A fila para a guilhotina: crescem as apostas sobre aposentadoria de Moraes

Publicado em Política

Crescem as apostas sobre uma aposentadoria antecipada do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, caso o candidato do PL, Flávio Bolsonaro, vença o pleito daqui a duas semanas. Porém, a contar pelo ânimo da bancada bolsonarista que tomará posse em fevereiro de 2027 no Senado, ainda que Xandão saia do STF, isso não será suficiente para aplainar as arestas entre a Suprema Corte e o grupo liderado pelos Bolsonaro. Muitos já falam abertamente que é preciso promover, ainda, o impeachment do ministro Flávio Dino. A avaliação de boa parte do grupo é de que o magistrado ultrapassou limites ao investigar as emendas parlamentares. E, de quebra, na avaliação dos bolsonaristas, teria tentado interferir no processo eleitoral. Por isso, sem Xandão, ele se tornaria o primeiro da lista. A bancada bolsonarista passou a campanha, guardadas as devidas proporções, meio que repetindo a frase da tirânica rainha de Copas de Alice no País das Maravilhas: “Cortem as cabeças”. E, se não cortar nenhuma cabeça, não ficará satisfeita.

Tirem-no da sala/ No caso de Dino, a ideia é ainda promover uma emenda que impeça uma candidatura em 2030, como forma de deixá-lo fora do processo eleitoral futuro, caso o ministro, se for catapultado do Supremo, resolva retomar sua carreira política.

Esqueçam ele /Nas hostes de Flávio Bolsonaro há muita gente trabalhando para preservar o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal. Embora tenha sido citado no caso Vorcaro por causa do resort no Paraná, Toffoli é visto como alguém que ajudou o então presidente Jair Bolsonaro durante o governo e se aproximou da ala mais afinada aos Bolsonaro no STF. Por isso, está fora da fila.

Espere algumas casas/ Com o fim da escala 6×1 na pauta do Senado, os bolsonaristas avaliam que será muito difícil reverter o placar favorável ao texto. Se não der para obstruir a votação, a intenção de uma parte dos oposicionistas é votar, até para parar de dar discurso para Lula. Contudo, o tema não será esquecido. Já tem gente dizendo que, mais à frente, será possível diluir qualquer mudança numa reforma trabalhista mais ampla, caso Flávio Bolsonaro vença daqui a duas semanas.

Ibaneis na roda/ A duas semanas da eleição, as menções ao ex-governador Ibaneis Rocha como partícipe de decisões importantes sobre a compra do Master pelo BRB retomam com força. No geral, entretanto, advogados afirmam que o ex-governador sempre poderá dizer que suas deliberações a respeito foram orientadas pelo ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa, que já está preso.

Celina fora da roda / As citações de que Ibaneis tinha poder de decisão, porém, não têm potencial para mudar o rumo da eleição no Distrito Federal. Não foram poucas as vezes em que, muito antes de o escândalo estourar, a então vice-governadora dizia que, se fosse candidata a governadora e, se fosse eleita, Paulo Henrique Costa não teria lugar na sua equipe.

A hora de marcar diferenças/ Aliados do presidente Lula acreditam que os debates representam uma grande chance de o candidato do PT virar votos. Porém, se ficar irritado ou demonstrar uma arrogância contra o 01 de Jair Bolsonaro, o resultado pode ser catastrófico, tal e qual ocorreu com Cristovam Buarque contra Joaquim Roriz na eleição de 1998, levando o então governador Cristovam a perder a reeleição. Cristovam adotou um tom mais acadêmico, o que fez com que o eleitorado mais humilde se identificasse com Roriz.

Irrite-o/ Da parte de Flávio Bolsonaro, ele será aconselhado a tirar Lula do sério ou do estilo “paz e amor”, a fim de que o petista parta para expressões do tipo, “mequetrefe”, para se dirigir ao adversário.

Quem soma/ Dentro do PT, começa a crescer a avaliação de que é preciso se aproximar dos ex-bolsonaristas, como o deputado Otoni de Paula (PSD-RJ). Otoni fez questão de participar de atos de campanha pela reeleição do presidente Lula e fez um vídeo que viralizou na internet, em que ele aparece correndo, falando em liberdade e nos programas sociais do governo.

Flávio, o empresariado e o mercado/ Depois do jantar de Lula com o empresariado em São Paulo, na reta final do primeiro turno, quem irá ao centro financeiro do Brasil é o candidato do PL, Flávio Bolsonaro. Ele tem almoço marcado para 19 de outubro no Grupo Lide, fundado pelo ex-governador João Doria. Não é propriamente a volta do “bolsodoria”, mas uma oportunidade de o Lide apresentar aos maiores grupos empresariais do país mais detalhes das propostas econômicas de Flávio Bolsonaro.

Nossa Senhora Aparecida/ Que Nossa Senhora Aparecida ilumine o eleito no próximo dia 25, para que o país possa ter paz.