Autor: Denise Rothenburg
PSDB, DEM e MDB encaminham união para Presidência da Câmara e de olho em 2022
Coluna Brasília-DF
Conhecido o resultado de hoje, a política passa à próxima fase do jogo rumo a 2022, a pré-campanha para presidente da Câmara. Vitoriosos nas urnas, PSDB, DEM e MDB caminham para uma união nessa próxima disputa e a construção é vista com um ensaio para projetos futuros.
Obviamente, a um ano e oito meses da abertura oficial da campanha presidencial, ninguém fala em nomes e nem é o caso agora. O objetivo é reunir forças e deixar o diálogo aberto a outros, como o Cidadania, PSB, PDT e Rede, por exemplo.
Afinal, quanto mais partidos estiverem juntos, melhor para evitar o sucesso eleitoral dos extremos em 2022 — leiam-se como extremos Jair Bolsonaro, à direita; e o Psol/PT, à esquerda.
Essa construção na Câmara, portanto, tem problemas, porque PSDB, DEM e MDB, juntos, não conseguem. O presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), deixou que os partidos de centro escolhessem um candidato e ele apoiaria. A esquerda tem a mesma expectativa. Nesse caso, não será difícil Maia terminar como o único capaz de conseguir unir todos os grupos.
A quem serve
Com a prisão do hacker em Portugal e as ações no Brasil, a Polícia Federal passa, agora, a mapear as ligações da quadrilha com a política brasileira. Essa novela está apenas começando.
Ponto para Arthur Lira
Se o deputado JHC (PSB-AL) sair vitorioso, hoje, na disputa pela prefeitura de Maceió, o líder do PP, Arthur Lira, pode contar alguns votos em sua campanha para presidir a Câmara dos Deputados. O apoio do terceiro colocado, Davi Davino Filho (PP), a JHC foi considerado crucial para lhe garantir uma boa colocação neste segundo turno contra Alfredo Gaspar, o candidato da família Calheiros.
As contas de Bolsonaro
Fechadas as urnas, hoje, o governo fará uma radiografia dos partidos de centro que podem virar potenciais aliados do presidente mais adiante e tratar de atrair esse grupo. É o jeito de tentar montar um time para 2022, antes mesmo de o presidente Jair Bolsonaro escolher um partido.
Aposta eleitoral
Política não é uma ciência exata e, com base nisso, os governistas calculam que, se Bolsonaro estiver bem daqui a um ano e meio, a maioria dos prefeitos vitoriosos neste pleito, de partidos de centro, apostará na sua reeleição, independentemente de legenda.
Me dê motivo
Uma das razões apontadas pelos deputados para o Congresso não trabalhar em janeiro é a falta de pagamento por sessões extraordinárias. A do Centrão ligado a Arthur Lira é não dar palco para Rodrigo Maia, no último mês do demista como presidente da Câmara.
CURTIDAS
Serviço da hora/ Desde ontem, as equipes dos candidatos que concorrem neste segundo turno estão dedicadas a identificar notícias falsas espalhadas, em especial, por WhatsApp, considerada a rede social mais suscetível a esse tipo de crime.
Em modo avião/ O governo que não espere muito de Davi Alcolumbre (DEM) nesta primeira semana pós-segundo turno Brasil afora. A prioridade do presidente do Senado é a eleição em Macapá, no próximo domingo.
Sambinha de uma nota só/ No debate para prefeito do Rio de Janeiro, as respostas de Marcelo Crivella (Republicanos) ao adversário Eduardo Paes (DEM) foram todas acompanhadas da tentativa de associar Paes ao presidiário Sérgio Cabral. É o que resta ao prefeito/candidato para tentar virar o jogo, depois de uma administração que, se as pesquisas estiverem corretas, será reprovada, hoje, por larga maioria do eleitorado carioca.
O inimigo do meu inimigo…/ O senador Renan Calheiros (MDB-AL) acompanha a eleição em Maceió com um olho na Presidência da Câmara. Se JHC vencer, fará tudo o que estiver ao seu alcance para evitar que Arthur Lira conquiste a Presidência da Câmara.
Enquanto isso, no Parlamento…/ O Legislativo está a praticamente três semanas do recesso. E só volta para valer em fevereiro. Para esta reta final, apenas medidas provisórias, como o projeto da BR do Mar e a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO).
Governo atuará para o fim do inquérito sobre interferência na PF em fevereiro
Coluna Brasília-DF
A decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, de prorrogar por mais 60 dias o inquérito sobre interferência na Polícia Federal, deixa o Planalto sob pressão, mas com prazo para terminar e bem antes da eleição de 2022.
Os cálculos bolsonaristas apontam que, depois de fevereiro, o Brasil será outro e esse caso estará esquecido. Para isso, todos os esforços, agora, serão no sentido de trabalhar para que a investigação termine nesses 60 dias, sem mais delongas. Até lá, porém, a ordem é administrar o desgaste.
Ainda que o presidente Jair Bolsonaro tenha decidido não depor, os aliados dele dão como certo que será chamado novamente e, mesmo que o procurador-geral, Augusto Aras, peça o arquivamento mais à frente, o sossego, nesta seara, só virá quando a investigação for arquivada.
Onde mora o perigo
O caso de prorrogação do inquérito sobre a interferência na PF não está no rol de principais preocupações do Planalto. O que mais incomoda é o desemprego, na faixa de 14,6%, conforme divulgado ontem pelo IBGE, e a eleição para a presidência da Câmara.
Alerta de tsunami
Os setores produtivos já levaram ao Planalto sua preocupação com o fim do auxílio emergencial, em janeiro. Se não houver nada para compensar essa perda de receita dos mais necessitados, que fez a economia girar um pouco mais nesse período de pandemia, a parcela da população que Bolsonaro acredita ter ao seu lado buscará outro rumo.
Dividir para reinar I
Quem enxerga mais à frente os cenários políticos vê, nesse apoio do DEM e de outros partidos a Marília Arraes (PT), uma forma de insuflar ainda mais a divisão da esquerda, para 2022, em Pernambuco. Do jeito que está, ficará desunida até o fim dos tempos em Recife.
Dividir para reinar II
O raciocínio dos partidos de centro-direita em Pernambuco é que, com o PT governando a capital do estado e o PSB, o governo estadual, não haverá unidade nesse campo político. Assim, se as forças conservadoras conseguirem se unir, podem derrotar as forças que, no passado, já estiveram juntas sob a batuta de Miguel Arraes.
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Sem embate final/ O cancelamento do último debate em São Paulo por causa do exame positivo de Guilherme Boulos para covid-19 tirou do candidato do PSol um movimento que era considerado crucial para tentar avançar sobre os votos de Bruno Covas (PSDB). Ele só tem chance amanhã se tirar votos do adversário, o que até agora não aconteceu.
A torcida pelo não voto/ Sem o embate e movimentos de rua, Boulos torce, agora, pelo #fiqueemcasa. É a única forma, avaliam seus aliados, de vencer Bruno Covas.
Quem diria…/ O bolsonarismo torce pela esquerda. A turma mais ligada ao presidente cogita votar em Guilherme Boulos para prefeito. Uma forma de tentar evitar que os tucanos continuem mandando na capital paulista e ajudem a fortalecer uma pré-campanha de João Doria. Quem diria.
… ele está se vacinando/ Ao dizer que não chamou a covid-19 de “gripezinha”, o presidente tenta, desde já, amenizar o estrago que isso pode fazer numa campanha. A afirmação da live da última quinta-feira, apostam aliados, já está devidamente arquivada para servir de imunizante eleitoral no futuro.
”Judicialização” de algumas questões continua sendo desafio de Fux à frente do STF
Coluna Brasília-DF
A bola desta reta final de 2020 está nos pés do Supremo Tribunal Federal, que decide desde datas de realização de concursos para adventistas do Sétimo Dia até a questão das vacinas, passando ainda pela preservação de restingas e manguezais e, de quebra, a eleição para os comandos da Câmara e do Senado. Isso mostra que o novo presidente do STF, Luiz Fux, não conseguiu colocar em prática o que pregou em sua posse — evitar a judicialização — e nem conseguirá no futuro. O único tema que caminha para que o STF abra mão de meter a sua colher é o da candidatura à reeleição nas duas Casas do Congresso. Como não há candidaturas oficiais, a tendência na Suprema Corte, hoje, é considerar o tema “interna corporis”, ou seja, de decisão pelo próprio Parlamento.
Vale lembrar que, em seu discurso de posse, Fux afirmou que “alguns grupos de poder não desejam arcar com as consequências de suas próprias decisões e acabam por permitir a transferência voluntária e prematura de conflitos de natureza política para o Poder Judiciário”, temas que, na avaliação do presidente do STF, deveriam ser debatidos em outras áreas. Ele alertou que isso leva o STF a um “protagonismo deletério, corroendo a credibilidade dos tribunais quando decidem questões permeadas por desacordos morais que deveriam ter sido decididos no Parlamento”.
Em tempo: antes da Lava-Jato e do mensalão, dizia-se, em Brasília, que tudo acabava “em pizza”. Agora, tudo acaba “em Supremo”.
Custo & benefício
Ao não prestar depoimento presencial aos procuradores no caso da denúncia de interferência na Polícia Federal, Jair Bolsonaro optou por se preservar. Afinal, um depoimento frente a frente com os investigadores poderia ter a presença de Sergio Moro, criando um palanque para um potencial adversário futuro. De quebra, o genioso presidente correria o risco de cair em alguma provocação.
Muito além do Amapá I
O governo federal teme que o apagão prolongado no Amapá fique pequeno perto de outros problemas energéticos que está tentando evitar. O Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT) deve retomar, nas próximas semanas, um julgamento que pode determinar à Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf) o pagamento de R$ 600 milhões a uma empresa do Rio Grande do Norte que se diz prejudicada pelo atraso na entrega de uma linha de transmissão.
Muito além do Amapá II
A Advocacia-Geral da União (AGU) tem procurado os desembargadores para explicar que o valor é exorbitante, o dobro da concessão que a Chesf ganhou (de R$ 300 milhões em 30 anos) e que a despesa, se efetivada, fará com que toda a região Nordeste corra o risco de sofrer com apagão. A defesa da distribuidora alega que a outra empresa concordou, por escrito, com o atraso da obra e que não sofreu o prejuízo alegado.
Eduardo nas mãos de Maia
Apresentado o pedido para que Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) seja afastado da presidência da Comissão de Relações Exteriores, conforme antecipou o Blog da Denise, no site do Correio Braziliense, agora só falta Rodrigo Maia (DEM-RJ) colocar para votar no plenário da Casa. Os autores, Perpétua Almeida (PCdoB-AC), Daniel Almeida (PCdoB-BA) e Fausto Pinato (PP-SP), têm recebido inúmeros telefonemas com pedidos para subscrever o requerimento.
A vez da monarquia/ Na hipótese de a Câmara aprovar o pedido dos deputados para que Eduardo Bolsonaro seja afastado da presidência da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional, quem assume é o vice-presidente, Luiz Phillipe de Orleans e Bragança (PSL-SP).
Preventivo/ Certo de que a vitória de Bruno Covas ou Guilherme Boulos, no domingo, não lhe trará qualquer dividendo eleitoral, Bolsonaro promete não descuidar de São Paulo no próximo ano. Afinal, dizem seus aliados, não dá para descuidar do estado apontado como “celeiro de votos”.
Três vértices/ A avaliação dos bolsonaristas é a de que a velha polarização Bolsonaro x PT, que ganhou corpo em 2018, não servirá para 2022. Agora, há novos atores como Boulos, em São Paulo, que dividirão a ribalta da esquerda com o PT de Lula, o PDT de Ciro Gomes (foto) e, ainda, o PSB.
Por falar em PSB.../ A ida do ex-governador, ex-ministro e ex-deputado Ciro Gomes a Recife, esta semana, em apoio a João Campos, representou mais um lance rumo a 2022. Com PSB e PDT coligados na capital pernambucana, a visita de Ciro é lida como mais um gesto de afastamento do PT.
A declaração de Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) levantando suspeitas sobre a China ferve nos grupos de WhatsApp dos parlamentares, na manhã desta quarta-feira (25/11), e aumenta a pressão sobre o presidente Jair Bolsonaro. A deputada perpétua Almeida (PCdoB-APC) prepara um pedido para que ele seja destituído da Presidência da Comissão de Relações Exteriores e tem o aval de vários colegas.
“Esse cara está prejudicando o país. Até quando vamos dar asas a esse louco aí?”, pergunta o presidente da Frente Parlamentar Brasil-China e a frente dos Brics (Brasil, Rússia, Índica, China e África do Sul), deputado Fausto Pinato (PP-SP). Até aqui, o presidente Jair Bolsonaro não se pronunciou, o que também preocupa os deputados. “É inaceitável que o filho do presidente se comporte desse jeito e o presidente não faça nada”, diz a deputada.
O movimento suprapartidário tem razão de ser. Os chineses consideram que, quando um deputado se pronuncia sobre qualquer assunto, ele não externa uma opinião pessoal e sim a posição do Parlamento de seu país. O fato de Eduardo ser filho do presidente Jair Bolsonaro torna o caso ainda mais grave perante os chineses, porque, avaliam os diplomatas, passa a ideia de que o governo brasileira avaliza a posição do deputado. Como filho do presidente da República, avaliam, Eduardo jamais poderia ter lançado desconfianças sobre a tecnologia chinesa.
Para quem não acompanhou, eis o que disse Eduardo, na segunda-feira à noite, num tuíte apagado na manhã de terça-feira, depois que o estrago havia sido feito: “O governo @JairBolsonaro declarou apoio à aliança Clean Network, lançada pelo Governo@realDonaldTrump, criando uma aliança global para um 5G seguro, sem espionagem da China”, escreveu o deputado.
A contundência da reação do embaixador chinês, Yang Wanming, indica que ele tem todo o aval de Pequim. A Embaixada menciona em seu comunicado que aqueles que insistem nesses ataques “vão arcar com as consequências negativas e carregar a responsabilidade histórica de perturbar a normalidade da parceria China-Brasil”. O deputado, mais uma vez, provoca uma tensão desnecessária neste momento em que o Brasil depende tanto das compras da China.
5G terá grupo de acompanhamento na Câmara
O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, que já cansou de dizer que Eduardo não fala pelo Parlamento, pediu a deputada Perpétua Almeida que crie um grupo de trabalho para acompanhamento das negociações em torno do 5G. Ela que já foi presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara, avisa: “Não quero saber o que é melhor para a China ou para os Estados Unidos. Quero saber o que é melhor para o Brasil. Quem lida com relações internacionais sabe que Nações não têm amigos nem inimigos, têm interesses”, diz a deputada. Pelo visto, Eduardo faltou a essa aula.
O ministério das “entregas” e o do desgaste para campanha de reeleição de Bolsonaro
Coluna Brasília-DF
O ministro de Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, ganha fama no governo como aquele que mais terá o que entregar ao presidente Jair Bolsonaro em 2021. Em sua lista, estão privatização de portos, inclusive o de Santos, e 22 aeroportos, além de rodovias e ferrovias a serem inauguradas. É de lá que o Planalto espera tirar o balanço positivo das obras e a alavanca para a campanha reeleitoral de 2022.
A esperança dos aliados do presidente é de que essas obras e serviços ajudem a compensar os problemas de gestão que o país apresenta em várias frentes, em especial, a saúde. Afinal, a covid-19 continua avançando e, embora haja esperança de vacinas para 2021, ainda não há plano estratégico preparado para imunização em massa, quando os cientistas derem sinal verde. Se esse plano não estiver pronto para aqueles que desejarem a vacina, será mais um trunfo nas mãos da oposição quando chegar 2022.
Prioridade zero
O governo já fez as contas para esta reta final de 2020 e fez chegar aos líderes que não dá para deixar a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para o ano que vem. A aprovação do texto é fundamental para deixar claro ao mercado que o Brasil não abrirá mão da responsabilidade fiscal, do teto de gastos, nem do ajuste nas contas.
“A Câmara já teve muitas polarizações, mas o espírito público precisa prevalecer e estar acima das disputas intestinas”
Do ex-deputado Danilo Forte (PSDB-CE), que assumirá o mandato em dezembro, quando o deputado Roberto Pessoa sai, a fim de preparar para a posse como prefeito de Maracanaú (CE). Forte se referia à disputa pela Presidência da Câmara e da Comissão Mista de Orçamento, que, praticamente, paralisaram os trabalhos no Congresso.
Continhas
Senadores fizeram os cálculos e acreditam que o partido em que Jair Bolsonaro se filiar deve levar algo entre 30 e 40 deputados. O problema, porém, é o presidente encontrar uma legenda disposta a lhe conceder controle total sobre tudo, inclusive coligações para governos estaduais.
Por falar em filiação de Bolsonaro…
No PTB, está tudo pronto para receber o presidente, mas tem apenas um detalhe: a bancada resiste, porque não quer ficar refém das imposições daqueles conhecidos como “bolsonaristas-raiz”.
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Olho nelas/ As três capitais que mais chamam a atenção, neste segundo turno, são Porto Alegre, Recife e São Paulo. É que, ali, mesmo os perdedores sairão ganhando. Explica-se: quem perder será o puxador de votos em 2022, um pleito sem coligações proporcionais.
Rio de Janeiro, outros quinhentos/ Na cidade cartão-postal do Brasil, os políticos não estão muito interessados em acompanhar a eleição tão de perto. Acreditam que Eduardo Paes vencerá Marcelo Crivella.
Covid na política/ Pelo menos, dois senadores, Luiz Carlos Heinze e Kátia Abreu, estão internados por causa da covid, assim como o deputado Fábio Trad. Nesse ritmo, avisam os mais antenados, sessões presenciais, só com a vacina.
Apoio no Jaburu/ Os deputados do Cidadania, Paula Belmonte (DF) e Alex Manente (SP), autor da proposta de emenda constitucional que prevê a prisão a partir da condenação em segunda instância, foram ao vice-presidente Hamilton Mourão pedir apoio para a aprovação da matéria. “O vice-presidente já havia declarado publicamente apoio à PEC e reafirmou seu posicionamento. Ele foi muito receptivo”, disse a deputada. “Não podemos seguir postergando prisões até a quarta instância e promovendo a impunidade no país”, completou.
Coluna Brasília-DF
As promessas do ministro da Economia, Paulo Guedes, de acelerar as reformas e as privatizações, depois de encerrado o processo eleitoral, não são compartilhadas pelos congressistas. Ali, não há consenso sequer sobre se a tributária deve ser votada antes da administrativa, ou vice-versa. O texto, então, nem se fala. Quanto às privatizações, muitos consideram que é preciso esperar mais um pouco para vender as estatais, em especial, a Eletrobras, porque, em plena pandemia, o preço seria inferior ao que a empresa vale.
E como pano de fundo de tudo isso está a disputa pela Presidência da Câmara, que já ganhou corpo e, se não for bem trabalhada, a abertura do Legislativo de 2021, em fevereiro, será marcada por um mar de mágoas e rusgas entre os partidos com os quais o governo espera contar para aprovar as propostas. Até aqui, o governo não ajudou a arrumar essa confusão. E, se entrar mal nessa onda de disputas, arrisca ver a sua agenda morrer na praia.
“Golpistas” não passarão
O PT resiste a apoiar o presidente do MDB e líder do partido, Baleia Rossi, para presidente da Câmara. Os emedebistas são considerados, entre os petistas, como os principais artífices do impeachment da presidente Dilma Rousseff. Vale lembrar que, se os votos a favor do impeachment contarem na hora de escolher o candidato a presidente da Casa, Arthur Lira também votou a favor do afastamento da presidente, em 2016.
Cerco a Davi I
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, conseguiu levar o presidente Jair Bolsonaro ao Amapá, no sábado, mas continua dançando numa chapa quente. Além de ter de suar a camisa para reverter a queda de seu irmão Josiel nas pesquisas para a prefeitura de Macapá — a eleição está marcada para 6 de dezembro —, é alvo de pressões de todos os lados, sobretudo para manter a posição contrária à privatização do sistema elétrico.
Cerco a Davi II
No mesmo dia em que Bolsonaro passeava pelo Amapá ao lado de Davi e do ministro Bento Albuquerque, o Coletivo Nacional dos Eletricitários publicou carta aberta de uma página em jornais do estado com duras críticas ao ministro e à direção da Eletrobras, acusando-os de “desleixo e vileza” pelo apagão. O documento cobra do presidente do Senado: “Pedimos seu apoio na luta pela manutenção a Eletrobras estatal. A companhia possui, hoje, R$ 12 bilhões em caixa e está absolutamente pronta para apoiar a retomada do crescimento do país após a superação deste momento tão terrível”.
Quem vai pagar por isso?
A notícia de que o governo tem milhões de testes para detecção em estoque pode resultar em processos por crime de responsabilidade. A dúvida dos oposicionistas, hoje, é se ingressam contra Jair Bolsonaro ou contra o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello. Ou ambos.
Recado I/ A foto do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, ao lado de João Doria, no fim de semana, teve o intuito de mandar uma mensagem ao presidente Jair Bolsonaro. Algo do tipo: olha, você está com Arthur Lira, mas eu não estou sozinho.
Recado II/ Maia costuma se reunir com o governador paulista quase todas as semanas, a diferença é que não tem foto.
Sobrevivente/ O mesmo governo que faz, hoje, uma solenidade no Planalto para comemorar os 20 anos do Fundo para o Desenvolvimento Tecnológico das Telecomunicações (Funttel) apresentou proposta, no ano passado, para extingui-lo, com outros desse setor. A contar pela festa comandada pelo presidente Jair Bolsonaro e pelo ministro das Comunicações, Fábio Faria, mudou de ideia.
Partidos em baixa/ Na rodada da pesquisa XP/Ipespe, 41% dos entrevistados disseram não se lembrar do partido do prefeito em quem votaram em 15 de novembro. Mais uma demonstração de que o brasileiro continua distante da política.
Os movimentos do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, não deixam mais dúvidas entre os parlamentares. Ele está numa articulação frenética para montar um bloco capaz de lançar de um candidato a presidente da Câmara capaz de fazer frente ao Centrão. Esteve no Ceará, para conversar com o PDT dos Ferreira Gomes, foi a São Paulo conversar com o governador João Dória e aproveitou a viagem para trocar ideias também com o MDB. Já havia conversado com o Republicanos, em Brasília.
A ideia é formar um bloco independente, em favor do Parlamento e que não esteja necessariamente atrelado ao Planalto. Tenta assim criar um movimento diferente daquele protagonizado pelo líder do PP, Arthur Lira, hoje cada vez mais carimbado como um candidato do Planalto à Presidência da Câmara. Na Coluna Brasília-DF de Domingo, no Correio Braziliense, o leitor foi informado da ideia de mantar uma chapa completa. É isso que começou a ser conversado esta semana. A ideia é estar com tudo pronto até a primeira semana de janeiro. Ah, o nome do candidato? É algo em construção. Hoje, está entre Marcos Pereira ou Baleia Rossi. Não necessariamente nesta ordem. Rodrigo, afirmam alguns, mantém a intenção de não concorrer, embora ninguém acredite.
Coluna Brasília-DF
O presidente Jair Bolsonaro vai esperar mais algum tempo antes de definir filiação partidária. Afinal, ainda falta um ano e meio para a eleição e sua caneta “Compactor ou Bic” ainda tem tinta, conforme repetem aliados. Por mais que haja algum desgaste, não está fora do jogo para 2022. Quem acompanha atentamente todos os movimentos da política lembra que, em 2008, quando Gilberto Kassab se elegeu prefeito de São Paulo, o PT do então presidente Lula jogou todo o prestígio presidencial para tentar eleger Marta Suplicy –– e ela perdeu. Dois anos depois, lá estava Lula fazendo de Dilma Rousseff sua sucessora no Planalto. Portanto, qualquer avaliação de derrotado neste momento tem a validade de um iogurte.
O que realmente importa
Um estudo da Instituição Fiscal Independente (IFI) sobre a situação das contas estaduais indica que pelo menos nove não teriam respeitado o limite de 60% da receita corrente líquida com despesas de pessoal “se a metodologia de aferição fosse a adotada pelo Tesouro Nacional”.
Olho neles
Eis a lista dos estados que ultrapassam os 60% pela metodologia do Tesouro: Paraíba, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Rio Grande do Norte, Acre e Tocantins.
Passaram na prova
O Distrito Federal, São Paulo, Espírito Santo, Rondônia, Pará e Amapá são os únicos abaixo dos 54% da receita corrente líquida, ou seja, com uma situação mais tranquila.
O alerta de Jobim
Ao participar do XXIII Congresso Internacional de Direito Constitucional, promovido pelo Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP), o ex-ministro da Defesa e do Supremo Tribunal Federal Nelson Jobim defendeu Forças Armadas equipadas e afirmou que a incerteza no cenário internacional é grande. Lembrou, inclusive, que os Estados Unidos consideram águas internacionais até mesmo a área próxima à praia de Copacabana e “isso não é bom”.
O teste de Bolsonaro
A viagem do presidente ao Amapá será uma aferição de popularidade. Lá, ele venceu a eleição em 2018 com 50,2% dos votos e Fernando Haddad ficou com 49,8%. Ou seja, sem larga margem.
Debate desce a ladeira I/ A campanha em Recife chegou ao ponto de Marília Arraes (PT), que lidera as pesquisas, colocar Renata Campos, mãe do adversário João Campos (PSB), no meio do debate, ao dizer que a viúva do ex-governador Eduardo Campos é quem vai mandar na prefeitura se o deputado for eleito.
Debate desce a ladeira II/ No Rio de Janeiro, com Eduardo Paes (DEM) liderando Datafolha e Ibope com larga vantagem, o prefeito-candidato Marcelo Crivella ataca o governador de São Paulo, João Doria. Sinal de que está faltando argumento para arregimentar votos e apoios.
Bolsonaro, o moderado/ O presidente calibrou o discurso na live sobre a extração ilegal de madeira da Amazônia, evitando acusar diretamente os países. Melhor assim.
“Marília e João Campos são frutos da mesma árvore. Deveriam parar de brigar, definir um vice do outro e irem juntos para a urna. Ambos são Arraes”
Ex-deputado federal Paulo Delgado
Bolsonaro quer que Guedes dê um jeito de prorrogar auxílio emergencial
Coluna Brasília-DF
Durante a viagem a Santa Catarina, no início do mês, o presidente Jair Bolsonaro orientou o ministro da Economia, Paulo Guedes, a dar um jeito de conseguir recursos para prorrogar o auxílio emergencial de R$ 300. Com o desemprego ainda num patamar bastante elevado, não dá para deixar as pessoas desassistidas, ou dependentes apenas do valor do Bolsa Família.
O problema é que todas as propostas de cortes para cobrir a elevada despesa foram descartadas pelo Planalto, pelo Parlamento, ou pela sociedade de um forma geral. “Não sabemos como resolver essa questão, mas o certo é que preciso prorrogar, sob pena de termos uma legião de pessoas sem renda”, diz o vice-líder do governo, senador Jorginho Mello (PL-SC). A equipe econômica, porém, não tem como fazer mágica. Ou corta, ou não tem como resolver.
A cada dia a sua aflição
O presidente Jair Bolsonaro avisou a aliados que não pretende trocar seus ministros. Nem agora, nem em fevereiro, depois da eleição do presidente da Câmara. Tem razão, o chefe do Executivo em não deixar esse tema prosperar agora. Se abre a porteira antes da hora, aumenta a pressão.
Mais dinheiro para o DF
Um alerta do senador Izalci Lucas (PSDB-DF) garantiu, pelo menos, R$ 75 milhões a mais em recursos para Brasília, dentro do Projeto de Lei 3364, que destina R$ 4 bilhões a estados, ao Distrito Federal e aos municípios com mais de 200 mil habitantes para garantir o serviço de transporte público coletivo de passageiros em razão da pandemia da covid-19.
Questão de isonomia
O projeto distribui R$ 1,2 bilhão aos estados e R$ 2,8 bilhões aos municípios com mais de 200 mil habitantes. Logo, Salvador, por exemplo, receberá R$ 84 milhões, enquanto a Bahia ficará com R$ 53 milhões. O DF, como estava incluído apenas na partilha dos recursos aos estados, receberia R$ 31 milhões. Agora, incluído na divisão dos recursos municipais, vai triplicar o valor a receber dentro da proposta.
Bolsonaro investe no DEM/ A presença do presidente Jair Bolsonaro em Goiás, ao lado do governador Ronaldo Caiado (DEM), não é por acaso. Caiado representa uma ala do partido que tem votos e é aliada do presidente. Diante do distanciamento do DEM em relação ao chefe do Planalto, ele, agora, trata de amarrar aqueles que lhes são próximos.
Urnas em debate/ Na discussão sobre a segurança da urna eletrônica, ontem, na sessão da Câmara, o deputado Daniel Coelho (Cidadania-PE) foi direto: “Olha, quem acha que tem fraude deveria renunciar ao mandato”, disse, referindo-se àqueles que criticam o sistema, mas não acham que a própria eleição teve problema.
A que ponto chegou o Parlamento/ “Antes, não tínhamos Orçamento. Agora, não temos Comissão Mista de Orçamento. Vamos ficar muito mal no início do ano, sem Orçamento”, afirmou o senador Esperidião Amin.
Todo o cuidado é pouco/ Recuperado da covid-19, o senador Eduardo Braga ligou para a senadora Kátia Abreu, diagnosticada nesta semana: “Senadora, cuide-se. É uma doença traiçoeira”, alertou.
“Rodrigo Maia e Arthur Lira ficam de mal, e o Brasil paga por isso. Parece que não existe um Brasil fora da Câmara dos Deputados. Falta grandeza de parte a parte para buscar soluções políticas”
Do deputado Marcelo Ramos (PL-AM), referindo-se à disputa entre o presidente da Câmara e o líder do Centrão e à falta de debate para solução dos problemas econômicos, tais como teto de gastos e auxílio emergencial
A pesquisa XP/Ipespe pra prefeito de São Paulo aponta que, se a eleição fosse hoje, o atual prefeito, Bruno Covas (PSDB), estaria reeleito com 48% dos votos e Guilherme Boulos (Psol) fiaria com 32%. Covas aparece como o principal herdeiro dos votos de Márcio França, do PSB, de Celso Russomano, e de Arthur do Val, enquanto Boulos fica com os votos de Jilmar Tatto, do PT. A rejeição de Boulos está na faixa de 42%, que dizem não votar nele de jeito nenhum, e a de Bruno Covas é de 35%. Do total de entrevistados, 79% dizem que a sua intenção de voto é definitiva e 19% admitem que podem mudar até o dia da eleição.
Boulos, porém, é menos conhecido, 14% dizem não conhecer o candidato do Psol suficientemente, enquanto Bruno Covas é desconhecido por apenas 2%. Ainda em termos de probabilidade de voto, 38% dizem que votariam com certeza em Bruno Covas, enquanto, em relação a Boulos, esse percentual é de 29%. Significa que hoje Covas, em termos gerais, tem mais votos consolidados do que Boulos. O Ipespe ouviu 800 eleitores entre os nos dias 16 e 17 de novembro. A pesquisa está registrada so o número SP-06628/2020.









