Categoria: ÍNTEGRA
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com Circe Cunha // circecunha.df@dabr.com.br
No jogo político, é comum que partidos se utilizem e difundam estratégias que visam apenas confundir e iludir os oponentes. Como numa partida de cartas, a política lança mão do blefe e da simulação para preservar vantagens. Quem não consegue reconhecer, de cara, essas artimanhas acaba fazendo o jogo do concorrente, às vezes sem se dar conta disso.
No caso do movimento de impeachment da presidente Dilma, é justamente isso o que vem ocorrendo. Ao reconhecer a força desse movimento, a cúpula petista faz o jogo duplo para confundir as oposições. De público, rechaça o impeachment, dizendo se tratar de golpe contra uma presidente democraticamente eleita com 50 milhões de votos. Na intimidade, porém, as lideranças consideram que a destituição constitucional da presidente vai pôr fim ao desgaste de um governo que, reconhecem, sempre atingiu o partido de forma negativa.
De fato, a retirada de Dilma do caminho interessa mais ao partido do que às oposições. Em primeiro lugar, acreditam, tira a sigla dos holofotes e do protagonismo negativo, lançando-o de volta à oposição, seu lugar de origem e onde se movimenta como nenhum outro. Neste momento de crise, é tudo o que o partido no poder quer. Catapultado de novo à oposição, vai lavar as mãos para a crise e, ao mesmo tempo, se colocar na posição de vítima injustiçada de um golpe no tapetão.
O derradeiro dia da presidente Dilma à frente do Executivo marcará as primeiras horas no trabalho de renascimento do partido, livre agora do enfado da administração do país. E, já no primeiro instante, do outro lado do balcão, começará a difundir a versão de que a ruína econômica é obra dos golpistas que sabotaram um governo popular.
Lançar Dilma ao mar é tudo o que resta agora para preservar um partido caído em desgraça e, talvez, sua última chance de sobreviver. Importante nessa jogada é que novos ocupantes do Palácio do Planalto se acautelem das bombas deixadas para trás e providenciem, o quanto antes, uma auditoria internacional e isenta das contas do Estado, apresentando-as prontamente ao público. Depois é só chamar um padre para benzer o lugar.
A frase que não foi pronunciada
“Quando você vai fazer uma coisa certa, pode fazer de qualquer jeito. Mas, quando for errada, tem que fazer direitinho.”
Frase solta pela Praça dos Três Poderes
Pardal
Encampando a reclamação de outro leitor na coluna sobre a sanha arrecadatória, mais contribuição para o assunto trânsito em Brasília. Diz André Felipe: “Sugiro que verifiquem um pardal localizado na BR-020, próximo ao km 14 da via, no sentido Sobradinho-Brasília, altura de bairro denominado Nova Dignéia II”.
E continua
“Colocaram uma lombada eletrônica para redução de velocidade calibrada para 40km/h em uma BR, o que já não seria por si algo muito explicável. O problema, contudo, torna-se mais grave quando tal lombada foi colocada poucos metros depois de um retorno da estrada. Assim, quem sai do retorno preocupado com quem vem na estrada, acelerando para não atrapalhar o trânsito, fatalmente é multado por uma lombada eletrônica de 40 km/h.”
Sugere
“Acredito que o lugar minimamente sensato para essa lombada seja, pelo menos, antes da saída do retorno. Assim, os motoristas que já estão na estrada reduzem a velocidade e quem sai do retorno tem seu ingresso na estrada facilitado. Da forma como está, é praticamente impossível sair do retorno preocupado com o trânsito e passar a menos de 40km/h na lombada.”
Release
“Venham cantar, tocar algum instrumento ou declamar a convite do Clube da Bossa e do Sesc no próximo sábado, dia 2, às 11h30, no Teatro do SESC situado na Quadra 2 do Setor Comercial Sul. Quem não quiser se apresentar poderá vir assistir. A entrada é franca.”
História de Brasília
O repórter de um jornal uruguaio transmitindo noticiário para seu país pela Cadeia da Legalidade informou que ontem à tarde um avião da FAB sobrevoava Porto Alegre, soltando boletins com a portaria do ministro da Guerra, licenciando os cabos e sargentos do III Exército.(Publicado em 3/9/1961)
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A crise, por seus desdobramentos diários, se tornou assunto inesgotável e, portanto, obrigatório. Esse fenômeno ocorre não é por conveniência da imprensa, sempre aberta a manchetes de escândalos. A mídia reage, na maioria das vezes, apenas aos acontecimentos, dando prosseguimento correto à divulgação para o grande público. Essa é a sua razão de existir. Os observadores são unânimes em afirmar que o momento político vivido hoje no país é o mais grave dos últimos cinco séculos de nossa história.
A avalanche ininterrupta de fatos, vindos da Praça dos Três Poderes e de Curitiba, ocorre em tal volume que, praticamente, não dá tempo para se pensar em reação nem em respostas nem em estratégias de defesa. DesTa vez, os caríssimos escritórios de advocacias que, anteriormente, faziam a diferença entre os “iguais perante a lei” se veem diante de processos de defesa cada vez mais intrincados.
O encurtamento das possibilidades recursais à segunda instância provocou uma revolução no rito jurídico, que ainda não foi devidamente aquilatado. O risco de uma profunda cisão na sociedade é presente e, mesmo assim, continua sendo alimentada pelo que restou da turma de apoio ao governo. A tática de dividir para enfraquecer e confundir continua sendo empregada, talvez como recurso de desespero final.
A força do tempo mostra, mais uma vez, que nada no mundo é para sempre. Pessoas e partidos também não escapam à ação corrosiva do passar dos dias. Mais duradouros e quiçá necessários são os valores morais humanos. Mas esses também sofrem com o efeito ralador do tempo. A moral, e não o moralismo, se tornou mercadoria escassa. Muito mais do que o fim que se anuncia inexorável, o que mais deve torturar aqueles que ainda estão embarcados na nau governista é o fato de saber que eles podiam absolutamente tudo.
A partir de 2002, um país inteiro foi disposto numa grande mesa ao partido para que operassem as mudanças necessárias e que por séculos foram sendo adiadas. Era a verdadeira travessia do Mar Vermelho que se abria para a passagem de milhões de desassistidos. O que, à primeira vista, parecia uma jornada tranquila, se revelou — por carência na qualidade dos quadros convocados para a alavancagem histórica do Brasil — um trabalho impossível de ser realizado.
Essa missão veio a se confirmar num fracasso imensurável, quando revelou que a falta de qualidades pessoais era agravada ainda pelo vício da corrupção. “Deus põe e o diabo dispõe”, diz o filósofo de Mondubim, resumindo o que aconteceu na sequência. O governo agiu, o tempo todo, como quinta-coluna, minando o próprio caminho, sabotando a si próprio e, por tabela, a todos, indistintamente.
A frase que não foi pronunciada
“O que o futuro fez por você?”
Lição do ontem
Da fonte
Amanhã, às 10h, na sede do Ipea, no Edifício BNDES, ocorrerá uma solenidade para o lançamento da coletânea de artigos Catadores de materiais recicláveis: um encontro nacional. Sob a perspectiva dos próprios catadores, o material fundamenta novas políticas públicas de reciclagem. O evento contará com a presença do presidente do Ipea, Jessé Souza, e do presidente do Conselho Nacional do Serviço Social da Indústria, Gilberto Carvalho.
Rio Doce
Perguntas do leitor Danilo Emerich. 1) Há algum posicionamento do Ministério do Meio Ambiente sobre o estudo que aponta contaminação nos peixes 140 vezes acima do limite? 2) Além de pesquisas, o que pode ser feito para reverter o quadro da contaminação da vida aquática? 3) Há risco para a saúde humana ingerir esses peixes? 4) O que está sendo feito para impedir a comercialização?
Força-tarefa
Bruna Pinheiro, diretora-presidente da Agefis, mostrou que se trata de uma guerra a ação dos grileiros no DF. Em seminário, ela revelou a perda em arrecadação. Verba que poderia ter sido usada na saúde e na educação. “Uma única chácara vendida por grileiros, no ano passado, por R$ 20,8 milhões. Um hospital para atender 40 mil pessoas custa R$ 15 milhões. O maior roubo que a gente tem dentro da cidade, o maior desvio financeiro, é o da terra”, disse Bruna.
Release
O mundo continua de braços cruzados assistindo à dramática situação dos refugiados da Síria. A Acnur promove hoje conferência de alto nível em Genebra. A avaliação da Acnur é que dos 4,8 milhões de refugiados sírios registrados nos países vizinhos da Síria e no norte da África, mais de 10% dessa população necessitam ser reassentados em outras regiões do mundo. Com a continuidade do conflito na Síria, mais de 450 mil vagas de reassentamento serão necessárias até o fim de 2018.
História de Brasília
Posse, pura e simples, é o que determina a Constituição. Os arremedos encontrados pelo Congresso são a prova da fraqueza do povo na escolha dos seus representantes. E a atitude de 21 deputados do PTB determinou a aprovação da emenda parlamentarista que, há 16 anos, é recusada pelo mesmo Congresso.(Publicado em 3/9/1961)
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Uma cidade é, antes de tudo, um organismo vivo. É gerada a partir de um complexo planejamento tão ou mais sofisticado do que a própria vida orgânica. Uma cidade nasce, cresce, se expande e, não raro, entra em decadência e morre. Dessa forma, pode-se considerar que a construção de uma cidade é processo contínuo e que, praticamente, jamais se completa ou tem ponto final. No caso de cidade ou sítios tombados, essa mecânica segue modelo ou protocolo diferente. A área tombada pela Unesco em Brasília em 1987, abrangendo seu aspecto volumétrico, está restrita ao perímetro urbano do Plano Piloto. O que deveria ser comemorado como motivo de orgulho para toda a população, vem sendo, desde a emancipação política da capital, em 1988, alvo de todo tipo de ataque.
De um lado, a especulação imobiliária, impulsionada pelo inchaço populacional da cidade, levou a pressões variadas — algumas, inclusive, criminosas — para alterar ou simplesmente desprezar o tombamento. Os argumentos para os ataques são, obviamente, falsos. Dizer que o tombamento engessa o crescimento da cidade e impede seu desenvolvimento não passa de retórica de gente que tem no horizonte apenas motivos financeiros próprios.
O pior nesta polêmica toda é que aqueles que deveriam, até por função, proteger e lutar para a preservação do Plano Piloto no Livro do tombo da Unesco, são os primeiros a buscar a desfiguração do projeto original de Lucio Costa. A Câmara Legislativa, por diversas vezes, por incrível que isso possa parecer, tem voltado sua artilharia contra o tombamento da capital.
As razões para este comportamento contraditório, já tratado neste espaço, se resume ao binômio um lote, um voto. De um lado, os corruptos, e, de outro, os corruptores loucos para efetivar o ganho. O verdadeiro festival de puxadinhos e remendos improvisados vão, pouco a pouco, tomando conta da cidade, não respeitando as áreas verdes, o comércio nem mesmo as residências.
Todas essas modificações e improvisos são apoiados e incentivados por nossos representantes. A profusão paulatina de modificações ao projeto de Lucio Costa, em pouco tempo, tornará irreversível a ideia original, contaminando também a permanência da capital como patrimônio cultural da humanidade. Os arremedos de arquitetura vêm acontecendo numa sequência tal que, em poucos anos, Brasília terá o mesmo aspecto desarrumado comum à maioria das cidades brasileiras, onde o desrespeito à arquitetura e ao urbanismo é norma e segue a sanha de políticos de passagem.
A diretora-presidente da Agefis, Bruna Pinheiro, anuncia que, até julho, amplo levantamento de intervenções irregulares será seguido de campanhas educativas no Plano Piloto. A partir dessa data, o órgão promete remover as construções irregulares que ferem o tombamento. Fechamentos de pilotis, grades e cercas não serão aceitos e eles vão ser devidamente arrancadas, promete o órgão.
A frase que foi pronunciada
“Não poderá prevalecer a paz na Terra enquanto existir o aborto. Porque é uma guerra contra as crianças. Se aceitarmos que uma mãe mate seu filho no próprio ventre, como podemos dizer para outras pessoas que não matem uns aos outros?”
Madre Teresa de Calcutá
Carta do leitor I
É impossível para o bom senso entender a razão da diminuição da velocidade de 80km/h para 60 km/h em pequeno trecho da Avenida das Nações Norte em frente ao Iate Clube. A Avenida das Nações é uma via de velocidade constante onde o motorista crava os 80km/h e consegue fazer seu deslocamento sem problemas.
II
Tecnicamente, nada justifica dois pardais distantes a menos de 300m um do outro nessa localidade. A não ser o furor arrecadatório. O leitor deve ter reparado que me referi a órgão de trânsito. Isso porque não consigo entender que quem multa na L4 deve ser o DNER e, na L2, o Detran. Provavelmente, os diretores e chefes são duplicados nos dois órgãos. Não há bom senso; nem consigo entender por que no eixinho quem multa é o Detran e no Eixão o faturamento é do DER.
III
Nossos governantes e todos os escalões inferiores precisam perceber que a população está com a paciência atingindo o limite quando o assunto trata de má gestão e de desrespeito aos direitos do cidadão contribuinte. É justo pagar multa quando se desvia da legalidade do trânsito. Mas é insuportável para a paciência do contribuinte perceber armadilhas (dois pardais e redução maluca de velocidade) que visam apenas o faturamento dos órgãos.
IV
Sr. governador, perceba o descontentamento do cidadão e exija que os órgãos, para os quais o senhor nomeia os diretores e chefes, respeitem o direito do contribuinte. É difícil pagar enormidades em impostos e multas e trafegar em vias esburacadas, remendadas e cheias de armadilhas inseguras.
História de Brasília
Na hora de defender a pele, de tentar salvar o seu prestígio, o sr. Carlos Lacerda esqueceu todos os seus dotes democráticos. Mandou apreender jornais, arrolhar jornalistas e distribuir, pelo Palácio, notícias tendenciosas e desprovidas de verdade.(Publicado em 2/9/1961)
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Como todo marco histórico ou religioso, a Páscoa tem um significado que oscila entre o mundo dos homens — com data, local e personagens identificáveis — e o mundo celeste, das coisas dos espirituais, do metafísico e ligados à fé.
No mundo judaico, a Páscoa ou passagem relembra a longa fuga dos judeus do cativeiro babilônico, possivelmente no ano de 1447 a.C. e que é descrito no Antigo Testamento (Êxodo). Para os cristãos, a Páscoa simboliza um dos fundamentos de sua fé, que é a ressurreição de Jesus, após ter sido barbaramente torturado e crucificado. Em ambas as tradições, observa-se que o sentido de passagem estabelece também um sentido de superação de um estado para outro patamar. Nas duas tradições, a Páscoa é tomada como uma alegoria que mostra o rito de passagem, como um obstáculo necessário a ser transposto.
Para os judeus, foram necessários 40 anos vagando no deserto, até o momento em que Jeová estabelece com eles aliança que é firmada nas Tábuas da Lei. Na história cristã, a passagem é sinalizada por um obstáculo de 40 dias de jejum (Quaresma), durante o qual Jesus foi submetido a todo tipo de tentação para se entregar ao mundo.
Esses terríveis obstáculos foram superados graças não só ao predomínio da força do espírito sobre a matéria, mas sobretudo pela certeza de que, além daqueles estorvos imediatos, havia Canaã, onde jorrariam leite e mel, ou a vida celeste e eterna.
A maioria das religiões do planeta pregam em comum a valorização do espírito sobre a carne e a renúncia ao materialismo, que é apontada por elas como obstáculo a ser passado para trás. O que a Páscoa relembra, a cada ano, na nossa tradição judaico-cristã, é que devemos ter como incentivo esses exemplos luminosos de superação. Cada um, individualmente, e a sociedade, como um todo, podem e são capazes de transpor os obstáculos imediatos.
A frase que não pronunciada
“Porquanto, o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males; e por causa dessa cobiça, alguns se desviaram da fé e se atormentaram em meio a muitos sofrimentos. Exortações aos homens de Deus.”
1 Timóteo 6:10
Lá fora
A CNN mostrou pessimismo sobre a organização dos Jogos no Rio de Janeiro e pontuou as preocupações dos estrangeiros. Os protestos podem não ter acabado em agosto, mais de 1,5 milhão de casos de zika em 2015, o problema da água contaminada em locais dos Jogos de Verão não foi sanado. Os organizadores esperavam uma venda melhor. Apesar de a presidente ter reunido jornalistas estrangeiros para esclarecimentos sobre a política do Brasil, o material da CNN sugere que analistas acreditam que o impeachment de Rousseff ajudaria a recuperar a confiança dos investidores na economia golpeada do país.
Dono
Quem gravou o presidente Obama dançando tango cortou todas as reproduções da internet. Em vários sites, há um aviso que a reprodução em outros websites foi proibida e remete ao YouTube.
De olho
Como as empresas de agrotóxicos estão um pouco esquecidas em detrimento das construtoras que ganham propina para ínfimas obras de saneamento básico, a ideia é aproveitar a distração popular para apresentar uma proposta em que os agrotóxicos sejam jogados por aviões agrícolas para controle do mosquito da dengue. A ideia é estapafúrdia pela ineficiência do produto nesse combate e pela fórmula cancerígena. Mas injetará uma fortuna para os fabricantes.
Capelinha
Público impressionante no Morro da Capelinha. Mais de 50 mil pessoas participaram da encenação da ressurreição de Cristo. Realmente emocionante.
História de Brasília
Enquanto o país pega fogo com a divergência de opiniões, o responsável pelo estado de coisas singra, placidamente, oceanos coloridos, no luxo de um “Uruguay Star”. Enquanto isto, o povo devota-lhe o esquecimento, que é o maior castigo. (Publicado em 2/9/1961)
Chega a ser espantosa a capacidade que este governo tem em produzir diariamente fatos negativos contra si. A máquina de desastres do Executivo obedece a uma lógica irracional presente desde a posse para o primeiro governo Lula e continua trabalhando a todo o vapor até hoje. Para a imprensa, eleita a inimiga da hora, a fabricação do governo de factoides, como comunicar às embaixadas de que o Brasil sofre um golpe, ajuda a encher as manchetes e os noticiários. Para a população, trata-se de uma calamidade que lança o país, cada vez mais, no gueto do subdesenvolvimento permanente. Basta ver o estrago causado pelo propinoduto.
Desta vez, o tiro no pé, como se ainda existissem pés a serem atingidos, vem do Itamaraty. Não bastassem as seguidas humilhações impostas por este governo à Casa de Ruy Barbosa, transformada em anexo do Partido dos Trabalhadores para assuntos internacionais, a Secretaria de Relações Exteriores do ministério (Sere), por meio do ministro Milton Rondó Filho, antigo assessor do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST) e ardente militante petista, resolveu enviar às embaixadas brasileiras no exterior uma mensagem em que alerta para o risco de um golpe político no Brasil.
Na mensagem lunática, o ministro pediu que cada posto designasse um diplomata para dialogar com organizações da sociedade civil local, esclarecendo o que vem ocorrendo por aqui e pedindo adesão. “Nós”, diz a mensagem, “os movimentos sindicais, sociais e populares do Brasil, componentes do Grupo Facilitador do Foro de Participação Cidadã da Unasul e do Mercosul denunciamos o processo reacionário que está em curso em nosso país contra o Estado Democrático de Direito. Não ao Golpe. Nossa luta continua. Abong — Organização em Defesa dos Direitos e Bens Comuns.”
Para quem entende dos meandros do Itamaraty, principalmente sob este governo, não tem dúvidas de que o ministro Rondó agiu por determinação e cobertura superior, dado a gravidade do conteúdo desse documento. Enquanto não se esclarecem, devidamente, esses fatos, ficam aqui mais uma prova, entre muitas, do engajamento político-partidário dessa outrora importante instituição e uma evidência a mais de sua decadência e perda de credibilidade perante o mundo.
A frase que não foi pronunciada
“Há uma hermenêutica entre nós.”
Diálogo entre o subconsciente dos juízes Moro e Zavascki
Ruído
Enquanto a presidente Dilma dá entrevista para repórteres estrangeiros, o jornal britânico escreve: “Mesmo que essa não tenha sido a intenção da presidente, esse seria o efeito. Esse foi o momento em que a presidente escolheu os interesses de sua tribo política em vez da lei. Por isso, ela se tornou inapta a continuar sendo presidente”.
Revista Fortune
A única coisa que o juiz Sérgio Moro tem em comum com o PT é o número 13. Ele ficou em 13º lugar como um dos homens mais influentes do mundo. A ação anticorrupção foi a razão dessa projeção.
Trombone
Lentes voltadas para Mônica Moura. Com livre acesso aos palácios do Planalto e da Alvorada, a responsável pelas finanças do marido sabe muito.
Antagonista
Adilson Dallari, em setembro de 2015, explicou na casa de Hélio Bicudo como o governo do PT viola a Constituição ao defender, por exemplo, o sigilo sobre os empréstimos do BNDES. Disse ele: “Quem contrata com o poder público está abrindo mão do sigilo, porque o princípio constitucional é o da publicidade. Não se pode admitir negócio público sigiloso”.
Incrível
Quem disse que criança gosta de nhe-nhe-nhém? Emmanuel Emiliano Fortes de Andrade vibrou com o troca-troca de livros na Banca da Conceição. O pai lê para ele, em média, meia hora por dia em voz alta. Curiosidade: Emmanuel tem 4 meses de idade.
História de Brasília
Há, na Câmara, um homem que já se torna impertinente pelo seu trabalho incansável. Está à beira da estafa, pelo esforço desenvolvido, mas é para o povo, para o eleitor comum, o homem símbolo de um Congresso. A defesa da Constituição é para ele um dogma e o trato para com as leis é para ele uma devoção. Chamam-no de impertinente, combatem-no, mas que bom se todos os deputados tivessem a mesma consciência do sr. Aurélio Viana. (Publicado em 2/9/1961)
Personalismo, que o dicionário traduz como atitude de que tem a si próprio como ponto de referência de tudo o que ocorre à sua volta, adquiriu características muito próprias entre nós. Tomado fora do conceito de movimento ligado ao Humanismo de 1929, de Emmanuel Mounier, que busca conduzir o homem para a sua realização como pessoa, o que temos atualmente com o governo da presidente Dilma é desvirtuação completa do conceito original, utilizado mais no sentido de voluntarismo, no qual a pessoa acredita que possa modificar o curso dos acontecimentos apenas por vontade própria.
O problema com o sistema presidencialista, nos moldes como ele é concebido no Brasil, é que as variações de humor e personalidade dos chefes do Executivo possuem poder brutal de se irradiar para todo o governo, contaminado a máquina pública, que passa a operar segundo desejos e feelings do mandatário. Logicamente, isso não dá certo, ainda mais quando esse posto passa a ser ocupado por alguém de personalidade obtusa, incapaz de enxergar o mundo a sua volta.
Essa limitação, somada à falta de talento demonstrada por Dilma para comandar a administração, levou-nos até aqui em abaixo. Para piorar a situação, a presidente se encontra refém, por vontade própria, de seu criador e de seu partido, um agrupamento de gente primitiva e extremamente perniciosa aos interesses da nação.
Como não podia deixar de ser, nesse caso, Dilma transformou o Palácio do Planalto em bunker de sua trupe, de onde passa a fazer diariamente discursos inflamados e irresponsáveis, buscando desacreditar não só a Justiça, como o parlamento e todos os que dela discordam.
Fechada, cada vez mais em torno de um núcleo formado de áulicos oportunistas, e com um discurso que vai se assemelhando a grito de guerra, Dilma segue ao encontro do destino que traçou para si, arrastando todos, indistintamente, para seu ocaso. Na eminência da hecatombe, Dilma acaricia displicente as cordas de sua lira louca, enquanto assiste impassível, da janela no terceiro andar do seu Palácio, a um país que arde em chamas.
A frase que não foi pronunciada
“O caixa da Petrobras é nosso.”
Campanha flagrada
Rigor
É preciso que a Secretaria da Saúde exija dos profissionais que a lavagem das mãos seja rigorosamente técnica. Hospitais e postos de saúde, principalmente na vacinação, a equipe é completamente displicente na limpeza das mãos.
Buraqueira
Principalmente agora, durante cobrança do IPVA, seria bom que os responsáveis pelo pavimento das estradas fizessem uma vistoria mais apurada. O que os cidadãos não aguentam mais é pagarem impostos e não terem a contrapartida. Os buracos nas pistas, a cada chuva, acabam custando mais caro do que os impostos para a manutenção dos automóveis.
Desleixo
No Trecho 8 da SMLN, uma empresa a serviço da Caesb rasgou o asfalto para levar manilhas da RA do Paranoá até o Lago. Metade da pista, na entrada da quadra, era de asfalto, e hoje é de terra. E fica por isso mesmo. Os moradores que pagam o IPTU mais caro da cidade que aguentem.
Precificar
Ocupando o terreno desde a fundação da cidade, o Lions Club recebeu apoio de Agaciel Maia para que permaneça no local. A Terracap quer leiloar a área. Talvez o preço do terreno valha o trabalho social que o Lions Club tem feito para contrabalançar a omissão do Estado.
Atitude
Por falar em social, a Action Aid, com sede no Rio de Janeiro, é uma proposta interessante de caridade. A instituição tem o cadastro de crianças que precisam de socorro, cuidados alimentares, carinho e atenção. Com R$ 50 por mês, a instituição repassa o que recebe dos apoiadores para uma criança, em especial, que tem endereço e nome. Assim, você se comunica e pode até marcar um encontro. Nepal. Etiópia, Zâmbia e também crianças do Brasil são atendidas pela iniciativa. É só ligar para 08009404420.
História de Brasília
Não defendo o sr. Jango Goulart. Vemos, com tristeza, o tratamento que está sendo dado à Constituição, pela qual todos os deputados e senadores juraram. (Publicado em 2/9/1961)
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Um turista displicente, que adentrasse o Palácio do Planalto em meio à solenidade em que os juristas petistas foram emprestar solidariedade à presidente Dilma e ouvisse, por curiosidade, o discurso proferido em que a chefe do Executivo alertava para a iminência de um golpe, com sérios riscos para a ruptura democrática, com certeza pensaria estar em alguma outra republiqueta latino-americana, perdida em algum lugar do passado.
Uma boa parcela da população brasileira já se habituou a considerar, nesses últimos anos, que nos discursos da presidente, aqueles previamente escritos e com início, meio e fim, uma parte é composta por louvações a conquistas, outra se refere sempre ao papel que os pais da pátria têm na redenção dos brasileiros e, daí, a importância de mantê-los ad eternum no poder.
A outra metade é necessariamente formada por alertas e riscos para a continuidade do processo, caso a oposição ou os discordantes venham a vencer as eleições. Em regra, esses discursos parecem escritos pelo pessoal de marketing, em colaboração com ficcionistas e outros artífices da literatura e da propaganda.
A objetividade e a verdade dos fatos, com o reconhecimento dos erros de percurso do governo, são solenemente apagadas da fotografia oficial. Assim como são deixados de lado também quaisquer programas de governo de interesse da nação. Feitas as contas, o último discurso de Dilma é tecido apenas com os fios invisíveis da mentira, que busca dar roupagem a um governo que todos agora veem completamente nu.
O problema com discursos com esse perfil é que eles buscam recorrentemente a tática de apartar a sociedade em dois grupos antagônicos, lançando uns contra os outros, sempre em proveito próprio. Os ataques às instituições do Legislativo e do Judiciário representam, isso sim, desserviço à democracia de consequências irreparáveis. Ao afirmar ser necessário uma campanha pela legalidade, o que o governo deixa à mostra é seu desapreço pelo que diz a Constituição quanto aos mecanismos legais do processo de impeachment.
Dizer que “há uma ruptura institucional sendo forjada nos baixos porões da política”, e que os diálogos gravados pela polícia em que ela e o ex-presidente Lula, numa atitude flagrantemente antirrepublicana, tramam meios para obstruir a Justiça, violam a segurança nacional, é desrespeito à nossa inteligência e ao bom senso. Seria golpe se o governo e amigos tivessem cumprido a Constituição e todas as leis ao exercer suas obrigações frente à nação.
O que esse governo hoje colhe não é mais nem menos do que exatamente vem semeando nesses últimos anos. A presidente deveria dar graças aos céus por não ter os órgãos de investigação gravado os diálogos mantidos entre ela e o ex-presidente Lula nos almoços e jantares que ocorrem rotineiramente no Palácio da Alvorada sempre que há aumento da temperatura da crise. “Eu preferia não viver este momento”, disse a presidente. Imaginem, então, todos nós?
A frase que foi pronunciada
“Do rio que tudo arrasta se diz que é violento. Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem.”
Bertolt Brecht
Educação
Aluno não tolera só ouvir sem participar. Daí o sucesso nas escolas que encampam a novidade. A criançada vibra com a oportunidade de fazer parte de projetos LabMakers. Trata-se de laboratório tecnológico, em que os próprios alunos criam projetos físicos ou digitais. Espaços tecnológicos que funcionam como laboratórios que permitem aos estudantes criarem projetos físicos ou digitais para que tenham novas e ricas oportunidades de aprendizado.
Prevenção
Sem nunca ter enfrentado uma guerra, nós os brasileiros não temos a cultura da economia. Mas, com as dificuldades mundiais, esse cenário vem mudando. A iniciativa de parlamentares para o combate ao desperdício foi discutida em audiência pública na Comissão de Agricultura e Reforma Agrária.
Sem fome
Dois senadores solicitaram o debate. Senador Acir Guracz e Lasier Martins. O senador Ataídes Oliveira apresentou projeto de lei, dispondo que os estabelecimentos com mais de 200m², que trabalhem com alimentos, firmem parcerias com instituições que se interessem pelas sobras. “Temos no Brasil 26 milhões de toneladas de alimentos que vão, a cada ano, para o lixo. Sabemos que temos algo em torno de 7 milhões de pessoas que passam fome no país, das quais 3,4 milhões são crianças, que poderão ter comprometimento de seu aproveitamento escolar por causa da subnutrição”, explica o senador Ataídes.
História de Brasília
A ideia geral, o pensamento do novo, é no sentido de que o Congresso dê posse ao presidente Jango Goulart, e depois discuta a emenda parlamentarista. Tapar buraco na Constituição para atender a interesses políticos não é função do poder que emana do povo. (Publicado em 2/9/1961)
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Guerras, guerrilhas, atentados terroristas e conflitos armados de toda espécie e em todo o planeta, ao longo da maior parte da história humana, têm, a grosso modo, raízes comuns e facilmente identificáveis. Deixando de lado os aspectos puramente econômicos, os principais fatores que aparecem sempre como catalisadores ou como pano de fundo dessas carnificinas sistemáticas são de ordem política, religiosa ou militar — isso desde o surgimento das primeiras civilizações no vale dos Rios Eufrates e Tigre. Ao longo de milhares de anos os homens vêm sendo caçados e mortos com animais em nome da política, da religião e do militarismo.
Numa análise mais ligeira, poderia se pensar, então, em acabar com essa mortandade, cortando o mal pela raiz, por meio da eliminação pura e simples da política, da religião e do militarismo. Nada mais falso e mais impossível. Alguns analistas acreditam que a entrada da humanidade no terceiro milênio ou o fim da adolescência da espécie só ocorrerá, de fato, quando ela se libertar das amarras da política, tal como ainda desenhada hoje, qualificar e aperfeiçoar os modelos de representação atual, por meio de efetiva participação de todos, em tempo real, via meios virtuais. Na outra ponta, a evolução da espécie a levaria também ao descarte da atividade militar, representada principalmente pelo fim da indústria bélica, da corrida armamentista e dos exércitos.
Essa maturidade humana, acreditam eles, se completaria e teria seu coroamento simbólico com a eliminação ou abandono das religiões que aí estão. Para alguns pensadores, o homem do futuro prescindirá dessas antigas ancoras, doravante baseando as relações pessoais e com o próprio planeta por meio de modelos calcadas exclusivamente numa ética humana e universal.
Para alguns radicais, a redenção da espécie humana virá somente quando o último político for enforcado nas tripas do último pastor e ambos enterrados na cova onde jaz o derradeiro militar. Mesmo que isso venha a ocorrer algum dia, ainda assim não cessariam as hostilidades entre os homens. Bastaria apenas que uma flor resplandecesse mais que outra, em outro jardim, para todo o processo retornar ao ponto de partida.
Aquela flor mais rutilante foi obra de Deus dada somente àquele homem, dirão os novos profetas. Aquela flor mais notável é decorrente da interação mais intensa daquele jardineiro com outros, dirão os políticos. Aquela flor notável surgiu naquele jardim, por que é ali o local mais seguro para ela, dirão os militares. Enquanto não se chega à conclusão satisfatória, mata-se o jardineiro, destrói-se o jardim, arranca-se a flor.
A frase que foi pronunciada
“O Brasil é um velho Oeste sem nenhum candidato a xerife.
Bruna Ribeiro, estudante
Matagal e escuridão
Há décadas, os caminhos da UnB que levam às quadras da Asa Norte são perigosíssimos pela falta de iluminação. Estupros, furtos e roubos são comuns. Agora, com as facilidades eletrônicas os alunos da universidade fizeram o que a prefeitura deveria ter feito: um mapa dos locais onde é necessária iluminação. A promessa foi feita. O prefeito professor Marco Aurélio Gonçalves de Oliveira garantiu que novos postes serão instalados.
Atenção
Com lobby pesado os defensores do canabidiol para tratamento de algumas doenças precisaram aguentar a presença de alguns parasitas mal-intencionados. Em um hang out ficou o registro de que tudo estava combinado para aprovar em um pulo. Foi o que aconteceu. Os pacientes que precisam do canabidiol estarão a salvo. Como jabuti, o THC entrou no texto. Liberado também.
Consciência
O movimento Brasil sem Drogas está com força suficiente para reverter a conquista dos mal intencionados. O próprio senador Cristovam Buarque ficou horrorizado com o depoimento de mães de viciados. O que parece droga para recreação, em alguns adolescentes pode se transformar em inferno para a família.
Conad
Pior. O lobby para trazer as drogas para o Brasil está querendo mais. Mês que vem, na ONU a intenção do Conselho Nacional de Políticas sobre Drogas é de que o país deixe de ser signatário, automaticamente se desvinculando dos compromissos em proteger a população contra drogas, que passarão a ser lícitas.
História de Brasília
Estão fazendo guerra fria, com relação à Legalidade no rio Grande do Sul. A Marinha divulga que a obstrução do canal da Lagoa dos Patos poderá trazer colapso para o abastecimento de gêneros e de gasolina ao Estado; o Exército licencia todos os cabos e sargentos do III Exército, e a Aeronáutica informa que não há nenhum avião militar em Porto Alegre. Todos voaram para o Rio. Guerra fria, e fria mesmo. (Publicado em 2/9/1961)
Desde 1960
aricunha@dabr.com.br
com Circe Cunha /colaboração Mamfil mamfil@outlook.com
Somente o desprezo pelo Estado, incluídas todas as suas instituições, e, sobretudo, desdém pelos mais elementares direitos da nação, é que podem explicar a situação atual de derrocada total, tanto do Partido dos Trabalhadores, quanto de suas principais lideranças.
As últimas manifestações de rua a favor do impeachment da presidente Dilma enterraram de vez, em cova rasa da indigência, 13 anos de um governo que, a princípio, poderia ter dado certo, devido ao grau de adesão de primeira hora do grosso da população às suas teses originais, dada à esperança de todo um povo em mudanças.
O tempo, com seu ralador implacável, cuidou de transformar em farinha contaminada o índice de popularidade inédito, superior a 80%. A população deu e agora tomou. Perdeu o partido, com o carimbo duradouro do descrédito. Perdeu a sociedade, que terá de arcar com os prejuízos de terra arrasada deixada para trás e o tempo para reconstruir tudo novamente.
Para a democracia em formação, a experiência renderá lições preciosas, principalmente um manual sobre o que não fazer. Piores, nessa experiência mal lograda e infeliz, serão as consequências para o conjunto da população sob a forma de uma cizânia belicosa.
Sem dúvida, a maior herança maldita legada aos brasileiros foi cuidadosamente semeada, dia após dia, e tinha como objetivo claro, numa primeira fase, dividir para dominar. Posteriormente, essa tática divisionista viria a ser sistematicamente empregada como meio de desviar a atenção das pessoas para os reais problemas que surgiam à medida que as investigações policiais avançavam. Coxinhas, golpistas, nós contra eles, elite conservadora, brancos de olhos azuis e outros rótulos forjados a ferro e fogo como tatuagens.
O mesmo separatismo foi utilizado, no passado, pelos nazistas, para dividir os arianos dos judeus, obrigados a trazer marcado na pele a estrela de Davi. Essa é, entre todos os legados, a verdadeira semente do mal. Essa é a mesma semente germinada recentemente nos Bálcãs e que custou centenas de milhares de vidas.
Ao colocar o partido e seus ditames acima da vida e da dignidade humana, essa gente que agora se despede deixou à mostra seu desprezo pelo outro, tratado como inimigo a ser eliminado. De todas as acusações que poderão levar ao processo de impeachment desse governo, nenhuma é mais grave e mais nefasta, por seus efeitos deletérios do que induzir e lançar os brasileiros numa rinha fratricida e insana. Trata-se aqui de instigar e catalisar o genocídio, na sua forma mais cristalina, vista em diversos outros casos na história da humanidade.
A frase que foi pronunciada
“Cego é aquele que não vê seu próximo morrer de frio, de fome, de miséria. Surdo é aquele que não tem tempo de ouvir um desabafo de um amigo, ou o apelo de um irmão.”
Mario Quintana
Conde
Fernando Conde dá uma dica à redação para fazer matéria sobre a carne de bode. Segundo nosso leitor, e com o meu aval, trata-se de carne saudável e de bom paladar. Ele afirma que sem colesterol. Em Brasília, valeria a pena maiores esclarecimentos sobre a procedência dessa carne. A missiva termina com uma convocação dos patrícios nordestinos para se organizarem e formarem um pool de negócios por tão saudável iguaria.
Novidade
Tem gente que já comprou terreno no céu. Mas agora ficou mais fácil para quem quiser trazer o céu para o chão. O Senado votou, em segundo turno, a isenção de IPTU para igrejas. O projeto é do senador Crivella.
Reunião
Rogério Rosso, deputado federal, é um homem sério, apto para a missão que lhe foi conferida. Com o relator, Jovair Arantes, conduzirá as discussões na comissão especial do impeachment da presidente Dilma. O documento assinado pelos juristas Helio Bicudo e Miguel Reale Jr. e pela advogada Janaina Paschoal provocou a instalação da comissão especial.
Emater-MG
Estudos feitos pela Emater mineira nos municípios de Mariana, Barra Longa, Ponte Nova e Rio Doce apontaram prejuízo em torno de R$ 23,2 milhões aos produtores rurais diretamente atingidos pelo rompimento da barragem da Samarco. Os técnicos da empresa visitaram cada uma das propriedades.
História de Brasília
E por falar em DCT, o que ele devia fazer era espalhar agências para receber correspondência, pagar condignamente aos seus funcionários, melhorar as condições de higiene de todas as suas repartições em todo o Brasil, e moralizar, enfim, o serviço, que é o pior do mundo. (Publicado em 2/9/1961)
De todos os diálogos de Lula, captados pela Polícia Federal e que vieram agora ao conhecimento da população, nenhum é tão significativo e sintomático quanto a confissão feita por ele à presidente Dilma de que estaria “sinceramente assustado com a república de Curitiba”.
A alusão à República do Galeão de 1954, que antecedeu e, de certa forma, catalisou os acontecimentos que levaram ao suicídio de Getúlio Vargas, é clara, mas objetiva e historicamente imprecisa e falsa. Trata-se aqui, mais uma vez, do tradicional método leninista de falsificar os fatos, moldando acontecimentos do passado a imagens do presente, distorcendo a verdade e dando-lhe roupagem nova, feita sob medida para induzir o público a erro de avaliação.
A insistência de Lula em fundir sua imagem à do ex-presidente Getúlio Vargas é recorrente e tem como pano de fundo apenas uma estratégia marqueteira de reforçar a imagem populista e real de pai dos pobres, conferida a Vargas, mas que, em absoluto, se encaixa no perfil do petista. Comparar Vargas com Lula beira a sandice. Quem se interessa por história reconhece nessa comparação apenas mais um estelionato.
Já para quem se interessa por psicanálise e, de algum modo, quer entender um pouco sobre o senhor Lula, um bom começo é assistir ao filme Zelig, de Woody. Nessa história, Leonard Zelig, sofre de estranho distúrbio de personalidade que o leva a se comportar como camaleão. Recorrendo à mentira sistemática, o personagem se faz passar por outras pessoas.
Esse comportamento decorre de vontade inconsciente de se sentir pertencente e ser aceito pela sociedade e, de certo modo, se ajustar à vida em seu redor. Dentro da teoria do coitadismo, o que o ex-presidente pretende e tenta passar adiante, de fato, na nomeada “república de Curitiba” é a sua própria versão de que existe uma perseguição movida pelas elites odiosas contra sua pessoa, seu governo e seu pretenso legado em prol dos menos favorecidos.
Na verdade, o que assusta Lula na república de Curitiba é justamente a desconstrução de sua imagem moldada com esmero pela máquina de propaganda personalista, azeitada com muitos milhões de reais e cujos artífices estão no catre, aguardando companhia. O problema com ídolos de pés de barro é que, na intimidade, à luz iconoclasta da verdade, eles são apenas fantasmas.
A frase que foi pronunciada
“A Justiça tem numa das mãos a balança em que pesa o direito, e na outra a espada de que se serve para o defender. A espada sem a balança é a força brutal, a balança sem a espada é a impotência do direito.”
Rudolf Von Jhering
Desequilíbrio
Está na Comissão de Educação do Senado projeto que altera a Lei Rouanet. A ideia é que propostas de instituições públicas de ensino superior sejam também beneficiadas com recursos para cultura e arte. O que não está claro é a contrapartida. As universidades públicas que recebem verbas do governo concorrerão com iniciativas privadas ou particulares.
Registro
Muito se fala e pouco se faz. Aquele que não ficou satisfeito com o atendimento em hospitais públicos deve encaminhar reclamação ao Ministério Público e aos conselhos Regional e Federal de Medicina. Uma pessoa apenas pode não mudar, mas uma população que registra a insatisfação tem maior chance de fazer o sistema acompanhar a demanda.
Seu direito
Seguro obrigatório é um mistério. Existe desde 1974, mas investe pouco em publicidade. O DPVAT é pago com o IPVA e a verba vai para uma empresa particular, o que gera dúvidas. Para dar entrada na Seguradora Líder ao DPVAT, em caso de acidente, o procedimento é simples e não há necessidade de despachante ou advogado.
Dúvidas
Por falar nisso, há um parecer da Silveiro Advogados sobre uma empresa particular receber o DPVAT, que diz: “Restarão, sim, maculadas a livre concorrência e a livre iniciativa, princípios constitucionais básicos e gerais de toda a ordem econômica e financeira, bem como restará caracterizado exercício abusivo do poder de controle, por parte dos acionistas controladores”.
Dificuldades
Alunos que acreditaram no Fies estão penando. Uma estudante, que pede para não ser identificada com medo de represália, conta que, a cada semestre, o Banco do Brasil vai tornando mais difícil recepcionar os documentos para o financiamento. Burocracia exagerada, cobranças descabidas e, principalmente, o desencontro de informações abusam do tempo que não tem para dispor. Na Caixa, as reclamações são menos frequentes.
História de Brasília
O DCT está divulgando a mentira que está recebendo telegramas em código, dos países da “Cortina de Ferro” para conhecidos comunistas brasileiros. Se for verdade, muito pior, porque cabia à repartição reter os telegramas, com apoio da Justiça, e não divulgar para provocar apreensão. (Publicado em 2/9/1961)

