Aprove agora, mude depois

Publicado em Política

O fato de ter se posicionado a favor do fim da escala 6×1 não significa que o candidato do PL ao Planalto, Flávio Bolsonaro, tenha deixado de considerar a proposta “oportunista”. Porém, a avaliação geral da sua campanha é a de que não dava para deixar o presidente Lula, candidato à reeleição, surfar na aprovação do texto. A ideia do candidato do PL, se for eleito no próximo dia 25, é propor a escala em horas trabalhadas, com livre negociação entre patrões e empregados. A proposta será incluída dentro de um novo modelo de reforma trabalhista. Entretanto, a agenda prioritária não será mexer nessa revisão da jornada logo na largada de um possível novo governo. A agenda prioritária passa, primeiramente, pelo que já foi chamado de “tesouraço” em despesas governamentais, algo que ainda está em gestação.

Cálculos políticos/ Com todos votando a favor, a avaliação do PL é de que esse tema deixará de ter tanta importância na campanha eleitoral nem irá favorecer tanto o presidente Lula a ponto de se transformar na força da “virada” que o PT espera. Os petistas, contudo, não deixarão isso passar em branco. Com a emenda aprovada, é bem provável que Lula participe da solenidade de promulgação do texto.

Treino de civilidade

Hoje tem sessão no Supremo Tribunal Federal, mas nada de polêmico entra na pauta, para não acirrar ainda mais os ânimos. A ordem por lá é tentar buscar alguma convivência entre os ministros, onde o clima está a cada dia mais pesado. Depois da eleição, porém, vai ser difícil fugir dos assuntos delicados, em especial, o envolvimento de ministros com o ex-controlador do Banco Master Daniel Vorcaro.

Por falar em STF…

Tem um grupo no Supremo certo de que o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Kassio Nunes Marques, joga para que Flávio Bolsonaro, se eleito presidente da República, dê um jeito de ajudá-lo a evitar problemas com a Polícia Federal por causa de Daniel Vorcaro.

A hora da verdade

As pressões sobre Nunes Marques só irão arrefecer se houver um jeito de salvar todos. Agora que o presidente do STF, Edson Fachin, receberá tudo o que tem de citações sobre os ministros nas investigações sobre Vorcaro, será a hora de separar um assédio sem consequências do ex-banqueiro de crimes envolvendo parte dos magistrados.

O jogo de Nunes

O apoio do MDB do Sudeste a Flávio Bolsonaro traz embutido a vontade do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, de garantir o apoio para concorrer ao governo do estado em 2030. Seria a chance de o MDB voltar a governar os paulistas, algo que não ocorre desde janeiro de 1995, quando Luís Antonio Fleury Filho entregou o cargo ao então governador eleito em 1994, Mário Covas (PSDB).

Quanto mais quieto…/… melhor. A desistência de Flávio Bolsonaro em participar do evento do Lide tem dois pontos: primeiro, os Bolsonaro não perdoam João Doria (foto) por causa da postura durante a pandemia, quando o empresário, então governador de São Paulo, foi o primeiro a promover a compra de vacinas contra covid e se afastou do bolsonarismo. Depois, há uma máxima na campanha de que, quanto menos o candidato falar neste momento sobre detalhes de programa de governo, melhor.

Eles confirmaram/ A reunião do Lide seria quase um comício. Estavam previstas as presenças do governador reeleito de Goiás, Daniel Vilela; de Ronaldo Caiado; de Romeu Zema; do governador eleito do Rio de Janeiro, Douglas Ruas; e de vários senadores eleitos e pessoas cotadas para cargos num governo do senador Flávio.

Agora é Lula, agora é Flávio/ O presidente Lula desafia Flávio Bolsonaro a comparecer ao debate da Band, no próximo domingo, e o candidato do PL diz que não vai. A avaliação da campanha é a de que Flávio tem mais a perder do que a ganhar.

Inversão de papéis/ Nem todos da campanha do PL concordam com a ausência de Flávio aos debates. Afinal, ao evitar debater seu programa de governo, poderá dar razão aos adversários que o colocam como defensor de cortes em parte dos programas sociais. No balanço das horas, tudo pode mudar. Agora, é Flávio quem deve recorrer ao TSE para tirar o púlpito vazio.