Autor: Circe Cunha
VISTO, LIDO E OUVIDO
*Criada por Ari Cunha DESDE 1960
hoje
Com Circe Cunha e MAMFIL Manoel de Andrade
jornalistacircecunha@gmail.com
Entender e aceitar que a transparência é a mais importante ferramenta e um direito do consumidor, ainda é uma das maiores deficiências dos planos de saúde. Trata-se, em linguagem atualizada de uma governança dos sistemas de saúde, que em muitos casos é deixada de lado. A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), que cuida dessa área, tem sob sua responsabilidade mais de 50 milhões de brasileiros, que em virtude da precariedade da saúde pública, possuem planos privados. De um lado temos a ANS e de outro o os custos operacionais das empresas. No meio dessa questão estão os beneficiários, que não param de recorrer à justiça para obter atendimento adequado.
Na outra ponta entram também os hospitais, clínicas e laboratórios que buscam sempre maximização de receitas. Por si só a regulação não consegue resolver essa intrincada situação, já que faltam investimentos, pessoal e normalmente essa Agência tem sido acusada de atender muito mais aos interesses da empresas de plano privado. O fato é que o atual modelo está esgotado. A crise econômica agrava ainda mais esse quadro, com empresas de planos ou falindo, ou elevando progressivamente o número de beneficiários excluídos dos planos, sobretudo aqueles classificados como de pacientes de alto custo, na sua maioria idosos.
A justiça tem sido o caminho natural para que muitos beneficiários desses planos assegurem seus direitos, o que demonstra que o sistema privado de saúde está também enfermo. Tem sido cada vez mais frequentes as queixas de pacientes que, embora sejam os destinatários do atendimento e os responsáveis, direta ou indiretamente, pelo custeio dos planos de saúde, não têm acesso à conta hospitalar detalhada apresentada pelos hospitais às operadoras. Essa falta de transparência impede que o usuário conheça os itens efetivamente cobrados, verifique a correção das despesas e exerça qualquer controle sobre os valores que, em última análise, poderão repercutir no custo do plano que financia. Sem acesso à discriminação das cobranças, o paciente permanece alheio à negociação entre hospitais e operadoras, mesmo sendo ele quem suporta, ao final, os impactos financeiros dessas despesas. Para essas empresas a relação financeira fica restrita entre o hospital e o sistema de saúde ou planos ou entre o sistema de saúde e o prestador de serviço. O paciente fica em terceiro plano. Em casos de cirurgia ou atendimentos mais complexos o paciente não sabe quanto foi cobrado, quais materiais foram lançados na conta, quais medicamentos foram faturados ou que procedimentos extras foram autorizados.
O que muitos teimam em negar é que a própria transparência poderia servir como prevenção de desperdícios e controle. Sem a devida transparência o paciente pode ser cobrado por exames que não reconhece, materiais que não utilizou, procedimentos diferentes do realizado, medicações que não tomou, diárias que não existiram e uma infinidade de outras cobranças que são verdadeiros jabutis, plantados na conta final. O acesso a totalidade real das contas só acontece depois de muita peregrinação e auditorias, muitas vezes por força da justiça.
Obviamente que nessa barafunda toda, estão as informações médicas protegidas pela legislação de proteção de dados (LGPD). Nesse caso a transparência financeira e o sigilo de informações têm que ser melhor equilibrados já que na verdade, há um equívoco relativamente comum: algumas instituições invocam a LGPD para restringir o acesso do próprio titular às suas informações, quando a lei faz justamente o contrário. A LGPD protege o titular contra terceiros, não contra ele mesmo.
Para os especialistas nessa área sensível, é preciso, antes de tudo, a criação de uma espécie de portal de transparência da assistência com informações como atendimento realizado, hospital responsável, valores cobrados, valor pago, glosas ou valores recusados, auditorias realizadas, comparação de custos médios e todas as informações de interesse exclusivo dos pacientes. A questão é simples: Se o beneficiário participa do financiamento do sistema, muitos com mensalidades caríssimas, ele deveria também participar do controle de despesas. É isso que que a boa administração chama de accontability ou prestação de contas.
Numa Estado de Direito, esses planos deveriam estar submetidos a mesma transparência da administração pública, embora se saiba que ainda estamos longe dessa meta. Pelo o que está descrito no papel, a ANS deveria desempenhar papel crucial em defesa dos interesses dos beneficiários de planos, cuidando de promover práticas justas e transparentes para todo o mercado de saúde suplementar em nosso país. Não é segredo para ninguém que hoje a ANS vem enfrentando sérios desafios tanto na regulação como na judicialização, além de restrições que afetam sua autonomia financeira e capacidade operacional. A verdade é que há muito ainda o que ser feito nessa área. O problema é que a saúde do indivíduo, o bem mais preciso de cada um não pode esperar.
A frase que foi pronunciada:
“Nós queremos mais concorrência e, para isso, precisa haver transparência. São dois pilares: concorrência e transparência. O custo da saúde suplementar é um dos problemas: é repassado integralmente para o beneficiário.”
Frase do então Ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, em audiência na Comissão de Transparência, Governança, Fiscalização e Controle e Defesa do Consumidor do Senado, em 2022
História de Brasília
O que êles defendiam, o regime pelo qual lutavam não vem ao caso, mas não se deve pretensiosamente desmerecer um povo que construiu o que a União Soviética construiu. (Publicada em 24.05.1962)
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Poucas experiências históricas fracassaram tanto quanto a tentativa de substituir milhões de decisões individuais pela vontade de um pequeno grupo de planejadores. Sempre que governos imaginaram ser capazes de decidir, de cima para baixo, o que uma sociedade inteira deveria produzir, consumir, pensar ou aprender, os resultados foram semelhantes: desperdício, burocracia, estagnação e perda de qualidade. Na economia esse fenômeno ficou conhecido como o problema do cálculo econômico.
Ludwig von Mises demonstrou, ainda na década de 1920, que nenhum planejador consegue reunir todas as informações espalhadas por uma sociedade para tomar decisões melhores do que aquelas produzidas espontaneamente por milhões de indivíduos. Ou seja, pelo mercado. Friedrich Hayek aprofundou essa análise ao mostrar que o conhecimento está disperso entre pessoas, famílias, empresas e comunidades, tornando impossível sua concentração nas mãos do Estado.
Como dizia o filósofo de Mondubim, a verdade está espalhada no ar. Na educação brasileira parece ocorrer exatamente o mesmo fenômeno. Brasília insiste em acreditar que conhece as necessidades de quase cinquenta milhões de estudantes distribuídos por um país continental. A cada novo Plano Nacional de Educação, Base Nacional Comum Curricular ou diretriz ministerial, aumenta a quantidade de normas, competências, habilidades, indicadores e metas burocráticas. Diminui, entretanto, aquilo que realmente interessa: ensinar português, matemática, ciências, história e desenvolver pensamento crítico.
Enquanto o governo central produz milhares de páginas de regulamentações, os resultados permanecem praticamente inalterados. Os indicadores internacionais mostram uma realidade preocupante. O Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA), coordenado pela OCDE, coloca sistematicamente o Brasil entre os últimos colocados em leitura, matemática e ciências entre as economias participantes. Em matemática, mais de dois terços dos estudantes brasileiros não atingem sequer o nível considerado básico. Em leitura, parcela significativa termina o ensino médio sem compreender plenamente textos relativamente simples. Os problemas, obviamente, aparecem ainda antes. Avaliações nacionais mostram elevados índices de analfabetismo funcional. Milhões de estudantes conseguem decifrar palavras, mas não interpretar corretamente o significado de um texto, resolver problemas matemáticos elementares ou elaborar argumentos consistentes. Essa realidade não decorre da falta de planejamento. Talvez de um excesso sem pé na realidade e mais ligado à uma burocracia estatal e cada vez mais estatizante.
Mesmo com planos decenais, planos estaduais, planos municipais, parâmetros curriculares, diretrizes nacionais, competências gerais, competências específicas, habilidades, metas quantitativas e inúmeros instrumentos administrativos o desenvolvimento é mirrado e imperceptível nos rankings.
Países que alcançaram elevados padrões de ensino seguiram caminho bastante diferente. A Finlândia tornou-se referência internacional justamente por conceder elevada autonomia às escolas e aos professores. Singapura trabalha com currículo objetivo, rigoroso e fortemente baseado em domínio de conteúdo. A Estônia, hoje uma das maiores surpresas da educação mundial, investiu pesadamente na formação docente, na tecnologia e na autonomia escolar. A Coreia do Sul apostou na valorização social do professor, na disciplina acadêmica e em avaliações permanentes. O fato é que nenhum desses países resolveu seus problemas multiplicando burocracias. Os esforços foram concentrados em ensinar melhor.
Enquanto isso, conteúdos fundamentais vão perdendo espaço. Em muitos casos, disciplinas essenciais cedem lugar a projetos transversais cuja efetividade jamais foi comprovada por avaliações independentes. Instituições de ensino superior gastam cada vez mais tempo oferecendo disciplinas de nivelamento para alunos que chegam incapazes de escrever corretamente, interpretar textos complexos ou realizar operações matemáticas básicas. O problema já não está apenas no ensino fundamental. Ele percorre toda a cadeia educacional. A centralização excessiva acaba produzindo um currículo que atende parcialmente a todos e plenamente a ninguém. Outro equívoco recorrente consiste em imaginar que aumentar gastos públicos resolve automaticamente problemas educacionais. O Brasil já investe percentual significativo do Produto Interno Bruto em educação quando comparado a diversos países desenvolvidos. O desafio principal encontra-se menos no volume de recursos e muito mais na qualidade da gestão, na eficiência do gasto e na aprendizagem efetiva dos estudantes. Recursos são indispensáveis. Mas não substituem boa administração. Também não substituem professores capacitados. Nem escolas organizadas. Nem famílias presentes. Nem liderança pedagógica. Talvez seja justamente nesse ponto que o debate precise amadurecer. Educação de qualidade não nasce de decretos. Também não surge da multiplicação de planos nacionais. Quando um sistema educacional passa a acreditar que alguns especialistas conseguem decidir, sozinhos, o que milhões de estudantes devem aprender, corre exatamente o mesmo risco identificado por Mises e Hayek na economia: substituir a riqueza produzida pela diversidade de experiências humanas pela pobreza intelectual gerada pela uniformização burocrática.
A frase que foi pronunciada:
“Os melhores professores são aqueles que mostram onde olhar, mas não dizem o que ver.”
Alexandra K. Trenfor
História de Brasília
Descobrindo a polvora, o deputado explica por que a Exposição não está completa, e diz coisas que aprendeu no nosso regime, principalmente. As faltas da Exposição são, inclusive, algumas histórias escritas com patriotismo por um povo. (Publicada em 24.05.1962)
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Criado por Walt Disney em 1942, durante a Política da Boa Vizinhança, Zé Carioca nasceu como um símbolo da aproximação entre Brasil e Estados Unidos. Elegante, simpático, dono de conversa fácil e de um talento quase sobrenatural para escapar das dificuldades, o papagaio brasileiro tornou-se um dos personagens mais conhecidos dos quadrinhos mundiais. Representava um Brasil cordial, criativo, improvisador e profundamente confiante na força da própria lábia. Passadas mais de oito décadas, o personagem continua servindo como metáfora útil para compreender certos momentos da vida política nacional.
(Gemini)
Na diplomacia, como na vida, existe uma diferença fundamental entre simpatia e poder. A boa conversa pode abrir portas. Não substitui interesses nacionais. A habilidade retórica pode aliviar tensões. Não altera a correlação de forças entre países. Grandes potências negociam com base em interesses estratégicos permanentes, muito mais do que em afinidades pessoais entre governantes. Foi justamente essa lição que a história da diplomacia ensina repetidas vezes. Os Estados Unidos mantiveram relações estreitas com governos democráticos e autoritários, conservadores e progressistas, republicanos e socialistas, sempre que seus interesses nacionais assim recomendaram. A China faz exatamente o mesmo. Rússia, Índia e União Europeia seguem lógica semelhante.
Na política internacional, amizades são circunstanciais. Interesses costumam ser permanentes. Por isso, encontros entre chefes de Estado raramente podem ser avaliados apenas pelas imagens produzidas para a imprensa. Um aperto de mão não significa convergência estratégica. Um sorriso diante das câmeras não elimina divergências comerciais, tecnológicas ou geopolíticas. O Brasil ocupa posição singular nesse tabuleiro. É a maior economia da América Latina, possui enormes reservas minerais, enorme produção agrícola, matriz energética relativamente limpa e importância crescente na segurança alimentar mundial. Justamente por isso desperta o interesse simultâneo de Washington, Pequim, Bruxelas e Moscou. Essa condição exige uma diplomacia extremamente cuidadosa. Qualquer percepção de alinhamento automático ou de antagonismo permanente tende a reduzir a margem de manobra brasileira.
A tradição diplomática construída pelo Itamaraty ao longo de décadas sempre buscou preservar autonomia, previsibilidade e capacidade de diálogo com diferentes polos internacionais. Nos últimos anos, entretanto, a política externa brasileira tornou-se mais polarizada internamente. Decisões diplomáticas passaram a ser interpretadas também sob a ótica da disputa política doméstica. Isso elevou o custo de cada gesto e aumentou a repercussão de cada declaração presidencial. Nesse ambiente, a metáfora de Zé Carioca volta a fazer sentido. O personagem acreditava que inteligência improvisada bastava para resolver praticamente qualquer situação. Muitas vezes conseguia. Outras tantas descobria que havia interlocutores igualmente experientes, conhecedores das regras do jogo e pouco suscetíveis ao charme do improviso. A política internacional raramente recompensa improvisações, corpo a corpo ou conexão descontraída e despreparada. Negociações entre países envolvem cadeias produtivas, investimentos bilionários, segurança nacional, tecnologia, comércio exterior e alianças militares.
Quando uma governante aposta na informalidade e na quebra de protocolos, o argumento de seus defensores é que isso humaniza a liderança, abre canais diretos de diálogo e projeta um soft power autêntico no exterior. No entanto, o contra-argumento que ganha muita força em momentos de crise econômica ou de impasses diplomáticos sérios é o de que a liturgia do cargo não é mero capricho estético. Ela serve para blindar a imagem do país e garantir que as negociações de alto nível sejam tratadas com a gravidade que os interesses nacionais exigem. Ao longo da história, países que confundiram retórica com estratégia acabaram reduzindo sua influência internacional. Os que preservaram instituições diplomáticas profissionais conseguiram atravessar mudanças de governo mantendo credibilidade perante diferentes parceiros. O verdadeiro patrimônio de uma política externa não é o brilho momentâneo de uma fotografia nem o impacto de uma declaração. É a confiança acumulada durante décadas de comportamento previsível. Zé Carioca permanece um personagem fascinante justamente porque simboliza um traço conhecido da cultura brasileira: a crença de que criatividade e improvisação sempre encontrarão uma saída. Na vida cotidiana, isso pode até funcionar. Na geopolítica, entretanto, costuma prevalecer uma máxima muito mais antiga: nem sempre quem parece ingênuo realmente o é, e quase nunca as grandes potências entram numa negociação sem conhecer, com antecedência, todos os interesses que pretendem defender. Entre a simpatia do papagaio e o pragmatismo das relações internacionais existe uma distância que nenhuma boa conversa consegue eliminar. É nessa distância que se decide o espaço de um país no cenário mundial.
A frase que foi pronunciada:
“Lula é o presidente que o Brasil merece”
Celso Amorim
História de Brasília
A primeira disputa pela presidência da Novacap partiu do PTB de Goiás. Fala-se na fôrça que os políticos estão fazendo para substituir o dr. Afrânio Barbosa pelo deputado Haroldo Duarte, vice-presidente da Assembléia Legislativa de Goiás. (Publicada em 24.05.1962)
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*Gemini
Poucas imagens conseguem sintetizar tão bem uma crise institucional quanto aquela oferecida por parte dos campi de universidades públicas brasileiras. Em diversas instituições espalhadas pelo país, o visitante encontra prédios envelhecidos, fachadas cobertas por pichações, corredores ocupados por cartazes acumulados ao longo dos anos, laboratórios necessitando de modernização, equipamentos defasados e sinais evidentes de falta de manutenção. Independentemente da posição ideológica de quem observa esse cenário, uma conclusão parece inevitável: boa parte do patrimônio público brasileiro destinado ao ensino superior vem sofrendo um processo prolongado de deterioração.
Naturalmente, esse diagnóstico não se aplica da mesma forma a todas as universidades. O Brasil possui instituições públicas que continuam produzindo pesquisa de alto nível, formando profissionais altamente qualificados e ocupando posições relevantes em diferentes áreas do conhecimento. Universidades como USP, Unicamp, UFMG e outras permanecem responsáveis por parcela expressiva da produção científica nacional. Ainda assim, a realidade de muitos campi revela dificuldades que deixaram de ser episódicas para se tornar estruturais. A crise começa pela infraestrutura. O resultado aparece em salas superlotadas, dificuldades administrativas e crescente pressão sobre professores e técnicos.
Outro aspecto frequentemente debatido diz respeito ao ambiente universitário. Universidades são, por definição, espaços de liberdade intelectual. Devem acolher diferentes correntes de pensamento, estimular o confronto de ideias e formar cidadãos capazes de questionar consensos. Quando esse ambiente plural é substituído por intolerância ao dissenso, perde-se uma das características fundamentais da vida acadêmica. Estudos sobre o Perfil do Funcionalismo Público e Elites Intelectuais (Ipea / Universidades Federais, Análises de Produção Acadêmica nas Ciências Humanas e Pesquisas de Opinião em Períodos Eleitorais (Simulações e Enquetes por Categorias mostram que a maioria dos docentes das universidades brasileiras tende a posicionar-se mais à esquerda no espectro político.
Pesquisadores vinculados a áreas como a Ciência Política e a Sociologia têm investigado o ambiente universitário. Um dos argumentos centrais dessas análises é a aplicação da Teoria da Espiral do Silêncio (de Elisabeth Noelle-Neumann): estudantes que percebem suas opiniões (sejam liberais na economia, conservadoras nos costumes ou críticas a correntes teóricas hegemônicas) como minoritárias no grupo tendem a se calar por medo do isolamento social ou de retaliação acadêmica (como avaliações subjetivas de trabalhos e bancas).Outros pesquisadores contestam essa percepção e sustentam que faltam evidências sistemáticas de doutrinação institucionalizada. O tema permanece objeto de intenso debate.
Há ainda questões relacionadas à convivência cotidiana nos campi. É comum encontrar relatos sobre consumo de álcool e, em alguns locais, uso ostensivo de drogas ilícitas em áreas abertas das universidades. Embora essa realidade varie significativamente entre instituições e não caracterize a totalidade dos campi, ela alimenta críticas sobre a dificuldade de garantir segurança, preservar o patrimônio público e assegurar um ambiente adequado ao ensino e à pesquisa. Enquanto isso, os desafios acadêmicos tornam-se cada vez maiores.
A competição internacional por produção científica, inovação tecnológica e formação de pesquisadores intensificou-se nas últimas décadas. Países asiáticos ampliaram maciçamente seus investimentos em universidades. Estados Unidos e Europa continuam concentrando boa parte dos centros de excelência. A China transformou o ensino superior em prioridade estratégica nacional. O Brasil, por sua vez, enfrenta dificuldades para acompanhar esse ritmo. Nos principais rankings internacionais, poucas universidades brasileiras conseguem manter posições de destaque. Embora continuem figurando entre as melhores da América Latina, ainda enfrentam limitações significativas quando comparadas aos grandes centros mundiais de pesquisa. Além disso, indicadores de inovação, transferência tecnológica e registro de patentes permanecem aquém do potencial científico do país. Essa realidade não pode ser atribuída exclusivamente à falta de recursos. Gestão eficiente, planejamento estratégico, avaliação permanente de desempenho, internacionalização, aproximação com o setor produtivo e autonomia administrativa também desempenham papel decisivo na qualidade universitária. Os sistemas mais bem-sucedidos combinam financiamento adequado com mecanismos transparentes de cobrança por resultados.
A frase que foi pronunciada:
“A universidade precisa estar aberta à realidade inteira do seu tempo, precisa imergir no espaço público… Quando ela se fecha em dogmas ou se isola em si mesma, ela deserta de sua missão universal e torna-se um casarão de espectros.” José Ortega y Gasset
História de Brasília
Um amigo nosso saiu de Fortaleza porque o povo vivia em muitas dificuldades, e a cidade tinha clubes demais. Veio para Brasília, ouviu o que dizem os comerciantes, os gerentes de bancos, recebeu, no mesmo dia, proposta para comprar 15 ações de clubes diferentes, fechou a mala, marcou a passagem e foi embora. (Publicada em 24.05.1962)
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Ao longo de seus dois mil anos de história, poucas ameaças mostraram-se tão perigosas para a Igreja Católica quanto aquelas que nasceram dentro de seus próprios muros. Perseguições externas, impérios hostis, revoluções anticristãs e regimes totalitários jamais conseguiram destruir a Igreja. As maiores crises surgiram quando parte de sua própria hierarquia passou a divergir sobre questões doutrinárias, disciplinares ou pastorais. Foi assim no Grande Cisma do Oriente, em 1054. Foi assim durante a Reforma Protestante do século XVI. Em todos esses momentos, o problema não estava apenas nas forças que pressionavam a Igreja de fora para dentro, mas também na incapacidade de preservar a unidade em torno daquilo que sempre foi considerado imutável.
É nesse contexto que chamam atenção as recentes declarações do bispo Jan Paweł Lenga, bispo emérito de Karaganda, no Cazaquistão. Em um texto que circulou amplamente entre grupos católicos tradicionalistas, ele afirma que “cargos-chave estão sendo cada vez mais ocupados por pessoas completamente corrompidas pelo mundo” e sustenta que determinados cardeais e bispos “já não têm absolutamente nada em comum com a Igreja de Cristo”. Para Lenga, aqueles que acusam outros de provocar divisões seriam justamente os responsáveis por um cisma silencioso em curso. Trata-se de uma acusação gravíssima. Mais do que uma crítica administrativa ou disciplinar, ela atinge o próprio coração da autoridade eclesiástica. O termo “cisma”, na tradição católica, significa a ruptura da comunhão com a autoridade legítima da Igreja. Historicamente, essa palavra nunca foi utilizada de forma leviana. Seu emprego sempre esteve associado a acontecimentos capazes de alterar profundamente o destino do cristianismo. É evidente que essa não é a posição oficial da Igreja Católica. A Santa Sé continua afirmando que o Concílio Vaticano II deve ser interpretado em continuidade com toda a tradição anterior, e não como uma ruptura.
Diversos teólogos sustentam que as reformas litúrgicas e pastorais buscaram responder aos desafios do mundo contemporâneo sem modificar os dogmas fundamentais da fé. Em outras palavras, os dogmas fundamentais permanecem os mesmos, enquanto a liturgia, a linguagem, os métodos pastorais e o relacionamento da Igreja com a sociedade podem ser renovados para responder às necessidades de cada época.
Essa interpretação tornou-se especialmente influente após a formulação da “hermenêutica da continuidade” por Bento XVI, que procurou mostrar que as reformas conciliares devem ser lidas como um desenvolvimento orgânico da tradição católica, e não como uma ruptura com ela. Entretanto, seria igualmente um erro ignorar que existe hoje um debate interno de grandes proporções.
Em diferentes países, bispos, cardeais, sacerdotes e intelectuais católicos manifestam preocupação com temas que vão desde a liturgia até questões morais envolvendo casamento, sexualidade, comunhão, ecumenismo e sinodalidade. Não se trata de uma discussão periférica, mas de um confronto entre diferentes compreensões sobre a missão da Igreja no século XXI. Nomes como o cardeal Raymond Burke, o cardeal Gerhard Ludwig Müller, o bispo Athanasius Schneider e o próprio arcebispo Carlo Maria Viganò têm expressado críticas contundentes a diversos rumos adotados nos últimos anos, ainda que cada um o faça em graus e fundamentos distintos. Alguns falam em crise doutrinária. Outros preferem falar em crise pastoral. Há ainda aqueles que enxergam uma crescente influência da cultura secular sobre decisões e documentos eclesiais.
O temor manifestado por esses setores é o de que, na tentativa de dialogar com o mundo contemporâneo, a Igreja acabe assimilando categorias culturais incompatíveis com sua tradição bimilenar. Para esses críticos, a preocupação excessiva com adaptação social poderia levar ao enfraquecimento da identidade católica. Por outro lado, muitos bispos e teólogos argumentam exatamente o contrário. Sustentam que a evangelização exige novas linguagens e novas formas de presença pastoral, sem que isso implique abandono da doutrina. Segundo essa perspectiva, a Igreja sempre passou por processos de desenvolvimento e atualização ao longo da história, preservando o depósito da fé enquanto adaptava sua ação missionária às circunstâncias de cada época. O fato é que a tensão existe e dificilmente pode ser ignorada. A própria história demonstra que grandes divisões nunca surgem de um dia para o outro. Elas costumam ser precedidas por anos de debates, incompreensões, acusações mútuas e perda gradual da confiança entre diferentes setores da mesma comunidade. Também merece reflexão o uso recorrente da imagem bíblica do “lobo entre as ovelhas”. A metáfora aparece nos Evangelhos como advertência contra falsos mestres e falsos profetas.
A frase que foi pronunciada:
“O maior entre vós seja como o mais jovem, e aquele que governa como quem serve.”
Jesus Cristo
História de Brasília
Dona Elba Sette Câmara foi ao Hospital Distrital, solicitou uma relação de material, levou para as crianças, socorreu-as, e, embora tenha provocado uma crise administrativa, salvou muitas crianças e adultos. (Publicada em 24.05.1962)
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Com Circe Cunha e MAMFIL Manoel de Andrade
Depois do apito final do jogo entre Brasil e Noruega, comentaristas de todas as áreas, não somente do futebol, mas de todas as áreas correram para apresentar explicações e visões dessa derrota ao grande público. O que sabemos desde há muito, é que a Seleção, como o nome indica como reunião dos melhores, é, antes de tudo a “pátria de chuteiras”. Somos nós mesmos em campo, com toda a nossa bagagem cultural e nossas idiossincrasias e nossos complexos. Apesar das mazelas que o país parece experenciar desde 1500, sempre acreditamos ser uma potência de primeiro mundo, quando o assunto é futebol. Perdendo essa que seria a nossa única qualidade perante o mundo, o que nos resta? Nesse caso antes mesmo de reformular o modelo e a arquitetura de nosso futebol profissional, sufocado pelos descaminhos da cartolagem e das contas mal explicadas de cada federação e mesmo da CBF, envolta agora em escândalos de toda a ordem, é preciso é mais a fundo e analisar essa derrota como um todo. Com isso fica patente que estamos em meio a uma crise não só no futebol mas em todas as áreas da vida nacional. A começar pelo Estado, pela República, pelos Poderes e por aí vai.
expressões definiram tão bem o Brasil quanto a célebre imagem criada por Nelson Rodrigues da “pátria de chuteiras”. O futebol nunca foi apenas um esporte entre nós. Foi uma forma de identidade nacional, uma linguagem comum entre ricos e pobres, uma rara ocasião em que o país parecia esquecer suas diferenças para reconhecer-se como nação. Durante décadas, a Seleção Brasileira representou algo muito maior do que onze jogadores em campo. Ela simbolizava a ideia de que, apesar de todas as dificuldades econômicas, políticas e sociais, havia pelo menos um território onde o Brasil permanecia soberano. Hoje essa certeza já não existe. A derrota para a Noruega, por si só, não representa uma tragédia esportiva. No futebol, perder faz parte do jogo. O que desperta inquietação é o contexto em que ela ocorre.
A Seleção parece ter perdido aquilo que durante décadas foi sua maior virtude: personalidade. Não faltam atletas talentosos. O Brasil continua exportando jogadores para os principais campeonatos do mundo. Os clubes europeus seguem disputando nossos jovens talentos antes mesmo que completem uma temporada no futebol profissional. O problema, portanto, não parece residir na matéria-prima. Talvez esteja naquilo que acontece antes que esses jogadores entrem em campo. O futebol brasileiro passou a refletir, de maneira quase perfeita, as virtudes e os defeitos da própria sociedade. A desorganização administrativa, a instabilidade institucional, a falta de planejamento de longo prazo, o excesso de personalismo, a dificuldade de prestar contas e a permanente sucessão de disputas pelo poder também encontraram espaço dentro das estruturas esportivas. A Confederação Brasileira de Futebol tornou-se, nos últimos anos, protagonista de sucessivas crises administrativas, disputas judiciais, mudanças de comando e questionamentos sobre sua governança. Em diversas federações estaduais, dirigentes permanecem décadas no poder, frequentemente protegidos por estruturas pouco transparentes e sistemas eleitorais que dificultam a renovação. O torcedor acompanha resultados dentro de campo, mas raramente conhece o funcionamento das instituições responsáveis por administrar o esporte mais popular do país. Nenhuma organização produz excelência esportiva quando sua administração convive permanentemente com incertezas
Quando a criatividade florescia na economia, na cultura e na vida pública, ela também aparecia nos gramados. Quando predominavam organização, disciplina e objetivos claros, essas qualidades igualmente se refletiam na camisa amarela. Hoje o espelho parece devolver outra imagem. Vivemos um período marcado por intensa polarização política, crescente desconfiança nas instituições, dificuldades econômicas persistentes, baixo crescimento da produtividade, deficiências educacionais, violência urbana e sucessivos escândalos envolvendo diferentes setores da vida pública. Independentemente das interpretações políticas que cada cidadão faça desse cenário, há um dado difícil de contestar: a confiança coletiva encontra-se profundamente abalada.
Durante décadas, o sucesso da Seleção serviu, em alguma medida, como elemento de compensação simbólica. Em meio às crises nacionais, permanecia a convicção de que ainda éramos referência mundial em pelo menos uma atividade. O futebol funcionava como uma espécie de patrimônio emocional da República. Essa função parece estar desaparecendo. A camisa amarela já não desperta unanimidade. A Seleção já não intimida adversários. O chamado “futebol-arte”, que encantou o mundo, tornou-se lembrança histórica mais do que realidade contemporânea.
O futebol tornou-se uma atividade altamente profissionalizada, baseada em ciência esportiva, planejamento estratégico, análise de desempenho, gestão financeira e formação continuada. A improvisação perdeu espaço. Outros países aprenderam. A derrota diante da Noruega, portanto, talvez não seja apenas um resultado esportivo. Ela funciona como metáfora de um país que parece ter perdido parte de sua capacidade de transformar talento em excelência, potencial em realização e tradição em liderança. A Seleção permanece sendo a pátria de chuteiras. Se ela hoje parece jogar abaixo de sua história, talvez seja porque reflete, com fidelidade desconfortável, as dificuldades, as incertezas e as contradições de um Brasil que ainda procura reencontrar seu próprio rumo em pleno século XXI.
ROGACIANO
Será inaugurada em Fortaleza, no próximo dia 23, a partir das 19h, a exposição “Rogaciano Leite e os Congressos de Cantadores”
A mostra será realizada no Espaço Cultural da Cegás, no bairro José de Alencar, e vai até o dia 28 de agosto.
Rogaciano Leite (1920 -1969) foi jornalista, compositor e poeta.
É autor de “Carne e Alma”, obra poética aplaudida pela critica nacional.
O jornalista e poeta Nonato Freitas, amigo de Rogaciano Leite, do qual foi colega de jornal, em Fortaleza, escreveu um cordel sobre o notável bardo.
A obra escrita por Nonato Freitas fará parte da exposição.
Helena Roraima Leite, filha de Rogaciano, é uma das organizadoras do evento.
A frase que foi pronunciada:
No futebol, a pior cegueira é só enxergar a bola.”
Nelson Falcão Rodrigues
História de Brasília
As crianças no Hospital de Sobradinho viveram momentos horríveis nestas noites de frio. Dormiam em caixotes de madeira com serragem, por falta de cobertores. (Publicada em 24.05.1962)
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Criado por Ari Cunha em 1962 – Brasília
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“A política não tem nada a ver com a razão, e sim com o poder.” A frase, atribuída a Maquiavel, incomoda porque despe a política de qualquer verniz moral e a devolve ao seu osso: quem manda, manda; o resto é justificativa. Para o cidadão que ainda acredita nas fábulas da soberania popular, soa cínica demais. Mas basta observar o Brasil dos últimos meses para perceber que a crueza maquiavélica descreve a realidade com mais precisão do que qualquer manual de civismo escolar. Isso não significa que o poder seja sempre exercido às claras, com a violência nua de quem empunha uma arma. A forma contemporânea de dominação é mais sutil: opera por decreto, por resolução de agência reguladora, por acórdão de tribunal que se apresenta como guardião da democracia enquanto redesenha, sozinho, as regras do jogo público. É precisamente esse o movimento que se pode observar no Brasil de 2026, às vésperas de uma eleição presidencial.
Em 20 de maio, o governo federal editou dois decretos o 12.975/2026 e o 12.976/2026 que ampliam de forma expressiva os poderes de fiscalização do Estado sobre plataformas digitais. O primeiro transforma a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD), criada por lei com a competência estrita de proteger dados pessoais, em uma espécie de fiscal de conteúdo, encarregada de verificar se as redes sociais estão cumprindo obrigações de moderação. O Congresso, é bom lembrar, já havia debatido e não aprovado uma proposta semelhante, o chamado PL das Fake News. O que o Legislativo rejeitou pela porta da frente voltou pela porta dos fundos do Executivo.
O gesto não é isolado. Há apoio numa decisão do Supremo Tribunal Federal que, ao derrubar a exigência de ordem judicial para responsabilizar plataformas por publicações de terceiros, o que criou um incentivo estrutural à autocensura: toda empresa que hospeda conteúdo passa a preferir remover em excesso a arriscar sanção. Não é necessário proibir uma opinião para silenciá-la; basta tornar caro demais mantê-la no ar. Essa é a censura que não precisa se declarar censura ela se disfarça de “gestão de riscos sistêmicos”, de “proteção à integridade do processo eleitoral”, de combate a discursos vagamente definidos como “antidemocráticos”.
Aqui reside o paradoxo que autores de tradições muito diferentes já haviam identificado: os regimes que mais restringem a liberdade raramente o admitem. Preferem fazê-lo em nome de um bem maior como a proteção da democracia, o combate à desinformação, a defesa das mulheres e das crianças no ambiente digital, todas causas nobres em si mesmas, mas que servem também de veículo perfeito para normas de contornos propositalmente imprecisos.
Quando um decreto define violência digital como qualquer conduta que cause “sofrimento psicológico”, a plataforma prudente prefere apagar a crítica contundente contra uma autoridade a discutir, caso a caso, se aquela crítica configura ou não crime. O efeito prático independe da intenção declarada. É aqui que a advertência do início se confirma. Quando abrimos mão de decidir por nós mesmos o que pode ou não circular no debate público, delegando essa tarefa a um órgão do próprio governo que se autofiscaliza, não estamos defendendo a democracia, estamos entregando a um grupo específico, momentaneamente instalado no poder, a prerrogativa de definir os limites da própria liberdade que todos deveriam usufruir igualmente.
O problema do momento brasileiro é que essa simetria não existe. De um lado, um Executivo que edita normas por decreto; de outro, plataformas, veículos de imprensa e cidadãos comuns que não têm como negociar em pé de igualdade os termos de sua própria expressão. Não é à toa que o próprio Congresso, instituição que, com todos os seus defeitos, ainda depende do voto popular, se tornou o principal ponto de resistência a esse avanço, articulando decretos legislativos para sustar as medidas. Isso mostra que o fechamento político não é uma sentença irreversível, mas um processo que se pode ainda conter desde que se reconheça sua natureza. Vale lembrar que nenhum regime que restringiu liberdades o fez confessando essa intenção.. Reconhecer isso não é pessimismo, é realismo. Maquiavel não escrevia para justificar o poder, mas para que os súditos e hoje, os cidadãos deixassem de se iludir sobre sua natureza. Só quem enxerga o poder como ele é pode cobrar de suas instituições que ele seja contido pelas vias legítimas: o debate legislativo, a fiscalização parlamentar, o voto. A alternativa de aceitar cada novo decreto como um mal necessário, cada nova competência regulatória como um detalhe técnico é o caminho mais curto para transformar a exceção em regra e a vigilância em rotina.
A frase que foi pronunciada: “Quase todos os homens conseguem suportar a adversidade, mas se você quiser testar o caráter de um homem, dê-lhe poder.” Abraham Lincoln
História de Brasília
Agora, para que tenha apenas uma Igreja, está realizando um programa de quermesses, que se iniciará no dia 2 de junho. Serão quermesses nos fins de semanas 2 e 3 e 9 e 10. (Publicada em 24.05.1962)
VISTO, LIDO E OUVIDOHoje, com Circe Cunha e Mamfil – Manoel de Andrade
Poucas vezes na história uma tecnologia avançou com tanta velocidade quanto a inteligência artificial. Da mesma forma, raríssimas foram as ocasiões em que os próprios criadores dessa tecnologia decidiram interromper momentaneamente a celebração do progresso para fazer um alerta à humanidade. Quando isso acontece, convém ouvir.

Quem foi Marvin Minsky?
Minsky foi um dos fundadores do MIT Computer Science & Artificial Intelligence Lab. Foi um matemático, cientista da computação e pioneiro na IA.
Morreu em 2016, tendo publicado dez anos antes o seu último livro, ‘The Emotion Machine: Commonsense Thinking, Artificial Intelligence, andthe Future of the Human Mind’.
O trabalho de Minsky é mencionado algumas vezes no livro ‘Algoritmosfera’, de @camilaaleporace. Uma das menções acontece na página 92, junto aos nomes de outros feras da robótica e da IA:
‘Existe um paradoxo que é o seguinte: enquanto uma variedade de tarefas consideradas difíceis para a cognição e ainteligência humana são desempenhadas com sucesso por sistemas artificiais –muitas vezes sendo capazes de jogar xadrez, ter bons resultados nos chamadostestes de inteligência, resolver tarefas de álgebra, teoremas e daí por diante– outras atividades, que acabamos considerando triviais ou ordinárias, sãoainda assumidas como muito complexas para serem executadas por sistemasartificiais. Encontram-se no grupo dessas tarefas algumas que mesmo um bebêpode protagonizar; dentre elas, ações relacionadas à percepção e à mobilidade.Essas questões desafiadoras para a IA foram aglutinadas sob o rótulo do chamado“Paradoxo de Moravec” (Dellermann et al., 2019) – pelo próprio Hans Moravec epelos roboticistas Marvin Minsky e Rodney Brooks’.
VISTO, LIDO E OUVIDO
*Criada por Ari Cunha DESDE 1960
Hoje com Circe Cunha e Manoel de Andrade – MAMFIL
De acordo com o Cadastro Único (CadÚnico) e do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com População em Situação de Rua (OBPopRua/UFMG) em junho desse ano (2026) 392.400 pessoas viviam em situação de rua em todo o país. Esse número é quase o dobro de dezembro de 2022, quando o registro era de 198.700. Ou seja, houve um aumento de 97,4%. Na verdade. não é preciso consultar organismos oficiais para verificar que o número de mendigos e moradores de rua tem aumentado exponencialmente em todas as cidades brasileiras. Não há uma praça sequer ou área verde que não estejam tomadas por famílias inteiras, vivendo ao relento, em marquises, pontes ao em debaixo de lonas de plástico. Observe que esses são números oficiais. Na realidade esses números são significativamente maiores do que os divulgados e há quem diga que existem hoje mais de meio milhão de pessoas vivendo nas ruas do país, sem quaisquer direitos ou obrigações civis. Apesar de declarações garantirem que esses números são bem menores, não há como esconder essa imensa população desamparada dos olhos da população. Poucas estatísticas conseguem retratar com tanta força o estado real de um país quanto o número de pessoas que vivem nas ruas.
Mesmo que o Produto Interno Bruto possa crescer, a arrecadação aumentar, bolsas de valores podem atingir recordes e governos podem anunciar sucessivos programas sociais. Independentemente das discussões metodológicas sobre os levantamentos, há um fato que dispensa qualquer planilha estatística. Basta caminhar pelas cidades brasileiras. Praças antes ocupadas por crianças brincando transformaram-se em acampamentos improvisados. Viadutos converteram-se em dormitórios permanentes. Canteiros centrais passaram a servir de residência. Áreas verdes, parques urbanos e terrenos públicos foram ocupados por barracas, colchões e lonas plásticas. A pobreza deixou de ser um dado estatístico. Passou a fazer parte da paisagem urbana. As grandes capitais concentram a maior parte dessa população, mas o fenômeno já alcança cidades médias e até pequenos municípios. O que antes parecia restrito aos grandes centros tornou-se uma realidade nacional.
É verdade que períodos prolongados de baixo crescimento econômico costumam ampliar a vulnerabilidade social. Economias que geram poucos empregos formais oferecem menos oportunidades para famílias que já vivem em situação de fragilidade. O debate público, entretanto, frequentemente transforma uma questão humana em disputa política.
A realidade possui uma característica inconveniente. Ela não desaparece porque alguém decide ignorá-la. Esse crescimento de desamparados também impõe novos desafios às cidades. Serviços de saúde enfrentam maior demanda. Redes de assistência social tornam-se insuficientes. A segurança pública convive com situações cada vez mais complexas. Comerciantes, moradores e usuários dos espaços urbanos passam a disputar áreas que deveriam cumprir funções coletivas. A consequência é uma deterioração gradual da convivência urbana. Ao mesmo tempo, cresce o risco de naturalização do problema. Uma sociedade acostuma-se lentamente com aquilo que deveria considerá-lo intolerável. Esse talvez seja o aspecto mais preocupante. A pobreza extrema deixa de ser percebida como emergência e transforma-se em cenário permanente.
Nosso país ocupa posição relevante entre as maiores economias do planeta. Possui uma das maiores produções agrícolas do mundo, amplo parque industrial, sistema financeiro sofisticado e enorme capacidade produtiva. Ainda assim, convive com um contingente expressivo de cidadãos privados das condições mais elementares de existência. Essa contradição merece reflexão. O Índice de Desenvolvimento Humano não mede apenas renda. Considera também educação e expectativa de vida. Mais do que isso, procura avaliar o interesse de um governo em oferecer oportunidades concretas para que seus cidadãos desenvolvam plenamente suas potencialidades. Não basta produzir riqueza. É necessário criar condições para que essa riqueza se traduza em melhoria efetiva da qualidade de vida. O desafio não será resolvido por um único programa governamental nem por soluções simplistas. Exige que parte da sociedade exija crescimento econômico sustentado, políticas públicas eficientes, atenção à saúde mental, combate às dependências químicas, qualificação profissional, ampliação da oferta habitacional e melhor coordenação entre União, estados e municípios.
Mais do que um problema estatístico, a população em situação de rua tornou-se um dos retratos mais visíveis das dificuldades de gestão do governo brasileiro. O verdadeiro desenvolvimento não se mede apenas pela expansão da economia ou pelo volume de investimentos anunciados. Mede-se também pela capacidade de reduzir a vulnerabilidade humana e de assegurar que a dignidade deixe de ser privilégio de alguns para tornar-se uma condição acessível ao conjunto da população. Enquanto centenas de milhares de brasileiros continuarem vivendo sem moradia estável, sem escolas que preparem para o futuro, sem acesso regular a políticas de emprego que valorizem a própria força e sem perspectivas concretas de reintegração social, permanecerá aberta uma distância significativa entre o discurso e a prática.
A frase que foi pronunciada:
“Há o suficiente no mundo para as necessidades de todos, mas não o suficiente para a ganância de todos.”
Frank Buchman
História de Brasília
O padre José Bertoldo é o unico do mundo que tem 64 igrejas. É que êle é pároco da Asa Norte e celebra nos pilotis dos 64 blocos residenciais daquela Asa. (Publicada em 24.05.1962)
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Com Circe Cunha e MAMFIL Manoel de Andrade




