Vote no Cerrado

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Severino Francisco

Em nosso território estamos sofrendo um calor de rachar o barraco, com temperaturas acima de 35 graus e umidade do ar batendo no limite de 11%, próximo da marca do deserto do Saara. Segundo informa o caderno Cidades, do Correio, na segunda-feira, a temperatura bateu recorde, chegando a 35,5 C, superando o setembro de 2021, quando atingiu 34,4C.

Os metereologistas alertam para o risco de incêndios florestais em razão da vegetação seca, com alta probabilidade de combustão. Basta qualquer faísca para o fogo se alastrar. Enquanto isso, as tempestades assolam mais uma vez o sul do país, atingindo 96 municípios, em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, com tempestades, rajadas de ventos com mais de 100 km por hora, chuvas de granizo e destelhamento de casas.

O temporal de granizo atingiu cerca de 3 mil residências no Rio Grande do Sul, provocando sérios danos. Segundo a defesa civil do Rio Grande do Sul, quase 40 mil pessoas foram afetadas. Os relatos dos moradores são de que nunca haviam visto algo semelhante na vida.

É impressionante a alienação sobre o tema. Os cidadãos do sul continuam votando em negacionistas, que, com suas ações e inações, contribuem para o agravamento da situação. E, quanto ao Congresso Nacional, em vez de convocar os cientistas para saber o que está acontecendo e tomar as providências cabíveis em termos de políticas públicas, preferem agir como se nada estivesse acontecendo.

Por isso, é muito pertinente a carta-compromisso Vote pelo Cerrado, lançada pela Rede Cerrado, que reúne mais de 550 organizações, e a Campanha Nacional em Defesa do Cerrado, que articula 60 entidades. A campanha tenta firmar o compromisso das excelências com a causa do Cerrado. É algo de relevância crucial e vital. Em entrevista concedida ao podcast do Correio, Iuri Salmano, doutor em biologia pela UnB, diretor do Instituto Cerrado, destaca que as catástrofes climáticas parecem abstratas.

Mas, na verdade, a tragédia no Rio Grande do Sul, por exemplo, teve o desmatamento do Cerrado como um dos causadores. O Cerrado já perdeu mais da metade de sua área (tamanho da Alemanha e França juntas), o que amplifica a bolha de ar quente e seco, impedindo que frentes frias adentrem pelo meio do país, desviando-as para o Sul e provocando chuvas torrenciais no Rio Grande do Sul e Santa Catarina. “O desmatamento no Cerrado hoje emite mais gases de efeito estufa do que toda a indústria brasileira”.

A interrelação do Cerrado se dá não apenas com os Pampas, mas, também, com a Amazônia, com o Pantanal e com a Caatinga. É uma ficção a divisão dos biomas como se fossem unidades autônomas. Mas é preciso que os brasilienses estreitem os laços de afinidade com o Cerrado, assim como os nativos de outras paragens.

Na Amazônia, na Caatinga ou no Pantanal, as pessoas no dia a dia se reconhecem como amazônidas, catingueiros ou pantaneiros; defender essas ideias é defender a si mesmo, argumenta Iuri. Não dá mais para votar em negacionistas do clima; vote em quem defende o Cerrado, pois você estará defendendo a sua e a vida de todos.

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