Filme Pieces of a Woman, da Netflix, é forte e delicado ao mesmo tempo

Compartilhe

A dor de uma mulher cujo filho morre minutos após nascer é o mote de Pieces of a woman, que tem interpretação iluminada de Vanessa Kirby. Leia a crítica

Uma dura sequência nos primeiros minutos de Pieces of a woman, filme dirigido por Kornél Mundruczó e produzido por Martin Scorsese que está no catálogo da Netflix, nos prepara para o que está por vir. Durante quase 20 minutos, acompanhamos o parto de Martha (Vanessa Kirby). Ela e o marido, Sean (Shia LeBeouf), optam por ter a filha em casa. O problema começa quando a médica de Martha não pode ir na hora em que a bolsa estoura e manda uma substituta, Eva (Molly Parker).

As cenas seguintes são, no mínimo, agoniantes e fortes. Martha tem problemas no parto e Eva não sabe muito o que fazer e demora a pedir ajuda. A criança morre poucos segundos após nascer. A mãe fica em pedaços (daí o título do filme) e nós estamos em frangalhos depois desse, que é apenas o início do filme.

Vanessa Kirby concorre ao Globo de Ouro pelo papel de Martha

Pieces of a woman acompanha o luto do casal, que lida de maneira diferente com a perda. Sean transforma a dor em luta por justiça e, mesmo contra a vontade da esposa, quer processar Eva. Martha parece que morreu junto com a filha. E aí entra todo o talento de Vanessa Kirby, indicada na última quarta-feira ao Globo de Ouro pelo papel. A atriz consegue passar a dor e a entrega dessa mulher ao luto em cada olhar triste, em cada fala sem empolgação.

Shia LeBeouf também se sai bem como Sean, mas o roteiro é bem mais centrado em Martha, deixando a dor do pai em segundo plano, algumas vezes. Tudo isso é levado à tela com sensibilidade tanto no roteiro quanto na direção.

As diferenças de reação entre Martha e Sean começam a atrapalhar o casamento deles, antes feliz. Segredos começam a ser formados e, quando revelados, têm poder destruidor. Será difícil eles entenderem que o caminho da felicidade estará na união.

Vinícius Nader

Boas histórias são a paixão de qualquer jornalista. As bem desenvolvidas conquistam, seja em novelas, seja na vida real. Os programas de auditório também são um fraco. Tem uma queda por Malhação, adorou Por amor e sabe quem matou Odete Roitman.

Posts recentes

‘Euphoria’ não está tão ruim quanto dizem

Terceira e última temporada da produção na Max apresenta quase uma nova série para a…

19 horas atrás

‘Beauty in Black’ e o prazer de uma boa vilã

Desde que a segunda temporada de Beauty in Black chegou à Netflix — há pouco mais…

4 dias atrás

Conheça a história central de “Quem ama cuida”, a próxima das nove

Com Letícia Colin vivendo mocinha justiceira, a novela das 21h da TV Globo tem assinatura…

1 semana atrás

Análise: Mais que a originalidade, ‘Três Graças’ vence coroando a autenticidade

A novela original superou o aguardado remake de Vale tudo, lamentavelmente desconfigurado por Manuela Dias  Patrick…

2 semanas atrás

A onipresença de Belo na telinha

O ano de 2025 foi do cantor, que se lançou como jurado de reality, ator…

2 semanas atrás

Análise: Prisão de Gerluce escancara a saudade que o público estava do novelão

É nesse ponto que Três Graças se afirma como um novo marco da teledramaturgia. A…

3 semanas atrás