Hoje, com Circe Cunha e Mamfil – Manoel de Andrade
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Poucas imagens são tão devastadoras quanto a de uma cidade destruída por um terremoto. Em poucos segundos, inocentes morrem, prédios desaparecem, estradas racham, hospitais entram em colapso e os milhares de sobreviventes têm a vida alterada para sempre. Foi exatamente esse cenário que voltou a assombrar a Venezuela após os fortes terremotos de magnitudes 7,2 e 7,5 que atingiram o país nesta semana, provocando mortes, centenas de feridos e danos extensos à infraestrutura. Autoridades venezuelanas decretaram estado de emergência diante da magnitude da tragédia. Mas o que causa mais danos a uma nação, uma catástrofe natural ou um governo incapaz, corrupto ou destrutivo? Terremotos matam depressa. Maus governos costumam matar devagar. A natureza é indiferente às ideologias. Quando as placas tectônicas se movem, não perguntam quem está no poder. Não distinguem ricos de pobres, governistas de oposicionistas. Simplesmente liberam forças acumuladas durante séculos. Em poucos minutos, o trabalho de gerações pode ser reduzido a escombros.
Governos ruins operam de forma diferente. Seus efeitos são graduais. Quase imperceptíveis no início. Primeiro surgem pequenos sinais de deterioração institucional. Depois aparecem a inflação, a fuga de capitais, a perda de confiança dos investidores, o enfraquecimento dos serviços públicos, a corrupção crescente e o aumento da pobreza. Quando a população percebe a dimensão do estrago, grande parte do dano já foi produzida. A história oferece inúmeros exemplos. O terremoto de Lisboa, em 1755, destruiu boa parte da capital portuguesa e matou dezenas de milhares de pessoas. Mesmo assim, Portugal conseguiu reconstruir sua principal cidade em poucas décadas. A Alemanha saiu arrasada da Segunda Guerra Mundial. Suas cidades estavam em ruínas. Sua infraestrutura havia desaparecido. Poucos anos depois iniciava uma das mais impressionantes recuperações econômicas da história moderna. O Japão sofreu terremotos, tsunamis e duas bombas atômicas. Ainda assim transformou-se em uma das maiores economias do planeta.
Catástrofes naturais podem destruir patrimônio. Instituições sólidas permitem reconstruí-lo. O problema surge quando o desastre natural encontra um Estado enfraquecido. Nesse caso, o terremoto deixa de ser apenas um fenômeno geológico. Passa a funcionar como um teste brutal da qualidade das instituições nacionais. Hospitais não funcionam; os serviços de emergência não respondem; as estradas não resistem; as construções não obedecem normas técnicas; os recursos destinados à prevenção não chegam ao destino correto. É óbvio que cada uma dessas questões remete menos à geologia e mais à política. Países bem administrados também sofrem terremotos. A diferença é que costumam sofrer menos mortes.
Ano caso da Venezuela a tragédia chega carregando décadas de problemas econômicos, institucionais e sociais. Antes mesmo dos tremores, milhões de venezuelanos haviam deixado o país em uma das maiores crises migratórias da história recente da América Latina. A produção petrolífera caiu drasticamente ao longo dos últimos anos. Serviços públicos enfrentaram dificuldades recorrentes. A infraestrutura envelheceu. Tudo isso amplia a vulnerabilidade diante de qualquer desastre natural. O terremoto não criou esses problemas. Apenas os expôs de forma dramática. Há uma diferença importante entre um fenômeno natural e um fenômeno político. Nenhum cidadão pode impedir um terremoto. Já os erros humanos são, em teoria, evitáveis. Corrupção não é força da natureza. Má gestão não é fenômeno geológico. Desvios de recursos públicos não são inevitáveis.
Aristóteles observava que a finalidade da política é criar condições para uma vida boa em comunidade. Séculos depois, Winston Churchill resumiria o mesmo princípio ao afirmar que o preço da grandeza é a responsabilidade. Governos existem justamente para preparar a sociedade para enfrentar o imprevisível. Ninguém espera que um governante impeça terremotos. Espera-se, porém, que reduza seus efeitos. Por isso talvez seja inútil tentar estabelecer uma competição entre tragédias naturais e tragédias políticas. Cada uma destrói de maneira diferente. Os erros políticos podem destruir durante décadas. O caso venezuelano mostra que as duas formas de desastre podem acabar se encontrando no mesmo lugar. Quando isso ocorre, o resultado costuma ser especialmente cruel para a população comum, que perde duas vezes: primeiro para a natureza, depois para as falhas humanas.
Enquanto equipes de resgate procuram sobreviventes entre os escombros e o país tenta medir a extensão dos danos, permanece uma lição que atravessa séculos e continentes. Uma boa escolha no momento do voto frequentemente determina quantos sobreviverão quando a terra voltar a tremer.
A frase que foi pronunciada:
“Precisamos de um terremoto político, não de um terremoto geológico.”
Davan Yahya Khalil
Ninguém pode negar a importância da preservação da memória coletiva, da construção da identidade de um povo, o estímulo ao pensamento crítico, a coesão social, a formação educacional da população. A não ser a autoridade que permite uma obra durar mais de 10 anos para entregar aos contribuintes a sala Villa Lobos, do Teatro Nacional. Essa, autoridade não se preocupa.
História de Brasília
O Setor de Residências Econômicas será um dos mais belos bairros de Brasília. Estão ampliando tôdas as casas, e já começaram o trabalho de urbanização, com o asfaltamento de ruas internas. (Publicada em 22.05.1962)






