Cosette Castro
Brasília – A Capital Federal está de parabéns. Esta semana está sediando atividades de cuidado coletivo e promoção da vida digna para a população, em especial para as mulheres.
No predio do Ministerio do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS) está acontecendo o I Encontro Nacional das Cuidotecas. Cuidotecas são espaços preparados para atender crianças com ou sem deficiência, nas universidades federais e, em breve nos Institutos Federais de todo o país. Isso vai possibilitar que as mães que cuidam possam voltar a estudar a noite, por exemplo.
Em 2024 (ano base para o relatório Síntese de Indicadores Sociais (IBGE, 2025), aproximadamente 32,% das jovens de 15 a 29 anos que abandonaram a escola sem concluir o ensino médio apontaram a gravidez ou o cuidado de filhos e /ou o cuidado doméstico como a razão principal para deixar de estudar. As cuidotecas, uma ação do Plano Nacional de Cuidados, pretende contribuir para reduzir a sobrecarga das jovens mães.
No Brasil, as mães solo também enfrentam desafios para continuar ou voltar a estudar. Afinal, elas enfrentam o desafio de manter a família sozinhas e ainda realizar cuidado doméstico e cuidado de pessoas sem creches públicas suficientes.
As lembranças dos desafios de ser uma mãe solo me incentivaram a escrever o texto que segue.
“Fui mãe solo a partir dos dois anos da minha filha, há 32 anos. Como mulher branca, de classe média, tinha uma situação privilegiada porque já era professora universitária. Ainda assim, era desafiador. Minha filha me acompanhou quando fui fazer o doutorado em Barcelona, na Espanha, como bolsista. Morei lá por quatro anos e lembro das noites estudando, escrevendo artigos e as vezes que dormi sentada, com o dedo no teclado do computador.
Foi morando fora do Brasil, sem familiares jovens ou adultos por perto, que comprovei a importância de tecer redes de apoio entre as mulheres. Essas redes de apoio e afeto foram desenvovidas com as estudantes latino-americanas, entre as vizinhas catalanas que adotaram nossa pequena família, entre as mães da escola pública de tempo integral que permitia que eu assistisse as aulas a tempo de buscar minha filha. As redes de apoio e afeto seguem fazendo parte da minha vida até hoje em Brasília, cidade onde vivo há 20 anos. Que o digam as amigas e o Coletivo Filhas da Mãe.
Mas não parei de ser cuidadora familiar nem de realizar cuidado doméstico. Sou filha única e cuidei por mais de 10 anos da minha mãe com demência. A doença progressiva e sem cura da minha mãe mudou radicalmente a minha vida.
Aumentou o tempo de cuidado, inclusive noturno. Além da redução de pesquisas, disiciplinas e orientandos, mudou o tema das pesquisas. E mudou meu olhar sobre a vida, sobre envelhecimento e sobre cuidado não remunerado. Mas, principalmente, me fez pensar sobre o que eu queria fazer nos próximos 50 anos
Há seis anos sou uma das coordenadoras do Coletivo Filhas da Mãe, que nasceu com a pergunta: Quem cuida de quem cuida? e apoia pessoas que cuidam sem remuneração, em sua maioria mulheres. Há seis anos escrevo, participo de palestras, debates, pesquiso sobre cuidado, também sobre envelhecimento e a relação deles com o mundo digital. Pesquiso sobre quem cuida e quem necessita cuidados, porque os dois temas estão interrelacionados.
Com isso, espero contribuir para sair da Sociedade da Violência em que vivemos e construir uma Sociedade do Cuidado. O cuidado é um direito humano, é uma necessidade e um bem comum a ser cultivado. Ele deve estar no centro da vida em todas as etapas.
PS: Nesta sexta, dia 15/05, às 19h, vai acontecer o Seminário “Quem Cuida de Quem Cuida? Reflexões sobre o cuidado não remunarado entre mulheres bancárias do DF. Local Teatro dos Bancários. Aberto à comunidade.
PS 2: Domingo, dia 17, às 8h30, acontecerá a 4a. Trilha Urbana Os Caminhos de Athos Bulcão na Asa Norte. Encontro às 8h30, no estacionamento da Fiocruz/UnB. Trilha aberta e gratuita.
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