
Por Eduarda Esposito — A Agência francesa de desenvolvimento (AFD), instituição financeira do governo francês que implementa política de ajuda ao desenvolvimento sustentável e solidariedade internacional, e o governo brasileiro devem assinar em breve um acordo para que a AFD invista em fundos de desenvolvimento regionais no país. O objetivo é acelerar a universalização do acesso à água no Brasil. Em entrevista ao blog, o diretor regional AFD Brasil – Cone Sul, Dominique Hautbergue, explicou sobre as parcerias e a importância que o Brasil tem para a França.
A agência francesa apoia projetos no Brasil há quase 20 anos. Só em 2025, a AFD financiou €$ 1,2 bilhão no país, em que 3/4 desse montante foi destinado ao setor de água. Um diferencial da agência é que grande parte dos investimentos não contam com garantia do governo federal, a AFD assume o próprio risco, e com isso, 90% dos projetos envolvendo água no Brasil foram fechados sem garantia.
Dominique explicou ainda que um dos principais motivos de todo o cuidado da França com o Brasil se deve à proximidade. “A Guiana Francesa é a maior fronteira externa da França com o Brasil. Tem muitas empresas francesas presentes no Brasil, são 500 mil empregos diretos, 1,4 mil empresas e 38 delas são as maiores empresas francesas. A França é o segundo investidor no estrangeiro no Brasil. São alguns dados que reforçam a importância da presença francesa e do interesse e da ligação entre a França e o Brasil”, pontuou.
Hautbergue ressaltou ainda que cuidar do Brasil é cuidar dos franceses que moram no país e do ecossistema das empresas que aqui funcionam. “É garantir o bem-estar dos franceses e garantir que as empresas e os investidores do Brasil tenham acesso a um serviço que consegue tratar os esgotos das empresas industriais. São quase 500 mil trabalhadores empregados nas empresas francesas que também podem se beneficiar de condições de vida digna através de água e saneamento sanitário”, concluiu.
Durante o evento Diego Pederneiras Moraes Rocha, assessor para assuntos jurídicos da Secretaria Especial do Programa de Parcerias de Investimentos (SPPI), destacou a importância do trabalho da FDA em parceria com o governo e empresas brasileiras. “São mais de 30 leilões no setor de saneamento por Programa de Parcerias de Investimentos (PPI). No setor de saneamento, o Brasil, particularmente, é um é um país com grande diversidade, bastante heterogêneo. E a gente, por outro lado, tem diversas carências e esses são um pouco dos nossos desafios. No fim do dia, a gente precisa atrair parceiros privados para a implementação das estruturas e o PPI trabalha basicamente nisso”, destacou.
Despoluição das águas
A AFD ainda investe em projetos para despoluição de águas, como o do Sena em Paris, a Baía de Guanabara no Rio de Janeiro e do Lago Paranoá em Brasília. Dominique explica que o uso de satélites na fiscalização de pontos de poluição é um dos mecanismos mais eficientes nessa atuação.
“Decidimos apresentar o trabalho que está sendo feito hoje em dia na baia de Guanabara, e principalmente o monitoramento das poluições que permite identificar da onde que vem e como tratar através da engenharia espacial por dados de satélites. É um trabalho que foi desenvolvido pela cooperação francesa há um tempo e que permite identificar e ter um monitoramento a cada semana de cada ponto escolhido das poluições. É uma ferramenta que achamos muito interessante para o Brasil, para os reguladores, para as companhias de água e para as companhias que gerenciam represas também para identificar possíveis poluições”, disse.
Outro método é a destinação de subprodutos de tratamento de água, chamados de lodos de esgoto. Esse lodo pode ser utilizado em outras áreas da economia. “Tentar identificar a melhor maneira de reaproveitar esses lodos, por exemplo, na agricultura ou na produção de metano para produção energética. Então esse é um um tipo de despoluição que que fazemos”, contou.

