A guerra das listas

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Terminadas as etapas da escolha de Alexandre de Moraes para o Supremo Tribunal Federal, o governo estará dedicado à escolha do futuro ministro da Justiça, e os procuradores da República, à do substituto de Rodrigo Janot, que deixa o cargo em setembro e ainda pode buscar a recondução. Dado o destaque que a função de procurador-geral da República ganhou nos últimos tempos, todas as entidades relacionadas a procuradores querem influir: o Ministério Público Federal, o Ministério Público do Trabalho, o do Distrito Federal e o Militar. Pelo andar da carruagem, o presidente Michel Temer receberá quatro listas diferentes quando, no passado, essas sugestões eram restritas ao Ministério Público Federal. A eleição está prevista para ocorrer ainda este semestre.

Ou negocia…

Parlamentares atentos às conversas do presidente Michel Temer com a base aliada sobre a reforma da Previdência já se referem ao texto como o ingrediente capaz de fazer a união desandar. Isso, é claro, se não houver uma negociação.

…Ou negocia

A alguns poucos interlocutores, o presidente informou que vai aceitar algumas sugestões da base, de forma a dar uma “vitória” aos parlamentares na discussão do texto. Afinal, não vai deixar o PT posar de bom moço, deixando aos governistas a pecha de insensíveis.

Os movimentos de Gleisi I

A líder do PT, senadora Gleisi Hoffmann, se julgou impedida de votar na escolha de Alexandre de Moraes para o Supremo Tribunal Federal a fim de ver se conseguia provocar todo o PSDB a fazer o mesmo no plenário do Senado. O aviso dos tucanos, já no meio da tarde de ontem, era que a estratégia não ia colar.

Os movimentos de Gleisi II

A intenção dos petistas é ainda que Moraes, depois da posse no STF, se declare impedido para julgar qualquer ação da Lava-Jato envolvendo o PT.
É que, depois de ter participado de campanhas do PSDB em São Paulo, não para ele julgar nem aliados nem adversários.

Eunício e o DF

Já tem gente no Distrito Federal disposto a pedir para o presidente do Senado, Eunício Oliveira, concorrer ao GDF. Falta combinar com o próprio, mais interessado hoje em disputar mais um mandato de senador e em buscar
novamente o comando da Casa.

Ganhou apoios/ O subchefe de Assuntos Jurídicos da Casa Civil, Gustavo Rocha, começa a receber apoios na Polícia Federal para assumir o Ministério da Justiça. Tudo porque muitos consideram que ele não vai interferir na PF, embora já tenha sido advogado de Eduardo Cunha (foto).

Por falar em Gustavo…/ Além de citado para o Ministério da Justiça, Gustavo Rocha surge agora como padrinho do desembargador do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios a ser escolhido pelo quinto constitucional. Rocha tem dito aos quatro ventos que a vaga foi criada para ele, que preferiu a Casa Civil. Portanto, caberá ao próprio escolher quem ocupará esse espaço.

…Ele está na torcida/ Há quem diga que ele está em campanha por Roberto Freitas para a vaga de desembargador. Porém, há quem esteja defendendo, junto ao presidente Michel Temer, a escolha de uma das duas mulheres que estão na disputa: Carolina Lisboa e Eliene Bastos.

Moraes e Fachin/ As duas sabatinas mais demoradas da história dos ministros do Supremo Tribunal Federal. Sinal de que os políticos mudaram muito em relação ao STF desde que começaram a ser investigados de forma mais aprofundada pela Suprema Corte.

Corrente partida

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A proposta de emenda constitucional que o senador Romero Jucá apresentou e se viu obrigado a retirar por insistência do presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), terá como desdobramento um certo distanciamento de Eunício do grupo Renan Calheiros, Jucá e José Sarney (hoje representado na Casa por Edison Lobão e João Alberto Souza, ambos do PMDB do Maranhão). Esse comando peemedebista havia articulado a proposta de Jucá sem combinar com o presidente do Senado. Se Eunício não tivesse trabalhado rápido, teria amanhecido o dia obrigado a dar explicações sobre o texto. Jucá retirou, mas está claro que Eunício não aceitará tudo o que vem do grupo, quebrando a corrente de proteção mútua em curso nos bastidores.

Regra
A decisão do governo em manter a área de segurança pública dentro do Ministério da Justiça tira de cena a indicação de qualquer deputado do PMDB. É que, para assumir um cargo sem status de ministro, só se a excelência renunciar ao mandato.

Exceção
Até aqui, o único caso de político que rejeitou um mandato parlamentar para ocupar posição de destaque no Poder Executivo foi Henrique Meirelles, no fim de 2002. Ele tinha acabado de ser eleito para um mandato de deputado federal pelo PSDB de Goiás e nem chegou a tomar posse. Renunciou para assumir o Banco Central, a convite do então presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva.

Às redes!
Passado o carnaval, Ciro Gomes começará a fazer uma hora e meia diária, ao vivo, no Facebook, comentando a conjuntura brasileira e respondendo a perguntas de internautas. É aí que ele espera tirar a diferença de votos que apresentou na última pesquisa CNT/MDA, atrás de Lula, Marina Silva, Aécio Neves e Jair Bolsonaro.

Agora vai I
O novo ministro da Secretaria de Governo, Antonio Imbassahy, descobriu há alguns dias que tem o cargo, mas não a caneta para atender à avalanche de pedidos de liberação de recursos e de espaço no Poder Executivo. Diante da constatação, reunirá a base aliada na terça-feira para tentar mudar essa música antes do carnaval.

Agora vai II
O aceno do governo federal com recursos para ajudar os estados na implantação da reforma do ensino médio será a única forma de fazer valer a proposta nas escolas públicas. Caso contrário, dizem os governadores, vai ter o básico e só.

“Boas notícias numa onda crescente”
É o que promete o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, a todos que vão visitá-lo. Não por acaso, Meirelles é considerado o retrato do otimismo no governo.

CURTIDAS

Se ele falar…/ Alvo de busca e apreensão dentro da Operação Leviatã, o ex-senador Luiz Otávio Campos é considerado, nos bastidores do PMDB, como quem sempre atuou muito perto dos poderosos do partido.

…Tem muito a dizer/ No início do mês, a coluna lembrou da briga lá pelos idos de 2004 entre os senadores Sérgio Cabral e Luiz Otávio, quando o paraense estava indicado para ministro do Tribunal de Contas da União (TCU). Luiz Otávio é visto como a interseção entre os mundos de Cabral e de parte da cúpula do PMDB.

Olha eu aqui/ Depois de ter seu nome citado para o Ministério da Justiça, o deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR) aproveitou a solenidade de sanção das mudanças no ensino médio para sentir o clima no Planalto. Está frio.

Mestre de cerimônia/ Depois de uma palestra de uma hora e meia do ex-ministro Ciro Gomes aos vereadores do PDT num hotel em Brasília, o presidente do partido, Carlos Lupi (foto), foi direto: “E aí? O homem está preparado para ser presidente?”. E a galera respondeu: “Ciro, Ciro!”

Trem da alegria no forno

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Os deputados que integram a Mesa Diretora da Câmara fizeram tantas promessas de cargos aos colegas para obtenção de votos que, já na primeira reunião do colegiado, o primeiro-secretário, Giacobo, do PR, levou uma ideia mágica: multiplicar os cargos de natureza especial, os chamados CNEs. A manobra para contratar mais gente prevê a transformação de CNE 7, hoje mais de R$ 15 mil mensais, em cargos de valores menores, em torno de R$ 3 mil mensais. Assim, cada um poderá ajudar mais apadrinhados dos parlamentares. Giacobo prometeu levar um estudo mais aprofundado em breve.

Servidores de carreira alertaram que isso não é comum. Segundo assessores e parlamentares presentes, a preocupação que surgiu na hora foi sobre aumento de despesa. Alguém disse que “praticamente nada, só encargos e vale-refeição”. Quem estava na reunião percebeu que o presidente Rodrigo Maia não se manifestou a respeito. Era como se nem estivesse ali, com tantos problemas a resolver. Tem gente torcendo para que essa postura dele não seja no sentido de “quem cala, consente”.

Os insaciáveis
Em conversas para lá de reservadas, peemedebistas avisam para que fique claro desde já: se confirmada a nomeação do deputado Rodrigo Pacheco (PMDB-MG) para o Ministério da Justiça, a bancada atendida será a de Minas Gerais, e não a do partido. Na Justiça, avisam, hoje só tem problemas. Greve de policiais, Lava-Jato e rebelião em presídios. Ou seja, só pauta negativa para colocar o partido na foto.

Aguinaldo na CCJ
Os peemedebistas vão ficar ainda mais irritados quando souberem do desenho para compensar o líder do PP, Aguinaldo Ribeiro, que estava em campanha para o lugar de André Moura na liderança do governo. É que está na roda a indicação de Aguinaldo para a presidência da Comissão de Constituição e Justiça. E não será uma novidade ter um pepista numa posição que, geralmente, é do PMDB. Arthur Lira (PP-AL) presidiu a CCJ no manadto de Eduardo Cunha como presidente da Câmara.

DRU sob ataque
Sabe aqueles recursos orçamentários com destinação a determinados setores e que a União desvincula para usar onde quiser dentro da chamada Desvinculação de Receitas da União? Pois é. O ex-deputado Beto Albuquerque, do PSB, colocou na roda a proposta de aproveitar a reforma da Previdência para evitar que os recursos oriundos de contribuições sociais e do orçamento da seguridade sejam incluídos nesse bolo. O Ministério da Fazenda não quer saber de mudança na DRU.

Prefeitos querem um PRT
Nesse embalo de pressionar para transformar o PRT num verdadeiro Refis, os prefeitos se mobilizam para ver se conseguem ser incluídos, de forma a permitir um alívio nos pagamentos de dívidas. A MP original não inclui o setor público.

Cunha em modo de espera/ Preso em São José dos Pinhais (PR), o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha decidiu esperar mais um pouco antes de partir para uma delação premiada. Espera que seu artigo publicado na imprensa, contestando a prisão, e o depoimento a Sérgio Moro, no qual mencionou Michel Temer, sirvam de recado para que o governo ajude a levar o Supremo Tribunal Federal a rever a decisão do juiz paranaense.

Dois Eikes/ Investigadores do Rio estão intrigados com a diferença de comportamento do empresário Eike Batista (foto) nas entrevistas que deu ainda no aeroporto, quando regressava ao Brasil para se entregar e agora. Antes de embarcar, ele se mostrava disposto a contar tudo o que sabia. Entretanto, permaneceu calado nos dois depoimentos. Há quem suspeite que ele tenha recebido ameaças.

Vai render/ Não foram apenas os advogados de José Dirceu que perceberam uma brecha no depoimento de Fernando Henrique Cardoso para tentar aliviar a vida do cliente. O ex-deputado Paulo Delgado, admirador de Fernando Henrique e considerado um “pelicano”, mistura de petista com tucano, saiu-se com esta: “Das duas, uma: ou Fernando Henrique diz para esquecerem seu depoimento ao juiz Sérgio Moro, ou a teoria do domínio do fato está desmoralizada”.

Privilegiado/ Os políticos que chegam ao Palácio do Planalto morrem de inveja de um ser vivo que sai de lá sempre contemplado. É um martim pescador, pássaro que todos os dias fica horas na murada do parlatório e, de repente, glup! Mergulha e sai com a refeição no bico. Nunca erra o alvo e já virou atração para visitantes e funcionários.

Na edição impressa, saiu que o vídeo da “pescaria do Martim” estaria exibido aqui. Porém, por problemas técnicos, não foi possível exibir o vídeo aqui. Ainda hoje, estará no site .

Agora, vai

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As duas decisões de primeira instância que afastaram o ministro Wellington Moreira Franco do cargo são alardeadas nos bastidores do Senado como uma razão para que a Casa aprove logo a Lei de Abuso de Autoridade. A proposta foi levada no ano passado para discussão na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), depois que o então presidente do Senado, Renan Calheiros, foi convencido a recuar na intenção de aprová-la a toque de caixa no plenário da Casa. Não é por acaso que alguns partidos colocaram ali seus senadores citados na Lava-Jato.

Esse projeto é, aliás, conforme antecipou a coluna há alguns dias, o principal motivo de Renan Calheiros ter colocado Edison Lobão na Presidência da Comissão. Diz-se, internamente, que Lobão não é “de cair com o barulho da bala”, enquanto qualquer outro poderia, se pressionado pelo Ministério Público, tirar o assunto de pauta.

Queda de braço…

O Programa de Regularização Tributária (PRT), instituído pela Medida Provisória 766, em janeiro, corre o risco de naufrágio. É que os deputados e senadores planejam transformar o PRT num novo Refis (com desconto de juros e multas), enquanto o governo deseja rechear o caixa do Tesouro. Ninguém quer ceder.

… e quem cai é a MP

A equipe econômica já pensa em deixar a MP perder a validade e tentar negociar um novo projeto de parcelamento de dívidas tributárias, mas sem descontos que representem prêmio aos inadimplentes. Falta combinar com as excelências, que pretendem correr para votar a MP, deixando ao presidente Michel Temer o desgaste de vetar a proposta, em caso de desfiguração.

Alerta

Pré-candidato a presidente da República no ano que vem, o senador Ronaldo Caiado (DEM-GO) começa a se descolar do governo, ao qual não poupa críticas. “Práticas do governo do PT estão sendo repetidas. O brasileiro não suporta mais corrupção, aumento de carga tributária e inchaço do Estado e está atento a um governo que é provisório”, disse ele durante evento em São Paulo, já prevendo a volta da população às ruas.

Nem vem

O presidente Michel Temer está sendo aconselhado a não nomear Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) para o cargo de líder do governo na Câmara. O partido, alertam alguns ministros, já tem o Ministério da Saúde e a Caixa Econômica Federal, mais espaço do que muitos do mesmo tamanho. Vai dar problema em outras bancadas.

CURTIDAS

O conselheiro/ Depois do périplo no Senado, o ministro licenciado da Justiça, Alexandre Moraes, foi almoçar com o ministro de Relações Exteriores, José Serra, conhecedor dos meandros do Parlamento.

Inferno astral I/ Rodrigo Maia só faz aniversário em junho, mas a sua primeira semana como presidente reeleito foi pra lá de amarga. Primeiro, o projeto que livrava os partidos de punição. Depois, a reportagem do Jornal Nacional sobre um suposto recebimento de vantagens da empreiteira OAS.

Inferno astral II/ Ontem, Rodrigo recebeu uma romaria de deputados em seu gabinete e não foi para lhe prestar solidariedade. A maioria foi reclamar do gás de pimenta usado dentro das dependências da Casa para evitar que manifestantes invadissem o prédio principal. Várias pessoas, inclusive parlamentares, foram atendidas no serviço médico e sentiram de perto o que a garotada sofre nas ruas. Agora, está proibido usar gás de pimenta nas dependências da Casa.

Pow! Grrr! #@*%/ Está feia a briga entre André Moura (PSC-SE) e Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) pela liderança do governo. O que um tem falado do outro nos bastidores não se escreve.

Tempo fechado no PMDB

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Renan Calheiros que se prepare: se a sua bancada puder derrubá-lo logo ali adiante, ela o fará. O desconforto cresceu quando o peemedebista ameaçou tirar o senador Raimundo Lira (PMDB-PB) da Comissão de Constituição e Justiça caso o paraibano cumprisse a promessa de disputar contra Edison Lobão, o preferido de Renan, no plenário da Comissão. “A indicação dos membros da Comissão é prerrogativa do líder”, disse Renan, não deixando a Lira outra opção que não desistir de enfrentar Lobão na CCJ.

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O desconforto é geral porque Renan conquistou unanimidade para ser escolhido líder prometendo espaço a todos os senadores, e, na CCJ, a Lobão e a Lira. Embora o ex-presidente do Senado seja considerado um dos mais habilidosos na arte da política, muitos senadores consideram que Renan é hoje a personificação da frase do ex-governador de Rio Carlos Lacerda, “habilidade demais milita contra o habilidoso”. É com essa rede de intrigas, desconfianças e raiva contida que o PMDB do Senado começa a jogar este ano pré-eleitoral, a bancada reclamando do líder em suas conversas mais reservadas. Daí para o caldo desandar, avisam alguns, pode ser um pulo.

E a reforma continua

Recém-eleito vice-presidente da Câmara, o deputado Fábio Ramalho (PMDB-MG) já foi avisado que os mineiros serão agraciados com um cargo de primeiro escalão no governo.

Por falar em ministério…

A ação popular propulsora da liminar que suspendeu a nomeação do ministro Moreira Franco acendeu o pisca alerta no Planalto. Há o receio de que ações semelhantes sejam propostas nos 26 estados e no Distrito Federal. Por isso, a estratégia será pedir ao Supremo que delibere direto para tentar neutralizar as ações na primeira instância.

Diferenças

O governo listou argumentos para tentar separar o caso de Moreira Franco daquele que envolveu o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, quando da nomeação para ministro da Casa Civil de Dilma Rousseff. “Moreira não é réu, está apenas citado. Lula, por aqueles dias de maio, já havia sido vítima de condução coercitiva para prestar depoimento e, de quebra, havia boatos sobre prisão”, resume um assessor palaciano.

Eles não querem

O texto do projeto que alivia a vida dos partidos será alterado e uma das propostas é responsabilizar os gestores e não as legendas. Falta combinar com as comissões executivas dos partidos, hoje sem o menor interesse em assumir essa responsabilidade.

E o PMDB “enrolou” Marta…/ Primeiro, a senadora Marta Suplicy iria para a segunda vice. Agora, o PMDB quer convencê-la a aceitar a Comissão de Assuntos Sociais. Só tem um probleminha: o PT, de onde saiu a senadora, deseja comandar a CAS. Marta corre o risco de ficar sem presidência de comissão.

… e Garibaldi/ O senador Garibaldi Alves (PMDB-RN) também almejava a segunda vice-presidência. Obteve quatro votos na bancada contra João Alberto. Outra promessa desfeita.

Jean Wyllys no CB.Poder/ O deputado Jean Wyllys (foto), do Psol-RJ, acredita que a política do toma lá dá cá e o presidencialismo de coalizão estão com os dias contados: “Esse sistema faliu. E aqueles que cometeram irregularidades em breve serão afastados pelas urnas”, diz ele.

Cena capixaba I/ Uma mulher sai de casa para ir ao mercadinho da esquina comprar comida, vai de carro, sem parar em semáforos. Ao chegar, bate à porta de ferro, o sujeito abre apenas o suficiente para que ela consiga entrar. A jovem compra apenas o que pode carregar nas mãos, para não sair com um carrinho e demorar perto do carro guardando as compras.

Cena capixaba II/ No mercadinho, o funcionário abre a porta para a saída dos clientes em grupos e cada um corre para entrar no seu edifício, casa ou carro. É o império do medo.

O foco é a Polícia Federal

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Com a troca de comando no Ministério da Justiça, os peemedebistas vão jogar para controlar uma das poucas instâncias federais de poder que uma parcela do PT tentou influir ao longo do governo da presidente Dilma Rousseff e não conseguiu: a Polícia Federal. É isso que está em jogo nos bastidores da escolha do ministro que assumirá a vaga aberta com a ida de Alexandre de Moraes para o Supremo Tribunal Federal.

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Ontem, quando Michel Temer avisou que o novo ministro será uma escolha “pessoal”, senadores do PMDB já começaram a se mobilizar para ver se conseguem, ao menos, indicar o diretor da PF. O líder do partido no Senado, Renan Calheiros, por exemplo, já foi ministro da Justiça e conhece a Polícia Federal por dentro e por fora.

Enquanto isso, na PF…

A Associação dos Delegados da Polícia Federal (ADPF) está praticamente na mesma linha dos senadores do PMDB, porém no sentido inverso. Para os representantes da categoria pouco importa quem será o novo ministro da Justiça, contanto que o novo diretor da PF não interfira na condução dos trabalhos de investigação.

Já que trocou o ministro…

A ADPF vai pedir ao presidente Michel Temer a troca de comando na Polícia Federal. Isso porque, na visão deles, existe hoje uma tentativa de desmonte da Lava-Jato, com a troca de integrantes da força-tarefa. Para completar, houve uma redução das equipes das operações Zelotes, sobre sonegação fiscal, e Acrônimo, que apura a lavagem de dinheiro em campanhas eleitorais.

O jeitão de Cunha

Os políticos que tiveram curiosidade e tempo de assistir ao vídeo com o depoimento de Eduardo Cunha ao juiz Sérgio Moro saíram aliviados. O ex-deputado não se mostrou disposto a partir para a colaboração premiada e continua o mesmo, ou seja, respondendo com impaciência a tudo que lhe contraria.

Cada um com seu cada qual

Os partidos da base aliada ao governo tentam se acertar para cada um pegar a comissão afinada com o ministério que comanda. O DEM, por exemplo, lutará para ficar com a Educação; e o PR, com a de Transportes.

Primeiro, o aquecimento/ Indicado presidente da comissão da reforma da Previdência, o deputado Carlos Marun (PMDB-MS) vai começar “light”, ou seja, sem sessões às sextas-feiras. Mas já avisou: “Se precisar, a gente tratora mais à frente”.

Lira e os votos/ O senador Raimundo Lira (PMDB-PB) comentava dia desses com amigos que, se for a votos, não será a primeira vez que ele derrotará um indicado oficial. Nos anos 1980, ele venceu o ulyssista Severo Gomes (PMDB-SP) para comandar a Comissão de Assuntos Econômicos, na primeira eleição do colegiado. Severo foi presidente na eleição seguinte.
Jogo triplo/ Neste ano pré-eleitoral, o deputado Efraim Moraes (DEM-PB) assume o posto de líder do partido lançando três nomes para a Presidência da República em 2018: o senador Ronaldo Caiado, o prefeito de Salvador, ACM Neto (foto), e, ainda, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia. “Está na hora de o DEM ter seu próprio nome na corrida presidencial.”

CB.Poder/ O programa da TV Brasília recebe hoje para uma entrevista o deputado Jean Wyllys (PSol-RJ), ao vivo, a partir de 13h30. Ameaçado de suspensão do mandato depois de cuspir no deputado Jair Bolsonaro, Wyllys recebeu até o apoio do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso para uma revisão da pena.

CCJ caminha para disputa no voto

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CCJ caminha para
disputa no voto

Os senadores abrirão nesta segunda-feira a primeira semana de trabalho, depois da posse da Mesa Diretora, com cheiro de disputa no voto sobre quem vai presidir a Comissão de Constituição e Justiça. A senadora Marta Suplicy (PMDB-SP) já está consultando os colegas para saber com quem poderá contar. Raimundo Lira tem muita simpatia dentro do PMDB. Porém, o ex-presidente José Sarney e Renan Calheiros esperam contar com alguém que é do grupo, leia-se Édison Lobão. Quem tem acompanhado a novela acredita que a corrida nos bastidores está tão
intensa quanto a escolha do
primeiro-vice-presidente da Câmara.

Sem CCJ,
sem ministro

O presidente Michel Temer avisou ontem aos senadores do PMDB que vai esperar a definição da Comissão de Constituição e Justiça para nomear o futuro ministro do Supremo Tribunal Federal. Embora o presidente tenha previsto anunciar o nome nesta segunda-feira, o Planalto não quer deixar o jurista “na chuva”, se desgastando enquanto os senadores não se acertam sobre o colegiado.

O superministro
Moraes

Quem conhece o presidente Michel Temer avisa: ele ampliou os poderes do Ministério da Justiça dando mais visibilidade às questões de segurança para poder proporcionar a Alexandre Moraes o desafio de reestruturar a área no Brasil. Portanto, avaliam importantes ministros do Planalto, Moraes acaba de deixar a lista de opções para futuro ministro do Supremo Tribunal Federal, que hoje está composta por integrantes dos tribunais superiores.

Os cavaleiros
de Sarney

Depois de emplacar o senador João Alberto no cargo de segundo-vice-presidente do Senado, o ex-presidente José Sarney e o comando peemedebista vão colocá-lo também como presidente do Conselho de Ética. Falta combinar com os demais senadores.

Emprego,
a próxima fronteira

Depois de completar o tabuleiro da política governamental, o presidente Michel Temer anuncia um acréscimo de 50 mil casas no Minha Casa Minha Vida e o aumento de R$ 8 mil para R$ 9 mil da última faixa de renda familiar que pode ser beneficiada com os financiamentos diretos com as construtoras.

O quadro e a moldura

O PMDB fez as contas. Descobriu que só tem um ministério que conversa diretamente com os prefeitos, o do Desenvolvimento Social. Os demais estão distribuídos. Educação é do DEM, Saúde é do PP, Cidades, do PSDB, que agora ganhou o passaporte para o futuro — acesso à distribuição de cargos e emendas ao Orçamento. Para completar, dizem os peemedebistas, os tucanos têm o Ministério de Relações Exteriores, perfeito para emoldurar um discurso moderno.

Campanha por Ives/ Uma carta assinada por mais de 50 movimentos sociais de todo o país em defesa da vida e da pessoa com deficiência pede que Michel Temer nomeie Ives Gandra Martins Filho para o Supremo Tribunal Federal. Fala em ativismo judicial que põe em risco o direito à vida e é direta: “Necessitamos de um ministro no STF que faça cumprir nossas leis, respeite a vontade do povo brasileiro, a fim de garantir o equilíbrio democrático e o direito fundamental que é o direito à vida”.

Em casa/ Mal terminou a posse dos ministros, um grupo de tucanos seguiu com Antonio Imbassahy para conhecer as salas da Secretaria de Governo. Era o retorno do partido ao Planalto, com um lugar para chamar de seu, algo que não ocorria desde janeiro de 2003, quando Lula assumiu.

Por falar em Lula…/ O presidente Michel Temer vai esperar passar o luto de Lula, mas não tardará a convidá-lo a uma conversa ou almoço no fim de semana. Aliás, esses encontros políticos têm sido praxe para o peemedebista.

Bancada Danoninho I/ É assim que os veteranos da Câmara se referem aos jovens parlamentares eleitos para a Mesa Diretora da Câmara.

Bancada Danoninho II/ O destaque para os jovens vai continuar. A deputada Bruna Furlan (foto), do PSDB-SP, comandará a Comissão de Relações Exteriores.

Às provas!

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Em meio à discussão sobre as vagas das Mesas Diretoras da Câmara e do Senado, os políticos já ensaiam os discursos de defesa sobre as delações da Lava-Jato. Nos próximos dias, eles vão começar a mostrar que a operação já dura quase três anos e até agora não teria encontrado dinheiro na conta dos 200 nomes citados, salvo aqueles que já estão na cadeia, como o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha e o ex-governador do Rio Sérgio Cabral.

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Os deputados e senadores prometem ainda vociferar nas tribunas das duas Casas para lembrar que doação legal de campanha não pode ser criminalizada, uma vez que foram devidamente declaradas à Justiça Eleitoral. Em suma, os políticos têm sido taxativos: ou a força-tarefa acha dinheiro deles no Brasil ou no exterior, ou terá de dar um atestado de bons moços a quem aparece citado. Isso servirá ainda de salvo-conduto a todos aqueles que, hoje citados, estão indicados para cargos de destaque, tanto na Câmara quanto no Senado.

Voltou duas casas

A advogada-geral da União, Grace Mendonça, foi para o fim da fila de preferências para o Supremo Tribunal Federal depois que a presidente do STF, ministra Cármen Lúcia, decidiu não levantar o sigilo da delação da Odebrecht. A irritação dos políticos é a de que estão todos agora expostos aos vazamentos seletivos, justamente neste momento de escolha da Mesa Diretora e das comissões técnicas da Câmara e do Senado. Grace é considerada a preferida de Cármen Lúcia para o STF. Agora, eles torcem para que Michel Temer não indique a “apadrinhada da ministra”.

O que eles temem

Os políticos, em especial os do PMDB, olham meio desconfiados para a decisão da ministra Cármen Lúcia de colocar na pauta de hoje do Supremo Tribunal Federal o processo sobre se quem é réu pode ou não assumir a Presidência da República. Eles receiam que Cármen Lúcia, hoje com respaldo popular e considerada uma referência nacional, se saia tão bem na Presidência da República que termine por ofuscar ainda mais a classe política, na hipótese de os presidentes da Câmara e do Senado virarem réus em algum processo penal.

Avançou uma

Se depender da torcida da ex-ministra Eliana Calmon, que deu muito o que falar no Conselho Nacional de Justiça, o futuro ministro do STF será Ives Gandra Martins Filho. “Falo em prol da instituição: conheço todos do meio jurídico que estão cotados e se depender das qualidades que entendo necessárias a um magistrado, não há dúvidas em apontar o Ives. É a personalidade que mais se aproxima do Teori. Determinado, técnico e com uma vontade muito grande de trabalho, que é a vida dele. Os demais são muito ligados a políticos. O posicionamento religioso nunca foi óbice. Sou feminista e defendo o Ives, até porque, sendo celibatário, ele faz do trabalho a sua vida”, diz a primeira mulher a ter ocupado uma cadeira no STJ.

Por falar em
Eliana Calmon…

A ex-ministra não pretende concorrer mais a mandatos eletivos. “Embarcamos num sonho, de fazer de Eduardo Campos presidente, justamente para evitarmos o que aí está. Marina Silva se apagou depois da campanha. Aí, conheci a política do continuísmo, dos partidos casas de negócio. Nesse sistema não tem lugar para mim”, comenta.

Difícil

O senador Hélio José (PMDB-DF) se apresentou para disputar a segunda vice-presidência. Se for a votos, vai enfrentar dois titãs do Senado: Garibaldi Alves e João Alberto Souza. João Alberto, o eterno presidente do Conselho de Ética da Casa, é Sarney e não abre. Garibaldi é considerado o nome mais palatável entre todos os partidos.

CURTIDAS

Eduardo Braga na Infraestrutura/ O ex-ministro de Minas e Energia Eduardo Braga (foto) caminha para presidir a Comissão de Infraestrutura do Senado, por onde costumam passar os integrantes das agências reguladoras.

Melhor de três/ Até ontem à noite, os senadores ainda não tinham conseguido um acordo sobre a Comissão de Constituição e Justiça. Raimundo Lira, Edison Lobão e Marta Suplicy pleiteiam a vaga.

Enquanto isso, na Câmara dos Deputados…/O deputado André Figueiredo (PDT-CE) tinha acabado de receber o apoio do PT para concorrer à Presidência da Câmara quando, de repente, surge o presidente Rodrigo Maia no corredor. Foi aquele constrangimento mútuo, seguido de um cumprimento frio e sem graça. Assim que Maia seguiu seu caminho, André se vira para a repórter Natália Lambert e comenta: “Pensei que ele também estava vindo me apoiar!”

Sou da Casa!/ O presidente Michel Temer vai pessoalmente ao Congresso amanhã entregar a mensagem presidencial. Quer mostrar que conhece o parlamento como nenhum dos antecessores recentes, inclusive Lula.

Função estratégica

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Enquanto os partidos se voltam para a Presidência da Casa e os cargos da Mesa Diretora, o PMDB se preocupa com o Conselho de Ética do Senado. Em reunião ontem na casa do senador Renan Calheiros para tratar dos indicados para compor a Mesa, começou-se a levantar hipóteses a respeito da Presidência do colegiado e sua composição: 15 titulares e 15 suplentes.
Com 12 senadores investigados na Operação Lava-Jato — e de vários partidos —, a intenção dos peemedebistas é conversar sobre esse tema com líderes das outras bancadas, a fim de colocar lá quem não se deixe levar pelo que eles chamam de “pressão da mídia”. Só tem um probleminha: todos os que tentaram controlar os conselhos de ética recentemente no parlamento, caso de Eduardo Cunha, não tiveram sucesso. Nada indica que, mesmo com essa preocupação antecipada, o PMDB conseguirá. Até o momento, está definido que os 12 senadores sob investigação não poderão participar do colegiado.

O que ele quer…
Renan Calheiros aproveita esses encontros para avaliar as chances de retornar a liderança do PMDB, cargo que ocupava antes de assumir a Presidência do Senado. A vaga havia sido prometida ao senador Raimundo Lira (PMDB-PB), que comandava a Comissão de Constituição e Justiça. Agora, há quem diga que Lira terá de esperar
mais um tempo.

…O cargo fornece
O posto de líder do maior partido da Casa, que é também o do presidente da República, significa acesso direto às reuniões palacianas, distribuição dos espaços de poder dentro da bancada. Assim, sempre terá um senador devendo favor ao líder. De quebra, ainda há uma ampla estrutura
de gabinete.

Era isso
As conversas mais reservadas do governo hoje são sobre o julgamento da campanha da chapa Dilma-Temer no Tribunal Superior Eleitoral e a necessidade de separar as contas. As notícias do TSE indicam que o ministro-relator, Hermann Benjamin, será rigoroso. Vale lembrar que o tribunal é presidido por Gilmar Mendes, o ministro que almoçou com o chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, no sábado, e encontrou Michel Temer no domingo.

O PSD* vai de…
Eunício Oliveira para presidente do Senado. No PT, os peemedebistas esperam contar com, pelo menos, oito votos.

Agora vai
A decisão da presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia, de homologar a delação da Odebrecht antes mesmo de definido quem será o novo relator da Lava-Jato na Suprema Corte aumentou a tensão no meio político. Como bem lembrou o ex-senador Pedro Simon, no Correio, nada vai parar a Lava-Jato.

A saída de Rosso
Na segunda semana de janeiro, o deputado Rogério Rosso (PSD-DF) compareceu ao ato que lançou a candidatura de Jovair Arantes (PTB-GO) à Presidência da Câmara e prometeu apoio. Agora, seu partido segue com Rodrigo Maia (DEM-RJ). Se apoiar Jovair, cumpre a palavra, mas vai contra a própria bancada.

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Mulher na área/ O TRF da 5ª Região formou lista tríplice para preencher a vaga do quinto constitucional destinada a advogado. A mais votada no Conselho Federal da OAB e no próprio tribunal foi a candidata pernambucana Silvana Guerra Barretto, que obteve 13 votos, seguida por Luciano Guimarães, de Alagoas, e Leonardo Carvalho, do Ceará, com 8 votos cada.

E sem padrinho/ O TRF da 5ª Região é o único que não tem uma mulher em sua composição e, apesar de sediado em Recife, é composto por três desembargadores alagoanos, três cearenses e apenas dois pernambucanos. As duas últimas nomeações, fruto de escolha da Presidência da República, atenderam aos senadores Renan Calheiros, de Alagoas, e Eunício Oliveira, do Ceará. Ambos agora estão na torcida, cada um, pelo seu conterrâneo.

CB.Poder/ O presidente da Associação dos Juízes Federais (Ajufe), Roberto Veloso (foto), é o entrevistado de hoje, 13h30, ao vivo, na TV Brasília, canal 6.

D. Marisa/ “Comentários sobre AVC de dona Marisa nas redes mostram que temos mais ódio no ar do que educação, respeito e solidariedade”, do ex-deputado Beto Albuquerque (PSB-RS). #forçadonamarisa.

*Por um erro meu, na edição impressa saiu PSol em vez de PSD. A coluna pede desculpas aos dois partidos.

Além da aposentadoria

Publicado em coluna Brasília-DF

Além da aposentadoria

Depois de comerciais sobre a reforma da Previdência, o governo prepara mais um pacote a fim de esclarecer à sociedade que o sistema previdenciário não se resume a aposentadorias e pensões e abarca um seguro global, incluídos aí licença-maternidade, auxílio-doença e outros benefícios. Por isso, haverá mensagens voltadas especialmente a mulheres em idade fértil e outras específicas para lembrar da existência do auxílio-doença, como forma de mostrar que se trata de algo mais complexo do que o custeio de aposentadorias e pensões.

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A ideia do Planalto é usar especialmente as redes sociais para explicar que o objetivo da reforma é evitar qualquer interrupção futura desse seguro. O material deve começar a aparecer nas redes depois da retomada das discussões no Congresso Nacional.

Destino seguro

Não foi apenas a advogada Beatriz Catta Preta, a precursora das delações premiadas, que decidiu deixar o Brasil em busca de segurança. O ex-diretor da Caixa Fábio Cleto também mandou sua família para fora do país. Dizia aos amigos que era a única forma de tentar proteger os seus das ameaças do doleiro Lúcio Funaro, hoje detento.

Modus operandi

Nem todos os estados vão requisitar o uso das Forças Armadas, mas os 27 governadores avisaram que pretendem pedir o que estiver disponível em termos de equipamentos de segurança. Muitos, porém, preferem não anunciar o uso de bloqueadores de celulares em presídios para evitar retaliações, como queima de colchões. Aliás, reza a lenda, a confusão no Rio Grande do Norte começou porque o secretário de Justiça, Walber Virgolino, anunciou mais rigor com a vigilância na penitenciária de Alcaçuz.

Vai que…

Na boca para ser nomeado ministro da Secretaria de Governo, o deputado Antonio Imbassahy (PSDB-BA) fez questão de comparecer ao encontro entre parlamentares baianos e o candidato a presidente da Câmara, Jovair Arantes (PTB-GO). Foi inclusive extremamente cauteloso ao mencionar o PSDB e Rodrigo Maia. Em sintonia com a cara de paisagem oficial que o governo faz para a disputa.

Briga boa

O líder do governo, André Moura (PSC-SE), que trabalha para permanecer no cargo, foi receber Jovair Arantes no aeroporto de Aracaju ontem no final da tarde. Ele compete com o líder do PP, Aguinaldo Ribeiro (PB), outro de olho em representar o governo na Câmara.

Reza forte/ O vice-governador da Bahia, João Leão, levou o deputado Jovair Arantes (foto) para receber uma bênção do reitor da Basílica de Nosso Senhor do Bonfim, Padre Edson Menezes da Silva. Sabe como é, né? Água benta e canja de galinha não fazem mal a ninguém.

Primeiro de uma fila../ Ao
desistir de concorrer à Comissão de Constituição e Justiça no ano passado, o deputado Rodrigo Pacheco (PMDB-MG) espera agora a pole position para comandar o colegiado este ano, conforme combinado com
o próprio partido.

… incerta/ O receio dos aliados
de Pacheco é a quantidade de candidatos a primeiro vice da
Câmara dentro do PMDB. Alguns concorrentes entraram apenas para valorizar o próprio passe na hora em que houver a escolha daqueles que irão compor as comissões técnicas, especialmente a CCJ.

Estado Islâmico tupiniquim/ Em entrevista ao programa CB-Poder, da TV Brasília, o ex-ministro do Superior Tribunal de Justiça Gilson Dipp comparou os métodos das facções que atuam nos presídios brasileiros ao do grupo terrorista Estado Islâmico. E foi categórico ao se referir aos 500 mil mandados de prisão não cumpridos no Brasil: “É melhor que continuem soltos do que entrar para a escola superior do crime”. Confira no site www.correiobraziliense.com.br.