VISTO, LIDO E OUVIDO
*Criada por Ari Cunha DESDE 1960
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Com Circe Cunha e MAMFIL Manoel de Andrade
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jornalistacircecunha@gmail.com
Durante décadas, Brasília construiu a imagem de possuir uma das melhores redes públicas de ensino do país. Capital da República, sede dos principais órgãos federais e uma das unidades da Federação com maior renda per capita, o Distrito Federal sempre foi visto como um lugar naturalmente vocacionado para oferecer educação pública de excelência. Contudo os números mais recentes divulgados pelo Ministério da Educação, sugerem que essa realidade mudou para pior ao longo dos anos e hoje se apresenta bem diferente daqueles discursos oficiais que insistem mostrar que tudo vai bem. O resultado do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) referente a 2025 revelou que o ensino médio público do Distrito Federal alcançou nota 4,1, inferior à média nacional de 4,5. Mais preocupante ainda é constatar que a rede pública do DF recuou em relação ao levantamento anterior, quando havia registrado 4,2 em 2023. Enquanto o país, ainda que lentamente, procura recuperar as perdas educacionais provocadas pela pandemia, Brasília caminha na direção oposta.
]O desempenho também ficou muito distante da meta de 5,2 estabelecida pelo próprio MEC para essa etapa de ensino. O Ideb combina dois fatores fundamentais para medir a qualidade da educação: o desempenho dos estudantes nas avaliações nacionais do Saeb, especialmente em língua portuguesa e matemática, e as taxas de aprovação escolar. O índice procura medir, simultaneamente, aprendizagem e eficiência do sistema educacional. Parece que há um descaso progressivo a envolver não só os alunos, seus familiares, o corpo docente e todos os diretores de ensino dentro e fora das escolas, própria sociedade tem parte nessa cadência na qualidade das escolas públicas. E notem que no Distrito Federal, a participação dos estudantes foi suficientemente ampla para conferir credibilidade estatística ao levantamento. Participaram da avaliação 91,3% dos alunos do 5º ano, 87,2% do 9º ano e 80,3% dos estudantes da 3ª série do ensino médio. Ou seja, não há espaço para atribuir os resultados a uma eventual baixa adesão das escolas ao exame. O aspecto mais preocupante talvez seja o contraste entre os recursos disponíveis e os resultados alcançados.
Entre as unidades da Federação, o Distrito Federal figura historicamente om maior arrecadação tributária por habitante, maior remuneração média dos professores da rede pública e maior capacidade de investimento em infraestrutura escolar. A própria União banca o ensino. Em tese, esses fatores deveriam produzir indicadores superiores aos da média brasileira. O que se observa, porém, é exatamente o contrário. A queda de apenas um décimo pode parecer pequena para quem observa apenas a tabela de resultados. Na educação, entretanto, oscilações dessa natureza costumam representar milhares de estudantes deixando a escola sem domínio adequado da leitura, da interpretação de texto e da matemática básica. Trata-se de uma geração inteira que chega ao mercado de trabalho ou ao ensino superior carregando deficiências acumuladas ao longo de toda a formação escolar.
O planejamento educacional do governo federal previa uma trajetória gradual de crescimento do Ideb do ensino médio, chegando ao patamar de 5,2. Permanecer estacionado em torno de 4 pontos significa que o sistema deixou de avançar no ritmo esperado, ampliando a distância entre o desempenho desejado e o efetivamente alcançado. Há dificuldades relacionadas à aprendizagem em português e matemática, elevadas taxas de evasão no ensino médio, deficiência na formação continuada dos professores, problemas de gestão escolar e uma crescente dificuldade em manter os alunos motivados dentro das salas de aula. Além disso a disciplina, elemento fundamental para o processo ensino-aprendizagem vai de mal a pior. Outro aspecto é a excessiva instabilidade das políticas educacionais, que mudam a cada governo, quando surgem novos programas, novas metodologias e novas prioridades administrativas, todas desligadas entre si. Projetos são interrompidos antes de amadurecerem, enquanto reformas curriculares sucedem-se sem que seus resultados possam ser devidamente avaliados. A educação exige continuidade e planejamento de longo prazo mas acaba submetida ao calendário político. Enquanto isso, países que lideram os principais indicadores internacionais de educação seguem caminho oposto. Sistemas como os da Finlândia, Estônia, Coreia do Sul, Singapura e Canadá mantêm políticas estáveis durante décadas, investem fortemente na formação de professores, valorizam o ensino das disciplinas fundamentais e utilizam avaliações permanentes para corrigir deficiências antes que elas se consolidem.
Quando uma rede pública começa a perder desempenho justamente na capital da República, onde recursos financeiros e capital humano são relativamente mais abundantes, torna-se inevitável perguntar o que está acontecendo com o modelo educacional adotado aqui no DF. Seria o ideal que o resultado divulgado nesta semana não alimentasse disputas partidárias nem servisse de munição para governos ou opositores. O que os pagadores de impostos esperam é um chamado geral para recolocar a qualidade da aprendizagem no centro das prioridades da educação pública do Distrito Federal.
A frase que foi pronunciada:
“Os governos nunca aprendem. Só as pessoas aprendem.”
Milton Friedman
História de Brasília
Mazzola e Sormani somente poderão jogar pela Itália se forem italianos e é nessa qualidade, de acôrdo com as leis italianas, que vão participar da Copa do Mundo (mesmo porque, se se declararem brasileiros não poderão integrar a seleção de nenhum outro país, a não ser a do Brasil). (Publicada em 25.05.1962)
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Poucas instituições do Estado brasileiro construíram, ao longo de sua história, um patrimônio de credibilidade comparável ao do Itamaraty. Durante mais de um século, a diplomacia nacional foi reconhecida por uma rara combinação de profissionalismo, continuidade e capacidade de dialogar com governos de todas as orientações ideológicas. Presidentes entravam e saíam do Palácio do Planalto, crises internacionais surgiam e desapareciam, mas permanecia a percepção de que a política externa brasileira obedecia, acima de tudo, aos interesses permanentes do Estado. Essa tradição, construída pacientemente por sucessivas gerações de diplomatas, parece hoje submetida a uma pressão crescente provocada pela politização ideológica extremada que atualmente domina o país. As recentes tensões entre Brasil e Estados Unidos ilustram de forma eloquente todo esse processo. Em poucas semanas assistiu-se a uma sucessão de declarações públicas incomuns entre dois países que mantêm relações diplomáticas há mais de duzentos anos. Houve críticas do secretário de Estado americano Marco Rubio, respostas do governo brasileiro, manifestações do ministro Mauro Vieira e um artigo assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na imprensa americana defendendo uma visão totalmente obtusa sobre o relacionamento bilateral.
A discussão, que tradicionalmente ocorreria nos canais reservados da diplomacia, passou a ocupar manchetes internacionais, transformando divergências políticas em espetáculo público Quem chamou atenção para esse fenômeno foi justamente alguém que conhece por dentro a máquina diplomática brasileira. Ex-embaixador do Brasil em Washington e presidente do Instituto de Relações Internacionais e Comércio Exterior, Rubens Barbosa afirmou que a relação bilateral entrou numa escalada inédita de confrontação política e alertou para os riscos da excessiva politização das relações exteriores. Para Barbosa, quando a diplomacia deixa de atuar como política de Estado e passa a refletir disputas ideológicas domésticas, o país perde capacidade de negociação e reduz seu espaço de influência internacional. Não é a submissão que se deseja sobre qualquer potência estrangeira, tampouco de abdicar da soberania nacional. Países soberanos divergem entre si diariamente. A questão central reside na forma como essas divergências são administradas.
Os Estados Unidos continuam sendo uma das maiores economias do planeta, importante destino das exportações brasileiras, fonte de investimentos, tecnologia e cooperação científica. O Brasil, por sua vez, representa parceiro estratégico na América do Sul, potência agrícola, energética e mineral. Há interesses objetivos suficientes para recomendar prudência, equilíbrio e capacidade de diálogo.
Em meio a esse ambiente conturbado, ganhou repercussão internacional um artigo publicado por Mary Anastasia O’Grady, colunista do Wall Street Journal. Em sua análise, a jornalista apresentou uma interpretação profundamente crítica sobre a situação institucional brasileira, argumentando que decisões recentes representariam riscos ao Estado de Direito e às liberdades civis. É a opinião da autora, não de uma posição oficial do governo americano nem do próprio jornal, mas o fato de avaliações dessa natureza encontrarem espaço em um dos mais influentes veículos econômicos do mundo revela como a imagem internacional do Brasil tornou-se objeto de críticas intensas. Investidores internacionais acompanham atentamente a estabilidade institucional dos países onde aplicam seus recursos. Empresas avaliam previsibilidade jurídica antes de instalar fábricas ou ampliar operações. Agências de classificação de risco observam o ambiente político com a mesma atenção dedicada aos indicadores econômicos. Em economia internacional, percepção frequentemente produz efeitos concretos. A história demonstra que diplomacias excessivamente identificadas com governos específicos costumam perder eficiência quando esses governos deixam o poder. Foi exatamente para evitar esse problema que o Itamaraty construiu, ao longo de décadas, uma cultura institucional baseada na continuidade administrativa e na defesa permanente dos interesses nacionais. Essa tradição permitiu ao Brasil dialogar simultaneamente com democracias liberais, monarquias constitucionais, repúblicas presidencialistas e governos de diferentes orientações ideológicas sem comprometer sua credibilidade.
O risco agora é transformar divergências naturais entre governos em crises duradouras entre Estados. O comércio exterior oferece inúmeros exemplos do custo dessa estratégia. Barreiras tarifárias, dificuldades regulatórias, atrasos em acordos comerciais e redução de investimentos raramente atingem governos específicos. Seus efeitos recaem sobre empresas, trabalhadores e consumidores. Quando exportações diminuem, quem perde mercado é o produtor nacional. Quando investimentos são adiados, empregos deixam de ser criados. Quando aumenta a insegurança diplomática, cresce o custo de fazer negócios. E olha que não está sendo discutido aqui a questão das tarifas sobre os produtos brasileiros, que estão pagando o pato pela postura do atual governo. Ao longo de sua história, o Brasil conquistou respeito internacional justamente por evitar alinhamentos automáticos e confrontos desnecessários.
A frase que foi pronunciada
“A história será gentil comigo, pois pretendo escrevê-la.”
Winston S. Churchill
História de Brasília
Jogar futebol na Itália, na França, no Congo ou na China, não acarreta a perda da nacionalidade. Mas se um brasileiro, voluntariamente, sem nenhuma coação de país estrangeiro, pratica um ato, qualquer que seja, demonstrando a sua preferência por outra nacionalidade, está dando causa expressa para que seja declarada a perda da sua nacionalidade brasileira. A nossa Constituição (art. 130) estabelece que perde a nacionalidade brasileira o brasileiro (n. I) “que, por naturalização voluntária, adquirir outra nacionalidade”. (Publicada em 25.05.1962)
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Poucos países do mundo reúnem tantas condições naturais para oferecer energia elétrica e água de qualidade a custos reduzidos quanto o Brasil. O território nacional abriga cerca de 12% da água doce superficial do planeta, possui uma das maiores redes hidrográficas existentes, ocupa posição privilegiada em incidência solar durante praticamente todo o ano e dispõe de extensas áreas favoráveis à geração de energia eólica. A matriz elétrica brasileira continua sendo uma das mais limpas do mundo, com predominância das fontes renováveis, sobretudo da energia hidrelétrica. Ainda assim, milhões de brasileiros convivem mensalmente com contas de luz e de água que comprometem parcela crescente do orçamento familiar. O consumidor raramente paga apenas pela energia que consome. A conta de luz transformou-se, ao longo das últimas décadas, num verdadeiro labirinto de tributos, encargos setoriais, subsídios cruzados, custos regulatórios, perdas operacionais e investimentos obrigatórios. O quilowatt-hora produzido por uma usina hidrelétrica pode custar relativamente pouco. Entre a geração e a tomada da residência, entretanto, acumulam-se impostos estaduais, contribuições federais, custos de transmissão, distribuição e uma série de encargos criados supostamente para financiar políticas públicas dentro e fora da área do setor elétrico. Em alguns estados, quase metade da fatura corresponde a componentes que pouco têm relação direta com a energia efetivamente consumida.
Situação semelhante ocorre com a água. Embora seja um recurso natural abundante em grande parte do território brasileiro, sua distribuição depende de sistemas complexos de captação, tratamento e transporte. Décadas de investimentos insuficientes em saneamento básico criaram um passivo bilionário. Em muitas cidades, as perdas na distribuição ultrapassam 35% da água tratada. Em outras palavras, mais de um terço da produção simplesmente desaparece antes de chegar ao consumidor, seja por vazamentos, seja por ligações clandestinas. O desperdício acaba incorporado às tarifas pagas pela população. Não deixa de ser curioso que um país frequentemente apresentado como potência ambiental imponha ao cidadão custos equivalentes ou superiores aos encontrados em diversas economias desenvolvidas.
O setor elétrico brasileiro passou por profundas transformações desde os anos 1990. Privatizações, concessões, renovação de contratos e criação de novos agentes alteraram significativamente o funcionamento do mercado. Em tese, a abertura à iniciativa privada buscava aumentar investimentos, eficiência operacional e qualidade dos serviços. Em muitos segmentos houve efetivamente modernização da infraestrutura. Em outros, porém, surgiram novos desafios regulatórios, especialmente relacionados ao equilíbrio entre interesse público, segurança energética e remuneração dos investidores. Os debates mais recentes envolvendo ativos do setor mostram como o tema permanece sensível. A aquisição de termelétricas da Eletrobras pela Âmbar Energia, empresa pertencente ao grupo J&F, controlador da JBS, trouxe novamente para o centro das discussões questões relativas à formação de preços, à segurança do abastecimento e aos impactos financeiros para os consumidores. Paralelamente, as negociações envolvendo a situação da distribuidora Amazonas Energia suscitaram intenso debate entre governo, Agência Nacional de Energia Elétrica e agentes privados acerca da distribuição dos custos da operação. Independentemente do mérito de cada decisão, episódios dessa natureza demonstram que as escolhas regulatórias podem produzir efeitos econômicos relevantes ao longo das próximas décadas para milhões de brasileiros. Outro elemento frequentemente negligenciado é a expansão das fontes complementares de geração. Nos períodos de estiagem, quando os reservatórios das hidrelétricas reduzem sua capacidade, entram em operação usinas termelétricas movidas a gás natural, óleo combustível ou carvão mineral. Essas unidades apresentam custo significativamente superior ao da geração hidráulica. Sempre que acionadas em larga escala, pressionam imediatamente as tarifas pagas pelos consumidores por meio das bandeiras tarifárias. Assim, mesmo um país dotado de extraordinário potencial hidrelétrico continua dependente de soluções mais caras em determinados períodos do ano.
O Brasil também construiu um dos maiores sistemas interligados de transmissão de energia do mundo. A extensão territorial impõe investimentos permanentes em linhas de transmissão capazes de levar eletricidade produzida no Norte e Nordeste até os grandes centros consumidores do Sudeste e Sul. Essa infraestrutura representa importante patrimônio nacional, mas exige manutenção constante e elevados investimentos que inevitavelmente são incorporados anualmente às tarifas. No caso do saneamento, os desafios não são menores. Apesar dos avanços recentes decorrentes do novo marco legal, milhões de brasileiros ainda vivem sem coleta de esgoto e sem abastecimento regular de água tratada. públicas. O verdadeiro desafio consiste em construir um ambiente regulatório transparente, previsível e eficiente, capaz de atrair investimentos sem transferir ao consumidor encargos excessivos ou custos decorrentes de ineficiências administrativas.
A frase que foi pronunciada:
“A frequência de cobranças indevidas nas contas de água e energia elétrica é tão elevada que inevitavelmente desperta dúvidas sobre a confiabilidade dos processos de cobrança.”
Luis Saboia
História de Brasília
Pontes de Miranda, o acatado constitucionalista, comentando o art. 130 da Constituição, ensina que desde que “o brasileiro dê ensejo a que o Estado estrangeiro o considere seu nacional, há perda da nacionalidade brasileira “. (Publicada em 25.05.1962)
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Roger Scruton (1944-2020), autor de mais de 50 livros sobre estética, filosofia e artes, insistia numa ideia que, em tempos de ensino cada vez mais voltado apenas para indicadores estatísticos e resultados imediatos, parece soar quase deslocada: a de que o ensino das disciplinas artísticas constitui um dos alicerces mais essenciais da formação humana. Nas escolas brasileiras, porém, essa convicção parece ter sido relegada a um esquecimento progressivo e preocupante, como se a arte fosse um item dispensável numa lista de prioridades cada vez mais estreita. Para o filósofo britânico, a arte não representa um luxo reservado às elites, tampouco um passatempo ornamental destinado a preencher horários vagos dos currículos escolares. Trata-se, em sua visão, de um dos instrumentos mais poderosos já desenvolvidos pela civilização para formar seres humanos capazes de distinguir o belo do grotesco, o verdadeiro do falso, o elevado do vulgar. Em outras palavras, a arte não apenas educa o olhar — ela educa o caráter, molda a sensibilidade e amplia a capacidade de julgamento moral.
Essa compreensão esteve presente durante séculos nas principais tradições educacionais do Ocidente. Da Grécia antiga ao Renascimento italiano, passando pelas universidades medievais e pelas grandes escolas europeias dos séculos XVIII e XIX, música, pintura, literatura, teatro e arquitetura jamais foram consideradas disciplinas secundárias. Naquele período, as artes eram vistas como parte indispensável da formação intelectual e moral dos indivíduos, tão relevantes quanto a lógica, a retórica ou a geometria. A ideia subjacente era simples e ao mesmo tempo profunda: quem aprende a contemplar a beleza dificilmente permanece indiferente ao caos, à violência e à degradação que a cercam. No Brasil, ocorreu exatamente o movimento inverso. Nas últimas décadas, o ensino das artes foi sendo lentamente esvaziado, reduzido a uma atividade complementar, frequentemente ministrada sem estrutura adequada, sem professores especializados e sem continuidade pedagógica. Em muitas escolas públicas, a disciplina praticamente desapareceu do cotidiano dos estudantes, substituída por conteúdos considerados mais “úteis” para avaliações oficiais e para a preparação de provas padronizadas. O resultado é que uma geração inteira cresce sem qualquer contato sistemático com a música erudita, a pintura clássica, a escultura, a poesia, a história da arte ou mesmo com a rica produção artística nacional, um patrimônio que deveria ser motivo de orgulho e não de desconhecimento generalizado.
Os números ajudam a compreender esse cenário preocupante. O Brasil figura há anos entre os países com pior desempenho nas avaliações internacionais do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA), da OCDE, especialmente em leitura, matemática e ciências. Embora essas provas não meçam diretamente a educação artística, revelam uma dificuldade mais ampla na formação cultural e cognitiva dos jovens, um sintoma de algo mais profundo do que meras lacunas técnicas. Paralelamente, estudos mostram que o acesso a museus, concertos, bibliotecas e teatros permanece extremamente restrito para a maioria da população. Em muitos municípios brasileiros sequer existe um teatro em funcionamento, enquanto inúmeras bibliotecas públicas operam de forma precária, com acervos desatualizados, ou permanecem simplesmente fechadas por falta de recursos e de vontade política.
Scruton chamava atenção para a experiência estética que desperta no indivíduo um sentimento de pertencimento à civilização, uma sensação de continuidade histórica que dificilmente pode ser alcançada por outros meios. Ao contemplar uma sinfonia de Bach, uma pintura de Rembrandt, uma catedral gótica ou um poema de Camões, o estudante percebe que faz parte de uma longa cadeia de produção cultural que o antecede e que continuará após ele. Desenvolve, assim, respeito pelo legado recebido e compreende que também possui responsabilidade diante das futuras gerações uma espécie de contrato silencioso entre passado, presente e futuro. Esse processo de formação parece estar sendo interrompido em ritmo acelerado. O ambiente cultural contemporâneo, marcado pela velocidade das redes sociais, pela predominância da imagem instantânea e pela substituição da reflexão pausada por um entretenimento permanente e fragmentado, reduziu drasticamente o tempo destinado à contemplação. Não surpreende, nesse contexto, que aumentem os episódios de violência escolar, intolerância, incapacidade de diálogo e dificuldades emocionais entre adolescentes. Evidentemente, tais problemas possuem múltiplas causas econômicas, familiares e sociais, entre outras, e seria simplista atribuí-los apenas ao esvaziamento das artes. Entretanto, a ausência de formação estética contribui, de maneira silenciosa mas persistente, para empobrecer a vida interior dos jovens. Quem nunca aprendeu a se emocionar diante da beleza frequentemente encontra maior dificuldade para desenvolver empatia, autocontrole e sensibilidade diante do sofrimento alheio.
A frase que foi pronunciada:
“Que aqui se respire sempre liberdade e criação, e que a Arte e Cultura, a beleza e a inteligência, respeitando integralmente o que somos e o que fomos, abram as portas para os amanhãs de nossa terra.”
Ex- presidente José Sarney quando criou a Lei de Incentivo a Cultura
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Mazzola e Sormani somente poderão jogar pela Itália se forem italianos e é nessa qualidade, de acôrdo com as leis italianas, que vão participar da Copa do Mundo (mesmo porque, se se declararem brasileiros não poderão integrar a seleção de nenhum outro país, a não ser a do Brasil). (Publicada em 25.05.1962)
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Ser filósofo, hoje, é um ato de resistência. Num mundo polarizado, ruidoso e saturado de opiniões instantâneas, o exercício do pensamento filosófico tornou-se uma atividade quase subversiva. A reflexão, que exige silêncio, tempo e profundidade, parece incompatível com a velocidade dos dias modernos e com a superficialidade que domina o debate público. O filósofo contemporâneo, portanto, encontra-se numa encruzilhada: se cede à pressão ideológica, perde sua autonomia; se se isola completamente, corre o risco de ser ignorado. A filosofia, desde suas origens, sempre foi uma arte de desconfiar de duvidar das verdades prontas e de questionar o que parece evidente. O verdadeiro filósofo não busca aplauso nem pertencimento: busca a verdade, mesmo que ela doa, mesmo que ela o condene ao silêncio ou ao exílio moral. O Brasil, em sua breve tradição filosófica, conheceu pensadores que enfrentaram esse desafio. Benedito Nunes, por exemplo, soube pensar a partir da Amazônia, elaborando uma filosofia enraizada na realidade brasileira, mas aberta ao diálogo universal. Gerd Bornheim, com sua crítica à alienação estética e política, mostrou como o pensamento pode ser ferramenta de libertação. Vilém Flusser, em seu exílio, antecipou as transformações tecnológicas e o poder das imagens na formação da consciência contemporânea um pensador à frente de seu tempo, que jamais se deixou capturar por dogmas. Há também o exemplo de Marilena Chauí, que, embora marcada por sua proximidade com a vida política, sempre defendeu a autonomia da filosofia como espaço de crítica e não de propaganda. Rubem Alves, filósofo-poeta, mostrou que pensar é também um ato de amor e coragem: pensar é desobedecer suavemente, é abrir janelas num mundo de muros.
Esses nomes, tão distintos, têm algo em comum: não se deixaram prender pela moda intelectual ou pela conveniência política. Em tempos em que a filosofia é tratada como ornamento acadêmico ou mero discurso moral, lembrar-se da coragem desses pensadores é um gesto de lucidez. O verdadeiro filósofo, como um eremita do pensamento, vive no limite entre o isolamento e o engajamento, entre o silêncio e a palavra. Ele fala ao mundo sem ser do mundo. A filosofia continua sendo indispensável. É ela que ensina o homem a compreender a si mesmo, a reconhecer seus limites e a transformar a realidade sem ser tragado por ela. Em meio ao barulho das redes, à fragmentação das verdades e ao domínio das emoções sobre a razão, o pensamento filosófico é o último reduto da liberdade interior. Que o filósofo, mesmo solitário, continue a ser o guardião da lucidez humana esse bem raro e essencial, sem o qual a civilização se torna apenas um reflexo de suas próprias sombras.
A relação entre filosofia e política é antiga, profunda e, ao mesmo tempo, marcada por tensões inevitáveis. Se a filosofia é o espaço do pensamento e da reflexão, a política é o espaço da ação e uma não sobrevive sem a outra. A filosofia, ao longo da história, ofereceu à política os fundamentos éticos e racionais para o exercício do poder. Foi ela que ensinou que governar não é apenas administrar, mas buscar o bem comum. Platão imaginou o governante ideal como o “rei-filósofo”, aquele capaz de enxergar além das aparências e conduzir o povo pela luz da razão. Aristóteles, por sua vez, mostrou que a política é uma extensão da ética: o homem é um ser político porque só se realiza plenamente na vida coletiva. Mas se a filosofia oferece à política o senso de justiça, a política devolve à filosofia a experiência concreta do real. É no confronto com as desigualdades, com as paixões humanas e com os conflitos de poder que o pensamento filosófico é testado.
Sem o contato com a vida pública, a filosofia corre o risco de se tornar estéril, confinada à torre de marfim das universidades. Essa troca é vital: a política precisa da filosofia para não se transformar em puro pragmatismo, e a filosofia precisa da política para não se perder em abstrações. No Brasil, pensadores como Miguel Reale procuraram unir esses dois campos, desenvolvendo uma filosofia do direito e da sociedade fundada na ideia de pessoa e de valor. Paulo Arantes e Marilena Chauí, cada um à sua maneira, refletem sobre como o pensamento crítico pode revelar as contradições da vida política e social. E, antes deles, Alceu Amoroso Lima já advertia que toda política sem base filosófica tende ao despotismo ou à demagogia. Em última instância, a filosofia dá à política a bússola moral; a política dá à filosofia o chão da realidade. Ambas se educam mutuamente, e é nesse diálogo tenso, mas fecundo que a humanidade encontra o caminho da sabedoria e da liberdade.
A frase que foi pronunciada:
“A liberdade é o único objetivo que vale a pena na vida. Ela é conquistada ao ignorarmos as coisas que estão além do nosso controle.”
― Epicteto
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Jogar futebol na Itália, na França, no Congo ou na China, não acarreta a perda da nacionalidade. Mas se um brasileiro, voluntàriamente, sem nenhuma coação de país estrangeiro, pratica um ato, qualquer que seja, demonstrando a sua preferência por outra nacionalidade, está dando causa expressa para que seja declarada a perda da sua nacionalidade brasileira. (Publicada em 25.05.1962)
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Circe Cunha
“Vaidade das vaidades, tudo é vaidade”, inscrito no Livro Eclesiastes, mostra que apesar de todo o esforço humano, tudo é passageiro e caba resultando em frustração. É o que estamos assistindo agora, ao vivo e a cores, acontecer nos Estados Unidos, contra a maior autoridade daquele país nas ações de combate ao Covid-19, o médico Anthony Fauci. A maior autoridade sobre essa questão não nos Estados Unidos, como no restante do mundo caiu literalmente em desgraça pelo excesso daquilo que a Bíblia já condenava há milênios. Aos poucos, ao que parece, vão se desmoronando, peça por peça, os mitos e o tabus que envolviam a pandemia mundial e que levou muita gente inocente para a cadeia, arruinou a economia mundial, prejudicando centenas de milhões de vida e a própria economia em escala global.
Impressionante, no nosso caso é o silêncio no Brasil nessa que foi uma espécie de inquisição moderna, com fogueira e tudo contra aqueles que criticavam todo aquele protocolo esquizofrênico em torno da vacinação e do lockdown. Cinco anos depois do auge da pandemia de Covid-19, o mundo começa a revisitar decisões que, durante muito tempo, pareciam imunes a qualquer questionamento. O debate em torno da atuação de Anthony Fauci, ex-principal assessor médico do governo americano durante a emergência sanitária, tornou-se parte desse processo. Embora Fauci continue sendo reconhecido por muitos como figura central no enfrentamento da pandemia, passou agora a enfrentar críticas políticas e científicas sobre aspectos da condução da crise, da comunicação pública e da supervisão de pesquisas financiadas pelo governo dos Estados Unidos.
Em democracias maduras, esse tipo de revisão não deveria ser encarado como ameaça à ciência, mas como parte natural do escrutínio público. O problema nunca foi discutir evidências mas transformar determinadas interpretações em dogmas. Tentem lembrar dos momentos mais dramáticos da pandemia, quando opiniões divergentes frequentemente deixaram de ser tratadas como hipóteses científicas passíveis de debate e passaram a ser vistas, em muitos ambientes, como posições moralmente inaceitáveis. Essa postura produziu forte polarização, alimentou desconfiança e dificultou uma avaliação mais equilibrada das políticas públicas adotadas. Também se tornou inevitável revisitar os efeitos econômicos das medidas de contenção.
Segundo estimativas do Fundo Monetário Internacional, a economia mundial sofreu sua maior retração desde a Segunda Guerra Mundial em 2020. Milhões de empresas encerraram atividades, cadeias produtivas foram interrompidas e governos recorreram a programas extraordinários de endividamento para sustentar renda e emprego. O Banco Mundial estimou que a pandemia empurrou dezenas de milhões de pessoas de volta à pobreza extrema, revertendo parte dos avanços sociais acumulados nas décadas anteriores.
No Brasil, os impactos também foram profundos. Pequenas e médias empresas figuraram entre as mais atingidas. Diversos setores, especialmente comércio, turismo, eventos, alimentação e serviços presenciais, sofreram perdas severas. Muitas empresas não voltaram a abrir as portas. O desemprego aumentou significativamente durante o período mais crítico, enquanto milhares de trabalhadores migraram para atividades informais como forma de sobrevivência. Parte desses efeitos decorreu da própria circulação do vírus e das medidas draconianas impostas a população diante de uma crise sanitária, supervalorizada. É legítimo discutir se todas as restrições impostas foram proporcionais, se algumas poderiam ter sido calibradas de maneira diferente e quais lições podem ser extraídas para futuras emergências. O tempo vai abrindo as cortinas da encenação paulatinamente. Outro aspecto que merece reflexão diz respeito ao papel da imprensa. Em momentos de elevada incerteza, nós jornalistas, nos veículos de comunicação enfrentamos enorme responsabilidade ao traduzir informações técnicas para a população. Em diversas ocasiões, porém, críticas sustentadas por especialistas qualificados e contrários receberam pouca ou nenhuma atenção, enquanto posições oficiais ocuparam espaço quase exclusivo. A perseguição aos opositores foi imensa. A imprensa tem o direito de fazer escolhas editoriais, mas também tem o dever de revisar criticamente sua atuação quando os fatos evoluem ou novas evidências surgem. Autocrítica não representa desmoralização. Pelo contrário. Instituições que reconhecem erros tendem a fortalecer sua credibilidade. Isso vale para governos, universidades, organismos internacionais, sociedades científicas e meios de comunicação.
A pandemia produziu uma das maiores tragédias humanas do século XXI. Também expôs as dificuldades inerentes à tomada de decisões sob incerteza. O desafio agora não é substituir uma certeza absoluta por outra, mas construir mecanismos institucionais mais transparentes, capazes de preservar simultaneamente a saúde pública, as liberdades individuais e a confiança da sociedade. É preciso reconhecer despojando de todas as certezas de que a politização da ciência foi nesse caso um instrumento que ajudou a destruir vidas e economias. Talvez a maior lição daquele período seja justamente a advertência contida no Eclesiastes. Nenhuma autoridade, por mais prestigiada que seja, está acima do exame crítico. Nenhuma instituição fortalece sua legitimidade recusando perguntas. E nenhuma sociedade democrática se beneficia quando o debate público é reduzido a uma única narrativa.
A frase que foi pronunciada:
Assim, enquanto se alardeava, inclusive na Casa Blanca, que a origem em laboratório estava descartada, os autores continuavam, em particular, a atribuir uma probabilidade significativa a essa hipótese. Uma coisa em público, outra em privado.
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A nossa Constituição (art. 130) estabelece que perde a nacionalidade brasileira o brasileiro (n. I) “que, por naturalização voluntária, adquirir outra nacionalidade”. (Publicada em 25.05.1962)
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Não seria minimamente razoável, e até contra os mais elementares princípios da ética, entrarmos num processo eleitoral amplo e polarizado, como se anuncia, sem antes resolvermos os maiores e mais escandalosos casos de corrupção já vistos nesse país. Eleições não possuem o condão de passar uma borracha sobre os casos rumorosos recentes do Banco Master/BRB, dos descontos indevidos em benefícios do INSS, dos desvios em emendas parlamentares, o comércio de decisões judiciais, as fraudes em licitações públicas, a corrupção na Receita Federal e no pe4.orto do Rio de Janeiro, a lavagem de dinheiro envolvendo apostas esportivas, o caso dos fundos de previdência estaduais, as operações da CGU e da Polícia Federal e ainda o sumiço das imagens da quebradeira de 8 de janeiro, o caso Tayayá e outros que se perderam na poeira do esquecimento somados os que ainda não vieram à tona.
Os nomes estão todos aí, prontos para disputar novas posições políticas, sobretudo o pessoal da esquerda sobre os quais pesam a grande maioria desses casos mal explicados e inconclusos. A questão que se coloca é simples. Uma democracia madura não pode transformar cada eleição numa espécie de anistia moral dos escândalos que a antecederam. O voto popular escolhe governantes. Não absolve investigados, não arquiva inquéritos, não encerra auditorias nem substitui o trabalho da Justiça e dos órgãos de controle. É bom lembrar que quando uma campanha eleitoral ocupa completamente o espaço público, existe sempre o risco de que fatos gravíssimos desapareçam do noticiário antes mesmo de serem plenamente esclarecidos.
A história republicana brasileira oferece inúmeros exemplos dessa dinâmica. Como várias CPIs onde o resultado é uma sucessão de episódios que jamais receberam resposta definitiva perante a sociedade. Em muitos casos houve investigações, denúncias e processos. Em outros, houve condenações. Em diversos, contudo, permaneceram dúvidas que jamais foram satisfatoriamente esclarecidas para a opinião pública. Esse processo produz um efeito devastador sobre a confiança nas instituições. Não é apenas a corrupção que desgasta uma democracia. A percepção de impunidade causa dano semelhante. O cidadão comum passa a acreditar que determinados fatos simplesmente desaparecem com o tempo, enquanto novas promessas ocupam o espaço dos antigos compromissos nunca cumpridos.
Em muitos episódios de corrupção trazidos à tona ainda há investigações em andamento, pessoas denunciadas que aguardam julgamento e fatos que permanecem sendo apurados. Essa circunstância exige prudência nas conclusões, mas também exige que o interesse público não desapareça antes das respostas. O mesmo vale para episódios políticos que continuam cercados de controvérsias. No silêncio institucional a democracia não é fortalecida, ao contrário, a desconfiança cresce e alimenta versões conflitantes que acabam dividindo ainda mais a sociedade. Cada administração deveria ter a obrigação de concluir investigações iniciadas anteriormente, sem distinção de partido ou de orientação ideológica. Da mesma forma, futuros governos deverão responder pela condução dos casos surgidos durante seus próprios mandatos.
Nenhum projeto nacional consistente poderá prosperar enquanto parte significativa da sociedade acreditar que existem diferentes padrões de responsabilização conforme a posição política, econômica ou institucional dos envolvidos. A lei somente cumpre sua função quando alcança todos com o mesmo rigor, preservando o devido processo legal e a ampla defesa. O país aproxima-se de mais um processo eleitoral em um ambiente marcado por forte polarização política. Justamente por isso, talvez seja ainda mais importante separar disputa eleitoral de apuração institucional. Somente assim as eleições deixarão de representar um ponto final artificial sobre crises ainda abertas e passarão a cumprir sua verdadeira função: renovar governos, sem apagar a memória da República.
A frase que foi pronunciada:
“Uma nação pode sobreviver aos seus tolos, e até mesmo aos ambiciosos. Mas não pode sobreviver à traição interna. Um inimigo às portas é menos temível, pois é conhecido e ostenta sua bandeira abertamente. Mas o traidor circula livremente entre os que estão dentro dos portões, seus sussurros astutos ecoando por todos os becos, ouvidos nos próprios corredores do governo.”
Marco Túlio Cícero
Não é fake. É Falci.
Senadores norte americanos estão apresentando a Anthony Fauci todas as barbaridades ocorridas durante a Covid-19. Inclusive a sabotagem ao uso da Ivermectina que em 106 estudos envolvendo mais de 200 mil pacientes mostravam as evidências de eficácia na prevenção da Covid. A Hidroxicloroquina também poderia salvar milhares de vidas. Agarrado ao direito de se manter em silêncio, o cientista imunologista Fauci não se encontrou em condições de se defender mediante às provas.
História de Brasília
Um italiano residente no Brasil, por exemplo, será impedido pela FIFA de integrar a seleção brasileira, mesmo que os brasileiros desejem a sua presença na equipe. Só o poderá fazer se, previamente, obtiver a cidadania brasileira. Da mesma forma, um brasileiro não poderá jogar pela Itália a não ser que se naturalize italiano. (Publicada em 25.05.1962)
VISTO, LIDO E OUVIDO
*Criada por Ari Cunha DESDE 1960
hoje
Com Circe Cunha e MAMFIL Manoel de Andrade
jornalistacircecunha@gmail.com
Tanto o Estado quanto a moral poderiam ser apontados como entidades ou princípios abstratos. Ou seja, não possuem existência material, embora seus efeitos, na vida prática de cada indivíduo, são mais do que visíveis ou concretos. O Estado é uma organização política e jurídica e que exerce autoridade e força, na forma de um governo, sobre a população num determinado território. Na teoria o Estado é permanente e o governo temporário. O Estado e a moral estão em toda a parte como que dissolvidos no ar, seus efeitos são profundos e duradouros. A relação entre moral e Estado tem sido desde muito tempo um dos temas centrais da filosofia política.
Na antiguidade, Aristóteles dizia que o Estado deveria formar cidadãos virtuosos e promover o bem comum. Kant dizia que tanto os indivíduos como o Estado deveriam agir segundo princípios morais universais. Hegel via o Estado como a expressão mais elevada da vida ética de um povo. Instintivamente o povo reconhece o Estado como promotor do bem comum e da dignidade humana. Assim na teoria o povo espera que o Estado cumpra seu papel de assegurar a justiça, a igualdade e a liberdade dando, neste ponto, a moral da sociedade que serviria para avaliar e criticar o Estado. Dessa forma quando o Estado, no caso aqui o governo, viola direitos fundamentais, discrimina grupos ou age de forma corrupta, a sociedade passa a julgá-lo por critérios morais. Na realidade, o Estado só poderia existir se assentado em valores morais aceitos pela sociedade.
Dito isso, trazendo esses conceitos para a realidade brasileira atual, o que estamos assistindo é uma progressiva queda de confiança nas instituições republicanas e no próprio Estado, devido a erosão progressiva da autoridade moral do Estado, obviamente resultado de inúmeros escândalos de corrupção que vão erodindo sua credibilidade. Esse caso ocorre justamente quando o governo acredita ser a encarnação do próprio Estado, transmitindo diretamente a ele suas falhas e vícios. Nesse ponto vai ficando cada vez mais visível o desânimo da sociedade no poder do Estado de conduzir a melhora nos índices de desenvolvimento humano, sem recorrer aos falidos programas populistas e assistencialistas de bolsas. Para o cidadão comum o Estado serve sobretudo para beneficiar as elites instaladas no poder. A imagem que a opinião pública tem hoje do governo e por tabela de todo o aparato do Estado, é a pior em décadas. O povo simplesmente não confia e nem acredita no Estado, no governo, nos partidos políticos, nas instituições em geral e sobretudo na justiça que parece agir em conluio como governo.
Não só a população a população interna mantém e aumenta seu descrédito no Estado, como muitos países mundo afora que se mostram cada vez mais hostis ao Brasil. Nunca em tempo algum a máxima antiga de que não somos um país sério vai fazendo tanto sentido. Qualquer pesquisa idônea de opinião pública, mostra esse retrato atual de descrédito e de desânimo em relação ao Estado e suas instituições. O pior é que as autoridades responsáveis por essa condição de decadência, se mostram insensíveis ao que está acontecendo e parecem apostar cada vez mais no caos. Em nosso país se tornou lugar comum verificar que onde há dinheiro e vantagens ali estão também membros do Estado. Os seguidos casos de malversação dos recursos públicos mostram que os maus exemplos vêm de cima e como tal acabam contaminando toda o restante da pirâmide social. Quanto maior a indiferença dos dirigentes e responsáveis diretos do Estado em relação a crescente erosão moral na condução da coisa pública, maior a falência do que os especialistas chamam de falência do tecido moral. A infiltração do crime organizado nas instituições do Estado, até na própria polícia, como tem demonstrado notícias recentes em São Paulo envolvendo a cúpula da Polícia Militar com o PCC, demonstra que a má conduta de muitos dirigentes serve como porta aberta para entrada do crime na máquina do Estado. Nem mesmo na política, como legítima representante das aspirações públicas a coisa é diferente.
Não são poucos os casos de políticos e partidos envolvidos com todo o tipo de bandalheira.
O que dói no cidadão é saber que mesmo nas instituições representativas, que em tese poderia servir para sanar esse e outros problemas estruturais do país, os desmandos e corrupção parecem grassar, o que transforma esperança de saneamento do Estado numa ilusão. Para onde quer que o cidadão vire a cabeça, há problemas de toda a espécie que vão se acumulando. Duro também é saber que nesse grau de deterioração das instituições, não há absolutamente a quem recorrer. Um olhar atento nas nossas metrópoles mostra que o país vive numa espécie de UTI. Aumento da mendicância, da violência, o fechamento surpreendente de inúmeros estabelecimentos comerciais, o abandono e decadência visível dos centros urbanos, a tomada das periferias por gangues e grupos criminosos, a falência das escolas, dos hospitais, reafirma a certeza do cidadão de que o Brasil, por conta de suas elites vai mal das pernas. Talvez hoje faça mais sentido a sentença de Claude Lévi-Strauss em Tristes Trópicos passaria da barbárie diretamente a decadência sem ao menos conhecer a civilização.
A frase que foi pronunciada:
“Como indivíduos, temos o direito de doar quanto do nosso próprio dinheiro quisermos para a caridade; mas, como membros do Congresso, não temos o direito de nos apropriarmos de um único dólar do dinheiro público.”
Davy Crockett
História de Brasília
De acôrdo com as normas que regem o Campeonato Mundial de Futebol somente podem integrar a equipe de cada país disputante os naturais do país, sejam natos ou naturalizados. (Publicada em 25.05.1962)
VISTO, LIDO E OUVIDO
*Criada por Ari Cunha DESDE 1960
hoje
Com Circe Cunha e MAMFIL Manoel de Andrade
jornalistacircecunha@gmail.com
Publicada no Diário Oficial americano (Federal Register) a prorrogação por mais um ano da chamada declaração de emergência nacional em relação ao Brasil, a medida estava valendo desde 2025. Em sua justificativa o presidente Trump afirma que “políticas e ações do governo brasileiro ainda representam uma ameaça incomum e extraordinária à segurança nacional, à política externa e à economia dos Estados Unidos”. Além desses argumentos o governo americano diz que há no Brasil restrições à liberdade de expressão, violações de direitos humanos e perseguição política ao ex-presidente Bolsonaro. Afirma ainda o presidente americano que o Supremo age da mesma forma perseguindo opositores e violando direitos humanos. Trata-se de medida nunca antes implementada na história das relações Brasil x EUA em mais de 200 anos. Essas medidas somam-se ainda a outras como a decretação de tarifas de 25% sobre diversos produtos e outra de 12,5% sobre produtos fabricados com o uso de trabalho forçado.
Esse é o resultado de seguidos atos de desprezo nas negociações bilaterais e de inúmeros impropérios ditos pelo presidente brasileiro em palanques contra Trump. Deixar mais de 2 séculos de amizade irem para o ralo tem suas consequências e só serve para manter um grau de tensão prejudicial ao Brasil e aos brasileiros. Divergências que antes permaneciam restritas aos canais diplomáticos passaram a ocupar discursos públicos, entrevistas, pronunciamentos oficiais e decisões de elevado impacto econômico. O resultado deixou de ser apenas político. Começa a atingir empresas, exportadores, investidores e trabalhadores brasileiros.
Lembramos que os Estados Unidos continuam entre os principais investidores estrangeiros no Brasil e representam um dos mercados mais importantes para produtos brasileiros de maior valor agregado. Empresas dos setores industrial, aeronáutico, siderúrgico, químico e agrícola dependem, em maior ou menor grau, da estabilidade dessa relação. Outro fato é que quando tarifas adicionais passam a incidir sobre exportações brasileiras, quem paga a conta não é o governo ou seu partido, mas toda a população. Além disso pagam empresas que deixam de vender, trabalhadores que podem perder empregos e consumidores que enfrentam ambiente econômico ainda mais incerto do que o atual.
Não é de hoje que o atual governo brasileiro, desde que tomou posse, tem assumido posições públicas bastante críticas em relação a Donald Trump e à orientação internacional de sua administração. Da mesma forma, Trump respondeu com críticas severas ao governo brasileiro e ao Supremo Tribunal Federal, elevando o tom das divergências entre os dois países. Embora seja até natural que governos democraticamente eleitos possuam visões diferentes sobre comércio internacional, meio ambiente, organismos multilaterais ou política externa. O que não se pode é deixar que diferenças ideológicas passem a dominar uma relação que historicamente sempre foi construída sobre interesses permanentes de Estado. O Itamaraty também possui sua parte de culpa no enfraquecimento dessas relações internacionais, ao deixar os ensinamentos da escola de Rio Branco, substituindo-o por ideias vagas de um terceiro mundismo retrógrado. Lembrando aqui que a política externa brasileira sempre cultivou certa tradição de pragmatismo. E mesmo durante períodos de intensas divergências internacionais, sempre procurou preservar canais de diálogo com governos de diferentes orientações ideológicas. Essa postura permitiu ao país ampliar mercados, atrair investimentos e exercer papel relevante em negociações multilaterais.
Enquanto isso, investidores observam estabilidade institucional, previsibilidade jurídica e qualidade das relações internacionais antes de decidir onde aplicar bilhões de dólares. Empresas multinacionais avaliam riscos políticos da mesma maneira que avaliam custos tributários, infraestrutura ou disponibilidade de mão de obra. Isso significa que quanto maior a percepção de conflito diplomático, maior tende a ser a cautela dos investidores. A questão toda é que será que o atual governo ouve e segue as orientações vindas do Itamaraty? A resposta é não. A experiência internacional demonstra que grandes potências frequentemente se criticam em público enquanto negociam intensamente nos bastidores, mostrando que a política externa eficaz costuma sempre privilegiar resultados concretos em vez de vitórias retóricas. Em períodos de desaceleração econômica mundial, juros elevados e crescente competição entre mercados emergentes, preservar relações comerciais sólidas deixa de ser apenas uma questão diplomática e passa a integrar a própria estratégia de sobrevivência e de crescimento econômico. O Brasil enfrenta desafios suficientemente complexos em sua economia doméstica para acrescentar novos focos de incerteza no cenário internacional quanto pelos cidadãos.
O relacionamento bilateral tornou-se progressivamente mais personalista e menos pragmático, com divergências entre chefes de governo passando a ocupar espaço que anteriormente era reservado apenas às negociações diplomáticas conduzidas por profissionais do Itamaraty. O problema é que mercados não reagem a discursos.
A frase que foi pronunciada:
“Para Roosevelt, se uma nação fosse incapaz ou não estivesse disposta a agir para defender seus próprios interesses, não poderia esperar que os outros a respeitassem. Inevitavelmente, isso aconteceria.”
Henry Kissinger, Ordem Mundial
História de Brasília
Mas jogar futebol por outro país pode ser causa de perda da nacionalidade brasileira? Um assunto tão sério como êsse pode ser misturado com futebol e acarretar tão graves consequências? (Publicada em 25.05.1962)