no
Rio Grande do Sul…

A campanha em Porto Alegre promete. Dia desses, o presidente do PSB local, Beto Albuquerque, foi chamado de “golpista” pelo pré-candidato do PT, Raul Pont, e devolveu assim: “E tu aplaude um bando de ladrão”, referindo-se aos tesoureiros petistas enroscados no mensalão e no petrolão.

Metamorfose ambulante…

Confirmada a aliança entre Marta Suplicy e o pré-candidato do PSD, Andrea Matarazzo, a dificuldade será explicar os impropérios trocados entre ela e o ministro de Comunicações, Ciência e Tecnologia, Gilberto Kassab. Há quatro anos, Marta se referia a ele como um “pesadelo”. E, em 2008, a campanha de Kassab mencionava a então petista como “a prefeita das obras paradas”.

…Onde algo não muda

O racha do PSDB, que sempre existiu, agora está exposto: uma parte, a do ministro José Serra, torce por Marta Suplicy e Andrea Matarazzo. A outra, do governador Geraldo Alckmin, trabalha por João Dória.

Recorde em intolerância/ Pesquisa de análise de comportamento nas redes sociais aponta que o Distrito Federal tem proporcionalmente a maior taxa de intolerância do país. A conclusão foi feita a partir de análise de 393.284 menções de internautas no Facebook, no Twitter e no Instagram, entre os meses de abril e junho, e em comentários em blogs e sites.

Recorde em intolerância II/ A amostragem, da agência Nova/sb mostra que a maior intolerância é a política, com 220 mil citações no universo analisado, mais de quatro vezes superior à misoginia, 50 mil menções.

Michelzinho vai à escola/ Começaram as aulas do filho mais novo do presidente em exercício, Michel Temer. No primeiro dia, entretanto, quem foi levar o pequeno à escola foi a mãe, Marcela (foto). O presidente já estava em reuniões de trabalho.

Terrorismo versus abuso de autoridade

Publicado em coluna Brasília-DF

A prisão do grupo de possíveis simpatizantes da facção terrorista Estado Islâmico no Brasil servirá para ajudar juízes e magistrados a ampiar a pressão no sentido de tirar de cena o projeto que impõe limites à ação da Justiça — conhecido como lei contra o abuso de autoridade. Na avaliação da Associação dos Magistrados do Brasil (AMB), a prisão mostrou que não basta apenas o apoio da sociedade para estancar o terror. É preciso que a legislação permaneça firme no amparo à atuação da Polícia Federal e do Judiciário e essa firmeza ficará ameçada, caso o projeto de Lei 280/2016 seja aprovado.

A AMB cita como exemplo o artigo 30, que diz ser crime de abuso de autoridade “dar início ou proceder à persecução penal, civil ou administrativa sem justa causa fundamentada”, o que poria em dúvida o trabalho dos agentes públicos em situações como a dessa semana. Apesar da lei contra o terrorismo, de relatoria do atual ministro da Defesa, Raul Jungmann, dizer que ações preparatórias são consideradas crime, ao prenderem 11 suspeitos de combinar um ato terrorista, as autoridades assumiram a responsabilidade de prevenir antes de remediar, o que poderia ser interpretado como crime pelo projeto em discussão no Senado.

 

 

Vem pra rua, nova temporada

Entidades ligadas ao combate à corrupção, tais como AMB e Ajufe, preparam atos contra a Lei de Abuso de Autoridade. O primeiro ato, 28 de julho, será em Curitiba, preparatório para a grande manifestação marcada para 8 de agosto.

 

Maia e 2018

Quando perguntado se o DEM terá candidato em 2018, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, respondeu: “Temos um campo que eu espero ser maior, com a unificação da oposição. Temos quatro nomes: o ministro (José) Serra, o senador Aécio (Neves), o governador (Geraldo) Alckmin e o senador (Ronaldo) Caiado”, diz.

 

A ordem dos fatores

O presidente Rodrigo Maia cita Serra em primeiro, mas não necessariamente segue a lista: “Queremos apoiar, mas também queremos ser apoiados. Quem sabe, em um processo de superação da crise, o DEM se comunica de forma mais competente que o PSDB e consegue colocar o Caiado ou qualquer outro nome em uma posição melhor que os nomes colocados pelo PSDB”, disse ao Correio.

 

Bolso fechado

A empresa Presença Online quis saber sobre o interesse dos eleitores em fazer doações para as campanhas dos candidatos. A amostragem identificou que 74% não pretendem fazer doações. Apenas 11% disseram sim e os demais ficaram no “talvez”. É bom que os candidatos não fiquem tão animados com os 11% que pretendem ajudar na campanha: é que 42% cogitam doar até R$ 50 e 34% admitem colaborar com algo entre R$ 51 e R$ 200.

 

Milionário e José Rico

No imaginário popular, prevalece a ideia de que político tem posses. Haja vista o fato de 64% justificarem que não pretendem doar recursos para as campanhas porque consideram que os candidatos não precisam de financiamento.

 

 

CURTIDAS

André versus Rose // O líder do governo na Câmara, André Moura (PSC-SE), anda meio descontente com a líder no Congresso, senadora Rose de Freitas (foto), do PMDB-ES. Tudo porque Rose está distribuindo as relatorias das medidas provisórias a oposicionistas. Há quem diga que o problema é que André vem da escola de Eduardo Cunha, na qual vale a regra, “aos inimigos, nem a lei”.

 

Questão de discurso // Humberto Costa é do Nordeste, assim como Moura. E a ideia dos líderes aliados a Michel Temer é usar projetos de apelo popular para melhorar a performance do governo na região. O aumento do Bolsa Família ajudou, mas é preciso mais.

 

Amigos de fé // Quando ninguém falava em Paulo Roberto Costa e no deputado Aníbal Gomes (PMDB-CE), era o senador Gim Argello quem apresentava o então diretor da Petrobras a terceiros no Senado. Por essas e outras, uma das possíveis delações que mais assustam os políticos é a de Gim.

 

Por falar em delações…// Em conversas reservadas, até aliados de Dilma ficaram meio frustrados com a versão de que ela nunca soube do caixa dois de campanha. “A presidenta (sic) sempre foi de acompanhar tudo com uma lupa. Controlava até os voos, para fugir das turbulências”, lembra um aliado.

João Santana é fichinha

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Se o depoimento de João Santana provocou um alvoroço entre os aliados de Dilma Rousseff e no PT, é bom que todos fiquem de olhos bem abertos para o que vem por aí em relação ao ex-diretor da Petrobras Renato Duque. Para se ter uma ideia, nestas tratativas para a delação, ele mencionou que pensou em sair da Petrobras e nem Dilma, nem o PT deixaram. O argumento que pesou sob a ótica do partido foi o de que Duque era um dos maiores arrecadadores para o caixa partidário.

Corredor polonês

O vazamento do nome do deputado Max Beltrão (PMDB-AL) como ministro do Turismo foi proposital. A ideia é ver se vêm novas denúncias envolvendo o parlamentar. E se ele vai aguentar o tranco diante do que foi divulgado. Se resistir, pode até ser nomeado.

“O financiamento das campanhas se tornou uma fonte de corrupção inesgotável”

Roberto Veloso, presidente da Ajufe, quase parafraseando o publicitário João Santana

 

Claudia no paraíso…

Numa das fotos das viagens de Claudia Cruz que o jornalista Guilherme Amado colocou ontem na internet, a mulher de Eduardo Cunha menciona Carina Torrealba numa selfie em Barbados. Carina é mulher de Gonçalo Torrealba, sócio do grupo Libra, um dos maiores do setor portuário no Brasil.

…Fiscal!!!!

Barbados, realmente, é paradisíaco para muitos e em vários sentidos. Por lá estão, pelo menos, 34 empresas flagradas no Panamá Papers.

Vale lembrar

Em 2013, quando Eduardo Cunha emendou a Lei dos Portos, ele e o então deputado Anthony Garotinho (PR-RJ) quase foram às vias de fato. Tudo porque Garotinho se referiu à emenda aglutinativa proposta por Cunha como “a lei dos porcos”.

Pensando bem…/ Nem só de gasto público e arrecadação entende o ex-secretário da Receita Federal Everardo Maciel (foto): “O governo jamais poderia dizer que o grupo terrorista era amador. E se agora resolverem mandar profissionais?”

Enquanto isso, na Papuda…/ Luiz Estevão pede, por intermédio de assessores, para dizer que não está de cabeça raspada nem socou as paredes. Vai ver que o amigo dele se equivocou ao contar a história a terceiros. Afinal, na Papuda, não se exige cabeça raspada. “Isso é tão falso quanto uma nota de R$ 3”, diz Estevão.

…A hora é dos livros/ O ex-senador, responsável pela entrega de quentinhas a 45 presos, dedica-se com afinco à leitura. Já leu 11 publicações de vários gêneros. A velocidade da luz, de Javier Cercas; O Sol é para todos, de Harper Lee, um clássico, conta a história de um advogado que defende um homem negro acusado de estuprar uma mulher branca nos Estados Unidos dos anos 1930 e enfrenta represálias da comunidade racista. O livro é narrado pela sensível Scout, filha do advogado. Uma história atemporal sobre tolerância, perda da inocência e conceito de justiça.

Olha a foto!/ Ainda dá o que falar o jantar do presidente em exercício, Michel Temer, com os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e o do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Quando o pessoal da foto oficial chegou, quis recolher os copos de uísque sobre a mesa para não dar uma conotação festiva. O presidente em exercício, Michel Temer, estava de tão bom humor que brincou: “Se tirar, ninguém vai acreditar que era um jantar político”. A gargalhada foi geral, mas os copos saíram de cena assim mesmo.

PT quer “nacionalizar”

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Apesar de a eleição municipal ser tradicionalmente voltada para temas locais, sem muito espaço para uma nacionalização do debate, o PT planeja aproveitar a largada da campanha, em agosto, para emplacar o discurso do golpe. É a forma que a cúpula do partido considera ideal para disseminar a mensagem antes da votação no plenário do Senado, prevista para o fim do mês que vem. A ideia é acoplar esse discurso ao dos avanços sociais obtidos nos tempos em que os petistas ocupavam o Planalto. Em conversas reservadas, há quem diga serem as únicas armas disponíveis hoje para tentar reverter alguns votos no Senado. Sabe como é, dizem os petistas, “a esperança é a última que morre”.

Menos protestos
Com a sanção do reajuste dos servidores do Judiciário, o presidente em exercício, Michel Temer, praticamente fecha a temporada de aumento dos servidores. Agora, sem greves à porta, ficará mais fácil cuidar da tramitação do processo de impeachment no Senado, sem que se misturem às manifestações daqueles que são contra o afastamento de Dilma, com um grande contingente daqueles que desejam correções salariais.

Prioridade econômica…
No jantar com a cúpula do Congresso no Jaburu, o presidente em exercício, Michel Temer, colocou a aprovação do acordo de negociação da dívida dos estados como o ponto de partida para as discussões dos demais temas econômicos.

…E política
A votação do acordo joga ainda em favor do governo no campo político. Como antes do recesso branco faltaram quatro votos para aprovação da urgência, uma vitória nesse campo agora dará a ideia de que o governo está mais forte na seara política.

Nordeste, a próxima fronteira
Governadores da região onde Dilma e Lula ainda têm muito poder de fogo insistem em um tratamento melhor na renegociação das dívidas. E não é nem por questões políticas. É que eles devem menos. Norte e Nordeste devem, juntos, 4,6 % do PIB, enquanto Sul e Sudeste, 91%. Os dados foram levantados pelo deputado Júlio César (PSD-PI).

Se atender só Sul e Sudeste, não tem Meirelles que resolva”
Robinson Faria,
governador do Rio Grande do Norte, ao se referir à renegociação das dívidas dos estados

Elas & eles I/ Com tantos restaurantes em Brasília, quatro ex-ministras de Dilma Rousseff foram almoçar ontem no mesmo local escolhido pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e o ministro de Comunicações, Ciência e Tecnologia, Gilberto Kassab (foto).

Elas & eles II/ Ideli Salvatti (Relações Institucionais e Pesca), Eleonora Menicucci (Secretaria da Mulher), Miriam Belchior (Planejamento) e Tereza Campelo (Desenvolvimento Social) sentaram-se à mesa próxima da porta. Já Kassab e Rodrigo Maia ficaram ao fundo.

Elas & e eles III/ Kassab, que chegou mais cedo, ficou um pouquinho com as antigas colegas de governo Dilma. Na saída, tanto ele quanto Rodrigo Maia cumprimentaram as ex-ministras Ideli e Tereza. Miriam e Leonora já haviam saído.

Elas & eles IV/ Tereza Campelo não escondeu o constrangimento diante de Kassab e Rodrigo. Justamente no momento em que eles se aproximaram da mesa para cumprimentá-la, a tela do tablet exibia a capa do site alertasocial.com.br, que estampava em letras garrafais “O golpe é contra você”. Kassab e Rodrigo, ambos tarimbados na política, nem pestanejaram. É do jogo.

Quem parte e reparte…

Publicado em coluna Brasília-DF

… Fica com a melhor parte. Capitaneado pelo ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima, o PMDB baiano acaba de indicar o presidente da Companhia Docas da Bahia (Codeba). Entra o técnico Pedro Dantas e sai José Rebouças, que havia sido indicado pelo senador Otto Alencar, do PSD. Otto é aliado ao PT e, em maio, votou contra a abertura do processo de impeachment de Dilma Rousseff. O prefeito de Salvador, ACM Neto, havia indicado Luiz Carrera, ex-chefe da Casa Civil da prefeitura. Porém, depois que o DEM levou a Presidência da Câmara, estão todos tratando de dizer que está de bom tamanho.

Linear versus seletivo
A disputa no governo para o contingenciamento de R$ 20 bilhões, mais uma vez, contrapõe a ala política à econômica. A área política quer preservar saúde e educação. A econômica quer cortar igual em todos os setores.

Reflexo zero
Os aliados que aconselham Eduardo Cunha a renunciar para não serem constrangidos a votar a cassação dele no plenário não leram a Constituição. O §4º do artigo 55 é claro ao mencionar que uma renúncia só surte efeito depois da apreciação do parecer pela cassação em plenário. O dispositivo foi aprovado em 1994, depois que uma leva de parlamentares renunciou para escapar da cassação no escândalo dos anões do Orçamento.

Por falar em Cunha…
O deputado sabe que existe ainda um pedido de prisão pendente de análise por parte do ministro do Supremo Tribunal Federal Teori Zavascki. Portanto, uma renúncia seria correr um risco antes da hora.

De si para si
Aliados da presidente afastada, Dilma Rousseff, consideram que os eventos dos quais ela tem participado não têm agregado novos votos contra o afastamento definitivo. Nem mobilizado liderança com capacidade de mudar a opinião de senadores. A partir da semana que vem, a ordem é investir numa programação que possa trazer esse efeito.

Ciro na roda
Enquanto a maioria dos políticos cuida das campanhas municipais, Ciro Gomes (foto) aproveita para percorrer o país com vistas a 2018. Com o PT desgastado, a cúpula pedetista está convicta de que o ex-ministro pode ter o apoio do partido de Lula na hora de buscar um candidato para chamar de seu.

Tour palaciano I/ O presidente em exercício, Michel Temer, aproveitou a calmaria da segunda-feira para transitar no Palácio do Planalto. Foi ao quarto andar, andou pelos gabinetes e avisou: “Eu não conheço o palácio. A partir de agora, farei isso mais vezes”.

Tour palaciano II/ Depois da passadinha na Casa Civil, Michel Temer foi ao segundo andar, onde almoçou com os ministros da Justiça, Alexandre de Moraes, e do Gabinete de Segurança Institucional, general Sérgio Etchegoyen, e aproveitou para discutir a segurança das Olimpíadas. O ministro da Defesa, Raul Jungmann, só não foi porque está acamado com uma virose.
É a pesquisa!/ O bom humor de todos no Planalto tem uma explicação: os números do Datafolha, que indicaram no fim de semana que 50% dos entrevistados preferem Temer a Dilma.

Enquanto isso, na agenda oficial…/ O presidente em exercício recebe esta semana o apoio da maçonaria.

Um líder sob teste

Publicado em coluna Brasília-DF, Política

O governo não vai trocar seu líder, André Moura, assim, de sopetão, só porque o candidato Rogério Rosso, defendido pelo deputado, perdeu a Presidência da Câmara para Rodrigo Maia, do DEM. “A hora é de juntar, e não de espanar”, comenta-se no Palácio do Planalto. O líder, entretanto, terá que entregar o que o governo deseja: resultado nas votações. Se não der, aí sim, estará sob risco. A aposta é de que Moura é bem capaz de se “adaptar”. Resta saber se terá prestígio diante do novo eixo de poder, deslocado da sua “turma”, aquela que seguia o comando de Eduardo Cunha e agora está pulverizada. O Centrão, aliás, acabou enquanto grupo político com poder de dominar a cena na Câmara, haja vista a pequena quantidade de votos destinada a Rosso, comparada com os quase 300 que compunham o grupo.

Nova temporada
O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, não pretende estimular, tampouco barrar, as comissões parlamentares de inquérito (CPIs) e pode, inclusive, se chamuscar nesse campo com a sua base eleitoral, no Rio de Janeiro. É que está para ser instalada a CPI da Lei Rouanet, que dificilmente deixará de chamar para deporem artistas radicados no Rio.

O dia em que o PTdoB…
A primeira pessoa a chegar à reunião do PT defendendo o voto em Rodrigo Maia no segundo turno foi o deputado Sílvio Costa (PTdoB-PE): “Vocês enlouqueceram? Querem ficar isolados? É um erro político! Isso aqui é o parlamento, não o governo!! Vocês querem dar a vitória a Eduardo Cunha?”, disse Sílvio, com sua verve tradicional.

…Mandou no PT
A partir daí, a tendência de seguir o PSol e não votar no segundo turno esmoreceu. O PT ontem à noite, logo depois do resultado, comentava que o lance da hora é ver como reagirá o Centrão.

Abaixo da cintura
Uma das mágoas do grupo que apoiou Rogério Rosso é com o deputado Alberto Fraga (DEM-DF). Há quem aposte que o zun-zun-zum das fitas de Durval Barbosa — aquelas que derrubaram José Roberto Arruda — influenciou alguns deputados. O fato de Fraga ser do DEM foi um agravante.

Entre 9 e 10 de agosto
Diante do resultado de ontem na Comissão de Constituição e Justiça, ninguém duvida que a cassação de Eduardo Cunha será um dos primeiros temas quando o Congresso voltar do recesso, mas não deve ser na primeira semana. Isso porque a legislação eleitoral deixou a temporada de convenções das eleições municipais aberta até 5 de agosto. Logo, vai se esperar esse período para garantir o quórum alto prometido por Rodrigo Maia.

CURTIDAS

É por aí/ Antes de fechar o apoio a Rodrigo Maia na madrugada de ontem, o líder do PR, Aelton de Freitas, telefonou para o ministro dos Transportes, Maurício Quintela, para saber se a bancada poderia seguir por esse caminho. Quintela pediu 10 minutos e, depois, ligou para Freitas dando sinal verde.

Quem te viu, quem te vê/ Enquanto Luiza Erundina fazia seu discurso de candidata pelo PSol na disputa pela Presidência da Casa, alguém do PT cochichava: “E o governo Itamar?”, citando o período em que o partido, numa posição radical, proibiu Erundina de ser ministra e ela terminou punida por aceitar o cargo.

Essa cadeira tem dono/ Na Presidência da Câmara, a cadeira de espaldar mais alto tem uma placa sobre a mesa colocada estrategicamente à sua frente: “Favor não sentar”. Ontem, uma pessoa distraída terminou ocupando esse posto. Delicadamente, uma representante do cerimonial se aproximou e pediu que aquela cadeira ficasse vazia. “É preciso respeitar a liturgia e a simbologia do cargo.”

Por falar em simbologia…/ A visita do presidente Rodrigo Maia ao chanceler José Serra foi um gesto para agradecer o esforço do ministro de Relações Exteriores na véspera, quando, depois de duas horas de agonia, a Embaixada do Brasil em Santiago finalmente localizou o registro de nascimento, provando que Rodrigo Maia tem nacionalidade brasileira, embora nascido no Chile, nos tempos do exílio de seu pai, César Maia.

O governo e Rodrigo

Publicado em coluna Brasília-DF

[FOTO1]

Distância regulamentar, mas…

O governo manteve um certo afastamento da eleição da Presidência da Câmara, mas ontem, não deu. Diante da candidatura de Marcelo Castro (PMDB-PI), o Planalto ingressou para jogar no sentido de tirá-lo do segundo turno. Embora do PMDB, Castro é tido como alguém que poderia instalar um pedido de impeachment contra Michel Temer. Afinal, enquanto relator da reforma política, ele desconheceu a orientação partidária e fez o projeto que estava em sua cabeça. Do quarteto com chances, era considerado o menos confiável para o governo.

Em tempo: Temer passou o dia no celular, ao ponto de ser interrompido no encontro com prefeitos no fim da manhã, para receber informes de cada movimento. Diante da dificuldade em unir a base e certo de que virá um rosário de cobranças hoje ao seu gabinete, o presidente em exercício viajou para São Paulo. A agenda foi apenas uma desculpa para só voltar ao dia a dia da política depois que baixar a poeira da disputa pela Presidência da Casa.

Pacote de bondades
Antes das duras medidas que virão pela frente, Temer trabalha para marcar sua gestão com um rol de boas notícias na área social. Depois do reajuste do Bolsa Família, vem a prioridade de acesso aos programas sociais, como o Minha Casa Minha Vida, a lares com crianças vítimas de microcefalia.

Reforço
O ex-ministro do Esporte Aldo Rebelo, mesmo fora do Congresso, agiu para tirar seu partido do colo de Marcelo Castro. Por telefone, ele lembrou a alguns que Rodrigo Maia havia ajudado na eleição do comunista, quando Severino Cavalcanti perdeu o mandato. Para completar, enquanto relator da reforma política, cumpriu todos os acordos fechados com o PCdoB.

Terrorismo
A presença de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) ontem na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) frente a frente com os deputados foi a senha para deixar o recurso para análise posterior. Agora, até agosto, Cunha tentará organizar outro jogo para se segurar até janeiro do ano que vem. Faltou combinar com os adversários.

E Serra salvou Rodrigo
No fim da manhã, ao averiguar a documentação do candidato do DEM, a Mesa Diretora da Câmara percebeu a falta da certidão que comprovasse a nacionalidade brasileira (Rodrigo nasceu no Chile e foi registrado na embaixada). Sem a certidão brasileira, não poderia disputar o comando da Casa. Corre daqui, corre de lá, o ministro de Relações Exteriores, José Serra, acionou a Embaixada do Brasil em Santiago para que buscasse o documento. No início da tarde, estava resolvido. Foi por pouco.

[FOTO2]

Os currais de cada um/ Morador da mesma rua em que funciona a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), o deputado Heráclito Fortes (foto) faltou ao almoço com o presidente Michel Temer esta semana. Nem mesmo a deputada Tereza Cristina (PSB-MS), que foi pessoalmente convidar o colega, conseguiu tirá-lo de casa. “Não posso deixar os vereadores e o prefeito de Currais.”

O prestígio de cada um/ Nunca antes na história deste país um prefeito e três vereadores se sentiram tão prestigiados. Um deles chegou a ligar para a família, apenas para informar que Heráclito deixou de ir encontrar o presidente da República para ficar com eles. No pequeno município do Piauí, o deputado obteve 1.200 votos.

Aperfeiçoamento/ O ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, recorreu a cursos de treinamento na área de imprensa, conhecido como media training. Os amigos, entretanto, consideraram exagero: “Até que parece que ele precisa”, comentaram alguns deputados.

Hora do chá de camomila/ A senha para o recesso branco dos senadores foi a briga entre Ronaldo Caiado e Lindbergh Farias ontem, no Senado (leia detalhes no blog da Denise, em www.correiobraziliense.com.br).

Rodrigo Maia e os primeiros reflexos

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A vitória de Rodrigo Maia (DEM-RJ) é tratada nessas primeiras horas como uma construção para tirar de cena Eduardo Cunha, o maior derrotado da noite. Rogério Rosso, considerado o candidato do centrão, e os 170 votos que obteve num pleito secreto indicam que, quando a cassação de Eduardo Cunha chegar ao plenário, o ex-presidente será despachado sem dó. O próprio Centrão esfarelou. Haja visto o semblante de seus maiores líderes quando anunciado 115 votos de diferença em favor de Maia, algo que nem o DEM esperava.
O líder do governo, André Moura (PSC-SE), que apostou no Centrão e é um dos maiores aliados de Cunha, também entra na corda bamba e não terá mais tanto prestígio. Se vai permanecer, o tempo dirá. Porém, está enfraquecido. Resta saber se a derrota de Rosso respingará no ministro Geddel Vieira Lima, apontado nos bastidores como alguém que teria trabalhado por Rosso.

Quanto à oposição, depois de tanta cabeçada no primeiro turno, parece ter corrigido o rumo e terá algum ganhou na vitória de Maia. A CPI da UNE, por exemplo, é considerada natimorta. Maia também terá que ceder algum outro ponto aos oposicionistas. Um deles é o ritmo da votação da reforma da previdência. Que ninguém espere que venha uma tratorada, tipo a que Cunha protagonizou no impeachment. A Casa andará no ritmo do que for acertado pelo líderes, sem canetada. Paralelamente à reforma previdenciária, vem ainda o teto de gastos e a tentativa por parte da presidência da Casa de auxiliar os oposicionistas a empreender algum ganho aí para as áreas de saúde e educação.

No geral, ninguém tem mais dúvidas: O Planalto ganhou, mas a oposição também não se considerou derrotada. Se isso resultar num Parlamento voltado ao diálogo já estará de bom tamanho.

Senado em chamas

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Ontem, o presidente da Casa, Renan Calheiros, e o senador Cristovam Buarque (PDT-DF) que se estranharam. Ontem, o caso foi mais grave. Numa discussão sobre aumento salarial, o deputado Lindbergh Farias, do PT, e Ronaldo Caiado, do DEM, quase foram as vias de fato, quando, criticado por Lindbergh, Caiado atacou: “Vou responder como médico”, disse Caiado, completando que o colega chegava com as “pupilas dilatadas” e deveria fazer exame “antidoping”. Lindbergh, furioso, respondeu: “Quem sabe de você é o Demóstenes e o Cachoeira”, disse, referindo-se ao senador do DEM que perdeu o mandato por envolvimento com Carlinhos Cachoeira, o empresário preso há alguns dias sob acusação de participar de esquema de desvio de dinheiro público. Segunda-feira começa o recesso branco e a esperança dos senadores que assistiram a cena é a de que o descanso sirva para acalmar os ânimos em plenário.

Marcelo “Cavalo de Troia”

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Sem condições de carimbar o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) no papel de anti-impeachment na briga pela Presidência da Câmara, o Centrão foi buscar no PMDB o nome para, num segundo turno, fazer valer a sua tese, de colocar como pano de fundo da disputa uma batalha entre contrários ao impeachment e favoráveis. E o nome é o do deputado Marcelo Castro que, numa votação secreta, foi indicado no final da manhã candidato do PMDB à sucessão de Eduardo Cunha. Castro votou contra o impeachment de Dilma. Portanto, chega sob encomenda para ganhar esse carimbo e tirar do candidato do DEM, Rodrigo Maia, os votos que lhe garantiriam o bilhete premiado para o segundo turno contra o Centrão, que tem vários candidatos, mas um grupo maior pende a Rogério Rosso (PSD-DF), que presidiu a comissão do impeachment com distinção.
A candidatura de Castro anima o PT e o PCdoB, leva uma parte do PDT e segura os votos do PMDB para levá-lo ao segundo turno. Mas, por ser um nome que votou contra o impeachment, afasta, na batalha final de amanhã, o centrão e grande parte daqueles que foram favoráveis ao afastamento de Dilma. Assim faz valer a tese impeachment/não-impeachment, em vez de grupo de Eduardo Cunha versus partidos que hoje desejam resolver logo o caso de Eduardo Cunha __ tese que Rodrigo Maia tentava emplacar. Por ser um nome que votou contra o impeachment, Maia era visto como o ideal para reunir as oposições de ontem e de hoje contra o grupo de Eduardo Cunha. Agora, está dependendo de obter o apoio do PSDB para tentar fazer frente aos centristas.
Enquanto essa briga cresce no seio da base governista __ com alguns vendo dedos palacianos nessa disputa que fez de Marcelo Castro candidato apenas para chegar ao segundo turno, mas não levar __ outros candidatos vão silenciosamente se organizando. Lá vem, por exemplo, o segundo vice-presidente da Casa, Fernando Giacobo, que fechou o PR em torno do seu nome. Em 2015, quando candidato a segundo vice-presidente da Câmara, Giacobo obteve 322 votos, derrotando o deputado Lúcio Vale, candidato oficial da bancada. Agora, Giacoco sai do PR com 44 votos e está buscando apoios da mesma forma que conquistou da última vez: no varejão que se tornou o Parlamento. Vale lembrar que Giacobo ganhou 12 vezes na loteria. Talvez a Presidência da Câmara seja a 13ª.