Um governo em conflito

Publicado em coluna Brasília-DF

Um governo, duas metas

O governo e a base aliada vivem hoje uma queda de braço em relação à votação da próxima semana, quando estará em análise a segunda denúncia de Rodrigo Janot contra o presidente Michel Temer. Os partidos desejam a vitória do peemedebista, mas não num patamar em que o presidente saia com fôlego para retomar a agenda de reformas, em especial, a da Previdência. Enquanto isso, no Planalto, o próprio presidente coordena o esforço para que o governo ultrapasse o patamar dos 257 votos, ou seja, metade mais um dos votos totais da Câmara para, no futuro próximo, ampliar isso em relação às reformas. É por aí que o jogo vai se dar nos próximos dias.

Os aliados querem o poder de empreender uma agenda mais voltada a temas com maior sintonia na sociedade, como a segurança pública, educação e cultura, deixando de fora aumento de alíquotas, ajustes fiscais e cortes. Daí, a necessidade de deixar Temer franzino no quesito votos em plenário.

Don Geddel I

O fato de a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, se referir a Geddel Vieira Lima como chefe de organização criminosa não causou estranheza a muitos políticos. Afinal, ele comandava o PMDB da Bahia, assim como Eduardo Cunha e Sérgio Cabral dividiam o comando do Rio de Janeiro. Diz o Ministério Público que há outros “dons” por aí.

Don Geddel II

Os políticos que acompanham com uma lupa o caso de Geddel afirmam que, agora, o ex-ministro não terá como colocar o presidente Michel Temer nesse redemoinho. Afinal, se Geddel comandava, não tem como delatar
mais ninguém.

Onde mora o perigo

Deputados petistas aproveitaram o prêmio Congresso em Foco, concedido todos os anos a parlamentares eleitos pela imprensa, pela internet, e um júri seleto, para espalhar que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, está “costeando o alambrado” do Planalto. Ou seja, “esperando a oportunidade”. Sinal de alta-tensão até quarta-feira, data da votação da denúncia
em plenário.

Sem saída

Deputados tucanos não veem mais possibilidade de união entre as diversas alas do partido. Alguém vai ter que pedir o boné. Quem? Eis a questão.

País em choque

A tragédia em Goiânia, onde um adolescente assassinou colegas na escola, reforçará uma campanha para maior controle de armas no país. A bancada da bala, porém, já tem um argumento. O menino é filho de policial e, ainda que houvesse controle, ele teria arma em casa.

CURTIDAS
PF independente/ Instituição mais aplaudida no 7 de Setembro, a Polícia Federal vai intensificar a campanha pela autonomia com a entrega de mais um documento com mais de meio milhão de assinaturas em prol da Proposta de Emenda à Constituição 412/2009, que regulamenta a autonomia funcional, administrativa e orçamentária da PF. A PEC está parada há oito anos na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara.

Hora certa/ Pré-candidato ao governo de Minas Gerais, o presidente da CCJ, Rodrigo Pacheco, receberá o documento com as assinaturas das mãos do presidente da ADPF, Carlos Sobral. Ele irá acompanhado de líderes de movimentos sociais independentes, como Carla Zambelli (Nas Ruas) e Maurício Vidal (Movimento Brava Gente Brasileira), além de representantes do Orgulho Nacional, Movimento Brasil Livre e Mulheres da Inconfidência, todos com forte representação em Minas.

E o Renan, hein?/
O senador Renan Calheiros (foto) não perde uma oportunidade de fustigar Michel Temer. Ontem, mandou esta no Twitter: “Engraçado… Nunca soube que Geddel era o chefe. Para mim, o chefe dele era outro… era ouTro”. Assim mesmo, com T maiúsculo.

Sabática/ Destituída do cargo de líder do PSB, a deputada Tereza Cristina (MS) passou todo o jantar de entrega do prêmio Congresso em Foco ladeada por dois representantes do PPS, Rubens Bueno e Carmem Zanotto. Tereza, entretanto, ainda não definiu para qual partido irá. “Nos próximos 30 dias, não quero pensar nisso. Vou, primeiro, dar um tempo pra mim”, diz a deputada quase ex-socialista.

Dupla dinâmica/ De todos os representantes do DF no Congresso Nacional, apenas
dois senadores saíram agraciados do
Prêmio Congresso em Foco: Cristovam Buarque e Reguffe.

Deixe tudo para depois

Publicado em coluna Brasília-DF

Certos de que o presidente Michel Temer terá votos para permanecer no cargo, deputados aliados ao governo recolheram a pressão para troca do ministro da Secretaria de Governo, Antonio Imbassahy. A ideia é guardar energia para uma nova investida depois da votação da denúncia. A avaliação geral é a de que o PSDB, completamente enroscado na disputa interna, não dará a Temer os mesmos votos da primeira vez. Assim, estará dada a senha para a substituição do ministro. Não por acaso, bateu o medo em alguns dos ministros exonerados ontem para votar a favor do presidente, na semana que
vem, de não voltar aos cargos.

Em tempo: causou estranheza a muitos o fato de o PSDB querer obstruir a votação do acordo de leniência dos bancos, um projeto com o aval do governo. Por incrível que pareça, os tucanos — que no passado fizeram o Proer (Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional) — não queriam votar a proposta para não dar uma rede de proteção a instituições que podem, num futuro não muito distante, terminar afetadas por uma possível delação de Antonio Palocci. Deixaram assim de lado o pragmatismo de defender as instituições, mantendo qualquer punição apenas aos controladores.

De Michel para Raquel

As mudanças que o presidente Michel Temer fará no decreto que terminou por expor trabalhadores ao regime análogo à escravidão serão baseadas apenas nos insumos da procuradora-geral da República, Raquel Dodge. É à comandante do Ministério Público que o governo dará satisfação.

Saiu do forno

Está pronto o parecer pelo arquivamento do pedido para que o senador Aécio Neves responda por quebra de decoro no Conselho de Ética do Senado. É João Alberto cumprindo o que já foi antecipado pela coluna: “Se o plenário arquivar aqui, eu arquivo lá”.

Juntou de lá

O posicionamento do governador de Goiás, Marconi Perillo, em defesa da permanência de Aécio Neves no comando do PSDB levou os aliados de Tasso Jereissati à sensação de que talvez o presidente em exercício tenha errado a mão. Agora, os aliados do mineiro não têm mais dúvidas sobre quem apoiar para presidente do PSDB: é Perillo na cabeça.

Irritou mais

O ministro de Minas e Energia, Fernando Filho, planeja seguir para o PMDB. O deputado Alexandre Baldy (GO), hoje no Podemos, seguirá por esse mesmo caminho. Ambos eram esperados no DEM do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (RJ).

Nova frente para velha prática/ Vem aí a Frente Parlamentar do Jogo, em defesa da regulamentação dos cassinos no Brasil. Como bem lembram alguns, em certas casas da cidade será apenas o caso de colocar placas e neons nas portas.

Resumo da ópera/ O deputado Danilo Forte, de saída do PSB, soltou esta que jura ter ouvido de um socialista de carteirinha: “No partido, estamos no seguinte ponto: quem manda, não tem voto. E quem vota, não manda”.

De grão em grão…/ O senador Álvaro Dias (foto), do Podemos-PR, tem diversos grupos de WhatsApp completos com o nome “Álvaro Dias presidente”. Ali, assessores e o próprio parlamentar respondem diariamente a eleitores de todo o país, interessados em propostas para um futuro governo. O trabalho é quase de 24 horas.

Vem de cá/ Depois de conquistar o apoio do senador Fernando Collor, do PTC, o governador de Alagoas, Renan Filho, vai trabalhar para evitar uma tríplice aliança no palanque adversário em 2018 — do ministro do Turismo, Max Beltrão, com o dos Transportes, Mauricio Quintella, e o líder do PP, Arthur Lyra.

Deu a louca no PSDB

Publicado em Política

Se alguém tinha alguma esperança de pacificação no PSDB, pode esquecer. O partido está fraturado de um jeito que nem o “budista” Fernando Henrique Cardoso conseguirá colar os cacos. Está igual a uma casa que não tem sequer um can to arrumado.

Na Câmara, o grupo ligado ao presidente licenciado, Aécio Neves, se movimenta para tirar Ricardo Tripoli do comando da bancada.

Na Executiva Nacional, Tasso Jereissati, que sempre era visto como ponderado e cordato, agora, abre o verbo e ameaça largar o comando partidário, caso Aécio Neves não renuncie ao cargo de presidente do partido. Enquanto isso, o governador de Goiás, Marconi Perillo, recebe o prefeito de São Paulo, João Dória, e, juntos, defendem a permanência de Aécio.

Para completar, GEraldo Alckmin e João Dória jogam um truco eleitoral que ainda promete consumir muita energia dentro do partido. Na semana que vem, novos lances dessas crises fabricadas por eles mesmos, sem combinar com os eleitores.

Randolfe, os bancos e a segurança privada

Publicado em Política

Causou estranheza a defesa enfática que o Senador Randolfe Rodrigues (PSol-RR) fez aos bancos na Comissão que discute o novo Estatuto de Segurança Privada. A lei em discussão no Senado limita a atuação dos bancos em transportes de valores. Eles poderão transportar seus próprios valores, mas não poderão oferecer o serviço ao mercado. A regulamentação busca proteger a concorrência leal no setor ao impedir que os maiores clientes, os bancos, tenham poder abusivo sobre o preço praticado pelas empresas, usando inclusive a TB forte, da TecBan, a qual tem entre os acionistas os maiores bancos nacionais (Itaú Unibanco, Bradesco, Banco do Brasil e Caixa) e grandes bancos internacionais (Santander e Citi). A TB forte é hoje responsável pelo transporte de valores do Banco24H. Quem atua na área de segurança privada prefere que fique assim. Cada um no seu quadrado. Esse é um dos pontos nevrálgicos do estatuto que irá a votos em breve no Senado.

Resposta da TecBan

“Gostaríamos de informar que a TBForte, empresa de transporte de valor da TecBan, foi criada há 10 anos, possui hoje 5% de market share e emprega mais de 2.000 funcionários diretos. Mesmo tendo os bancos públicos e privados como acionistas, a TBForte atende atualmente apenas 3,17% das agências bancárias brasileiras e ressalta que não apoia a divisão de mercado ou protecionismo.

A TecBan também esclarece que a TBForte atua de forma ética, respeitando a legislação vigente e as regras de concorrência e de mercado estabelecidas. Acreditamos na livre participação de empresas nos diversos setores e a concorrência é um dos propulsores da eficiência do mercado, do desenvolvimento nacional e da redução de preços para população, beneficiando assim toda a sociedade. TecBan – Tecnologia

TecBan – Tecnologia Bancária S.A”

João Alberto apostará no arquvamento

Publicado em coluna Brasília-DF

Depois da devolução do exercício do mandato ao senador Aécio Neves (PSDB-MG), o presidente do Conselho de Ética, João Alberto Souza (PMDB-MA), pretende arquivar a nova denúncia contra o senador tucano no colegiado. “Estou esperando o plenário. Se ele preservar o mandato, não temos porque julgá-lo no conselho”, disse João Alberto à coluna antes de conhecido o resultado de 44 votos a favor de Aécio.

A intenção de João Alberto pelo arquivamento está diretamente ligada à proximidade da eleição. Ali, às vésperas do ano eleitoral, a ordem entre os parlamentares é deixar que os eleitores de Minas Gerais definam o que fazer em relação ao senador. Assim será com qualquer outro que seja levado ao Conselho de Ética.

Ficamos assim
Nos votos em favor de Aécio Neves prevaleceu a tese de que o Supremo Tribunal Federal (STF) não pode afastar um senador sem que ele sequer seja réu num processo. Como há mais de 150 parlamentares na mesma situação, entre senadores e deputados, a tendência daqui para frente é não aceitar medidas cautelares contra parlamentares. O caso de Aécio apenas puxou a fila.

Depois de Aécio…
A expectativa do governo com a devolução do mandato ao senador mAécio Neves (PSDB-MG) é reforçar o time para as votações sobre a denúncia contra o presidente Michel Temer. Tanto hoje, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, quanto na semana que vem, no plenário da Casa. A expectativa dos governistas gira em torno de 42 votos hoje na CCJ, a favor do relatório do deputado Bonifácio de Andrada (PSDB-MG).

O pulo do PSB
Os 12 deputados socialistas que assinam a carta pedindo a desfiliação do PSB só vão se considerar fora do partido se o presidente, Carlos Siqueira, entregar ainda hoje o aceite de todos eles. Ou seja, pode ser que dê tempo de dois dos votos favoráveis a Michel Temer registrarem o apoio hoje na CCJ.

‘’A vontade de prender Marcelo Miller é tão legítima quanto uma nota de três reais”
Do procurador Ângelo Goulart, referindo-se às ações de Rodrigo Janot contra o procurador que deixou o Ministério Público para trabalhar num escritório que atendia a JBS.

E o Uber, hein?
Os parlamentares vão ter de escolher entre os votos dos taxistas e os dos 17 milhões de usuários ativos só do Uber, um dos aplicativos da “carona” que deu o tom da economia colaborativa no Brasil, uma tendência mundial.

A carta ganhou/ Assim como Michel Temer, Aécio também mandou uma carta aos parlamentares. Funcionou.
( Luis Nova/Esp. CB/D.A Press)

Por falar em Aécio…/ Quando o senador Antonio Anastasia foi se inscrever para falar a favor de Aécio Neves, as cinco vagas já estavam preenchidas. Tasso Jereissati (foto), que preside o partido, não teve dúvidas: “Eu cedo a minha”. “Não, pode deixar”, respondeu Anastasia. Acabou que com a demora da abertura do painel de votação, tanto Anastasia quanto Tasso falaram em defesa do colega tucano.

Point/ O prefeito de São Paulo, João Doria, estava na sede da Frente Parlamentar da Agropecuária, uma casa em frente à de Heráclito Fortes, que recebia o presidente Michel Temer. A poucos quilômetros dali, no mesmo bairro, no Lago Sul, Aécio liderava as articulações para retomar seu mandato.

Baianos & goiana/ Os três votos da Bahia contra Aécio Neves já eram esperados. O que surpreendeu os tucanos foi o voto da senadora Lúcia Vânia (GO), hoje no PSB. Ela foi tucana por 20 anos, porém, ontem ficou com seu novo partido.

MP versus MP

Publicado em Política

“A vontade de prender Marcelo Miller era tão legítima quanto uma nota de R$ 3”. A frase foi dita hoje na CPI da JBS pelo procurador Ãngelo Goulart Villela, que ficou 77 dias preso preventivamente sob a acusação de levar R$ 50 mil para ajudar a JBS junto ao Ministério Público. “Se tinha alguém infiltrado para ajudar a JBS, esse alguém não era eu”, disse ele, sem citar o nome de Marcelo Miller, o procurador que deixou o Ministério Público para trabalhar num escritório que atendia a JBS. Villela acusou Janot de agir com o “fígado” em relação a ele, por causa da aproximação com a procuradora Raquel Dodge.”Janot agiu com fígado em relação a mim, porque se sentiu traído. Porque eu estaria me bandeando para o lado da arquirrival dele”, disse Villela, referindo-se à então candidata ao comando do MPF.

Os parlamentares ligados ao presidente Michel Temer saíram convencidos de que houve uma “conspiração politica” para “pegar” o presidente Michel Temer, embora Villela tenha deixado claro que não acredita em provas forjadas para incriminar o presidente da República. O procurador chegou a chorar mais para o final de seu depoimento, quando mencionou a “dor” de passar 77 dias preso e ver vizinhos e amigos que frequentavam a sua casa, simplesmente, não lhe darem sequer o benefício da dúvida. Ele colocou ainda em dúvida a forma como os procuradores tratam da delação premiada “Eu não tinha nada para delatar e não ia inventar nada para sair da prisão”, disse ele.

Villela reclamou ainda do chamado “recall”, ou seja, quando um delator fala de A, B e C e, mais à frente, as investigações encontram algo referente a um personagem D e ha uma nova chamada para que o delator fale sobre essa outra pessoa. “Nesse caso, o certo seria simplesmente anular a delação”, disse Villela.

O depoimento reforçou a visão de alguns parlamentares da CPI, de que é preciso pôs um freio nas delações que ocorrem depois que o sujeito é submetido à prisão preventiva. A ideia dos políticos é dizer que preso não pode delatar. A proposta, entretanto, é vista como algo do tipo “segura Geddel”, o ex-ministro que está preso e que teve R$ 51 milhões encontrados no apartamento em Salvador. Se um projeto desse tipo virar lei, o ex-ministro estará fadado a ficar na cadeia e a turma do Planalto, hoje preocupada com uma possível delação de Geddel, terá sonos mais tranquilos.

A semana da verdade

Publicado em Análise da semana

Passado o feriadão, os atores voltam ao campo para uma semana que promete dar uma clareada no conturbado quadro político. A largada desses dias tensos será hoje à noite, quando o PSB reúne quem manda no partido para decidir o destino dos dois deputados que votaram a favor de Michel Temer, quando da primeira denúncia, Danilo Forte e Fábio Garcia. Também estarão sob ameaça de expulsão a líder, Tereza Cristina, e o ministro de Minas e Energia, Fernando Filho. A ideia dos socialistas é se afastar de vez do governo. Se conseguirem, ficarão menores, uma vez que muitos parlamentares ameaçam sair. Uns porque não querem a influência do presidente do partido nas decisões da bancada. Outros, porque já estavam mesmo arrumando as malas e vão aproveitar a onda.

O quadro de divisão do PSB se repete em outros partidos que têm decisões importantes a tomar em breve. Na terça-feira, a situação do PSDB, por exemplo, deverá ficar um pouco mais clara, com a votação do caso Aécio Neves no plenário da Câmara. A votação, nos conta o presidente em exercício do Senado, Cássio Cunha Lima, será aberta. Ninguém se mostra disposto a passar por um desgaste em defesa do voto secreto. E o PSDB não planeja insistir, até porque no caso do senador Delcídio Amaral, o próprio Cássio pregou o voto aberto. Agora, não fará diferente.

Passada a linhagem dos tucanos, teremos, na quarta-feira, 18, a votação da denúncia contra o presidente Michel Temer, na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara. Daí, a carta que o presidente enviou hoje a todos os parlamentares, no sentido de pôr um freio nos efeitos da delação do doleiro Lúcio Funaro sobre o voto dos deputados, em especial, quando o assunto chegar no plenário da Câmara, a partir da semana que vem. Temer, além de dizer que é vítima de uma conspiração para tirá-lo do poder, elenca os resultados de seu governo na economia em comparação com os da ex-presidente Dilma Rousseff. Uma forma de dizer aos parlamentares que mudar de presidente agora não seria vantajoso para o Brasil. (leia íntegra abaixo).

A carta é um sinal de que o Planalto está preocupado e resolveu reagir. O presidente dá claros sinais de que não ficará apático, vendo a perspectiva de redução dos votos favoráveis no plenário. Vai trabalhar para que tenha, no mínimo, os mesmos 263 registrados na primeira votação. É por aí que vai girar o bastidor da política até o dia da votação no plenário da Câmara, prevista para 24 de outubro.

Para completar, teremos ainda a cidade lotada de prefeitos, atrás da última semana de prazo para apresentação das emendas ao Orçamento do ano eleitoral, 2018.

A temperatura, no clima e na politica, não dá sinais de viés de baixa.

A Carta de Michel Temer aos parlamentares:

Carta PR Michel Temer (1)

Não conte com eles

Publicado em coluna Brasília-DF

O PT não pretende votar a favor do retorno do senador Aécio Neves ao exercício do mandato. Depois de acompanharem com uma lupa a decisão do Supremo Tribunal Federal, que colocou as medidas cautelares para análise no Congresso Nacional, os petistas querem tirar a questão institucional de cena e analisar o mérito do processo contra o senador do PSDB. Algo parecido com o que fez o ministro Luís Roberto Barroso, um voto que gerou inclusive uma nota da defesa de Aécio. É o PT colocando de volta à cena a tentativa de desgastar ainda mais um dos partidos adversários no caminho de 2018.

Nessa brecha de enfrentamento com o PSDB, o PT planeja ainda cobrar a abertura de processo contra Aécio no Conselho de Ética do Senado. A reação da base será imediata. A julgar pelo que os políticos estão comentando nos bastidores, a confusão está só no começo. Vem aí uma guerra de pedidos no Conselho.

Conte com eles
As contas da base do governo indicam que Aécio Neves pode prescindir do PT para recuperar o direito de exercer o mandato. A base aliada, se continuar unida, terá condições de salvar Aécio no Senado da mesma forma que segurará Michel Temer na Câmara. Aliás, Aécio e seus aliados aproveitam esses dias de feriadão para expor aos demais senadores que foi uma “injustiça” tirar o mandato de um senador por medida cautelar e só agora, 16 dias depois, decidir que tem que passar pelo Senado. A esperança do grupo é a de que o senador possa exercer o mandato, até para se defender no Conselho de Ética.

Mistério
Os parlamentares que tomaram o depoimento do advogado Willer Thomaz essa semana na CPI da JBS ficaram estarrecidos. O advogado ficou preso 78 dias e não foi ouvido pelas autoridades todo esse período. A suspeita é a de que não foi ouvido para não expor o Ministério Público.

Calcanhar de Lula
Os petistas que ainda têm esperanças de ver Lula na corrida presidencial do ano que vem começaram a coletar de dados para tentar responder por que o PT, em 13 anos de poder, não resolveu determinados problemas do país. A lista é encabeçada pela corrupção.

Êxodo
Socialistas calculam que algo em torno de 15 dos 36 deputados do PSB planejam deixar o partido, caso haja a expulsão da líder, Tereza Cristina. É o grupo que, junto com a líder, chegou ao PSB atendendo a um convite de Eduardo Campos, num projeto alternativo à polarização PT-PSDB. Desde a morte de Eduardo, o grupo vem perdendo espaço entre os socialistas.

CURTIDAS

Os trabalhos de Arruda/ Empenhado em fazer da mulher, Flávia (foto), deputada federal, o ex-senador e ex-governador José Roberto Arruda (PTB) tem conversado com vários pré-candidatos a governador do Distrito Federal. O último representante do PTB do DF no Parlamento foi o senador Gim Argello, hoje “inquilino” do sistema carcerário em Curitiba.

Climão entre torcidas/ Aliados de João Dória disseram que as vaias no santuário de Nsa Sra Aparecida ontem mostram que o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, não está com essa bola toda. Os de Geraldo, entretanto, respondem que Dória só não foi alvo das vaias, porque, “como sempre, estava viajando”.

Assédio eleitoral/ Acostumada a frequentar supermercados e feiras em Brasília, a senadora Ana Amélia Lemos (PP_RS) tem sido abordada por cidadãos pedindo que ela se candidate a presidente da República., Ana Amélia sorri e avisa: “Sou candidata à reeleição para o Senado no Rio de Grande do Sul”.

Faz sentido/ Aliados do presidente Michel Temer se apressaram nos últimos dias em desmentir que ele tenha qualquer problema de saúde grave: “Se fosse algo grave, doutor Kalil não deixaria o Michel sair do hospital”, disse o deputado Beto Mansur.

Primeiro, acalmar a “onça”

Publicado em coluna Brasília-DF

O presidente Michel Temer vai dar um tempo na edição de medidas provisórias, inclusive a que se refere ao aumento do PIS/Cofins, em estudo pela área econômica do governo. Tudo para não melindrar ainda mais o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, que esta semana reclamou do fato de o governo ter esvaziado o plenário da Casa, justamente no momento em que estava em pauta o acordo de leniência dos bancos.

Quanto ao aumento de imposto, a decisão do presidente vem em boa hora. Afinal, o presidente da Câmara, além de irritado com as idas e vindas do governo em relação às medidas provisórias de um modo geral, integra o partido que mais combateu o aumento de impostos nos governos petistas. Há quem diga que Maia não admitiria uma medida provisória sobre esse tema.

Não colou

Senadores passaram a tarde ligados na TV Justiça, torcendo para que os ministros do Senado colocassem as medidas cautelares como algo a ser resolvido pelo “Senado” e não pelo “plenário”. Assim, eles teriam condições de tentar deixar a Mesa Diretora decidir numa canetada.

Vaca no brejo

Todo o esforço do presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, em tentar aprovar a medida provisória 784, que trata de acordos de leniência de bancos, era para evitar que grandes instituições financeiras fossem atingidas pela delação do ex-ministro da Fazenda, Antonio Palocci. Agora vai ficar difícil.

Guerra socialista I

O governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg, e o vice-governador de São Paulo, Márcio França, foram surpreendidos com a decisão do presidente do PSB, Carlos Siqueira, de convocar uma reunião de cúpula para segunda-feira, 16 de outubro, apenas para expulsar a líder da bancada, Teresa Cristina, e os deputados Danilo Forte e Fábio Garcia. Todos votaram a favor de Michel Temer na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) quando da primeira denúncia.

Guerra socialista II

A intenção de Siqueira é colocar na CCJ deputados favoráveis ao afastamento do presidente Michel Temer. Teresa resiste a trocar os dois deputados. Por isso, Siqueira quer expulsar todos sumariamente, antes mesmo da reunião do partido que tratará do assunto, na terça-feira. Rollemberg e Márcio França entraram no circuito para tentar evitar o confronto na segunda-feira.

Guerra socialista III

No caso de Danilo Forte, Siqueira vai ter que aguardar, porque o caso dele está sob análise da Justiça, uma vez que há uma liminar suspendendo qualquer decisão partidária contra o deputado até que o pleno analise a intervenção no diretório do PSB no Ceará.

CB.Poder/ Em entrevista ao programa CB.Poder, na TV Brasília, o ministro da Justiça, Torquato Jardim, disse que a reforma política foi positiva, porém, sobrou muita coisa para o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), inclusive a distribuição dos recursos do fundo partidário dentro de cada
partido. Veja a íntegra em www.correiobraziliense.com.br

Cofres vazios/ Parlamentares estiveram esta semana com o ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, para sentir como está o clima para as emendas de 2018. Ouviram que o governo precisa urgentemente de mais recursos e cobranças sobre a reforma da Previdência.

Fulanizar para quê?/ O voto do ministro Luiz Roberto Barroso (foto) foi o que mais irritou os aliados do senador Aécio Neves. Afinal, a ação direta de inconstitucionalidade em julgamento ontem não era sobre o senador, e sim a tese de uso de medida cautelar para afastar parlamentar do mandato.

12 de outubro/ Que Nossa Senhora Aparecida proteja nossas crianças. Bom feriado a todos!

Jurisprudência política

Publicado em coluna Brasília-DF

Desconfiados de que o Supremo Tribunal Federal jogará hoje no colo do Senado a decisão final sobre o destino de Aécio Neves, senadores começam a se mobilizar no sentido de pedir ao presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), que resolva o caso no âmbito da Mesa Diretora. Esse recurso foi utilizado no ano passado, quando o ministro Marco Aurélio Mello determinou que Renan Calheiros fosse afastado da Presidência da Casa. A Mesa Diretora descumpriu a liminar do ministro Marco Aurélio e Renan continuou no comando do Senado.
» » »

A ideia dos senadores que defendem essa saída é tratar o caso de forma institucional, dando à Mesa Diretora o protagonismo de dizer aos ministros do STF que qualquer medida cautelar contra senador será tratada da mesma forma. Assim, em vez de votar o caso Aécio no plenário, expondo todos, a Mesa, eleita pelos senadores, restauraria a separação entre os Poderes, sem “fulanizar” e ainda evitaria que qualquer outro senador passasse pelo mesmo constrangimento. Integrantes da Mesa Diretora ainda não disse se aceitará o papel. Preferem esperar o que vem do STF hoje à tarde.

Na geladeira
Se depender dos partidos do chamado Centrão, o gabinete do ministro da Secretaria de Governo, Antonio Imbassahy, ficará às moscas. Essa turma agora trata das emendas ao Orçamento diretamente com o ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, e com o senador Romero Jucá (PMDB-RR). Com Jucá no estaleiro, a agenda de Dyogo está tão cheia quanto a de Michel Temer.

Maia versus Temer
Pronto. Era o que faltava. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), praticamente acusou o presidente Michel Temer de priorizar a leitura do parecer em defesa do seu mandato e, com isso, comprometer a votação de uma Medida Provisória defendida pelo presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn.

“Sérgio Machado tem que ir para a cadeia, igualzinho os irmãos Batista”
Do senador Valdir Raupp (PMDB-RO), que também se viu enroscado nas denúncias do ex-presidente da Transpetro, a maioria não comprovada pelas investigações

Deixa quieto
Em reunião ontem, o Democratas decidiu congelar a proposta para mudança de nome. “Primeiro, temos que resolver o quadro dos estados, construir um programa. Essa troca de nome não é prioridade”,comenta o líder José
Agripino (RN).

Apostas/ Os parlamentares começaram a fazer um bolão sobre o que o STF decidirá em relação a Aécio Neves. Desistiram, porque todos apostam em 6 a 5 em favor de o Senado dar a última palavra sobre afastamento e recolhimento noturno de senadores.

Me erra…/ O deputado Paulo Maluf (PP-SP) nem piscou quando um repórter foi lhe perguntar o que ele achava da decisão da primeira turma do STF, que mantiveram a condenação por lavagem de dinheiro. Olhou fixo para a frente e seguiu, fingindo que não era com ele.

Por falar em condenação…/ José Dirceu (foto) disse numa festa dia desses em Brasília que está pronto para voltar à cadeia. Porém, acha que ainda consegue um tempo bom de liberdade para curtir a filha mais nova.

E o Lula, hein?/ No Congresso não há mais dúvidas: Se ex-presidente não conseguir comprovar a autenticidade dos recibos de aluguel do apartamento vizinho ao seu, em São Bernardo do Campo (SP), vai ser difícil escapar dessa. Há quem esteja se referindo às cópias apresentadas pela defesa de Lula ao juiz Sérgio Moro como uma nova operação aloprada.