Severino Francisco
O Brasil viveu o transe das eleições para presidente em duas semanas dramáticas do segundo turno com clima de final de Copa. A mobilização dos estudantes nas ruas se espraiou para muitas cidades e para múltiplas gerações. As trilhas sonoras das antigas e das novas gerações se mixaram e se remixaram com muita inventividade em clipes, vídeos e áudios. Da balada ao rock, do samba ao funk, da MPB ao rap, as músicas saltaram em velocidade vertiginosa para releituras atualizadas. Aí, vai uma montagem livre da festa democrática que se espalhou pelas redes e pelas ruas.
“Caminhando e cantando e seguindo a canção, somos todos iguais, braços dados ou não, nas escolas, nas ruas, campos, construções, caminhando e cantando e seguindo as canções. Vem vamos embora que esperar não é saber, quem sabe faz a hora não espera acontecer.
Caminhando contra o vento, sem lenço e sem documento, no sol de quase dezembro, eu vou. O sol se reparte em crimes, espaçonaves guerrilhas, em Cardinales bonitas eu vou. Eu vou, por que não? Por que não?
Abre o sigilo Flávio Bolsonaro e mostra os milhões que recebeu do Vorcaro, não vá pensando que o brasileiro é otário. Roubou a ilha do Pombo na cara dura quem votar neste cara traz de volta a ditadura. O cara não gosta de trabalhar, não aprovou nenhum projeto, seu projeto é enricar, patriota da Shopee, se ele ganhar, ganhou Trump, vai roubar tudo aqui.
Eu cheguei de muito longe e viagem foi tão longa. E na minha caminhada, obstáculos na estrada, mas, enfim, aqui cheguei. Estou envergonhado com as coisas que eu, mas não vou ficar calado, no conforto acomodado, como tantos aí. É preciso dar um jeito meu amigo.
Arrotava aos sete ventos contra a corrupção, mas agora sua máscara caiu no chão, é cidadão de bem, pátria e família que hoje passa pano para casado em orgia. Quem vota em você, tem ódio do Brasil, e acredita que o livro vale menos que o fuzil. O ódio que há em você quer matar meu otimismo, e o amor que há em mim não quer cair neste abismo.
A voz do anjo sussurrou no meu ouvido, eu não duvido, já escuto os teus sinais, que tu virias numa noite de domingo, eu te anuncio nos sinos das catedrais. Tu vens, tu vens, eu já escuto os teus sinais. Quem me dera, ao menos uma vez, como a mais bela tribo, dos mais belos índios, não ser atacado por ser inocente.
Eu vivi pra ver a barata votando no inseticida, eu vivi pra ver o eleitor suicida, tanta gente pagando mico, pobre pensando que é rico, quem vota com ódio no coração, vai pagar a conta meu irmão, eu vivi pra ver gente escondendo a arma no livro sagrado, eu vivi pra ver o pobre votar para ser ferrado. Nosso suor sagrado é bem mais belo que esse sangue amargo.
As crianças são levadas pela mão de gente grande, quem me trouxe até agora, me deixou e foi embora como tantos por aí. Descansar não adianta, quando a gente se levanta, tanta coisa aconteceu. É preciso dar um jeito meu amigo.
Andar com fé eu vou que fé não costuma faiar. Mesmo quem não tem fé, a fé costuma acompanhar, oh, pelo sim, pelo não, andar com fé eu vou, que a fé não costuma faiar. Amanhã, será um lindo dia, na mais louca alegria que se possa imaginar. Amanhã, redobrará a força da sina que não cessa advirá. Amanhã, a luminosidade alheia a qualquer vontade há de imperar. O Sol há de brilhar mais uma vez, a luz há de tocar os corações, do mal será queimada a semente, o amor será eterno novamente.”

