Terceirização respinga no ajuste fiscal

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Vai sobrar para o ajuste

A guerra entre a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e a Força Sindical, do deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força, em torno da terceirização promete atrapalhar a votação do ajuste fiscal no Congresso. É que a CUT, que é contra a terceirização, vem sendo pressionada pela Força a assumir um discurso cada vez mais aguerrido contra o pacote fiscal do governo. E a Força, que é a favor da terceirização, acusa os cutistas de defenderem o governo Dilma e as

medidas do ajuste.

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Moral da história: para não perder filiados, todos devem terminar contra o pacote fiscal. Pior para o governo.

Antes que o mar vire sertão…

O Rio São Francisco pode secar. Por isso, hoje, por sugestão do senador Otto Alencar (PSD-BA), a presidente Dilma Rousseff vai reunir uma batelada de ministros, incluindo o da Defesa, Jaques Wagner, para discutir a recuperação dos mananciais.

…Ou o governo acabe

A presença de Wagner transforma o tema em assunto de segurança nacional, porque, do jeito que está a situação, talvez não haja sequer água para transpor mais à frente. Os assessores da presidente consideram que é uma chance de colocar o Planalto longe da crise política. “Finalmente uma pauta do bem. Aqui só entra problema, esse é grave, mas é possível agir e buscar solução”, comentou um palaciano.

Os contras do Pros

Em busca de um grande partido que lhes garanta tempo de televisão, o ex-governador do Ceará Cid Gomes e seu irmão Ciro estão com dificuldades de encontrar um porto. No PDT, está hoje Heitor Férrer, principal adversário do prefeito de Fortaleza, Roberto Claudio, aliado de Cid. No PSB, as portas estão fechadas. A família e os fiéis escudeiros de Eduardo Campos não desejam o retorno dos Ferreira Gomes ao partido.

As loiras

A ideia dos socialistas é filiar a ex-prefeita de Fortaleza Luizianne Lins, nos mesmos moldes em que já está sendo tratado o ingresso da senadora Marta Suplicy em São Paulo. As duas petistas não terão legenda do atual partido para concorrer à prefeitura no ano que vem.

CURTIDAS   

É logo mais/ O ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes promete devolver ainda este semestre o processo sobre as doações de empresas para partidos políticos, mas, conforme seus amigos, ele dificilmente será a favor de exterminar esse tipo de doação.

É hoje/ A oposição passou todo o dia esperando o anúncio do balanço da Petrobras para empreender um discurso contra o governo e reforçar a imagem de má gestão de Dilma Rousseff. Na Câmara, ainda havia sessão, mas a carga maior será jogada hoje, na CPI da Petrobras.

Multitemático/ Quem estará hoje no Congresso é o ex-ministro da Defesa e da Justiça Nelson Jobim. Não, ele não vai discutir a reforma política. Falará sobre a revisão do pacto federativo. Plenário 11, às 10h.

A voz da experiência/ Recuperado de uma cirurgia delicada no cérebro, o senador Jader Barbalho conversava ontem animadamente com amigos, quando saiu com esta: “Na atual conjuntura, uma semana é longo prazo”. Faz sentido.

CARGOS LIBERADOS

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Dilma e Temer liberam os cargos
Começa hoje a distribuição dos cargos de segundo escalão do governo Dilma Rousseff. Só que nem tudo será exatamente do jeitinho que deputados e senadores pediram. Em vez de discutir por partido, a partilha dos postos de comando será por estado. Hoje, sairão as nomeações dos cargos para Piauí, Goiás e Sergipe. O critério de escolha, obviamente, é porque ali há menos forças brigando por direções regionais, tais como o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) ou o Departamento Nacional de Produção  Mineral (DNPM).

Vai sobrar…
A produção de cartazes com fotos de parlamentares que votaram a favor da terceirização como “traidores do trabalhador” fará o Planalto perder muitos votos em propostas futuras. A ideia foi da CUT, mas deputados petistas chancelaram a iniciativa, irritando os aliados.

…Pro ajuste
Agora, com o ajuste fiscal mais próximo de entrar em pauta, há grupos se mobilizando para votar contra a proposta, como uma espécie de vingança. Afinal, dizem alguns, se o projeto é do governo, o PT não terá como votar contra. A ordem é expor o PT como um partido que “tira benefícios dos trabalhadores”. Cuide-se, Joaquim Levy!

Simbologia de ontem
O fato de Renan Calheiros nomear Vinícius Lages ontem mesmo como seu chefe de gabinete deixou os peemedebistas com a certeza de que o presidente do Senado não gostou de ver o aliado sair para dar a vaga a Henrique Eduardo Alves. Não há, no momento, nada capaz de satisfazer o senador politicamente.

Simbologia de amanhã
Depois de engavetar as CPIs contra o governo no Senado, o vice-presidente Michel Temer terá que se virar para aprovar o nome de Luiz Fachin para o Supremo Tribunal Federal. Por mais currículo que o jurista tenha, há quem diga que será aí o troco dos senadores do PMDB contra o governo. Querem mostrar que Renan ali comanda mais do que o próprio Temer.

Sintoma & cura
A equipe do Ministério do Turismo aplaudiu muito mais Vinícius Lages do que Henrique Eduardo Alves. Sinal de que o ex-deputado, além do PMDB, terá que conquistar aqueles que ajudaram Lages a consolidar uma boa imagem da pasta.

Script trocado
O PT está mobilizado para acompanhar hoje o depoimento de João Vaccari Neto dentro da Lava-Jato. A expectativa é de que ele mantenha o mesmo ritmo da CPI da Petrobras. Ocorre que, ao que tudo indica, não será nas doações que os investigadores concentrarão as perguntas e sim nos recursos destinados às gráficas.

CURTIDAS   

Entendeu?/ Na homenagem aos povos indígenas no Senado, a turma da taquigrafia ficou atônita quando José Frederico, líder indígena, começou a falar tupi-guarani na tribuna da Casa. “Fiz questão de falar na minha língua. Mesmo falando grego, dá para o senhor entender, né, presidente?”, afirmou, referindo-se a João Capiberibe (PSB-AP).

Íntimo/ José Frederico, lá pelas tantas em seu discurso, reclamando que a segurança lhe cobrara o uso de gravata, citou o senador Telmário Mota (PDT-RR): “Viu senador, é Mário, né? Pois é, seu Mário, continue assim, humilde, do jeito que o senhor é!”

A fúria/ O líder do PSD, Rogério Rosso, está furioso com a deputada Érika Kokay (PT-DF), que lhe apresentou num cartaz como traidor dos trabalhadores por votar favoravelmente à terceirização. O mesmo vale para Fernando Monteiro e o PT de Pernambuco. Se dois deputados tão cordatos estão assim, imagine, leitor, aqueles mais esquentados.

Por falar em PT…/ Havia pouquíssimos representantes do PT na posse de Henrique Eduardo Alves como ministro do Turismo. Passaram por lá menos de 10 deputados. Sinal de afastamento entre petistas e peemedebistas.    

Difícil passar

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Conversas, votos & processos

Dilma Rousseff pode até ter consultado o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), sobre o nome do jurista Luiz Edson Fachin para ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), mas, ainda assim, não garantiu todos os votos do PMDB para chancelar um advogado com laços na Central Única dos Trabalhadores (CUT) e com o próprio PT.

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Há quem afirme que o coordenador Michel Temer terá todo o trabalho do mundo para fazer valer a indicação entre os peemedebistas, além de Renan. Talvez, o senador tenha apresentado ao governo uma mercadoria que não conseguirá entregar.

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Temer contará, entretanto, com todos aqueles que sentiram um frio na barriga quando da divulgação da lista de políticos enroscados na Lava-Jato. Ninguém que integra a lista se mostra disposto a enfrentar o governo.

Pânico no Texas

Funcionários da Petrobras America Inc. em Houston (Texas) relataram aos superiores no Brasil terem recebido, na quinta-feira, uma “visita” de agentes federais americanos, em que computadores e até telefones celulares teriam sido apreendidos. O tema é tratado no mais absoluto sigilo.

Nem que a vaca tussa

Quem quiser reclamar, como tem feito o prefeito de Canoas (RS), Jairo Jorge (PT), que o faça. Mas o Partido dos Trabalhadores não dispensará o tesoureiro da sigla, João Vaccari Neto. Afastá-lo da função, avaliam alguns, não tiraria o PT da situação de “perseguição” que o partido vive hoje.

Olho no lance!

Os petistas não acreditam que vingue, mas monitoram com lupa a perspectiva de o PSDB apresentar um pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Se os tucanos seguirem essa linha, muitos políticos, do governo e da oposição, acreditam que correrão o risco de dividir ainda mais o país num momento em que os brasileiros foram às ruas em menor número.

Por falar em impeachment…

Alguns tucanos são diretos ao afirmar que o partido também está dividido em relação ao impeachment por um simples motivo: seria sair da presidente Dilma e cair no colo de uma guerra interna no PMDB, na qual Renan Calheiros e Eduardo Cunha duelam em busca do poder, com Michel Temer no meio desse fogo cruzado. Melhor esperar mais alguns capítulos para ver que rumo tomará essa novela.

Se vale para uns…/ Reconduzido à presidência do PP, o senador Ciro Nogueira (foto) pretende, agora, saber do governo o que será feito dos cargos de segundo escalão na Integração Nacional. Passados quase quatro meses da posse de Dilma, ninguém foi chamado para conversar sobre o tema.

…Tem que valer para todos/ Embora o PP seja o partido com mais parlamentares enroscados no petrolão, os pepistas querem ser tratados da mesma forma que os petistas tratam Joao Vaccari Neto: com presunção de inocência.

CPI, só na Câmara/ O deputado Júlio Delgado (PSB-MG) aproveitou a presença maciça de deputados na sessão de ontem para levar avante o pedido da CPI do BNDES na Casa. “Diante da indisposição do Senado, foi o que me restou”, disse ele, revoltado com a decisão dos senadores do PSB de retirar as assinaturas do pedido de CPI Mista para investigar os empréstimos do banco.

“Não sou investigador!”/ Enquanto Delgado corre atrás da CPI, o senador João Capiberibe (PSB-AP) é direto: “Queriam instalar sete CPIs! Não é possível parar o Senado. O Ministério Público que faça esse trabalho”, afirmou.

Pesos-pesados/ Renan Calheiros diz que não tem pressa para votar a proposta que regulamenta a terceirização. Eduardo Cunha tem. Para bons entendedores, esta é senha: os dois estão em guerra de poder. E Renan está mais aliado ao governo, leia-se Michel Temer, do que Eduardo.

MICHEL EM TESTE

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Prova de fogo

O vice-presidente Michel Temer tem nesta semana sem feriados seu primeiro grande desafio no plenário da Câmara: deixar que o projeto da terceirização seja aprovado sem comprometer a receita da União. O relator, Arthur Maia (BA), não acolheu a proposta da Receita Federal que visava manter a arrecadação de impostos no mesmo nível. Agora, se Michel falhar, caberá ao Poder Executivo dar o velho jeitinho de suprimir artigos que tratam do recolhimento do INSS na fonte, ou seja, pela empresa contratante na hora do pagamento dos serviços prestados. Esse é um dos temas que entrará na conversa de Temer com as bancadas a partir desta semana. A primeira será a do PMDB.

Vem mais

Há na política quem considere que outras empresas de publicidade vão se unir à Borghi/Lowe que surgiu na Lava-Jato como uma das usadas para desviar recursos. Na temporada do mensalão, também foi essa área que terminou enroscada.

Tudo pelo avesso…

A mudança do cenário político tira o sono daqueles que apostaram numa Dilma Rousseff fortalecida e dando as cartas. Agora, dizem alguns, quem dá o tom político é o PMDB. Até onde a vista alcança, 

ou seja, a curto prazo, esse quadro não mudará.

… ,mas nem tudo perdido

No conselho político do governo ontem, todos respiraram meio aliviados com a redução do número de manifestantes nas ruas no último domingo. Acham que amorteceram o eco pró-impeachment, 

mas estão anos-luz de estancar qualquer crise.

A mãozinha de Dilma

Entre os conselhos de aliados para que ficasse longe do projeto de redução da maioridade penal e a insistência do PT em angariar votos nos movimentos sociais, Dilma ajudou seu partido. Ao se manifestar contra a proposta, recebeu elogios de setores da Igreja e dos movimentos eclesiais de base.

Eduardo Cunha na roda

Muitos políticos veem no projeto Câmara Itinerante do presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), um certo tom de campanha eleitoral. Vai, no mínimo, se tornar conhecido. O primeiro passo para quem porventura deseje concorrer à Presidência da República, o sonho de 10 em cada 10 políticos, embora de cada 10, nove neguem almejar uma candidatura.

CURTIDAS    

Castelinho/ O jornalista Carlos Marchi lança hoje à noite, no Carpe Diem da 104 Sul, o livro Todo aquele imenso mar de liberdade — a dura vida do jornalista Carlos Castello Branco, a biografia de Castelinho. Leitura obrigatória para quem gosta de política.

Uma aula…/ O deputado Adilton Sachetti (PSB-MT) contratou um consultor para ensinar os funcionários a economizar os recursos da verba de gabinete. Os servidores passaram o fim de semana no curso.

…De economia/ Sachetti, em primeiro mandato, estipulou uma meta para os gastos. Não podem ultrapassar R$ 25 mil. A cota é R$ 39 mil. O contribuinte agradece.

Homenagem a Brasília/ A sessão solene para marcar o aniversário da capital do país está marcada para a tarde de sexta-feira 17 de abril. É que, com o feriado na terça-feira, a maioria dos congressistas deve enforcar a segunda. 

A vez dos políticos

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Demorou, mas a Operação Lava-Jato desaguou nos políticos. Com os três ex-parlamentares presos (André Vargas, do PT; Pedro Corrêa, do PP e Luiz Argôlo, do SDD), aqueles que têm mandato começam a ficar mais preocupados. Muitos deles sabem que, mais cedo ou mais tarde, terão o mesmo destino.

  O que mais preocupa alguns personagens, segundo advogados, é a paciência dos procuradores que, aos poucos, vão montando o quebra-cabeça. Vargas surgiu pela primeira vez no noticiário suspeito de envolvimento com o doleiro com Alberto Yousseff em abril do ano passado. Apenas agora, um ano depois, Vargas é preso.O mesmo vale para Luiz Argôlo e Pedro Correa, também citados no ano passado. Quanto ao pepista, um detalhe: Ele deixou de ser réu primário, uma vez que foi condenado no processo do mensalão e cumpre a pena em prisão domiciliar. Aqueles que, como Corrêa, foram condenados em outros processos são os mais preocupados. Não é para menos.

Renan fecha com Michel, Eduardo Cunha ainda não

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Câmara é Cunha, Senado é Michel

Michel Temer mal havia se sentado na cadeira de coordenador político do governo quando os petistas comentavam em conversas reservadas ainda na noite de terça-feira que a Câmara não dará trégua ao Planalto. Leia-se Eduardo Cunha, o mais recente filiado ao grupo de alto comando peemedebista. Ao longo dos próximos dias, Cunha pretende mostrar que o vice-presidente da República é bom, mas não é Deus. A PEC de redução do número de ministérios foi só uma amostra. No Senado, Renan Calheiros, por sua vez, pareceu mais cordato. Deixou, por exemplo, correr frouxa a leitura da CPI do BNDES, dando tempo de que alguns retirassem as assinaturas, conforme divulgado ontem.

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Vem por aí a nova temporada Câmara versus Senado dentro do PMDB. Temer, que de bobo não tem nada, já chamou a bancada da Câmara para uma reunião. Ele sabe que os deputados hoje atendem muito mais ao comando de Eduardo Cunha do que ao do governo ou dos líderes partidários. Esse parece ser hoje o maior desafio de Michel.

E uma das últimas marcas…

Mal o governo acerta um novo coordenador político e já vem ministro irritando a presidente Dilma Rousseff. Ontem, no Senado, o ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, provocou ira em alguns dilmistas ao mencionar a necessidade de adquirir a coragem de revisitar o sistema de partilha na exploração de petróleo do pré-sal.

…Balança

Há dois dias, Dilma disse com todas as letras que o sistema de partilha da produção (e não o de concessão) é o acertado porque deixa a riqueza na mão do Estado. Para quem já perdeu o discurso dos juros baixos, da conta de luz mais barata e das casas mais mobiliadas, era só o que faltava. No Planalto, há quem assegure que, nesse quesito, não dá para abrir mão, ainda que a Petrobras esteja enfrentando problemas.

“O articulador do governo precisa ser um negociador de sequestro. É sujeito que fala com todo mundo: com o sequestrado, com a polícia, com a mãe do sequestrador, com o sequestrador e ainda leva o dinheiro do resgate”

Magno Malta (PR-ES), senador

E o Vaccari, hein?

Vencida a disputa interna sobre ir ou não à CPI da Petrobras, o tesoureiro petista João Vaccari Neto corre o risco de ouvir poucas e boas se tentar enfrentar os deputados ou constrangê-los citando doações de campanha. O deputado Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA), por exemplo, está pronto para dizer que denunciado, ali, só Vaccari.

CURTIDAS   

E o salário, ó…/ Mozart Viana vai para o governo, ok, mas há quem diga que terá trabalhar de graça. A aposentadoria que ele recebe do Poder Legislativo não permite a acumulação.

Arquivo morto/ Os peemedebistas se deslocavam da mesa de jantar para a outra sala no Jaburu quando, de repente, o líder do PMDB no Senado, Eunício Oliveira, olha para a imensa arca de madeira encostada na parede e não se contém: “Aqui, Michel vai guardar os currículos”. Foi uma risada geral. Só mesmo um móvel daquele tamanho para Michel Temer guardar as pastas com as qualificações de cada interessado ou indicado aos cargos de segundo escalão.

Queridinho?/ O deputado Fernando Marroni (PT-RS) viveu seus minutos de fama no lançamento do livro de João Paulo Cunha com reflexões sobre a temporada na Papuda por causa da condenação no processo do mensalão. “Pô, o Pepe (Vargas) vai para o lugar da Ideli (Secretaria de Direitos Humanos) só para você não deixar de ser deputado.” Marroni é suplente de Pepe na Câmara.

Por falar em lançamento…/ O PT prestigiou seu ex-parlamentar. Mais de 400 livros foram vendidos na noite de autógrafos em Brasília. Por lá, passaram vários integrantes do partido dos áureos tempos do governo Lula, inclusive Professor Luizinho. Já a turma enroscada no petrolão preferiu ficar distante. Alguns, especialmente de outros partidos, receberam convites em mãos e alegaram outros compromissos.

Dilma e o PMDB

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E o abacaxi vai para…

Os peemedebistas lavam as mãos para o fato de a presidente Dilma Rousseff oferecer a Secretaria de Relações Institucionais ao ministro da Aviação Civil, Eliseu Padilha. Primeiro porque, pelo andar da carruagem no parlamento, corre o risco de o ministro da SRI, sendo do PMDB, terminar derrotado pelo próprio partido. A confusão não vai passar colocando a legenda na SRI, especialmente, porque o PMDB continua desconfiado de que Aloizio Mercadante não está totalmente afastado das articulações políticas.

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Dilma, entretanto, quer mais comprometimento do PMDB com o governo. Parte da bancada da Câmara, embora diga que não deseja ministério, garante que Dilma havia acenado com uma vaga no primeiro escalão — especificamente no Turismo, para o ex-deputado Henrique Eduardo Alves. Até agora, a nomeação não saiu e a equação Câmara-Senado está desequilibrada. Os deputados têm duas vagas — Portos e Aviação Civil — enquanto só senadores têm quatro — Agricultura, Minas e Energia, Pesca e Turismo. O que os deputados não esperavam era o abacaxi da SRI, onde não há caneta nem verbas. 

O “X” de Renan

Aliados de Renan Calheiros juram que o problema maior do presidente do Senado não é perder o Ministério do Turismo. É não ter sido chamado a dar seu parecer sobre as pastas entregues ao partido no Senado, leia-se Kátia Abreu, para Agricultura; Eduardo Braga, para Minas e Energia; e Helder Barbalho, para Pesca.

Por falar em segundo escalão…

O PR resiste a indicar outro nome ao Dnit. O do ex-deputado Luciano Castro está há mais de um mês nas mãos do ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, com todas as certidões negativas. Ou seja, na avaliação do PR, só falta nomear.

Ser ou não ser

João Vaccari Neto está numa saia justa: ele havia comentado para alguns integrantes do partido que não planejava comparecer à CPI. Seu advogado mandou que fosse e se defendesse. Ocorre que, agora, o partido não quer que Vaccari faça marola por ali, às vésperas da manifestação de rua convocada para o dia 12.

Terceirização no STF

A ação que os sindicatos deram entrada corre o risco de ficar que nem a reforma política. Só ser avaliada depois que o Congresso decidir sobre o tema. O projeto estará em pauta na Câmara esta semana e, se for aprovado, é bem provável que os sindicatos tenham problemas em ver passar a ação no STF. 

CURTIDAS    

Melô do PMDB/ O que mais irrita os peemedebistas é se sentirem que nem a música que ficou famosa na voz de Adriana Calcanhoto: “Futebol sem bola, Piu-piu sem Frajola, sou eu assim sem você…” No caso do PMDB, a rima deixa a desejar: “Aviação Civil sem Infraero; Agricultura sem Conab; Minas e Energia sem Eletrobras…” É, pois é.

Dilma e os líderes/ A presidente convidou todos os presidentes de partido e líderes hoje à tarde para discutir o ajuste fiscal e medidas de promoção da competitividade na indústria. É nesses encontros que dá seus recados políticos gerais.

 

Prêmio República/ O presidente da Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), Alexandre Camanho, deu a largada para a terceira edição dessa premiação, voltada para ações de promoção da Justiça, de defesa do estado democrático de direito e dos direitos do cidadão. A premiada ONG Escola de Gente — Comunicação em Inclusão, da jornalista Cláudia Werneck, é parceira da iniciativa. A entrega do prêmio será em 5 de maio em Brasília.

Rollemberg e os 100/ A ordem do governador do Distrito Federal é preparar várias ações na área de saúde para a marca dos 100 dias. Ele planeja ainda ir às ruas praticamente todos os dias para verificar estoques de hospitais, visitar obras, rodoviárias, pontos de ônibus, ou seja conversar com os cidadãos.  

 

Sem pedido, sem ministério

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Henrique está só
 
Em conversas reservadas, ministros e aliados da presidente Dilma Rousseff afirmam que Henrique Eduardo Alves ainda não virou ministro porque, oficialmente, o que tem chegado aos ouvidos da presidente é que o PMDB não quer cargos. Eduardo Cunha, presidente da Câmara, repete insistentemente que não deseja vagas no governo. O mesmo dizem outros integrantes da bancada na Câmara, onde Henrique passou os últimos 40 anos. Os senadores também não se movimentam.

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No geral, é assim que a banda toca no governo: quem se descola às vezes recebe. Quem pede nem sempre tem preferência. Quando os interessados não se movimentam aí é que não sai nada mesmo. Se ninguém pedir por Henrique, ele não será ministro.

 
Não tem milagre…
 
Os petistas estão convencidos de que a recuperação do partido passa por três pilares: 1) Dilma governar de olho na recuperação da economia e delegar todo o resto; 2) Renovar o discurso partidário com prioridade à proteção do salário e da renda; 3) Evitar que Luiz Inácio Lula da Silva vá para o ralo com aqueles enroscados na Operação Lava-Jato. É por aí.
 
…Nem tucano
 
A aposta geral do partido de Lula, revelada apenas nas rodas mais fechadas, é a de que o PSDB não conseguirá ser o protagonista da eleição de 2018. Eles calculam que virá uma nova força, mais conservadora. Quem será ainda é uma incógnita para os lulistas.
 
BNDES na CPI
 
O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, foi convocado para depor na CPI da Petrobras na semana que vem. A Comissão quer ouvi-lo sobre financiamentos a empresas ligadas à Sete Brasil e, ainda, sobre os pagamentos das empreiteiras. Há notícias de que está tudo em atraso.
 
Esquecidos
 
Os integrantes da CPI da Petrobras até agora não marcaram os depoimentos daqueles parlamentares investigados pelo Supremo Tribunal Federal por suspeita de receber dinheiro desviado pelo esquema da Lava-Jato. A ordem é esperar passar a onda de manifestações em 12 de abril.
 
Lembrados
 
A toada para esta semana será deixar o desgaste maior na conta do governo e do PT, com o depoimento de João Vaccari Neto e as pressões para que Erenice Guerra, ex-assessora de Dilma, seja convocada ao Congresso para explicar seus laços com o escândalo desvendado pela Operação Zelotes no Conselho de Administração de Recursos Fiscais (Carf).
 
Semana nada santa
 
O saldo é estarrecedor: duas crianças vítimas de bala perdida, uma no Rio de Janeiro, outra em Jardim Paulista (PE). Nos arredores de Brasília, menina de 14 anos encontrada morta num matagal, com sinais de violência sexual. Isso para ficar apenas em alguns dos casos registrados. A insegurança está em toda parte. Os governos, não.
 
CURTIDAS   
 
Só?/ O líder do PSD no Senado, Omar Aziz (foto), do Amazonas, arrisca levar o prêmio sinceridade em audiências. Dia desses, ele foi ao ministro da Integração Nacional, Gilberto Occhi, relatar a situação de calamidade em municípios afetados pelas cheias em seu estado e diante da disposição de Occhi em visitar as áreas afetadas “o mais breve possível”, Aziz foi direto: “Não, ministro. Visita para tirar fotografia a gente não precisa, não. O que eu quero é dinheiro”.

E no Planalto…/ A franqueza do senador não se limitou às reuniões com ministros e integrantes da bancada da Amazônia. Dia desses, numa reunião de líderes com a presidente Dilma Rousseff, ele se mostrou solidário às vésperas dos protestos de 15 de março: “Eu queria prestar minha solidariedade à senhora porque envolveram a senhora neste roubo na Petrobras, que é o maior roubo da história do Brasil”. Foi aquele silêncio, todos olhando para Dilma, que deu aquela arregalada nos olhos.
 
WhatsApp & decoro/ Desavisados, alguns deputados do PMDB tomaram um susto ao verem o deputado Newton Cardoso Júnior quebrando uma garrafa no braço do colega Laudívio Carvalho, também do PMDB. A garrafa era cenográfica. Os parlamentares estavam no Projac, um dos maiores centros de produção audiovisual do país.
 
Contra fluxo/ O presidente da Câmara, Eduardo Cunha, passou o feriado em Miami. Alguns aliados dele, do tipo que perdem o amigo, mas jamais uma piada, brincavam: “Sabe como é… Dólar alto… Pelo menos, lá ele escapa das vaias do movimento gay!”
 

Feliz Páscoa a todos!

Pepe procura PSDB

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E Pepe vai à oposição

Que dívida dos estados que nada. O que mais tem levado os ministros do Palácio do Planalto a procurar os senadores de oposição é a perspectiva de enquadramento da Petrobras na lei das licitações, a 8666, tirando a possibilidade de a empresa fechar contratos por carta-convite. O ministro de Relações Institucionais, Pepe Vargas, procurou o líder do PSDB, senador Cássio Cunha Lima, e ouviu que esse assunto será tratado depois que o senador Ricardo Ferraço voltar dos Estados Unidos.

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Para quem não se lembra, a pedido de Ferraço, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) votará um projeto de decreto legislativo que pretende sustar o processo simplificado para contratação adotado pela Petrobras em 1998, por decreto do então presidente Fernando Henrique Cardoso. Os tucanos ainda não se pronunciaram a respeito.

Cortes no BB

Para alegria do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, o Banco do Brasil decidiu fechar agências deficitárias no exterior. Só na Europa, 12 serão transformadas em escritórios de negócios. Tudo sob a batuta do novo presidente do banco, Alexandre Abreu.

E os empresários?

Até agora, os integrantes da CPI da Petrobras não chamaram os empreiteiros para depor no colegiado. Há quem diga que tem gente com medo de ver um empresário chegar ali e, na cara da excelência, soltar algo do tipo “eu financei a sua campanha!”.

Aquecimento na periferia

Que 12 de abril, que nada. O Solidariedade, do deputado Paulo Pereira da Silva, está de olho é no sábado, 25 de abril, data marcada para uma ronda de manifestações nas periferias das grandes cidades. É quando a Força Sindical pretende fazer uma prévia para um grande ato em 1º de maio.

Nuvens escuras

O Planalto deseja um nome alternativo ao do ex-deputado Luciano Castro (PR-RR) para ser apresentado pelo partido para comandar o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes, o Dnit. O PR, entretanto, resiste. Mais uma crise em formação.

CURTIDAS   

Conversinhas/ Na última quarta-feira, uma deputada comentava com a outra: “Há tempos não sei o que é ir para o estado numa quarta-feira…” A outra: “Pois é, eu já marquei meu voo para hoje, às 16h30. Regime de urgência agora só se for infarto!”. É, pelo visto, as excelências não estão gostando muito de o presidente Eduardo Cunha ter colocado todo mundo trabalhando às quintas-feiras em Brasília.

Em plena semana santa…/ Vários deputados e senadores estão na Califórnia, na 4ª Missão de Estudos sobre Inovação, do Instituto das Américas. Nessa, foram além do senador Humberto Costa, os deputados Júlio Delgado, Rubens Bueno, Esperidião Amin e ainda o senador Ricardo Ferraço. A autorização para a viagem foi dada em dezembro do ano passado.

O desgoverno das flores/ Em São Francisco, na Califórnia, o sujeito paga US$ 12 para visitar um orquidário e as estufas de flores raras num parque. Ali, vão crianças, idosos, escolas levam os alunos. No Brasil, entretanto, o orquidário do Ibama foi desfeito por ordem da direção do instituto, conforme publicado recentemente nos jornais. Na foto, tirada por um leitor que prefere anonimato, a transferência esta semana da maior orquídea do mundo, a da Malásia, ameaçada de extinção. Que dó.

Incerteza divina/ Eis que, de repente, vem pelo corredor o senador gaúcho Paulo Paim, do PT, e um jornalista pergunta: “Senador, o senhor vai para o PDT?” Todo mundo à volta olhou para o petista: “Só Deus sabe”, respondeu ele. O que vai depender será o jeitão do ajuste fiscal. “Ou o PT muda ou eu mudo”, completou.  

MINISTÉRIOS NA CORDA BAMBA

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Dilma prepara reforma

Custou, mas a presidente Dilma Rousseff começa a trabalhar algumas mudanças na estrutura de governo e de ministros. Aldo Rebelo, hoje na Ciência e Tecnologia, é considerado o nome para retornar à articulação política. A missão dele seria, basicamente, cuidar de Renan Calheiros, a quem o governo considera hoje o mais perigoso dos aliados. Mais até que o próprio presidente da Câmara, Eduardo Cunha. 

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Além da mudança na articulação política, estão em curso os estudos para redução do número de ministérios, de 39 para 29 (não chega aos 20 sugeridos no projeto do PMDB, mas já é uma forma de dar discurso aos integrantes da base para evitar a votação da proposta de emenda constitucional dos peemedebistas).

Lages na Conab

Com Henrique Eduardo Alves certo no Turismo, o atual ministro, Vinícius Lages, entrou na lista para assumir a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Assim, o PMDB, que já tem o Ministério da Agricultura, terá outro espaço ali. Quem não vai gostar é o PTB, que hoje comanda a área e não abre mão. Esse é hoje um dos motivos da irritação do líder da bancada na Câmara, Jovair Arantes.

Faça, senão…

Os secretários executivos dos ministérios foram chamados ontem ao Planalto para receberem orientações sobre os cortes no Orçamento deste ano. Cada um deverá indicar o que dá para economizar e quais programas podem ser postergados sem traumas. Foi a forma que o governo encontrou de dar aos ministros alguma autonomia. 

 …Eu faço

Os ministros têm até a semana que vem para indicar os cortes em cada área. Se não fizerem o dever de casa, o Planalto cortará onde bem entender. Sem choro nem vela.

Tensão no ar

Além do estado de saúde de José Dirceu, os petistas estão preocupados com a manifestação marcada para 31 de março. Houve quem, inclusive, duvidasse da mobilização convocada pelo presidente do partido, Rui Falcão. Mas, dada a reunião do partido nesta segunda-feira em São Paulo, é isso mesmo que o PT quer: lotar as avenidas na terça, antes que o tesoureiro João Vaccari seja chamado a depor na CPI da Petrobras.

Por falar em Vaccari…

Há quem diga que o tesoureiro está se preparando psicologicamente para o caso de o juiz Sérgio Moro pedir a sua prisão. Afinal, muitos dos citados já estão na cadeia e há muita gente certa de que, em breve, os políticos sem mandato vão entrar nessa roda. Não é à toa que José Dirceu apresenta problemas de saúde.

CURTIDAS    

Supersecretaria/ A Secretaria de Direitos Humanos, hoje administrada por Ideli Salvatti (foto), vai encorpar. A ideia é que fiquem ali Mulheres, Igualdade Racial e outros setores que hoje têm status de ministro e vão perder o carro com bandeira verde e amarela. Esse desenho está praticamente pronto. É a forma de o Poder Executivo dizer que os cortes atingem a própria carne.

Geraldo na roda/ Os integrantes da bancada do PSB que foram a São Paulo para um almoço com o vice-governador Márcio França foram surpreendidos pela presença do governador Geraldo Alckmin. Ele, que iria só para um café, ficou o tempo todo na conversa. É por aí que o tucano pretende começar seu plano nacional de voo. 

Mulheres em litígio/ A primeira-dama da Bahia, dona Aline, e a ex, Fátima, estão em pé de guerra. Até o jardineiro do Palácio de Ondina foi motivo. Fatinha, a mulher do atual ministro da Defesa, Jaques Wagner e ex-governador, tinha pedido para manter o senhor que cuidava dos jardins do palácio. Aline não quis saber. Dispensou o jardineiro. Queria mudar tudo. Eu, hein!

Enquanto isso, no Planalto…/ A escolha de Edinho Silva para a Secretaria de Comunicação Social foi vista por muitos parlamentares como a forma de o governo contornar as dificuldades de aprovar o marco regulatório da mídia no Congresso. Virá agora o exercício do controle econômico. O tesoureiro vai cuidar das verbas de publicidade. Tudo que o PT queria.