O olho do amor

Publicado em Deixe um comentárioCrônicas

    Severino Francisco Na virada da década de 1970, um rapaz magricela apareceu no programa Fantástico, da Rede Globo, cantando versos estranhos: “Hoje está passando um filme de terror/Na sessão das 10 um filme de terror/Dura um ano inteiro o filme de terror”. A repórter perguntou ao cantor por quê tanto horror e ele respondeu: “É uma questão de […]

Ritual de quem ama

Publicado em Deixe um comentárioCrônicas

    Severino Francisco Quem parte é o amor de alguém. O título da performance que os artistas brasilienses realizaram na Rodoviária, no primeiro dia do mês, e, no Museu da República, na segunda-feira, é revelador. Representa uma guinada em relação à abordagem oficial sobre os mortos da pandemia, marcada pela indiferença. Os nossos mortos são religados por um irredutível […]

A boiada da devastação

Publicado em Deixe um comentárioCrônicas

      Severino Francisco “A oportunidade que nós temos, que a imprensa está nos dando um pouco de alívio nos outros temas, é preciso passar as reformas infralegais de desregulamentação, simplificação, todas as reformas que o mundo inteiro nessas viagens a que se referiu o Onix certamente cobrou dele, cobrou do Paulo, cobrou da Teresa, cobrou do Tarcísio, cobrou […]

Mediúnica com Umberto Eco

Publicado em Deixe um comentárioCrônicas

    Severino Francisco Bomba! Neste momento dramático, esta coluna conseguiu uma entrevista mediúnica exclusiva com o escritor, filósofo e semiólogo italiano Umberto Eco (1932-2016). Ele explica porque na internet os idiotas têm a mesma voz do que um Prêmio Nobel.   Por que o senhor critica de maneira tão contundente as mídias sociais? As mídias sociais deram o direito […]

Diário da alma

Publicado em Deixe um comentárioCrônicas

    Severino Francisco   “Poesia como diário/não escrito”, escreve Maria Lúcia em um dos poemas do último livro, Em voz baixa (Iluminuras). É quase uma senha para ler a sua poesia. Ela escreve uma espécie de diário da alma, numa montagem de versos fragmentados, crônicas poéticas e frases soltas, no limiar da prosa: “Como dizem os índios Krenak, é […]

Iluminações de Manoel de Barros

Publicado em Deixe um comentárioCrônicas

    Severino Francisco   Em 1999, o artista plástico Wagner Hermusche concebeu e dirigiu um projeto de educação ambiental patrocinado por uma grande empresa, batizado por ele de Brasil 500 pássaros.Constava de um livro e de uma exposição com 500 aquarelas de pássaros da avifauna brasileira. Claro que em um projeto dessa magnitude não poderia faltar um poema de […]

Chispas de Nelson Rodrigues

Publicado em Deixe um comentárioCrônicas

  Severino Francisco Fernanda Montenegro participava de um grupo de teatro que encomendou duas peças a Nelson Rodrigues. Ela ficou encarregada de cobrar do nosso profeta do óbvio: “Eu queria falar com o Nelson Rodrigues”, ligava Fernanda para o jornal. Nelson atendia com a inconfundível voz cavernosa: “O Nelson não está”. Quem está falando?”Aqui é o Nestor”, dizia Nelson com […]

Onze Horas

Publicado em Deixe um comentárioCrônicas

  Severino Francisco Enquanto o mundo explode, cuido de coisas mínimas para manter a sanidade. No momento, ocupo-me em constituir um jardim na minha casa. Pode parecer simples, mas não é tão fácil quanto se imagina. Mesmo que tivesse dinheiro suficiente para instalar um jardim completo, existem fatores imponderáveis que interferem no empreendimento.   Moro em um condomínio horizontal fronteiriço […]

A música dos anjos

Publicado em Deixe um comentárioCrônicas

  Severino Francisco Monte Castelo é a minha canção preferida da Legião Urbana. É algo que chega mais perto de uma música dos anjos. Eu sempre a escuto como se fizesse uma prece. Quando a ouvi, pela primeira vez, tive a vaga impressão de que as palavras cantadas por Renato Russo me eram familiares. E, de fato, logo, mais que […]

Brasil em transe

Publicado em Deixe um comentárioCrônicas

  Severino Francisco Nelson Rodrigues foi assistir ao filme Terra em transe, de Glauber Rocha, que estreava nos cinemas em 1968, com um amigo. A certa altura, o amigo perguntou ao nosso profeta do óbvio o que estava achando do filme e Nelson respondeu: “É um texto chinês, só que de cabeça para baixo”. O camarada riu muito, mas quando saíram […]